Versículo em destaque
Zacarias 12:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E acontecerá naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém; "
Zacarias 12:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 E o Senhor salvará primeiramente as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não seja exaltada sobre Judá.
8 Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do Senhor diante deles.
9 E acontecerá naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém;
10 Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e prantearão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.
11 Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido.
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O “dia” mencionado aqui é o dia da defesa e livramento de Jerusalém. É aquele tempo glorioso em que Deus se manifesta para a salvação do seu povo. Ainda que se possa ver aqui uma referência às vitórias que os judeus obtiveram sobre seus inimigos no tempo dos Macabeus, a profecia vai além disso, apontando para a era do evangelho, para a vitória de Cristo sobre as potestades das trevas e para a grande salvação que ele trouxe para o seu povo escolhido.
São anunciadas duas grandes obras para esse dia. Primeiro, Deus fará uma obra gloriosa em favor do seu povo: “procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zacarias 12:9). Muitas nações podem se levantar contra Jerusalém e parecer muito fortes, mas todas serão destruídas. Seu poder será quebrado, e seus planos fracassarão. O mal que intentaram contra Jerusalém recairá sobre a própria cabeça delas.
Quando Deus diz que “procurará” destruí-las, isso não significa incerteza sobre o modo de fazê-lo. A sabedoria infinita nunca fica sem recursos. Antes, essa expressão mostra o quanto ele é empenhado nisso, a firmeza do seu propósito, e como ele age por meio de causas e instrumentos para cumprir o que determinou. Ele está tão decidido a esse fim que, mesmo quando parece estar exaltando seus inimigos, na verdade está conduzindo tudo para a ruína deles.
Na primeira vinda de Cristo, Deus procurou destruir aquele que tinha o poder da morte, e o destruiu. Ele esmagou a cabeça da serpente e quebrou o poder das trevas que lutava contra o reino de Deus entre os homens e contra os fiéis amigos e servos desse reino. Ele despojou esses poderes e os expôs publicamente à vergonha. Na segunda vinda de Cristo, essa destruição será consumada. Toda autoridade, domínio e poder contrários serão postos abaixo, e a própria morte será tragada na vitória. O último inimigo, que lutou contra Jerusalém, será aniquilado.
Em segundo lugar, Deus fará uma obra graciosa em seu povo, preparando-o para o livramento que vai conceder. Quando ele se levanta para destruir seus inimigos, derrama sobre o seu povo o Espírito de graça e de súplicas. Quando Deus planeja grandes misericórdias para o seu povo, muitas vezes o primeiro passo é despertá-lo para orar. Assim, ele destrói os inimigos ao mover o seu povo a pedir que ele mesmo aja em favor deles. Ele prometeu isso, e isso traz glória ao seu nome; contudo, ainda assim escolhe ser solicitado pela casa de Israel (Ezequiel 36:37). “Pedi, e dar-se-vos-á” (Mateus 7:7). Isso é um bom sinal para uma igreja aflita de que o livramento está próximo. É como a primeira luz da madrugada.
Essa promessa também aponta para os dons do Espírito concedidos a todos os crentes, como na palavra: “Derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade” (Isaías 44:3), cumprida quando Jesus foi glorificado (João 7:39). É uma promessa do Espírito, e com ele, de toda bênção espiritual em Cristo.
Essas bênçãos são derramadas sobre a casa de Davi, isto é, os principais, e sobre os habitantes de Jerusalém, o povo em geral. Os grandes nada mais são do que aquilo que a graça de Deus os faz ser. Antes já se havia prometido que a casa de Davi seria como o anjo do Senhor (Zacarias 12:8). Para que sejam assim, o Espírito de graça é derramado sobre eles, porque quanto mais os santos possuem do Espírito de Deus, mais se assemelham aos santos anjos.
É um bom sinal para uma nação quando príncipes e grandes se adiantam no que é bom, como em (2 Crônicas 20:5). A casa de Davi se resume em Jesus Cristo, o Filho de Davi. Sobre ele, como Cabeça, o Espírito de graça é derramado, e dele flui para todos os seus membros. De sua plenitude todos nós recebemos, graça sobre graça.
Os habitantes de Jerusalém, o povo comum, também recebem esse dom. A obra do Espírito é a mesma nos crentes fracos e nos fortes. Eles podem não influenciar os negócios públicos com poder ou política, como os grandes, mas ainda assim podem servir muito por meio da oração. Por isso, o Espírito é derramado sobre eles também. A igreja é Jerusalém, a Jerusalém celestial, e todos os verdadeiros crentes, cuja vida está ligada ao céu, pertencem a ela. Essa promessa é deles. Deus derramará o seu Espírito sobre eles. Esse é o penhor que todos os que creem em Cristo recebem. Por esse Espírito são santificados e por ele são selados.
O Espírito é derramado como Espírito de graça, para nos tornar santos e cheios de graça, e como Espírito de súplicas, isto é, de oração, para nos conduzir, ensinar e ajudar a orar. Onde o Espírito é dado como graça, ele é dado também como poder santificador. Onde ele é o Espírito de adoção, ensina-nos a clamar: “Aba, Pai”. Logo que Paulo se converteu, disse-se dele: “Eis que ele está orando” (Atos 9:11). Seria mais fácil encontrar um ser vivo sem fôlego do que um cristão vivo sem oração. Sob o evangelho, há um derramamento mais pleno do Espírito de oração do que havia sob a lei, e quanto mais santa é a nossa vida, melhores serão as nossas orações.
O efeito desse derramamento é que eles se lamentarão. Alguém poderia esperar que o texto dissesse que eles se alegrariam, e de fato a alegria é um fruto do Espírito, pois o Espírito Santo concede alegria. Mas aqui a promessa é de tristeza santa, tristeza pelo pecado. Esse tipo de lamento desperta a fé em Cristo e prepara o coração para a alegria em Deus. É um pranto bem-aventurado, porque termina em regozijo. É também um sinal da graça na alma e um companheiro da oração, já que a oração verdadeira muitas vezes vem acompanhada de lágrimas. Jacó, que lutou com Deus, “chorou e lhe suplicou” (Oséias 12:4).
Esse pranto pelo pecado nasce de contemplar Cristo. “Olharão para mim, a quem traspassaram, e o prantearão.” Aqui é predito que Cristo seria traspassado, e essa Escritura é citada como cumprida quando o seu lado foi ferido na cruz (João 19:37).
Ele é apresentado como aquele a quem nós traspassamos. Isso se aplica, em primeiro lugar, aos judeus, que o perseguiram até a morte. Em Apocalipse, os que o traspassaram são distinguidos dos demais povos da terra, que também se lamentarão por causa dele (Apocalipse 1:7). Contudo, isso também é verdade a respeito de todos nós como pecadores. Nossos pecados foram a causa da morte de Cristo, pois ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e o nosso pecado é a tristeza da sua alma.
Cristo é ultrajado pelo coração obstinado e infiel dos pecadores. Por isso a Escritura diz que eles o crucificam de novo e o expõem ao vitupério. Aqueles que realmente se arrependem do pecado começam a ver Cristo como Aquele a quem traspassaram, o Traspassado por causa de seus pecados e traspassado pelos seus pecados. Essa visão os leva a olhar para ele com profunda dor e amor.
Esse olhar para Cristo produz pranto. Vê-se isso especialmente naqueles a quem Pedro pregou Cristo crucificado. Quando ouviram, os que tinham parte na sua crucificação sentiram-se compungidos em seu coração e perguntaram: “Que faremos?” O mesmo acontece sempre que há tristeza segundo Deus por causa do pecado. Olham para Cristo e choram, não tanto pelos sofrimentos dele em si, mas pelos pecados que os causaram. O verdadeiro pesar pelo pecado nasce da visão de fé do Salvador traspassado. Contemplar a cruz com fé nos leva a chorar o pecado de modo santo.
Esse pranto é profundo. É como o de um pai que chora a morte de um filho muito amado. Chorarão o pecado como quem chora por um filho único, como se a esperança da família tivesse sido sepultada. Serão amargurados por dentro, como alguém amargurado por causa da morte do primogênito. Foi esse tipo de dor que se viu no Egito, quando cada casa clamava pela morte do primogênito. A dor de um filho pela morte de um pai pode ser pequena, fingida ou breve. Mas a dor de um pai pela morte de um filho, sobretudo de um filho único ou primogênito, é natural, sincera e duradoura. Assim é a tristeza de um verdadeiro penitente, de alguém que se converte de coração, e ela brota de um amor a Cristo acima de todas as coisas.
É também como o luto de um povo pela morte de um rei sábio e bom. Será como o pranto de Hadadrimom no vale de Megido, onde o bom rei Josias foi morto e houve grande lamentação pública (Zacarias 12:11). A dor pode ter sido ainda maior porque sabiam que o próprio pecado deles movera Deus a retirar uma bênção tão preciosa. Por isso clamavam: “Já caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós, porque pecamos!” Cristo é o nosso Rei. Nossos pecados trouxeram a sua morte, e por isso eles devem ser o nosso maior motivo de tristeza.
Esse luto será amplo e geral. “Naquele dia será grande o pranto na terra” (Zacarias 12:12). Na morte de Cristo, a própria terra pareceu lamentar, pois houve trevas sobre toda a região e a terra tremeu. Aqui, porém, a promessa é que muitos serão levados à tristeza pelo pecado e à conversão a Deus por causa da morte de Cristo. Será um luto amplo e gracioso, como o pranto de todo o Israel quando lamentou perante o Senhor (1 Samuel 7:2). Alguns entendem que isso se cumprirá plenamente na conversão completa da nação judaica.
Será também um pranto íntimo e pessoal. Não haverá apenas um lamento da terra por meio de seus representantes em uma reunião pública, como em Boquim, o lugar dos que choram (Juízes 2:5), mas o choro se espalhará para todas as partes do país. Cada família, à parte, lamentará (Zacarias 12:12), todas as famílias que restarem (Zacarias 12:14). Como todos participaram da culpa, todos participarão da dor. Isso também ensina que o culto em família e a devoção particular têm grande importância. Dias de humilhação nacional devem ser observados não só no culto público, mas também em nossos lares. Nesse lamento, as mulheres choram separadamente, em seus próprios aposentos, como Ester e suas servas fizeram. Alguns entendem que isso também sugere a renúncia até mesmo de prazeres lícitos em tempos de tristeza pública (1 Coríntios 7:5).
Quatro famílias são nomeadas como exemplos. Duas são reais: a casa de Davi, por meio de Salomão, e a casa de Natã, outro filho de Davi e irmão de Salomão, de quem veio Zorobabel, como mostra a linhagem de Cristo (Lucas 3:27-31). A casa de Davi, especialmente o ramo de Natã, agora o principal ramo dessa casa, tomará a dianteira nessa boa obra. Os maiores governantes não devem pensar que o arrependimento está abaixo de sua dignidade. Pelo contrário, devem manifestá-lo com mais clareza, para encorajar os outros, como Ezequias se humilhou (2 Crônicas 32:26), como o rei e os príncipes se humilharam (2 Crônicas 12:6), e como o rei de Nínive fez igualmente (Jonas 3:6).
Duas são famílias sagradas: a família da casa de Levi, a tribo de Deus, e especialmente a família de Simei, um ramo de Levi (1 Crônicas 6:17). É provável que alguns dessa família fossem importantes como mestres do povo ou ministros junto ao altar. Assim como os príncipes devem chorar pelos pecados ligados ao governo, os sacerdotes devem chorar pelos pecados ligados às coisas santas. Em tempos de angústia pública e humilhação, os ministros do Senhor devem chorar entre o pórtico e o altar (Joel 2:17) e não apenas ali, mas também em suas casas, à parte. Pois em que famílias se deveria encontrar a piedade, tanto em forma como em poder, se não nas famílias dos ministros?
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Deste capítulo
Zacarias 12:1
"Peso da palavra do SENHOR sobre Israel: Fala o SENHOR, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele."
Zacarias 12:2
"Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém."
Zacarias 12:3
"E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-á contra ela todo o povo da terra."
Zacarias 12:4
"Naquele dia, diz o Senhor, ferirei de espanto a todos os cavalos, e de loucura os que montam neles; mas sobre a casa de Judá abrirei os meus olhos, e ferirei de cegueira a todos os cavalos dos povos."
Zacarias 12:5
"Então os governadores de Judá dirão no seu coração: Os habitantes de Jerusalém são a minha força no Senhor dos Exércitos, seu Deus."
Zacarias 12:6
"Naquele dia porei os governadores de Judá como um braseiro ardente no meio da lenha, e como um facho de fogo entre gavelas; e à direita e à esquerda consumirão a todos os povos em redor, e Jerusalém será habitada outra vez no seu lugar, em Jerusalém;"
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