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Zacarias 10:5 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E serão como poderosos que na batalha esmagam ao inimigo no lodo das ruas; porque o Senhor estará com eles; e confundirão os que andam montados em cavalos. "

Zacarias 10:5

menu_book Versículo no contexto

3 Contra os pastores se acendeu a minha ira, e castigarei os bodes; mas o Senhor dos Exércitos visitará o seu rebanho, a casa de Judá, e os fará como o seu majestoso cavalo na peleja.

4 Dele sairá a pedra de esquina, dele a estaca, dele o arco de guerra, dele juntamente sairá todo o opressor.

5 E serão como poderosos que na batalha esmagam ao inimigo no lodo das ruas; porque o Senhor estará com eles; e confundirão os que andam montados em cavalos.

6 E fortalecerei a casa de Judá, e salvarei a casa de José, e fá-los- ei voltar, porque me compadeci deles; e serão como se eu não os tivera rejeitado, porque eu sou o Senhor seu Deus, e os ouvirei.

7 E os de Efraim serão como um poderoso, e o seu coração se alegrará como pelo vinho; e seus filhos o verão, e se alegrarão; o seu coração se regozijará no Senhor.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui são feitas várias promessas preciosas ao povo de Deus. Elas vão além dos judeus nos últimos dias de sua antiga organização religiosa e apontam para o Israel espiritual, a igreja do evangelho e todos os verdadeiros crentes.

Em primeiro lugar, eles terão o favor e a presença de Deus, e ele os aceitará como seu povo. Esse é o fundamento de todo o restante: “O Senhor estará com eles” (Zacarias 10:5). Ele toma o partido deles, se põe a favor deles e defende a causa deles. Se Deus é por eles, quem poderá ser contra eles?

Ainda: “Eu os terei em misericórdia” (Zacarias 10:6). Toda a honra e toda a alegria deles procedem unicamente da misericórdia de Deus. Misericórdia é bondade mostrada a pessoas em miséria e não deixa espaço para vanglória de mérito algum. Eles haviam sido rejeitados, e isso só podia significar miséria. Tinham merecido ser rejeitados, portanto nada poderiam reclamar de Deus, senão ira e maldição.

Mas Deus promete: “Serão como se eu não os tivera rejeitado.” Os pecados de seus pais, que trouxeram aquela rejeição, não seriam visitados sobre eles, nem sequer lembrados contra eles. Deus estaria tão plenamente reconciliado com eles como se nunca tivesse havido ruptura. A quebra do amor anterior se tornaria renovação de amor.

Eles estarão tão certos de que Deus se reconciliou com eles, e tão firmes nessa paz, que ficarão tranquilos como se nunca tivessem sido rejeitados. Depois que ele os restaurar ao seu favor, sua condição será tão feliz que nenhuma cicatriz restará das feridas daquela rejeição. Assim Deus trata os pecadores que voltam arrependidos, que por natureza estavam longe dele e eram filhos da ira. Ele os recebe em tal comunhão e liberdade que passam a ser como se nunca tivessem sido lançados fora.

1. A aliança na qual entram é a mesma de sempre: “Eu sou o Senhor seu Deus”, conforme o acordo original feito com seus pais.
2. A comunhão que desfrutam é a mesma de antes: “Eu os ouvirei.” Eles serão tão bem‑vindos para falar com ele, e estarão tão certos de receber uma resposta de paz quanto antes. Ele nunca disse, nem dirá à casa de Jacó: “Buscai‑me em vão.”

Em segundo lugar, eles serão vitoriosos sobre os inimigos que tentam afastá‑los do dever para com Deus ou do consolo em Deus (Zacarias 10:5). Serão como poderosos, fortes no corpo e valentes de espírito, homens de força, coragem e utilidade. Os de Efraim, assim como os de Judá, serão como um homem poderoso (Zacarias 10:7), dispostos para tarefas difíceis e capazes de levá‑las a termo. Como homens valentes, esmagarão seus inimigos na batalha, como quem pisa o lodo das ruas.

Eles lutarão, porque o Senhor estará com eles. Alguns poderiam imaginar que isso significaria poderem ficar parados, sem fazer nada, já que Deus pode fazer todas as coisas. Mas não: a presença graciosa de Deus não substitui o esforço humano, ela nos estimula a trabalhar com mais empenho. Devemos desenvolver a nossa salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar.

Eles pelejarão com prontidão e firmeza, porque, se Deus está com eles, a vitória é certa, e mais que certa. Então os que andam montados em cavalos serão confundidos. A cavalaria inimiga ficará atônita e em desordem diante da infantaria judaica. Em sentido mais amplo, isso se aplica também aos pregadores do evangelho de Cristo. Eles saíram para combater o bom combate com ousadia, porque Deus estava com eles, e os cavaleiros que se levantaram contra eles foram envergonhados, pois Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as sábias e as poderosas.

De onde vem toda essa força? Como eles se tornam tão capazes e ativos? Vem do Senhor e do poder da sua força (Zacarias 10:6). “Eu fortalecerei a casa de Judá e salvarei a casa de José.” Deus nos salva fortalecendo‑nos, e realiza a nossa felicidade operando em nós para cumprirmos o nosso dever. Isso deve nos tornar diligentes em usar a força que ele concede, e, ao mesmo tempo, levar-nos a dar a ele toda a glória. Deus é a nossa força e, assim, se torna também o nosso cântico e a nossa salvação.

Em terceiro lugar, os que estão dispersos serão reunidos em um só corpo (Zacarias 10:6). “Tornarei a trazê‑los, para que habitem”, trazendo‑os de outras terras e estabelecendo‑os na sua própria terra. Isso seria sinal de plena restauração a todos os privilégios que antes possuíam. Voltarão a possuir sua própria terra.

Isso se cumpriu quando os filhos de Deus, espalhados pelo mundo, foram reunidos pela fé em Cristo na igreja do evangelho, e judeus e gentios se tornaram um só rebanho (João 10:16). Para realizar isso, Deus diz: “Eu assobiarei por eles”, ou seja, ele os chamará com um assobio, como o pastor chama suas ovelhas com sua flauta, quando elas conhecem sua voz. Assim ele os ajuntará. A pregação do evangelho foi, na prática, o chamado de Deus às almas para virem a Jesus Cristo, sua convocação para reunir as ovelhas dispersas em pastos verdejantes.

“Eu os ajuntarei, porque já os remi.” Aqueles que Cristo remiu com seu sangue, Deus ajuntará pela sua graça, como a galinha junta seus pintinhos debaixo das asas. Essa promessa é ampliada em Zacarias 10:10: “Também os farei voltar da terra do Egito.” Alguns entendem que isso se cumpriu literalmente quando Ptolomeu Filadelfo, rei do Egito, enviou 120.000 judeus de seu país de volta à sua terra. Outros relacionam a um ajuntamento semelhante vindo da Assíria por obra de Alexandre, filho de Antíoco Epifânio. Mas o cumprimento espiritual é o ajuntamento de almas preciosas de uma escravidão pior que Egito ou Assíria, introduzindo‑as na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, com bênçãos ricas como os pastos férteis de Gileade e do Líbano.

Toda a terra da promessa lhes pertence, até Gileade, no extremo leste, e o Líbano, no extremo norte. Mas como isso pode acontecer? Como pessoas tão espalhadas podem ser reunidas? Como os que estão tão longe de sua própria pátria podem voltar? As dificuldades parecem impossíveis, mas serão vencidas tão fácil e completamente quanto os obstáculos que ficaram no caminho do livramento de Israel do Egito e de sua entrada em Canaã. Ele passará pelo mar com angústia, como passou pelo mar Vermelho, para grande aflição de Faraó e de seu exército, ou do próprio mar, cujas ondas ele golpeará. As águas serão repelidas, como quando “o mar viu isso e fugiu” (Salmo 114:3). E todos os abismos dos rios, até os mais profundos, se secarão, como o Jordão se secou para abrir caminho a Israel rumo à boa terra que Deus lhe dera.

Está o orgulho da Assíria no caminho de seu livramento? Deus o reprimirá, ele que impõe limites às ondas soberbas do mar, e a Assíria será abatida. O poder real do Egito se opõe a isso? Também passará, de modo que não impedirá o ajuntamento do Israel de Deus quando chegar o tempo de ele agir.

Quando a igreja do evangelho foi reunida dentre todas as nações pela pregação da palavra, os poderes irados da terra e do inferno se levantaram com grande oposição. Os obstáculos pareciam intransponíveis. Mas, com o poder divino operando por meio da mensagem de Cristo, ela se tornou poderosa para destruir fortalezas e conduzir milhares à conversão e à salvação. Então o mar fugiu e o Jordão tornou atrás diante da presença do Senhor.

Eles também se multiplicarão muito, e a igreja, esse novo mundo, será preenchida (Zacarias 10:8). Eles crescerão como cresceram outrora no Egito e, como nos dias de Davi e Salomão, haverá grande acréscimo ao seu número. Quando Deus ajunta para si o seu povo remido, eles mesmos ajudam a ajuntar outros com eles, e o caminho de volta para casa será como uma bola de neve que rola morro abaixo, aumentando à medida que avança. Quanto mais ela anda, mais cresce, ajuntando mais.

Eu os ajuntarei, e eles se multiplicarão. A igreja de Cristo é um corpo em crescimento enquanto estiver neste estado presente de fraqueza, até atingir a medida da plena estatura de Cristo. Dia após dia o Senhor acrescenta à igreja os que vão sendo salvos. Ela se espalhará por lugares distantes. Encherá Canaã, até Gileade e o Líbano, de modo que ali já não haverá mais lugar para ela (Zacarias 10:10). Em Judá apenas Deus era conhecido, e só em Israel seu nome era grande. Somente ali ele havia revelado suas leis e juízos. Mas, nos tempos do evangelho, esse espaço seria pequeno demais, e a tenda da igreja precisaria ser alargada, com suas cordas estendidas.

Então eu os semearei entre os povos (Zacarias 10:9). A sua dispersão será como semente lançada na terra, não para ser enterrada, mas para brotar e dar muito fruto. Os judeus foram espalhados por todas as nações debaixo do céu (Atos 2:5). Alguns foram expulsos por causa de tribulações, enquanto outros provavelmente emigraram, estabelecendo colônias, porque a terra de Israel se tornara pequena para eles. Muitos também nasceram em outras nações, mas haviam abraçado a religião judaica. Assim foram semeados entre os povos (Oséias 2:23). Isso contribuiu muito para a ampla difusão do evangelho.

Os judeus que vinham de todas as partes para adorar em Jerusalém levaram de volta para seus países a luz e o fogo do evangelho, como se vê em (Atos 2) e como fez o eunuco em (Atos 8). As sinagogas deles, nas cidades dos gentios, também foram os primeiros lugares onde os apóstolos pregavam, por onde quer que andassem. Assim, quando Deus os espalhou entre os povos, não foi para que os gentios lhes fizessem mal, mas para que, por meio deles, lhes fizessem bem. Deus também cuidou para que eles se lembrassem dele e falassem do seu nome em terras distantes. Conservando entre eles o conhecimento de Deus, tal como se revelara no Antigo Testamento, Deus os preparou para receber mais prontamente o conhecimento de Cristo no Novo Testamento.

A igreja também permanecerá nas gerações futuras. Ela não será algo passageiro, limitado a uma única geração, mas uma semente servirá ao Senhor (Zacarias 10:7). Seus filhos a verão e se alegrarão, e eles viverão com seus filhos e voltarão (Zacarias 10:9). Aqueles que forem convertidos a Cristo terão seus filhos com eles. Ensinarão a eles o conhecimento do Senhor e os levarão consigo quando retornarem à terra santa e ao caminho de santidade. Para aqueles a quem primeiro se pregou, a promessa era para eles e para seus filhos (Atos 2:39). Serão tão espalhados entre os povos que nunca serão exterminados. A família de Cristo na terra jamais se extinguirá, e seu povo nunca deixará de existir por falta de herdeiros.

O próprio Deus será tanto a força deles como o seu cântico. Nele encontrarão consolo e grande satisfação (Zacarias 10:7). Seu coração se alegrará como pelo vinho, pois o amor de Cristo, que é a sua alegria, é melhor do que o vinho. Serão como um homem poderoso, e o seu coração se alegrará. Quando resistimos firmemente e vencemos nossos inimigos espirituais, nosso coração se alegra. Mas prejudicamos a nossa própria alegria quando nossa resistência é fraca e cedemos às tentações de Satanás. O coração deles se alegrará, e então serão como um homem poderoso, porque a alegria do Senhor é a nossa força. A graça e a alegria deles também se estenderão aos seus filhos. Seus filhos o verão e se alegrarão, e o coração deles igualmente se regozijará no Senhor. É bom ensinar cedo às crianças os prazeres da verdadeira religião e tornar seus deveres o mais agradáveis possível, para que, aprendendo desde cedo a se alegrar no Senhor, se apeguem firmemente a ele.

Deus também os levará adiante com vigor e com um coração largo em seu serviço (Zacarias 10:12). Eu os fortalecerei no Senhor, diz ele, fortalecendo-os para o caminhar e para o trabalhar, bem como para o lutar. O Deus de Israel dá força e poder ao seu povo. Ele fortalece todas as suas faculdades e capacidades para a obra espiritual, além do que a natureza concede e contra aquilo em que a corrupção da natureza resiste. Veja como essa força lhes é comunicada: Eu, o Senhor, os fortalecerei no Senhor, isto é, no Messias, que é Jeová nossa força, assim como Jeová nossa justiça. A força está depositada para nós em Cristo, e dele ela vem até nós. É por meio de Cristo, que nos fortalece, que podemos todas as coisas, e sem ele nada podemos fazer. Foi para esse fim mesmo que a força lhe foi entregue (Salmo 68:28).

Note agora como eles usarão essa força: andarão para cá e para lá em seu nome. Se Deus nos fortalece, precisamos nos mover à ação. Devemos andar em todos os deveres da vida cristã, ativos e diligentes na obra de Deus, sem desperdiçar o tempo ou perder oportunidades. E devemos sempre andar em nome de Cristo, fazendo tudo por sua autoridade e em dependência dele, tendo sua palavra como regra e sua glória como alvo. Para nós, viver deve ser Cristo, e tudo quanto fizermos, em palavra ou em ação, devemos fazer em nome do Senhor Jesus, para que não recebamos em vão a graça fortalecedora de Deus (Salmo 80:17, Salmo 80:18).

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