Versiculo em destaque
Romanos 2:17 - Significado e aplicacao
Entenda como este versiculo fala com o que voce esta vivendo e como aplica-lo hoje
Traducao: Almeida Corrigida Fiel
" Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; "
Romanos 2:17
O que significa Romanos 2:17?
Romanos 2:17 mostra que não basta ter um “rótulo religioso” ou conhecer a lei de Deus; é preciso viver o que se conhece. Alguém pode se orgulhar de ser cristão, ir à igreja e conhecer a Bíblia, mas continuar tratando mal a família ou agindo desonestamente no trabalho. O versículo denuncia essa incoerência.
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Versiculo no contexto
Entender os versiculos ao redor evita interpretacoes incorretas:
Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;
No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.
Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus;
E sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei;
E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas,
Comentario Bible Guided
Na parte final deste capítulo, o apóstolo passa a falar de modo mais direto aos judeus e expõe os pecados de que eram culpados, apesar de suas alegações e de sua profissão exterior. Ele já havia dito (Romanos 2:13) que não são os ouvintes da lei, mas os praticantes da lei que são justificados, isto é, reconhecidos como justos diante de Deus. Aqui ele aplica essa verdade aos próprios judeus. Primeiro, ele concede aquilo que eles reivindicavam para si mesmos em Romanos 2:17-20, para mostrar que não fala por ignorância do caso deles. Ele conhece o argumento mais forte que eles poderiam apresentar.
Eles eram um povo especial, separado dos demais por possuir a lei escrita de Deus e sua presença particular no meio deles. “Tu que tens por sobrenome judeu” era um título honroso, não tanto por causa do nascimento em si, mas por causa da identidade pública como povo de Deus. A salvação veio por meio dos judeus, e eles se orgulhavam de ser um povo separado. Contudo, muitos que carregavam esse nome estavam entre os piores dos homens. Não é novidade que práticas más se escondam sob bons nomes, que alguns da sinagoga de Satanás digam ser judeus (Apocalipse 2:9), ou que uma geração de víboras se glorie em ter Abraão por pai (Mateus 3:7-9).
Eles também “repousavam na lei”, isto é, se gloriavam em ter a lei entre eles, copiada em seus livros e lida em suas sinagogas. Enchiam-se de orgulho por esse privilégio e julgavam que isso bastaria para levá-los ao céu, mesmo sem viverem de acordo com a lei. Repousar na lei com contentamento e confiança é bom. Mas repousar nela com orgulho, preguiça e falsa segurança é ruína para a alma. “O templo do Senhor” tornou-se uma falsa confiança (Jeremias 7:4), assim como Betel para Israel (Jeremias 48:13), e o orgulho por causa do monte santo (Sofonias 3:11). É perigoso apoiar-se em privilégios exteriores e nunca fazer o verdadeiro uso deles.
Eles também “se gloriavam em Deus”. Percebe-se como até as melhores coisas podem ser torcidas e mal usadas. Um gloriar-se humilde e agradecido em Deus é a raiz e o resumo da verdadeira religião (Salmo 34:2; Isaías 45:15; 1 Coríntios 1:31). Mas um vangloriar-se orgulhoso e vazio em Deus, ou numa religião apenas exterior, é a raiz e o resumo da hipocrisia. O orgulho espiritual é o tipo mais perigoso de orgulho.
Eram também um povo conhecedor (Romanos 2:18). Conheciam a vontade de Deus, isto é, aquilo que Deus queria que fizessem. A vontade de Deus é soberana e absoluta. O mundo só será colocado em ordem quando a vontade de Deus for a única vontade, e toda outra vontade estiver em conformidade com ela. Eles não conheciam apenas verdades a respeito de Deus, mas sua vontade para a vida e a conduta. Até um hipócrita pode ter grande conhecimento da vontade de Deus.
Eles também “aprovavam as coisas excelentes”, ou, como se pode entender, sabiam discernir as coisas que diferem. Sabiam distinguir o bem do mal, o precioso do vil (Jeremias 15:19) e fazer diferença entre o puro e o impuro (Levítico 11:47). O bem e o mal às vezes se aproximam muito, mas os judeus, tendo a lei à mão, eram ou, pelo menos, julgavam ser capazes de julgar entre um e outro. Uma pessoa pode ser hábil em questões religiosas e ainda ser um cristão fraco, precisa no pensamento, mas descuidada na prática. Ou isso pode significar que aprovavam as próprias coisas excelentes, como Paulo ora para que seus amigos façam (Filipenses 1:10). Alguém pode concordar em seu julgamento que a lei de Deus é boa e, mesmo assim, ser governado por desejos carnais. Como se diz: “Vejo o melhor caminho e o aprovo, mas sigo o pior.” Os pecadores muitas vezes usam essa aprovação como desculpa, quando na verdade se trata de motivo maior de culpa.
Eles adquiriram esse conhecimento e esse apreço pelo que é bom sendo “instruídos pela lei”, isto é, catequizados, ensinados desde a infância. É grande vantagem ser bem instruído na juventude. Os judeus tinham muito cuidado em ensinar seus filhos, e suas lições vinham da lei. Seria bom se os cristãos tivessem o mesmo zelo em ensinar seus filhos a partir do evangelho. Isso é chamado de “forma de conhecimento e da verdade na lei” (Romanos 2:20), isto é, sua forma exterior, sua aparência. Aqueles cujo conhecimento é apenas uma ideia vazia, que nunca alcança o coração, têm apenas a forma, como um quadro bem pintado, porém sem vida. Uma forma de conhecimento produz apenas uma forma de piedade (2 Timóteo 3:5). A forma até pode acompanhar o poder, mas quem se contenta com a forma apenas é como metal que soa e sino que tine.
Eles eram também, ou julgavam ser, um povo que ensinava (Romanos 2:19-20). “Estás certo de que és guia dos cegos.” Isso se aplica, em primeiro lugar, aos judeus em geral. Eles se consideravam guias dos pobres gentios cegos, que estavam em trevas, e se orgulhavam de que quem quisesse conhecimento de Deus teria de recebê-lo por meio deles. Julgavam que as outras nações deveriam vir à escola deles para aprender o que é bom e o que o Senhor exige, porque possuíam as palavras vivas de Deus.
Aplica-se também, de maneira especial, aos seus rabinos, mestres e principais líderes, o mesmo tipo de pessoas que Paulo tem em mente em Romanos 2:1. Eles se orgulhavam de se sentar na cadeira de Moisés e do respeito que o povo comum lhes prestava. Paulo acumula títulos para mostrar a autoimportância deles: guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, instrutor dos insensatos, mestre de crianças. Eles gostavam de falar assim de si mesmos e de ajuntar honra ao seu redor. Até uma boa obra se torna inaceitável a Deus quando a pessoa se envaidece dela. É bom ensinar os ignorantes e os jovens, mas, quando lembramos nossa própria ignorância, loucura e incapacidade de fazer tal ensino frutificar sem Deus, não há nisso nada de que possamos nos gloriar.
Em seguida, ele aumenta a culpa deles (Romanos 2:21-24) de duas maneiras. Primeiro, mostrava que eles pecavam contra o próprio conhecimento e contra a profissão de fé que faziam, ao praticarem exatamente aquilo de que ensinavam os outros a se afastar. “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo?” Ensinar faz parte daquela caridade que começa em casa, embora não deva terminar ali.
A hipocrisia dos fariseus consistia em não viverem conforme ensinavam (Mateus 23:3). Derrubavam com a vida o que construíam com a pregação. Porque quem dará crédito a pessoas que não creem em si mesmas? O exemplo forma mais do que as regras. Os maiores obstáculos ao êxito da palavra de Deus são aqueles cuja má vida contradiz a sã doutrina que professam. Pregam tão bem em público que é pena que deixem o púlpito, mas vivem tão mal em particular que é pena que nele subam.
Paulo cita três pecados que eram comuns entre os judeus. Primeiro, o roubo. Esse pecado é lançado contra alguns que declaravam os estatutos de Deus (Salmo 50:16, Salmo 50:18), que, vendo um ladrão, se uniam a ele. Os fariseus também foram acusados de devorar as casas das viúvas (Mateus 23:14), que é uma das formas mais graves de roubo. Segundo, o adultério, mencionado em Romanos 2:22. Esse pecado também é lançado contra o ímpio em (Salmo 50:18): “tens sido participante com adúlteros”. Muitos rabinos judeus eram tidos como notórios nesse pecado. Terceiro, o sacrilégio, isto é, o roubo de coisas sagradas, separadas para Deus por lei especial. Isso é imputado àqueles que afirmavam odiar os ídolos. De fato, os judeus rejeitaram com força a idolatria depois do cativeiro na Babilônia. Aquele fogo de provação os separou da escória da idolatria, mas ainda assim agiam com grande infidelidade no culto a Deus. Nos últimos tempos da igreja do Antigo Testamento, foram acusados de roubar a Deus nos dízimos e ofertas (Malaquias 3:8, Malaquias 3:9), usando o que fora consagrado a Deus para si mesmos e para seus desejos pecaminosos. De certo modo, isso se aproximava da idolatria, embora estivesse escondido sob um clamoroso ódio aos ídolos. Aqueles que condenam o pecado nos outros e, contudo, praticam o mesmo ou ainda pior, serão julgados com grande severidade.
Paulo também diz que eles desonraram a Deus por causa do seu pecado (Romanos 2:23, Romanos 2:24). Deus e a sua lei eram coisas das quais se gabavam e nas quais se gloriavam, mas acabaram se tornando vergonha para Deus e para a sua lei. Deram aos de fora motivo para zombar da religião, como se ela aprovasse tal comportamento. Isso é pecado tanto da parte de quem tira conclusões erradas a partir da religião, quanto da parte de quem, por sua conduta, dá esse pretexto. Davi foi culpado disso quando deu aos inimigos do Senhor ocasião para blasfemar (2 Samuel 12:14).
Paulo aponta a mesma acusação contra os antepassados deles: “como está escrito” (Romanos 2:24). Ele não cita o lugar exato, pois escreve a pessoas instruídas na lei, mas parece ter em vista (Isaías 52:5), (Ezequiel 36:22), (Ezequiel 36:23) e (2 Samuel 12:14). É algo triste quando aqueles que foram feitos para ser nome e louvor de Deus se tornam vergonha e desonra para ele. O grande mal do pecado de um crente é a desonra que ele traz sobre Deus e sobre a religião por causa da profissão que faz. “Blasfemado por causa de vós” significa que, por sua loucura e descuido, deram ocasião para isso. Os insultos que trouxeram sobre si mesmos recaíram sobre o seu Deus, e a religião foi ferida através dos seus próprios lados. Isso é uma boa advertência para que os crentes andem com cuidado (1 Timóteo 6:1).
Em seguida, Paulo mostra como a religião meramente exterior não podia de modo algum livrá-los da culpa (Romanos 2:25-29). A circuncisão realmente é proveitosa se a lei for observada. Isto é, judeus obedientes não perderiam a recompensa de sua obediência, e a sua condição de judeus lhes dava uma regra mais clara de obediência do que os gentios possuíam. Deus não deu a lei nem instituiu a circuncisão em vão. Paulo está tratando aqui dos judeus antes que o sistema cerimonial fosse abolido, pois depois a circuncisão foi proibida a quem professasse fé em Cristo (Gálatas 5:1). Ele declara aos judeus que o judaísmo só lhes seria proveitoso se vivessem segundo suas normas. Caso contrário, a circuncisão deles se tornava incircuncisão.
Em outras palavras, a religião exterior não lhes faria bem algum. Eles não seriam mais justificados, isto é, declarados justos diante de Deus, do que os gentios incircuncisos, e seriam ainda mais culpados por pecarem contra uma luz maior. As Escrituras frequentemente marcam o incircunciso como impuro (Isaías 52:1), fora da aliança (Efésios 2:11, Efésios 2:12), e judeus ímpios seriam tratados como tais (Jeremias 9:25, Jeremias 9:26).
Paulo então explica isso com mais detalhes. Se gentios incircuncisos vivem de acordo com a luz que possuem, ficam no mesmo terreno que os judeus. Se guardam a justiça da lei (Romanos 2:26), se cumprem a lei (Romanos 2:27), isto é, se seguem com sinceridade a orientação da luz natural e, na prática, fazem aquilo que a lei requer, eles são, em certo sentido, obedientes. Alguns entendem que Paulo fala aqui de obediência perfeita: se os gentios pudessem guardar perfeitamente a lei, seriam justificados por ela, assim como os judeus. Mas ele parece ter em vista o tipo de obediência que alguns gentios de fato alcançaram.
Cornélio é um exemplo claro: embora gentio e incircunciso, era um homem piedoso que temia a Deus com toda a sua casa (Atos 10:2), e foi aceito. Provavelmente havia muitos outros casos semelhantes. Esses incircuncisos que guardavam a justiça da lei eram aceitos por Deus como se fossem circuncisos. A sua incircuncisão lhes era contada como circuncisão. A circuncisão era realmente um dever ordenado para os judeus, mas nunca foi uma condição exigida de todos, em todas as nações, para serem justificados e salvos.
A obediência desses gentios também agravava a desobediência dos judeus, pois estes tinham a letra da lei (Romanos 2:27). Aqueles gentios serviriam para condenar, isto é, para aumentar o peso do juízo contra os judeus que transgrediam a lei mesmo tendo a circuncisão e a lei escrita. Para quem tem apenas religião exterior, a lei é só letra. Lêem-na como um documento, mas não a deixam governar a vida. Os judeus quebravam a lei não só apesar da letra e da circuncisão, mas também por meio delas, porque esses privilégios os endureciam no pecado. Privilégios externos, se não nos fazem bem, acabam nos fazendo mal. A obediência de pessoas com menos vantagens e com uma profissão de fé mais fraca contribuirá para condenar aqueles que, tendo maiores privilégios, não vivem à altura deles.
Paulo então descreve a verdadeira circuncisão (Romanos 2:28, Romanos 2:29). Ela não é apenas o que é exterior na carne e na letra. Isso não significa que devamos desprezar os deveres religiosos externos, que têm o seu lugar. Significa que não devemos confiar neles, nem repousar neles como se fossem suficientes para nos levar ao céu. Não devemos nos contentar com um nome de vivos, quando na realidade não estamos vivos. A pessoa não é verdadeiro judeu, isto é, não será aceita por Deus como filho crente de Abraão, se possui apenas a marca exterior. Ser filhos de Abraão é fazer as obras de Abraão (João 8:39, João 8:40). A verdadeira circuncisão é a que é interior, do coração, no espírito.
Deus olha para o coração. É a circuncisão interior do coração que nos torna aceitáveis diante dele, como Moisés disse (Deuteronômio 30:6). Esta é a circuncisão “não feita por mãos” mencionada em (Colossenses 2:11-12), isto é, o despojamento da natureza pecaminosa, do “corpo do pecado”.
Essa obra acontece no espírito. Ela é realizada em nosso próprio espírito, como o lugar em que produz efeito, e pelo Espírito de Deus, como aquele que a opera. O louvor dessa obra não vem das pessoas, que julgam pela aparência. Vem de Deus, que a reconhece, aceita e recompensa essa sinceridade verdadeira. Ele não vê como veem os homens. As pessoas podem ser enganadas por belas alegações e por uma religião apenas exterior, mas Deus penetra toda aparência e conhece o que é real.
O mesmo vale para o cristianismo. Alguém não é verdadeiro cristão apenas por ter aparência de cristão, e o batismo nas águas, por si só, não faz de ninguém um cristão. O verdadeiro cristão é aquele que o é interiormente, e o verdadeiro batismo é o do coração, no espírito, não apenas na forma exterior. O louvor de tal pessoa não vem dos homens, mas de Deus.
Perspectivas dos nossos guias espirituais
Em Romanos 2:17, Paulo toca num lugar delicado do coração humano: a tentação de encontrar segurança apenas em rótulos espirituais e tradições religiosas. O judeu mencionado no versículo carrega um nome bonito, repousa na lei, sente orgulho de pertencer a Deus. Tudo isso é valioso, mas o texto começa a mostrar que algo pode se perder quando a fé vira apenas posição, e não relação viva. Esse “repousar” na lei lembra o descanso falso que às vezes tenta encobrir cansaços profundos, culpas não encaradas, dores não nomeadas. A pessoa se apoia no que sabe, no grupo a que pertence, nos costumes que segue, e isso até dá certa estrutura. Mas o evangelho vai além: convida a permitir que Deus toque o coração real, com suas ambiguidades, medos e contradições. O orgulho de “gloriar-se em Deus” corre o risco de se tornar uma capa, quando foi pensado como um lugar de confiança amorosa. O versículo, assim, não é condenação fria, mas um chamado terno e firme: a verdadeira segurança não está apenas na identidade religiosa, e sim no encontro sincero com Deus, que conhece por dentro e continua amando.
Romanos 2:17 inicia uma seção em que Paulo se volta especificamente ao judeu que se orgulha de seus privilégios religiosos. “Tens por sobrenome judeu” indica não apenas etnia, mas identidade religiosa e vocação histórica: povo da aliança, guardião da revelação. “Repousas na lei” sugere confiança, segurança apoiada no fato de possuir a Torá, como se o simples acesso à lei garantisse posição especial diante de Deus. “Glorias em Deus” retoma um elemento positivo: o judeu conhece o Deus verdadeiro e se orgulha disso, em contraste com o mundo idólatra. No entanto, o contexto ajuda aqui: Paulo não elogia, prepara uma confrontação. A crítica não é à lei em si, nem ao fato de ser judeu, mas à distorção desses dons em fonte de orgulho e falsa segurança. O privilégio da revelação se transforma em escudo contra o exame do próprio coração. Uma leitura cuidadosa sugere que Paulo está desmontando a ideia de que identidade religiosa e posse de normas sagradas bastam, sem obediência real e mudança interna. O versículo, portanto, introduz o tema da responsabilidade proporcional ao privilégio recebido.
Romanos 2:17 expõe um tipo de segurança muito comum: a que se apoia em rótulos espirituais, tradição religiosa e conhecimento bíblico, mas não necessariamente em obediência sincera. O judeu mencionado tem um nome forte, uma lei perfeita e um Deus verdadeiro, porém encontra descanso em privilégios, não em fidelidade. O texto revela o risco de transformar dons espirituais em escudo de orgulho. Conhecimento da lei vira currículo, identidade religiosa vira status, relacionamento com Deus vira motivo de glória pessoal. O problema não está na lei nem em Deus, mas em repousar na estrutura em vez de se submeter ao Senhor que deu essa estrutura. Há um contraste silencioso entre gloriar-se em Deus e depender de Deus. Um coração pode falar a linguagem certa, frequentar o ambiente certo, carregar as palavras certas, e ainda assim usar tudo isso para se proteger da mudança verdadeira. Sabedoria bíblica, porém, aponta para coerência: o privilégio recebido pede responsabilidade, e a luz recebida pede prática humilde no cotidiano. Sabedoria também aparece na rotina.
Romanos 2:17 expõe com delicadeza algo profundo: o perigo de transformar privilégios espirituais em colchão de acomodação. O judeu mencionado possui um nome, uma história, uma aliança, a Lei, um conhecimento verdadeiro sobre Deus. Nada disso é negado ou diminuído. O problema está em “repousar” na lei como quem descansa em um status, e “gloriar-se em Deus” sem deixar que esse Deus transforme o coração. Há aqui um espelho da religiosidade que se apoia em rótulos, tradições e identidade coletiva, mas resiste à confrontação interior. Um povo separado por Deus pode se acostumar tanto à verdade que passa a usá-la como escudo, não como espelho. A lei que deveria levar à humildade e à dependência se torna base de orgulho espiritual. Nesse único versículo, já se insinua a necessidade de algo além de pertença externa: um coração circuncidado, uma glória que não se ancora no privilégio, mas na graça imerecida. Deus trabalha também no silêncio, desfazendo falsas seguranças para que reste apenas o louvor sincero daquele que sabe que nada tem a apresentar além da própria necessidade.
Aplicacao restauradora e de saude mental
Romanos 2:17 mostra alguém que “repousa na lei” e “se gloria em Deus”, confiando em uma identidade religiosa para sentir segurança. Em termos de saúde mental, isso pode lembrar a tendência de apoiar a autoestima apenas em papéis, regras ou desempenho espiritual, o que muitas vezes encobre ansiedade, culpa ou vergonha não elaboradas. Quando o valor pessoal depende de “fazer tudo certo”, qualquer falha acende pensamentos autocríticos, risco de depressão e crises de fé.
A integração entre psicologia e fé aqui passa por reconhecer que identidade espiritual saudável não elimina vulnerabilidades emocionais. Em vez de usar a fé como defesa para negar tristeza, trauma ou medo, a pessoa pode enxergá-la como base segura para admitir fragilidades e buscar ajuda. Estratégias como psicoeducação sobre ansiedade, psicoterapia focada em esquemas de perfeccionismo e exercícios de autocompaixão podem ser combinadas com meditação bíblica sobre graça e aceitação em Cristo. A prática de examinar motivações internas, identificar crenças distorcidas (“Deus só me ama se eu obedecer perfeitamente”) e substituí-las por uma compreensão mais realista do amor de Deus favorece regulação emocional, redução de culpa tóxica e maior liberdade para viver a fé com autenticidade.
Maus usos comuns a evitar
Um uso distorcido de Romanos 2:17 ocorre quando a ênfase recai em superioridade espiritual, gerando culpa tóxica, perfeccionismo religioso e autocondenação extrema. Quando a passagem é lida como exigência de impecabilidade para merecer amor divino, pode agravar depressão, ansiedade, pensamentos de inutilidade ou ideação suicida, situações em que o acompanhamento profissional imediato é fundamental. Outro risco é usar o texto para julgar, humilhar ou controlar outras pessoas, configurando abuso espiritual. Atribuir todos os sofrimentos a “falta de fé” caracteriza espiritualização excessiva de problemas que exigem avaliação clínica, como transtornos de humor ou traumas. Frases de otimismo religioso forçado, que negam dor psíquica e desencorajam busca por terapia ou medicação, representam forma de positividade tóxica e espiritual bypassing, incompatíveis com cuidados responsáveis em saúde mental.
Perguntas frequentes
Por que Romanos 2:17 é um versículo importante para os cristãos hoje?
Qual é o contexto de Romanos 2:17 dentro da carta aos Romanos?
O que significa Romanos 2:17 quando fala em ‘repousas na lei e te glorias em Deus’?
Como aplicar Romanos 2:17 na minha vida prática hoje?
Romanos 2:17 está criticando o judaísmo ou a hipocrisia religiosa?
Para que cristaos usam IA
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Sabedoria diaria
Deste capitulo
Romanos 2:1
"Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo."
Romanos 2:2
"E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem."
Romanos 2:3
"E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?"
Romanos 2:4
"Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?"
Romanos 2:5
"Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;"
Romanos 2:6
"O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber:"
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Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.
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