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Salmos 85:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Escutarei o que Deus, o Senhor, falar; porque falará de paz ao seu povo, e aos santos, para que não voltem à loucura. "

Salmos 85:8

menu_book Versículo no contexto

6 Não tornarás a vivificar-nos, para que o teu povo se alegre em ti?

7 Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia, e concede-nos a tua salvação.

8 Escutarei o que Deus, o Senhor, falar; porque falará de paz ao seu povo, e aos santos, para que não voltem à loucura.

9 Certamente que a salvação está perto daqueles que o temem, para que a glória habite na nossa terra.

10 A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Este versículo é uma resposta às orações e queixas apresentadas nos versículos anteriores. Em essência, é uma resposta de paz. O salmista percebe isso rapidamente em (Salmo 85:8), porque sobe à sua “torre de vigia” para ouvir o que Deus vai falar, como o profeta em (Habacuque 2:1-2). Ele diz, em atitude decidida: “Escutarei o que Deus, o Senhor, falar”.

Isso mostra duas coisas. Primeiro, mostra que suas paixões estão sendo acalmadas: sua tristeza, seu medo e a agitação do seu espírito. É como se ele dissesse: “Aquieta-te, minha alma, e espera humildemente em Deus. Já falei o suficiente, talvez até demais. Agora ouvirei o que Deus disser e acolherei de bom grado a sua santa vontade. Que diz o meu Senhor ao seu servo?”. Se queremos que Deus ouça o que dizemos em oração, precisamos também estar dispostos a ouvir o que ele nos diz na sua palavra.

Segundo, isso mostra que sua esperança está se levantando. Depois de orar, ele passa a esperar algo grande e bondoso daquele que ouve a oração. Quando oramos, devemos então aguardar e procurar pela resposta. Ele espera que Deus “fale de paz ao seu povo e aos santos”. Há no mundo um povo que pertence a Deus, separado para ele, que será salvo por ele. Todo o seu povo é santo, santificado por sua graça e dedicado à sua glória. Esses, às vezes, podem carecer de paz, quando há tribulações por fora e temores por dentro, mas, mais cedo ou mais tarde, Deus lhes falará de paz. Se ele não ordenar paz exterior, dará paz interior, falando ao coração pelo seu Espírito aquilo que já falou aos ouvidos por meio de sua palavra e de seus ministros, e fazendo com que ouçam alegria e júbilo.

Essa esperança traz consolo, mas também chama ao dever. Devemos receber com humildade e gratidão a paz que Deus fala. Mas os santos também são advertidos a não voltar à loucura, porque a paz é prometida com essa condição. A paz é falada àqueles que deixam o pecado, e somente a esses. Se voltam ao pecado, o fazem para sua própria ruína. Todo pecado é loucura, mas o retrocesso é uma loucura especial, porque é voltar ao pecado depois de parecer tê-lo abandonado, e voltar depois de Deus já ter falado de paz. Deus é a favor da paz; mas, quando ele fala, tais pessoas escolhem a guerra.

O restante da resposta detalha essa paz. O salmista está certo de que em breve tudo estará bem; por isso, ele olha adiante para o estado florescente da igreja, nos versículos finais do salmo. Esses versículos descrevem a paz e a prosperidade que Deus finalmente deu aos filhos do cativeiro, os exilados que retornaram depois de muito esforço e aflição e enfim foram estabelecidos em sua própria terra. Podem também ser entendidos como promessa a todos os que temem a Deus e fazem o que é justo, de que serão aquietados e alegrados, e ainda como profecia do reino do Messias e das bênçãos que o encheriam.

Primeiro, o socorro está perto, como diz (Salmo 85:9). A salvação de Deus está próxima, mais do que imaginamos. Ela será realizada em breve, por maiores que sejam as dificuldades, quando chegar o tempo de Deus, e esse tempo não está distante. Quando a carga de tijolos é dobrada, então Moisés vem. A salvação está perto de todos os que temem a Deus. Quando a angústia está perto, a salvação também está, porque Deus é socorro bem presente na angústia para todos os que lhe pertencem, enquanto “a salvação está longe dos ímpios” (Salmo 119:155). Isso também aponta para Cristo, aquele que traz salvação eterna. Os crentes do Antigo Testamento se consolavam sabendo que, mesmo que não vivessem para ver a redenção em Jerusalém pela qual esperavam, ela ainda assim estava próxima e seria bem-vinda para todos os que temem a Deus.

Segundo, a honra está garantida. A expressão “para que a glória habite em nossa terra” significa que o culto a Deus seria fixado e estabelecido entre eles, pois essa é a verdadeira glória de uma terra. Quando isso se vai, pode-se dizer “a glória se foi”. Quando permanece, a glória habita ali. Isso também pode se referir ao Messias, que seria a glória de seu povo Israel e que veio e habitou no meio deles (João 1:4). Por isso, sua terra é chamada de terra de Emanuel, a terra de “Deus conosco” (Isaías 8:8).

Em seguida, as graças se encontram e se abraçam de modo feliz em (Salmo 85:10-11): “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram”. Isso pode ser entendido de mais de uma forma. Pode descrever a reforma do povo e do governo, quando essas qualidades seriam claramente vistas e dirigiriam tudo. Governantes e povo, igualmente, seriam misericordiosos, verdadeiros, justos e pacíficos. Quando não há verdade nem misericórdia, tudo se desorganiza (Oséias 4:1; Isaías 59:14-15). Mas, quando essas virtudes se encontram na vida pública, quando moldam as decisões, quando a verdade é tão abundante que brota da terra como a relva, e a justiça desce do céu como chuva, então as coisas vão bem. Quando misericórdia e verdade se encontram em cada encontro, e justiça e paz se abraçam em cada saudação, e a honestidade simples é realmente comum, então a glória habita em uma terra. A desonestidade dominante é vergonha para qualquer povo.

Isso também pode descrever o retorno do favor de Deus e sua permanência. Quando um povo volta para Deus e permanece fiel no dever, ele volta para esse povo e permanece com ele em misericórdia. Alguns entendem aqui a verdade humana e a misericórdia de Deus, a justiça humana e a paz de Deus, encontrando-se. Se Deus nos encontra fiéis a ele, uns aos outros e a nós mesmos, nós o encontraremos misericordioso. Se vivermos com cuidado pela justiça, gozaremos o consolo da paz. Se a verdade brota da terra, isto é, do coração das pessoas, que é o solo próprio para ela, então a justiça, no sentido da misericórdia de Deus, olha do céu, como o sol que brilha sobre a terra e alimenta o que cresce.

Pode também falar da harmonia dos próprios atributos de Deus na obra do Messias. Nele, que é ao mesmo tempo nossa salvação e nossa glória, misericórdia e verdade se encontram, e a justiça e a paz de Deus se beijam. A grande obra da nossa salvação é tão sabiamente ordenada que Deus pode ter misericórdia de pobres pecadores e estar em paz com eles sem violar sua verdade e justiça. Ele permanece fiel às suas advertências e justo em seu governo, e, ainda assim, perdoa pecadores e os traz para aliança consigo. Cristo, como mediador, aquele que se põe entre duas partes para uni-las, reconcilia céu e terra depois que o pecado os havia colocado em oposição. Por meio dele, a verdade brota da terra, a verdade que Deus deseja no íntimo, e então a justiça olha do céu. Deus é justo, e também o que justifica aqueles que creem em Jesus. Ou isso pode significar que essas graças florescerão e reinarão amplamente no reino do Messias.

“O Senhor dará o que é bom”, tudo o que ele vê que é bom para nós (Salmo 85:12). Todo bem procede da própria bondade de Deus. Quando misericórdia, verdade e justiça têm real poder nos corações e na conduta das pessoas, podemos esperar todo dom perfeito. Se buscarmos o reino de Deus e a sua justiça, as demais coisas nos serão acrescentadas (Mateus 6:33). Quando a glória do evangelho habita em nossa terra, ela trará crescimento e bênção, porque a verdadeira prosperidade espiritual ou virá acompanhada de prosperidade exterior, ou tornará a falta mais fácil de suportar (Salmo 67:6).

Há também um guia seguro no bom caminho (Salmo 85:13). A justiça da promessa de Deus, isto é, sua fiel promessa de felicidade, e a justiça da santificação, ou seja, a boa obra que Deus realiza em nós, vão adiante dele para preparar o seu caminho. Elas elevam nossa esperança em seu favor e nos tornam aptos para recebê-lo. Também vão à nossa frente e dirigem nossos passos, para que andemos no caminho em que ele nos conduz e saiamos ao seu encontro quando vem a nós com misericórdia. Cristo, o sol da justiça, nos conduz a Deus e nos coloca na vereda que leva a ele. João Batista, pregador de justiça, foi adiante de Cristo para preparar-lhe o caminho. A justiça é um guia seguro, tanto para irmos ao encontro de Deus, quanto para o seguirmos.

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