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Salmos 83:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Faze-lhes como aos midianitas; como a Sísera, como a Jabim na ribeira de Quisom; "

Salmos 83:9

menu_book Versículo no contexto

7 De Gebal, e de Amom, e de Amaleque, a Filístia, com os moradores de Tiro;

8 Também a Assíria se ajuntou com eles; foram ajudar aos filhos de Ló. (Selá.)

9 Faze-lhes como aos midianitas; como a Sísera, como a Jabim na ribeira de Quisom;

10 Os quais pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra.

11 Faze aos seus nobres como a Orebe, e como a Zeebe; e a todos os seus príncipes, como a Zebá e como a Zalmuna,

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auto_stories Comentário Bible Guided

O salmista fala aqui em nome da igreja. Ele ora pela derrota desses inimigos aliados e, em nome de Deus, também anuncia esse fim. Uma oração assim, pedindo que algo aconteça, também funciona como profecia de que acontecerá. E essa profecia alcança todo inimigo da igreja do evangelho. Quem se opõe ao reino de Cristo pode ler aqui a sentença que o aguarda.

Em resumo, a oração é para que esses inimigos, que se uniram contra Israel, falhem em todos os seus planos. Que terminem destruindo a si mesmos, para que o Israel de Deus seja preservado e continue. Isso é explicado de duas maneiras. Primeiro, por exemplos do passado. O castigo deles deve ser semelhante ao destino de outros que já se levantaram contra o povo de Deus. As derrotas de ataques antigos podem ser usadas na oração e fortalecer nossa fé e esperança, porque Deus continua o mesmo. Ele é o mesmo para com o seu povo e o mesmo contra os seus inimigos. Nele não há mudança.

Ele ora para que seus exércitos sejam destruídos como foram destruídos os exércitos de inimigos anteriores (Salmo 83:9, 10). “Faze-lhes como aos midianitas”, diz ele. Que sejam lançados em pânico, como os midianitas foram, mais ainda do que pelo ataque dos trezentos de Gideão. Ele pede também que Deus os trate como tratou o exército de Sísera, comandante de Jabim, rei de Canaã, a quem Deus confundiu junto à ribeira de Quisom (Juízes 4:15). Perto dali ficava En-Dor. Seus corpos se tornaram como esterco sobre a terra. Foram lançados de lado como montes de estrume, ou espalhados sobre o solo para adubá-lo. O pequeno, mas vitorioso exército de Baraque os pisou como pó. Débora depois tomou isso como modelo para as gerações futuras, quando disse: “Assim pereçam todos os teus inimigos, ó Senhor” (Juízes 5:31); isto é, que todos os inimigos tenham esse mesmo fim.

Ele ora também para que seus líderes sejam destruídos, como líderes já haviam sido destruídos antes. O povo em geral não teria sido tão perigoso se seus príncipes não os tivessem instigado. Por isso a oração é dirigida especialmente contra os governantes (Salmo 83:11, 12). A indignação deles contra o povo de Deus era esta: “Apoderemo-nos para nós das moradas de Deus” (Salmo 83:12). A expressão pode significar também “os lugares aprazíveis de Deus”. Isso pode se referir à terra de Canaã, terra formosa e terra de Emanuel, ou ao templo, que era de fato o lugar aprazível de Deus (Isaías 64:11). Outra possibilidade são as boas pastagens, muito desejadas por esses povos árabes negociantes de gado. Os príncipes e nobres queriam enriquecer pela guerra, e seus exércitos acabaram feitos como esterco sobre o chão para alimentar sua cobiça e orgulho.

O destino deles deveria ser como o de Orebe e Zeebe, dois príncipes midianitas capturados na fuga pelos efraimitas e mortos (Juízes 7:25). E também como o de Zebá e Salmuna, que o próprio Gideão matou (Juízes 8:21). Na prática, a oração é: “Faz desses inimigos uma presa tão fácil para nós como aqueles foram para o teu povo naquele tempo.” Não devemos dizer a Deus o que fazer, mas podemos pedir que trate os inimigos de sua igreja em nossos dias como tratou os dos dias de nossos pais.

Em segundo lugar, o salmista recorre a comparações. Pede a Deus que os faça como uma roda (Salmo 83:13). Ou seja, que vivam em constante movimento, inquietos, instáveis, confusos em todos os seus planos e decisões, para que rapidamente rolem rumo à ruína. Alguns entendem que o sentido é que Deus os esmague, como o grão é triturado ou debulhado pela roda usada na eira. Diz-se de um rei sábio que “faz passar a roda” sobre os ímpios quando os dispersa (Provérbios 20:26). Os que confiam em Deus têm o coração firme. Os que lutam contra ele são inconstantes, como uma roda.

Ele pede também que sejam perseguidos como a palha diante de um vento forte. Uma roda continua girando, mas fixa em seu eixo. Esses inimigos, porém, não devem ter mais estabilidade do que a palha leve que o vento sopra, e que ninguém tenta recolher (Salmo 1:4). Assim os ímpios são levados embora na sua impiedade e arrancados do mundo.

Ele prossegue pedindo que sejam consumidos como lenha no fogo, ou como espinhos e abrolhos, como samambaia ou mato seco nos montes, queimados pelas chamas (Salmo 83:14). A palha levada pelo vento pode afinal parar sob uma cerca ou numa vala. Mas ele pede que esses inimigos não apenas sejam dispersos como a palha, mas queimados como palha. Esse será o fim dos perversos (Hebreus 6:8), e especialmente de todos os inimigos da igreja de Deus.

O sentido se resume no Salmo 83:15: “Assim os persegue com a tua tempestade, e os assombre com o teu tufão.” Vê-se como os pecadores são tornados miseráveis. A tempestade da ira de Deus enche de temor o próprio coração deles, e isso completa a sua miséria. Deus pode lidar com o mais orgulhoso e ousado pecador, aquele que desafiou abertamente a sua justiça. Pode fazê-lo tremer como um gafanhoto. Até os demônios estremecem, e isso faz parte do tormento deles.

Em terceiro lugar, o salmista aponta os bons resultados que adviriam da derrota deles (Salmo 83:16-18). Ele pede que Deus, depois de encher o coração deles de terror, encha o rosto deles de confusão. Assim ficariam envergonhados do ódio que tiveram contra o povo de Deus (Isaías 26:11). E também envergonhados da loucura de se levantarem contra o Deus todo-poderoso e contra o seu próprio verdadeiro bem. Tentaram envergonhar o povo de Deus, mas no fim a vergonha recairá sobre eles mesmos.

O primeiro objetivo dessa vergonha pode ser a conversão deles. “Quebra e frustra os planos deles”, diz o salmista, “para que busquem o teu nome, Senhor.” Que sejam detidos tempo suficiente para pensar. Que parem e considerem contra quem estão lutando e quão fracos são diante dele. Então podem humilhar-se, render-se e pedir paz. Que sejam levados a temer o teu nome, e talvez isso os conduza a buscar o teu nome. Devemos pedir com sinceridade isso a Deus por nossos inimigos e perseguidores, que ele os traga ao arrependimento. Devemos desejar sua humilhação apenas se ela puder levar à sua conversão.

Se a vergonha não levar ao arrependimento, então seu desfecho completo ainda assim trará honra a Deus. Se não quiserem se envergonhar e voltar atrás, que sejam envergonhados e destruídos. Se não quiserem ser perturbados e convertidos, o que poria fim à sua perturbação de forma feliz, então que sejam perturbados para sempre e nunca encontrem paz. Isso glorificará a Deus (Salmo 83:18), porque outros saberão e confessarão, se eles mesmos não o fizerem, que tu, cujo nome somente é SENHOR, o único nome de aliança de Deus, és o Altíssimo sobre toda a terra.

Quando Deus triunfa sobre seus inimigos e sobre os inimigos de sua igreja, fica claramente provado um conjunto de grandes verdades. Mostra-se que ele é, como o seu nome Jeová significa, aquele que existe por si mesmo e não depende de nada fora de si. Ele tem em si todo poder e perfeição. Mostra-se também que ele é o Deus Altíssimo, o Senhor soberano sobre tudo. Está acima de todo falso deus, acima de todo rei e acima de todos os que se exaltam e reivindicam grandeza.

Esse domínio não se limita à terra de Israel, mas se estende a toda a terra. Alcança até as nações que não o conhecem nem o honram, porque o seu reino domina sobre tudo. Essas são grandes verdades, e não podem ser negadas. Contudo, as pessoas são lentas para aceitá-las e crer nelas. Por isso o salmista ora para que a queda de alguns sirva de advertência e convencimento para outros.

No fim, a ruína completa de todos os inimigos de Deus, no grande Dia, provará isso de modo incontestável diante de anjos e de pessoas. Quando os pecadores ressuscitarem para vergonha e desprezo eterno (Daniel 12:2), esse próprio juízo trará honra e louvor duradouros ao Deus a quem pertence a vingança.

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