Versículo em destaque
Romanos 2:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo. "
Romanos 2:1
O que significa Romanos 2:1?
Romanos 2:1 mostra que quem critica os erros dos outros, mas vive fazendo coisas parecidas, se condena com a própria atitude. Ensina que ninguém é melhor que ninguém e que Deus vê o coração. Aplica-se, por exemplo, a quem aponta falhas de colegas, familiares ou irmãos na igreja, mas não enfrenta os próprios pecados.
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Versículo no contexto
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1 Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.
2 E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem.
3 E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?
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No capítulo anterior, o apóstolo tinha mostrado que o mundo gentio era profundamente pecador, exatamente como os judeus estavam prontos a dizer. Agora ele pretende mostrar que os próprios judeus também eram muito maus e, em certos aspectos, ainda mais culpados. Para preparar esse caminho, ele deixa claro, antes de tudo, que Deus julgará judeus e gentios pelo mesmo padrão justo, e não com o favoritismo parcial que os judeus esperavam.
Ele começa acusando-os do hábito de criticar os outros e de se sentirem superiores: “Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas” (Romanos 2:1). Paulo fala em termos gerais, de modo que essa advertência alcança muitas pessoas, especialmente aquelas que se colocam como juízes dos outros, qualquer que seja sua nação ou posição. Porém, ele tem principalmente os judeus em vista. Eles frequentemente olhavam para os gentios com orgulho e desprezo, enquanto eles mesmos eram culpados de pecados graves. Se os gentios, que só tinham a luz da natureza, eram indesculpáveis (Romanos 1:20), então os judeus eram ainda mais, pois possuíam a luz da lei de Deus, da sua vontade revelada.
Paulo então destaca, nos versículos 2 e 3, a firme justiça do governo de Deus. O juízo de Deus é “segundo a verdade”, isto é, de acordo com as regras eternas do que é reto e justo, segundo o coração e não a aparência exterior (1 Samuel 16:7), e segundo as obras, não por favoritismo. Isso é algo que, em certo sentido, já sabemos, pois Deus não seria Deus se não fosse justo. Mas essa verdade pesa com especial força sobre aqueles que condenam nos outros as mesmas coisas que eles mesmos praticam, como se falar contra o pecado pudesse anular a própria culpa. Paulo traz isso à consciência: “Tu, ó homem, pensas isto?” Sendo criatura racional, dependente de Deus e responsável diante dele, podes realmente crer que escaparás do seu juízo? O Deus que sonda os corações não se deixa enganar por religiosidade exterior nem por desculpas engenhosas.
Em seguida, Paulo apresenta uma acusação contra eles nos versículos 4 e 5. Primeiro, eles estavam tratando com desprezo a bondade de Deus. Isso era especialmente verdadeiro a respeito dos judeus, que tinham recebido sinais particulares do favor divino. A bondade, a paciência e a longanimidade de Deus foram dadas para conduzir o pecador ao arrependimento, não para encorajá‑lo a persistir no pecado. Mas muitos não param para refletir sobre isso. Não percebem que a intenção de Deus, ao mostrar tanta bondade, é atraí‑los ao arrependimento, e que essa bondade é um dos principais meios pelos quais ele conduz as pessoas, não pela força, mas de modo suave, como criaturas racionais, com cordas de amor (Oséias 2:14; 11:4; Jeremias 31:3).
Em segundo lugar, eles estavam provocando a ira de Deus, isto é, a justa indignação contra o pecado. Isso vem de um coração duro e impenitente, e a pessoa se arruína a si mesma ao seguir tal coração. Pecar desse modo é continuar andando no caminho que o próprio coração escolheu. Quando o coração se endurece por um longo costume de pecar, o curso do pecado torna‑se realmente desesperador. Paulo diz que tais pessoas estão “entesourando ira” para si mesmas. Isso significa que cada pecado voluntário aumenta a conta, fazendo crescer o castigo. Também sugere algo acumulado e reservado para o futuro. O juízo de Deus pode parecer demorado agora, mas está sendo guardado para o dia da ira, quando será derramado plenamente. Esse será o dia em que o justo juízo de Deus será revelado abertamente. A ira de Deus não é um temperamento explosivo, como o do ser humano, pois nele não há paixão pecaminosa (Isaías 27:4). Antes, é a sua santa e justa decisão de punir o pecado, porque o odeia. O que hoje fica escondido atrás da prosperidade dos pecadores será um dia revelado diante de todos. Então toda aparente desordem será corrigida, e os céus anunciarão a sua justiça (Salmo 50:6). Por isso, ninguém deve se apressar em julgar antes do tempo.
Paulo prossegue, então, explicando a regra pela qual Deus julgará.
Depois de falar do justo juízo de Deus em Romanos 2:5, Paulo passa a mostrar como é esse juízo. Ele revela a sua imparcialidade e explica o que podemos esperar de Deus e segundo qual critério ele julgará o mundo. Julgar com justiça significa dar louvor ou reprovação conforme o que cada um merece, sem acepção de pessoas. Esse é o juízo reto de Deus.
Ele retribuirá a cada um segundo as suas obras (Romanos 2:6). A Escritura afirma isso repetidas vezes, para provar que o Juiz de toda a terra sempre faz o que é certo. Deus manifesta essa justiça de duas maneiras: na concessão de recompensas e na emissão de advertências. Ele se compraz em mostrar misericórdia, mas também julga com retidão.
Os que recebem o seu favor são descritos de modo claro. São pessoas que, com perseverança paciente, continuam fazendo o bem. Isso nos ajuda a examinar se realmente fazemos parte dos que desfrutam do favor de Deus e também nos mostra que tipo de vida conduz a esse favor. O Deus justo recompensa aqueles que estabelecem um alvo correto para a sua vida, aqueles que buscam glória, honra e incorruptibilidade, isto é, a glória e a honra duradouras que vêm de serem aceitos por Deus, agora e para sempre. Há uma santa ambição no centro da verdadeira religião. Ela consiste em buscar o reino de Deus, mirar tão alto quanto o céu e recusar-se a se satisfazer com qualquer coisa menor.
Essa busca inclui também o sentimento de perda, o desejo de recuperar o que foi perdido, e um esforço constante que corresponda a esse desejo. Inclui ainda a firmeza em permanecer no caminho certo depois de ter estabelecido o alvo certo. É necessário que haja bem real praticado, não apenas bom conhecimento, boas palavras, boas promessas ou mera aparência de piedade. É preciso fazer o que é bom, e fazê‑lo da maneira correta. E é preciso continuar fazendo. Não pode ser apenas um impulso passageiro, como a nuvem da manhã ou o orvalho cedo dissipado. É necessário perseverar até o fim, pois é a perseverança que recebe a coroa. E essa paciência é necessária não só porque a obra leva tempo, mas também porque traz consigo aflições, resistências e oposição. Quem se propõe a fazer o bem e a continuar nele precisa ser paciente.
O resultado do favor de Deus é a vida eterna. O céu é vida, vida eterna, e é a recompensa daqueles que com perseverança continuam praticando o bem. Em Romanos 2:10, isso é chamado de glória, honra e paz. Os que buscam glória e honra as receberão. As pessoas frequentemente correm atrás da glória e da honra vazias deste mundo e acabam decepcionadas. Mas os que buscam a glória e a honra duradouras do céu as receberão, e juntamente com elas também receberão paz. A honra terrena muitas vezes traz inquietação consigo; a honra celestial traz paz, paz serena e permanente.
As advertências de Deus são dirigidas àqueles que fazem o mal. Mais especialmente, àqueles que são contenciosos e não obedecem à verdade. Ser hostil a Deus é resistir a ele. Todo pecado voluntário é uma contenda com Deus, uma luta contra o nosso Criador (Isaías 45:9). O Espírito de Deus opera nos pecadores (Gênesis 6:3), mas os pecadores obstinados resistem ao Espírito, rebelam‑se contra a luz (Jó 24:13) e se apegam firmemente ao engano. Lutam para conservar exatamente o pecado que o Espírito está tentando arrancar deles. São também aqueles que não obedecem à verdade. As verdades da religião não existem apenas para serem conhecidas, mas obedecidas. Elas nos orientam, governam e ordenam, porque são verdades práticas. Recusar‑se a obedecer à verdade é, na realidade, uma forma de lutar contra ela. Em lugar disso, tais pessoas obedecem à injustiça e fazem tudo o que o pecado lhes ordena. Os que não querem ser servos da verdade logo se tornam escravos do pecado.
O resultado da ira de Deus é indignação, ira, tribulação e angústia. Esses são os salários do pecado. Indignação e ira são as causas; tribulação e angústia são os efeitos necessários e inevitáveis. Isso recai sobre a alma, porque é a alma que recebe diretamente essa ira e angústia. O pecado prepara a alma para esse juízo. O inferno é tribulação e angústia sem fim, o resultado da ira e da indignação divina. É isso o que procede de lutar contra Deus, de colocar espinheiros e abrolhos diante de um fogo consumidor (Isaías 27:4). Aqueles que não se submetem ao seu cetro de ouro certamente serão despedaçados por sua vara de ferro. Desse modo, Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras.
Não há acepção de pessoas em Deus (Romanos 2:11). Em questões espirituais, existe um tipo de diferença entre as pessoas, mas não por causa de posição ou condição externa. Judeus e gentios estão no mesmo nível diante de Deus. Pedro afirmou isso quando a parede de separação começou a cair: Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34). Ele explicou que, em qualquer nação, aquele que teme a Deus e faz o que é justo é aceito por ele. Deus não salva pessoas por causa de privilégios externos, nem porque conhecem e falam a verdade de maneira estéril. Ele julga conforme a condição real e o verdadeiro estado do coração. Tanto no juízo quanto no favor, isso se aplica a judeus e gentios. Os judeus tinham maiores privilégios e faziam maior profissão de fé; por isso, vinham em primeiro lugar. Mas os gentios também estão incluídos. A falta de privilégios não desculpará seus maus atos, nem os impedirá de participar da recompensa pelas boas obras (Colossenses 3:11). Porventura o Juiz de toda a terra não fará justiça?
Paulo então mostra que o modo como Deus julga é justo quando ele de fato vier a julgar as pessoas (Romanos 2:12-16). A regra é esta: aquilo que é a regra da obediência de uma pessoa é também a regra do juízo de Deus. Deus deu três tipos de luz aos seres humanos. A primeira é a luz da natureza. Os gentios têm essa luz, e por ela serão julgados. Todos quantos pecaram sem lei, sem lei perecerão. Isso quer dizer que os gentios incrédulos, que tinham apenas a consciência natural para guiá‑los e bênçãos comuns para movê‑los, e que não tinham a lei de Moisés nem qualquer revelação especial, não serão responsabilizados por quebrar uma lei que nunca receberam. Eles não serão julgados pela mesma medida dos judeus, que pecaram contra a lei escrita. Em vez disso, serão julgados pela lei da natureza, de acordo com a maneira como pecaram contra ela. Essa lei está presente em seus corações, embora esteja corrompida, enfraquecida e sufocada pela injustiça. Ainda assim, ela existe em sua forma pura e original na presença do Juiz.
Paulo torna isso mais claro em Romanos 2:14-15, quando explica que a luz da natureza serviu aos gentios como um substituto da lei escrita. Ele havia dito em Romanos 2:12 que eles pecaram sem lei, o que parece enigmático, porque onde não há lei também não há transgressão. Mas, embora não tivessem a lei escrita (Salmo 147:20), possuíam algo equivalente a ela, não a lei cerimonial, mas a lei moral. Eles tinham a obra da lei.
Ao falar em “obra da lei”, Paulo não quer dizer um tipo de obediência que as pessoas conseguiriam praticar perfeitamente. Ele se refere ao que a lei faz: ela mostra o que devemos fazer e examina o que temos feito. A lei dá direção e também funciona como um teste.
Os gentios, ou não judeus, receberam um pouco dessa luz por meio da própria natureza. Pelo poder de seu senso natural, sabiam que havia uma diferença real entre o bem e o mal. Desse modo, faziam por natureza coisas que a lei manda fazer. Possuíam certo senso de justiça, equidade, honra, pureza, amor e bondade. A razão natural também os ensinava a obedecer aos pais, cuidar dos que sofrem, preservar a paz e a ordem públicas e evitar assassinato, roubo, mentira e falso testemunho. Nesse sentido, eram lei para si mesmos.
Eles também tinham dentro de si algo que julgava o que faziam. A consciência dava testemunho. Ela aprovava o que era certo e censurava o que era errado. A consciência é uma testemunha, e cedo ou tarde ela falará, mesmo que por algum tempo seja subornada ou abafada. Ela faz o papel de muitas testemunhas, porque fala sobre o que é mais secreto. Seus pensamentos também os acusavam ou defendiam, à medida que a consciência aplicava a lei às suas ações.
Paulo diz que isso mostrava que os gentios tinham, de fato, uma regra para guiá‑los, e serão condenados porque não a seguiram. Assim, ficam sem desculpa. Deus é justo ao julgá‑los. Eles não podem alegar ignorância, e isso os deixa em perigo de juízo, a não ser que tenham algum outro fundamento.
Então Paulo se volta para os judeus, que tinham a luz da lei escrita. Eles pecaram sob a lei, não apenas tendo‑a em mãos, mas na própria presença de instruções claras e completas. Seus mandamentos eram detalhados, e suas advertências, fortes. Por terem a lei, a culpa deles era maior, e não menor. Assim, embora fossem os primeiros em privilégio, eram também os primeiros em responsabilidade.
Por isso o próprio Moisés se levanta contra eles (João 5:45). Jesus também ensinou que o servo que conhece a vontade do seu senhor e não a pratica receberá mais açoites (Lucas 12:47). Os judeus valorizavam muito a lei, mas Paulo afirma que ouvi‑la ou conhecê‑la não os tornava justos diante de Deus. Somente praticá‑la faria isso. Seus mestres tentavam assegurá‑los de que todo judeu, não importa como vivesse, teria parte no mundo vindouro. Paulo rejeita essa ideia. A lei era um grande dom, mas não era um dom que por si só salvava, a menos que fosse obedecida, e eles não a obedeciam. Portanto, precisavam de uma justiça que permanecesse firme diante de Deus.
A mesma lição se aplica ao evangelho. Não é apenas ouvir, mas praticar, que traz salvação (João 13:17; Tiago 1:22). Os que vivem debaixo do evangelho serão julgados de acordo com ele. Paulo o chama de “meu evangelho”, não como se tivesse inventado outro evangelho, mas porque anunciava o evangelho em geral como mensageiro de Cristo. Todos os que estão sob essa mensagem serão julgados por esse padrão (Marcos 16:16).
Paulo também nos ensina como será o dia do juízo. Há um dia marcado para um juízo geral, o grande dia que se aproxima (Salmo 37:13). Nesse dia, Deus julgará por meio de Jesus Cristo (Atos 17:31). Isso faz parte da recompensa de Cristo por sua humildade. Nada causa mais temor aos pecadores, nem mais consolo aos crentes, do que a verdade de que o próprio Cristo será o Juiz. Então os segredos dos corações serão examinados. O serviço oculto será recompensado, o pecado oculto será castigado, e o que hoje é feito em segredo será trazido à luz.
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Romanos 2:1 desarma, com firmeza e ternura, a ilusão de superioridade moral. O texto mostra um coração humano que aponta o dedo para fora enquanto carrega lutas semelhantes por dentro. Em vez de apenas condenar … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Romanos 2:1 desarma, com firmeza e ternura, a ilusão de superioridade moral. O texto mostra um coração humano que aponta o dedo para fora enquanto carrega lutas semelhantes por dentro. Em vez de apenas condenar o julgamento, o versículo expõe a incoerência: o mesmo padrão duro aplicado ao outro recai sobre quem julga. Há aqui um chamado à honestidade interior, à coragem de reconhecer a própria fragilidade, sem máscaras espirituais. Esse versículo não pretende esmagar com culpa, mas abrir espaço para um caminho mais humilde e compassivo. Quem reconhece a própria miséria começa a olhar para o próximo com menos pedra na mão e mais cuidado no olhar. Em lugar de um tribunal, nasce um encontro entre pessoas igualmente necessitadas de graça. Romanos 2:1 lembra que Deus enxerga o coração todo, não só os pecados visíveis do outro, nem as aparências religiosas. Nesse espelho bíblico, o julgamento se transforma em convite: menos acusação, mais verdade diante de Deus; menos comparação, mais consciência de que cada pessoa caminha ferida, carente de misericórdia e perdão.
Romanos 2.1 marca uma virada importante na carta. Depois de descrever a corrupção evidente do mundo pagão em Romanos 1, Paulo volta-se agora ao ser humano “moral” ou “religioso” que olha para o outro com … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Romanos 2.1 marca uma virada importante na carta. Depois de descrever a corrupção evidente do mundo pagão em Romanos 1, Paulo volta-se agora ao ser humano “moral” ou “religioso” que olha para o outro com reprovação. Vamos observar o texto: o verbo “julgar” aqui não é mera avaliação, mas atitude de condenação, assumindo o lugar de juiz. A acusação de Paulo é incisiva: quem julga o outro “te condenas a ti mesmo”. A lógica é simples e profunda ao mesmo tempo: ao estabelecer um padrão para criticar o próximo, esse mesmo padrão recai sobre o próprio avaliador. O problema não é reconhecer o mal, mas praticar o mesmo tipo de mal que se condena. Em termos teológicos, o texto desmascara a ilusão de superioridade moral, especialmente entre os que se consideram mais iluminados ou religiosos. O contexto ajuda aqui: Paulo está construindo o argumento de que “todos pecaram” (Rm 3.23). Romanos 2.1 evita que a crítica aos “outros” se transforme em escudo de autojustificação. Em vez disso, revela que o tribunal humano é inconsistente, enquanto o juízo de Deus é coerente, imparcial e perfeitamente justo.
Romanos 2:1 expõe a hipocrisia com muita clareza: quando alguém se coloca no lugar de juiz do outro, revela, sem perceber, a própria culpa. O problema não é avaliar ações, distinguir certo e errado; a … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Romanos 2:1 expõe a hipocrisia com muita clareza: quando alguém se coloca no lugar de juiz do outro, revela, sem perceber, a própria culpa. O problema não é avaliar ações, distinguir certo e errado; a questão é usar o erro alheio como escudo para não encarar a própria desordem do coração. A mesma medida usada para pesar a vida dos outros volta como espelho. Esse versículo desce para o chão da vida comum: críticas duras a pecados públicos convivendo com pecados “aceitáveis” em casa, exigências rígidas para a família enquanto se tolera rancor, fofoca ou falta de honestidade em pequenas coisas. A Palavra desmonta a ilusão de superioridade moral e chama à coerência: menos dedo apontado, mais arrependimento sincero; menos comparação, mais responsabilidade pessoal. Há, também, um convite à humildade prática: lembrar que toda pessoa em julgamento humano é, antes, alguém necessitado da mesma graça. A sabedoria bíblica, nesse texto, desloca o foco do controle sobre o comportamento alheio para a transformação do próprio coração, para que justiça e misericórdia caminhem juntas na rotina.
Romanos 2:1 desmascara uma sutileza do coração humano: a facilidade de enxergar o pecado no outro enquanto torna opaco o próprio. Quando Paulo declara “és inescusável quando julgas”, coloca toda pessoa diante do espelho da … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Romanos 2:1 desmascara uma sutileza do coração humano: a facilidade de enxergar o pecado no outro enquanto torna opaco o próprio. Quando Paulo declara “és inescusável quando julgas”, coloca toda pessoa diante do espelho da justiça divina. O ato de julgar revela conhecimento moral; ao apontar o erro alheio, o coração prova que sabe distinguir certo e errado. Por isso a condenação é profunda: a mesma medida usada contra o outro recai sobre quem julga. Há aqui menos uma proibição de todo discernimento e mais um alerta contra a postura de tribunal interior, que se coloca no lugar de Deus. O texto expõe a hipocrisia, mas também a ilusão de superioridade espiritual. Sob a lente da eternidade, ninguém aparece como juiz autônomo; todos surgem como necessitados da mesma graça. Nesse versículo, o evangelho começa a desfazer a ilusão de justiça própria. Quando a verdade de Deus se aproxima, ela não vem primeiro para armar o dedo acusador, mas para despir o coração de presunção e abrir espaço para arrependimento real. Deus trabalha também no silêncio em que toda desculpa cai por terra e só permanece a misericórdia.
Aplicação para a restauração da saúde
Romanos 2:1 revela como a postura de julgamento rígido em relação ao outro costuma refletir um padrão interno de autocrítica severa. Em termos de saúde mental, esse estilo de pensamento está ligado a sintomas de depressão, ansiedade social e vergonha tóxica. Ao condenar o outro, a pessoa frequentemente reforça, de forma inconsciente, a própria sensação de inadequação, o que aumenta a ruminação e a autocobrança.
A sabedoria bíblica de reconhecer a própria fragilidade e evitar o julgamento se aproxima do que a psicologia chama de autocompaixão e humildade realista. Em vez de negar erros ou traumas, propõe-se um olhar honesto e acolhedor sobre a própria história, sem idealizações nem condenações. Estratégias como identificar pensamentos automáticos críticos, praticar reestruturação cognitiva e exercitar a empatia — perguntando-se como a mesma situação seria vista com mais misericórdia se envolvesse outra pessoa — ajudam a reduzir a dureza interna.
Nesse processo, o versículo pode funcionar como lembrete de que perfeccionismo moral e comparações constantes adoecem, enquanto limites claros, responsabilidade e graça favorecem cura emocional, restauração de relacionamentos e maior equilíbrio psíquico.
Maus usos comuns a evitar
Um uso distorcido de Romanos 2:1 ocorre quando a crítica a julgamentos vira proibição de qualquer avaliação saudável, impedindo que abusos sejam nomeados. Outra misaplicação é culpar a própria pessoa por sofrer violência ou injustiça, como se sempre “fizesse o mesmo” que o agressor. Também é problemático usar o versículo para silenciar denúncias de violência doméstica, abuso espiritual ou psicológico em comunidades de fé. Quando há sofrimento intenso, culpa esmagadora, ideia de que “não pode julgar” nem buscar proteção, sintomas de depressão, ansiedade grave ou risco de autolesão, torna-se fundamental acompanhamento profissional em saúde mental. É importante evitar positividade tóxica e espiritualização excessiva do sofrimento, que substituem tratamento adequado por frases religiosas, negligenciando limites, responsabilidade e segurança emocional.
Perguntas frequentes
Por que Romanos 2:1 é um versículo importante para o cristão hoje?
Como posso aplicar Romanos 2:1 na minha vida diária?
Qual é o contexto de Romanos 2:1 no livro de Romanos?
O que Paulo quer dizer em Romanos 2:1 com "te condenas a ti mesmo"?
Romanos 2:1 proíbe todo tipo de julgamento entre cristãos?
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Deste capítulo
Romanos 2:2
"E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem."
Romanos 2:3
"E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?"
Romanos 2:4
"Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?"
Romanos 2:5
"Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;"
Romanos 2:6
"O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber:"
Romanos 2:7
"A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;"
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