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Zacarias 1:7 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Aos vinte e quatro dias do mês undécimo (que é o mês de Sebate), no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido, dizendo: "

Zacarias 1:7

menu_book Versículo no contexto

5 Vossos pais, onde estão? E os profetas, viverão eles para sempre?

6 Contudo as minhas palavras e os meus estatutos, que eu ordenei aos profetas, meus servos, não alcançaram a vossos pais? E eles voltaram, e disseram: Assim como o Senhor dos Exércitos fez tenção de nos tratar, segundo os nossos caminhos, e segundo as nossas obras, assim ele nos tratou.

7 Aos vinte e quatro dias do mês undécimo (que é o mês de Sebate), no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido, dizendo:

8 Olhei de noite, e vi um homem montado num cavalo vermelho; e ele estava parado entre as murtas que estavam na baixada; e atrás dele estavam cavalos vermelhos, malhados e brancos.

9 E eu disse: Senhor meu, quem são estes? E disse-me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são estes.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Hoje não chegamos ao Senhor por meio de visões e revelações. No tempo de Zacarias, Deus escolheu falar assim para despertar a atenção do povo, incutir neles um respeito humilde por sua palavra e ajudá-los a guardá-la na memória. A maior parte das visões que se seguem tinha por propósito consolar os judeus recém‑voltados do exílio e encorajá‑los a prosseguir na reconstrução do templo.

Essa primeira visão serve como introdução às demais. Ela mostra que Deus se importava com o seu povo e o vigiava para o bem deles, ainda que a condição em que se encontravam parecesse sombria e abandonada. A visão é datada ao vigésimo quarto dia do décimo primeiro mês, três meses depois do primeiro sermão de Zacarias (Zacarias 1:1). Naquela pregação, ele os havia chamado ao arrependimento em razão dos juízos de Deus. Como essa mensagem já começara a produzir fruto, agora as promessas de misericórdia são confirmadas: se eles se voltassem para Deus em obediência, ele se voltaria para eles em misericórdia.

Zacarias vê primeiro um bosque de murtas, um lugar escuro e sombrio, em um vale, escondido pelos montes ao redor. Isso retratava a situação da igreja judaica naquele tempo: abatida, ofuscada por outras nações, enterrada na obscuridade, e com qualquer socorro ou apoio oculto aos olhos humanos. A igreja nem sempre foi visível; em certos períodos ela esteve escondida, como a mulher no deserto (Apocalipse 12:6).

Ele vê também um homem montado em um cavalo vermelho, parado no meio das murtas. Este é o Senhor Jesus Cristo, o mesmo que apareceu a Josué com a espada desembainhada, como capitão do exército do Senhor (Josué 5:13-14), e depois a João, com um arco e uma coroa (Apocalipse 6:2). Ainda que a igreja estivesse em lugar baixo e desprezível, Cristo estava presente no meio dela. Escondido entre as árvores, ele continuava ali, pronto a trazer socorro na hora certa e a surpreender o seu povo com livramento. Ele cavalga como guerreiro, disposto a agir em favor do seu povo e a se apressar em sua ajuda (Deuteronômio 33:26). O cavalo vermelho pode apontar para a cor da guerra, ou do sangue, indicando sua ira contra os inimigos e seu zelo por Jerusalém (Zacarias 1:14). Sob a lei, esse cavalo vermelho combinava com o tom solene e temível daquela era, em que o grande conflito de Cristo ainda estava por vir. Sob o evangelho, porém, ele aparece em um cavalo branco, mostrando que já conquistou a vitória e cavalga em triunfo (Apocalipse 6:2; Apocalipse 19:11).

Zacarias vê ainda um grupo de cavalos atrás dele, alguns vermelhos, alguns salpicados, e alguns brancos. São anjos que acompanham o Senhor Jesus, prontos para executar suas ordens em benefício da igreja. Uns servem em juízo, outros em misericórdia, e outros de modo misto, com juízo e graça entrelaçados. O Rei da igreja tem anjos à sua disposição, não apenas para honrá‑lo, mas também para servir àqueles que lhe pertencem.

Zacarias pergunta o que significava aquela visão. Havia um anjo falando com ele como seu guia, além das figuras que ele via na própria visão, tal como também Ezequiel e Daniel tiveram instrutores em suas visões (Ezequiel 40:3; Daniel 8:16). Ele diz: “Meu senhor, que são estes?” (Zacarias 1:9). Parece que o anjo que falava com ele era o próprio Cristo, o homem montado no cavalo vermelho, e Zacarias se dirige diretamente a ele. Se quisermos entender os mistérios do reino dos céus, devemos ir ao próprio Cristo. Não devemos recorrer aos anjos para isso, pois eles também são aprendizes. Só Cristo pode abrir o livro e romper os seus selos (Apocalipse 5:7). A pergunta de Zacarias revela humildade e verdadeiro desejo de aprender. Ele quer saber, não por curiosidade, mas para poder levar consolo ao povo de Deus em sua aflição.

Cristo lhe responde: “Eu te mostrarei o que são estes.” Ele está pronto a ensinar aqueles que realmente desejam aprender as coisas de Deus. Todo conhecimento verdadeiro que temos, ou viermos a ter, a respeito do mundo espiritual, devemos a Cristo. A resposta é que se tratava daqueles que o Senhor havia enviado, seus mensageiros e embaixadores, designados para percorrer a terra, observar o que acontece e cumprir as ordens de Deus. Deus não necessita do serviço deles, mas se agrada em usá‑los. E nós somos consolados ao saber como ele governa por meio deles.

Zacarias então ouve o que os anjos relatam a Cristo sobre o estado do mundo. A fé vem pelo ouvir, e as visões costumavam incluir também uma palavra audível. Os anjos haviam andado pela terra como mensageiros velozes, e agora voltam com seu relatório ao Anjo que está entre as murtas, isto é, ao Senhor Jesus. Os próprios anjos prestam contas a ele. Eles dizem: “Temos andado pela terra, e eis que toda a terra está quieta e em descanso” (Zacarias 1:11). Isso nos lembra de pedir que a vontade de Deus seja feita na terra como é feita no céu, pois é evidente que ainda não é assim.

Esse relatório também mostra quão ativo é o mundo angelical. Os anjos no céu não descansam, dia e noite, de louvar a Deus; esse é o seu serviço lá. Os anjos enviados a servir na terra também não vivem ociosos. Estão continuamente subindo e descendo sobre o Filho do Homem (João 1:51), como a escada de Jacó (Gênesis 28:12), sempre se movendo pela terra. Satanás confessa que é ativo em fazer o mal (Jó 1:7). É consolador saber que os anjos bons são igualmente ativos em fazer o bem. Temos guardiões que andam constantemente ao redor, procurando nos ajudar, enquanto nossos inimigos também rondam como leões que rugem, buscando a quem possam tragar. Embora os santos anjos encontrem muitas coisas desagradáveis neste mundo, não hesitam em ir aonde Deus os envia.

A própria casa deles, que desvalorizaram quando caíram dela, estimarão ainda mais quando a ela retornarem.

Vemos também quão descuidoso é o mundo. “Toda a terra está quieta e em descanso”, enquanto a igreja está abalada, açoitada por tempestades e sem consolo. Os que estão fora da igreja vivem em segurança, e os que a combatem muitas vezes parecem prosperar. Caldeus e persas viviam confortavelmente, enquanto os pobres judeus eram mantidos em constante temor, como se via em Susã, onde o rei e Hamã se assentaram para beber, enquanto a cidade estava perturbada.

Os filhos deste mundo vivem alegres e despreocupados, e ninguém se entristece pela aflição do povo de Deus. É triste perceber quão profundamente adormecido está o mundo, como um espírito de entorpecimento caiu sobre a maioria. Estão debaixo da ira de Deus e sob o poder de Satanás, e ainda assim permanecem seguros e indiferentes, assentados tranquilos e à vontade (Lucas 17:26).

Zacarias ouve então a oração de Cristo ao Pai pela sua igreja aflita (Zacarias 1:12). Os anjos relatam o que se passa neste mundo inferior, mas não lemos que eles orem a respeito das angústias que descrevem. Não; o grande intercessor é o Anjo entre as murtas. Depois de ouvir o relatório, ele se volta imediatamente para o céu e diz: “Senhor, não terás tu misericórdia da tua igreja?”

O que ele pede é misericórdia, como no clamor: “Mostra‑nos, Senhor, a tua misericórdia” (Salmo 85:7). A misericórdia de Deus é tudo para o consolo da igreja, e toda ela deve ser esperada mediante a mediação de Cristo, isto é, seu ofício sacerdotal de nos conduzir a Deus. O que ele lamenta é a demora dessa misericórdia: “Até quando não terás misericórdia?” Ele sabe que as misericórdias em Cristo são eternas (Salmo 89:2), mas sente profundamente a demora em experimentá‑las.

Aqueles que ele recomenda à misericórdia de Deus são Jerusalém, a cidade santa, e as outras cidades de Judá, agora em ruínas. Deus estivera irado com elas por setenta anos. Ele menciona esses setenta anos porque essa era a medida fixada por Deus para o cativeiro. Embora já houvesse sido concedida alguma misericórdia, o bastante para reacender a esperança (Esdras 9:8), a dor daqueles anos ainda era aguda. Aquela longa disciplina permanecia como a tristeza de que ainda falavam: a ira de Deus durante aqueles setenta anos.

O doutor Lightfoot entende que esses setenta anos poderiam ser contados a partir do décimo primeiro ano de Zedequias, quando Jerusalém e o templo foram queimados, e não desde o quarto ano de Jeoaquim. Assim, terminariam no segundo ano de Dario Histaspes, cerca de dezenove anos depois do decreto de Ciro. Nesse caso, o cativeiro teria sido aliviado gradualmente, do mesmo modo que veio gradualmente. O clamor deles, em essência, é: “Senhor, ainda estamos debaixo do peso daqueles setenta anos de indignação. Acaso ficarás irado conosco para sempre?”

Zacarias também ouve uma resposta graciosa à intercessão de Cristo pela igreja, pois é uma oração poderosa e sempre agradável ao Pai, que sempre o ouve (Zacarias 1:13). O Senhor responde ao anjo, esse Anjo da aliança, com boas palavras e palavras consoladoras, prometendo misericórdia, livramento e a conclusão da obra que havia começado em favor deles. Eram palavras de consolo para Cristo, que sente as dores das aflições de sua igreja, e são palavras de consolo para todos os que choram com Sião.

Deus muitas vezes responde à oração com boas palavras antes de mostrar grandes obras. Essas palavras já são respostas reais às orações. Promessas humanas não sustentam o corpo (Tiago 2:16), mas as boas palavras de Deus alimentam a fé. Nele, falar e fazer não são coisas separadas, como muitas vezes são em nós.

Em seguida, o profeta ouve essa resposta repetida para si mesmo, com a ordem de transmiti-la ao povo de Deus para o seu consolo. A revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu, ele a fez conhecer ao seu servo João, e, por meio dele, às igrejas (Apocalipse 1:1, Apocalipse 1:4). Do mesmo modo, todas as boas e consoladoras palavras do evangelho chegam a nós por meio de Jesus Cristo, que as recebeu do Pai em resposta à oração do seu sangue. Seus ministros são encarregados de pregar essas palavras a todo o mundo.

Agora que Deus quer falar consolo a Jerusalém, Zacarias deve ser a voz que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor”. A voz diz: “Clama”. Então ele deve clamar. Os profetas precisam agora falar com tanta força para mostrar ao povo de Deus o seu consolo quanto antes falaram para mostrar-lhes os seus pecados (Isaías 40:2, Isaías 40:3, Isaías 40:6). Se ele pergunta o que deve clamar, recebe a resposta.

Ele deve, primeiro, anunciar a ira que Deus tem preparada para os inimigos de Jerusalém. “Tenho grande zelo por Sião”, diz o Senhor (Zacarias 1:14). Deus se ofende profundamente com as injúrias e afrontas feitas à sua igreja, assim como antes se ofendera com os pecados encontrados dentro dela. A terra estava quieta e em descanso (Zacarias 1:11), sem mostrar qualquer arrependimento pelo mal feito a Jerusalém, como os irmãos de José, que se assentaram para comer depois de o venderem. Deus levou isso muito a sério (Zacarias 1:15): “Estou grandemente indignado contra as nações em descanso, que não têm qualquer cuidado pela igreja aflita.” Ele se desagrada ainda mais daqueles que estão à vontade em Sião (Amós 6:1), os próprios filhos de Sião que não participam de sua dor.

Mas era pior que indiferença. Eles não apenas não se importavam com ela, como agiam contra ela. “Eu estava um pouco indignado com o meu povo”, diz Deus, querendo dizer que pretendia uma correção moderada. Porém os instrumentos de que se serviu lançaram fora toda compaixão e, com grande furor e crueldade, agravaram o sofrimento. Perseguiram aqueles a quem Deus havia ferido (Salmo 69:26) e zombaram dos que ele havia angustiado. Veja Isaías 47:6, Isaías 10:5 e Ezequiel 25:12, Ezequiel 25:15. Deus se desagrada de qualquer um que aumenta o sofrimento mesmo de pessoas que merecem castigo, porque a verdadeira humanidade, nesse caso, também é verdadeira piedade.

Ele deve ainda anunciar a misericórdia que Deus tem preparada para Jerusalém e para as cidades de Judá (Zacarias 1:16). Deve clamar: “Assim diz o Senhor: Voltei para Jerusalém com misericórdia.” Ele havia se retirado em ira, mas agora volta em amor. E deve continuar proclamando a mesma mensagem (Zacarias 1:17). Agora precisam ser repetidas palavras de consolo, como antes foram repetidas palavras de advertência.

O Senhor, o Senhor dos Exércitos, lhes promete que o templo, que agora apenas começa a ser edificado, será concluído. Essa boa obra, embora enfrente muitas desanimações, será levada a termo. Eles voltarão a desfrutar dos sinais da presença de Deus e terão acesso a ele para comunhão e adoração, como antes. É de fato uma boa notícia para qualquer lugar ouvir que Deus edificará ali a sua casa.

Jerusalém seria reedificada como uma cidade bem ligada entre si, o que já fora parte de sua glória (Salmo 122:3). O prumo ou cordel de medir seria estendido sobre Jerusalém, mostrando que sua reconstrução seria cuidadosa, exata e ordenada.

A nação também voltaria a ser numerosa e rica, embora agora fosse pequena e pobre. Não só Jerusalém, mas outras cidades que haviam sido reduzidas a pequenos lugares voltariam a se expandir. Seus arredores cresceriam e de sua prosperidade nasceriam novos povoados. Tornar-se-iam tão numerosos e tão prósperos que o espaço não seria suficiente para contê-los, e diriam que o lugar está apertado demais (Isaías 49:20). Como antes haviam sido espalhados por causa das aflições, agora se espalhariam por causa das bênçãos. “As tuas fontes se derramarão por fora” (Provérbios 5:16). As cidades que crescem assim são chamadas cidades de Deus, porque ele as abençoa, e elas se multiplicam e enchem a terra.

Todas as suas tristezas presentes não apenas seriam superadas, mas por fim encerradas pelo consolo de Deus. “O Senhor ainda consolará a Sião.” No fim, mesmo que sua dor e seus problemas durem muito tempo, Deus ainda reserva consolo para Sião e para todos os que com ela se entristecem.

Tudo isso viria do favor primeiro e especial de Deus. “Ele ainda escolherá Jerusalém” significa que renovaria a sua escolha e confirmaria a sua aliança. Ele mostraria mais uma vez que havia escolhido Jerusalém. Assim como, a princípio, os formou em povo quando os tirou do Egito, agora os reedificaria quando os tirasse da Babilônia, não por mérito deles, mas por causa de sua própria escolha (Deuteronômio 7:7-8). Jerusalém é a cidade que ele escolheu, e não a rejeitará.

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