Versículo em destaque

Rute 4:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E Boaz subiu à porta, e assentou-se ali; e eis que o remidor de que Boaz tinha falado ia passando, e disse-lhe: Ó fulano, vem cá, assenta-te aqui. E desviou-se para ali, e assentou-se. "

Rute 4:1

menu_book Versículo no contexto

1 E Boaz subiu à porta, e assentou-se ali; e eis que o remidor de que Boaz tinha falado ia passando, e disse-lhe: Ó fulano, vem cá, assenta-te aqui. E desviou-se para ali, e assentou-se.

2 Então tomou dez homens dos anciãos da cidade, e disse: Assentai-vos aqui. E assentaram-se.

3 Então disse ao remidor: Aquela parte da terra que foi de Elimeleque, nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, está vendendo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, Boaz imediatamente convoca uma reunião pública. É possível que ele mesmo fosse um dos anciãos da cidade, por ser um homem de grande riqueza. Provavelmente ocupava um lugar de honra na comunidade e sobe à porta da cidade como alguém revestido de autoridade, não como um cidadão comum. Uma noite passada à beira de um monte de grãos na eira não era incompatível, naqueles tempos mais simples, com um assento de juiz à porta da cidade.

Mas por que Boaz foi tão rápido e tão decidido em relação a esse casamento? Rute não era rica; vivia da caridade. Não era uma mulher de alta posição social, mas uma estrangeira pobre. A Escritura em nenhum momento diz que era bonita e, se algum dia o fora, a dor, as viagens e o trabalho pesado podiam já ter apagado seus traços. O que atraiu Boaz foi o testemunho de todos ao redor, de que ela era uma mulher virtuosa. Isso a tornava para ele muito mais valiosa do que joias (Provérbios 31:10). Assim, ele pensava que, ao fazer-lhe um grande bem casando-se com ela, estaria ao mesmo tempo fazendo um grande bem a si mesmo.

Boaz levou o assunto a uma decisão imediata. Como não era um dia de sessão oficial do tribunal, ele reuniu dez homens dentre os anciãos da cidade para encontrá-lo à porta, lugar onde os negócios públicos eram tratados (Rute 4:2). Dez provavelmente formavam um tribunal completo, segundo o costume local. Ainda que Boaz talvez fosse juiz, não quis julgar a própria causa; desejou que outros anciãos estivessem presentes também. Planos honestos não temem o exame público.

Então chamou o parente mais chegado para vir ouvir o assunto que queria submeter a ele (Rute 4:1). Disse: “Vem cá e assenta-te aqui”, usando o nome do homem, embora o escritor sagrado não o tenha registrado. Já que esse homem se recusou a preservar o nome do morto, não mereceu ter o seu próprio nome preservado nesta história. A providência de Deus também estava agindo, pois esse parente passou por ali justamente quando o assunto estava pronto para ser apresentado. Grandes acontecimentos muitas vezes dependem de pequenos incidentes.

Boaz primeiro ofereceu a esse homem a oportunidade de remir as terras de Noemi, que podem ter sido dadas em garantia em troca de dinheiro durante a fome (Rute 4:3). Pode ser que fosse terra de usufruto vitalício de Noemi e, por necessitar de recursos, ela estivesse disposta a vender esse direito ao parente legal mais próximo. Boaz deu a esse homem o aviso adequado, para que tivesse a primeira oportunidade de comprá-la (Rute 4:4). Quem a tomasse teria de pagar por ela, mas Boaz não queria comprá-la silenciosamente, passando por cima de um parente mais chegado. Não faria nada de forma desonesta, e dá assim um bom exemplo de justiça, transparência e honra em todos os nossos negócios.

O parente se mostrou disposto a remir a terra até saber que a viúva vinha junto, e então recuou. Gostou da terra, e provavelmente ainda mais porque pensou que a necessidade de Noemi faria dela um negócio barato. “Eu a remirei”, disse com alegria, imaginando que aumentaria bem o seu patrimônio (Rute 4:4). Mas Boaz explicou que havia também uma jovem viúva envolvida, e que, se ele tomasse a terra, teria de tomar a viúva também. A terra vinha com um encargo, como muitas vezes acontece com propriedades. Ou a lei de Deus, ou o costume do lugar, exigia isso, ou então Noemi não se disporia a vender sem essa condição (Rute 4:5).

Alguns entendem que a questão aqui não é a lei de casar-se com a viúva do irmão, que parece se aplicar apenas a irmãos do mesmo pai (Deuteronômio 25:5), a não ser que o costume mais tarde a tenha estendido ao parente mais próximo. Pensam antes na lei da redenção de propriedades (Levítico 25:24-25), pois aqui se busca um remidor, um parente próximo que restaure o que foi perdido. Nesse caso, o casamento com a viúva não seria exigido diretamente pela lei, mas pela condição estabelecida por Noemi na negociação.

Seja como for, o homem recusou assim que ouviu todos os termos (Rute 4:6). “Eu não a poderei remir para mim”, disse. “Não a tomarei, para não prejudicar a minha herança.” Achou que a terra, sozinha, ajudaria o seu patrimônio, mas a terra com a mulher o prejudicaria. Talvez tenha julgado que seria rebaixar-se casar com uma viúva pobre, estrangeira, que quase vivia de esmolas. Pensou que isso mancharia o nome de sua família e enfraqueceria a posição de seus filhos no mundo. A clara virtude de Rute não bastou, aos seus olhos, para compensar isso.

O targum caldeu diz que ele recusou porque já tinha outra esposa, e tomar Rute poderia trazer problemas e divisão ao seu lar. Outros pensam que ele temeu que Rute tivesse muitos filhos, e que todos eles reclamariam parte de seus bens, deixando a herança dividida em mãos demais. Assim também muitos se afastam da grande redenção. Estão dispostos a falar bem da religião, mas não querem comprometer-se com ela. Alegram-se em ouvir sobre o céu, mas não sobre a santidade, porque a santidade atrapalharia os pecados que já abraçaram. Deixam, então, que outros “comprem” o céu a esse custo, enquanto eles mesmos o recusam.

Então o direito de redenção foi publicamente transferido a Boaz. Se esse parente sem nome perdeu um bom negócio, uma boa propriedade e uma boa esposa, só podia culpar-se por não ter refletido melhor. Boaz, por sua vez, teve o caminho aberto para aquilo que ele mais estimava e desejava. Naqueles dias, heranças não eram, em geral, transferidas por meio de escrituras escritas, como veio a acontecer mais tarde (Jeremias 32:10). Em vez disso, a transmissão era feita por algum sinal ou cerimônia, como entregar a chave de uma casa ou um pedaço de terra e um ramo para simbolizar um campo.

A cerimônia usada aqui foi esta: o homem que abria mão de seu direito tirava a sandália, ou, como diz a versão caldaica, a luva da mão direita, e a entregava a quem recebia o direito. Isso mostrava que todo direito que tinha de andar, usar ou reivindicar aquela terra estava agora sendo transferido, mediante preço justo, ao comprador. Isso é chamado testemunho, ou prova pública, em Israel, como diz (Rute 4:7), e foi exatamente o que se fez nesse caso (Rute 4:8).

Se esse parente estivesse legalmente obrigado a casar-se com Rute, e se a sua recusa fosse uma rejeição vergonhosa desse dever, então Rute é que deveria tirar-lhe a sandália e cuspir-lhe no rosto, como está em (Deuteronômio 25:9). Mas, ainda que o parentesco lhe impusesse algum dever, a forma específica desse vínculo talvez o isentasse da pena. Ou Rute pode ter preferido abrir mão da sanção, já que tudo o que ela desejava era a sua recusa.

Entretanto, intérpretes como o bispo Patrick e outros dos mais respeitados entendem que isso não tinha relação com essa lei específica. Veem a retirada da sandália não como humilhação, mas como sinal de que a renúncia era verdadeira, pública e não fruto de engano. O ponto principal é claro: agir com honestidade e transparência em contratos e negócios é algo que todos os que querem mostrar-se verdadeiros israelitas, pessoas sem dolo, devem guardar com cuidado. Boaz adquiriu esse direito de maneira muito mais honrosa do que se tivesse secretamente manobrado contra o seu parente e feito um acordo particular com Noemi, sem o outro saber. A honestidade continua sendo a melhor política.

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