Versículo em destaque
Números 8:5 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E falou o Senhor a Moisés, dizendo: "
Números 8:5
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
3 E Arão fez assim: Acendeu as lâmpadas do candelabro para iluminar o espaço em frente, como o Senhor ordenara a Moisés.
4 E era esta a obra do candelabro, obra de ouro batido; desde o seu pé até às suas flores era ele de ouro batido; conforme ao modelo que o Senhor mostrara a Moisés, assim ele fez o candelabro.
5 E falou o Senhor a Moisés, dizendo:
6 Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os;
7 E assim lhes farás, para os purificar: Esparge sobre eles a água da expiação; e sobre toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão as suas vestes, e se purificarão.
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Já vimos antes que os levitas foram separados do restante de Israel quando foram contados à parte (Números 3:6, 3:15), para servirem ao tabernáculo. Aqui nos são dadas as orientações para a sua solene consagração (Números 8:6) e, em seguida, o relato de como isso foi realizado (Números 8:20). Todo o Israel precisava ver que os levitas não tomaram para si essa honra, mas foram chamados por Deus para ela. Também não bastava que estivessem apenas separados de seus irmãos; era necessário que fossem solenemente dedicados a Deus.
Isso ensina que todos os que servem a Deus precisam ser dedicados a ele, de acordo com o tipo de serviço que exercem. Os cristãos devem ser batizados, e os ministros devem ser ordenados. Primeiro devemos nos entregar ao Senhor, e depois oferecer o nosso serviço. Os levitas deviam, antes de tudo, ser purificados, e assim o foram. Os ritos de purificação foram realizados, primeiro, por eles mesmos.
Eles tinham que lavar suas roupas e, não apenas se banhar, mas também rapar toda a carne, como fazia o leproso quando era purificado (Levítico 14:8). Deviam passar navalha sobre todo o corpo, removendo toda impureza que a água não tirasse. Jacó, a quem Deus amava, era liso, enquanto Esaú era peludo. Esse cuidado em se tornarem limpos ensina a todos os cristãos, especialmente aos ministros, a se purificarem por meio do arrependimento e do afastamento do pecado. Devem lavar toda imundícia do corpo e do espírito, para crescerem em santidade. Aqueles que carregam os vasos do Senhor devem ser limpos.
A purificação também foi feita, em segundo lugar, por Moisés. Ele devia aspergir sobre eles a água de purificação, preparada por ordem de Deus. Isso apontava para o modo como o sangue de Cristo é aplicado às nossas almas pela fé, purificando-nos de uma má consciência para que sejamos aptos a servir ao Deus vivo. É nosso dever purificar-nos, e é promessa de Deus que ele mesmo nos purificará.
Depois disso, os levitas, agora preparados, deviam ser apresentados ao Senhor numa reunião solene de todo o Israel. Os filhos de Israel deviam impor as mãos sobre eles (Números 8:10), mostrando que abriam mão de todo direito sobre eles e sobre o seu serviço, entregando-os a Deus e ao seu santuário. Apresentavam os levitas a Deus como sacrifícios vivos, santos e agradáveis, para prestarem um serviço racional. Assim como os ofertantes faziam em outros casos, impunham as mãos sobre eles e pediam que o serviço dos levitas fosse aceito em lugar da assistência de toda a nação, especialmente dos primogênitos, que Deus poderia, com pleno direito, ter exigido para si.
Isso não prova que o povo tivesse autoridade para ordenar ministros. A imposição de mãos dos filhos de Israel sobre os levitas não os fazia ministros do santuário. Apenas mostrava que o povo cedia aquela tribo em sua vida civil e militar, para que fossem feitos ministros por Arão, que os ofereceria diante do Senhor. Não era possível que toda a congregação fizesse isso pessoalmente, por isso é provável que os príncipes e anciãos o tivessem feito como representantes do povo. Alguns entendem que foram os primogênitos que impuseram as mãos, já que os levitas foram consagrados a Deus em lugar deles. Tudo o que Deus nos chama a entregar para a sua glória, devemos render de boa vontade, impondo as mãos sobre isso não para retê-lo, mas para entregá-lo àquele que tem direito sobre ele.
Em seguida, deviam ser oferecidos sacrifícios por eles, primeiro um sacrifício pelo pecado (Números 8:12), depois um holocausto, para fazer expiação pelos levitas. Os próprios levitas, como interessados diretos, deviam impor as mãos sobre a cabeça das vítimas. Aqui aprendemos, primeiro, que somos totalmente indignos e inaptos para entrar no serviço de Deus enquanto não for feita expiação pelo pecado e não estiver assegurada a paz com Deus. Essa barreira escura precisa ser removida antes que possa haver comunhão firme e consoladora entre Deus e nossas almas. Em segundo lugar, aprendemos que é pelo sacrifício, por Cristo, o grande sacrifício, que somos trazidos de volta a Deus e feitos aptos para sermos oferecidos a ele. É por meio dele que os cristãos são santificados para a obra da fé e os ministros para a obra do ministério.
O bispo Patrick entendeu que os próprios levitas eram vistos como um sacrifício expiatório, porque foram dados para fazer expiação por Israel (Números 8:19). Porém, como não foram separados para morrer, assim como os primogênitos também não foram, esses dois sacrifícios de animais foram oferecidos em seu lugar. Por isso deviam impor as mãos sobre eles, para que o pecado que Israel havia colocado sobre os levitas (Números 8:10) fosse transferido para esses animais.
Depois disso, os próprios levitas foram oferecidos diante do Senhor como uma oferta da parte dos filhos de Israel (Números 8:11). Arão os entregou a Deus, pois já haviam sido entregues por eles mesmos e por Israel. A palavra original indica uma oferta movida, não que fossem literalmente agitados, mas que eram apresentados a Deus como Senhor do céu e da terra, assim como as ofertas movidas. Chamá-los de oferta movida também sugeria que deviam continuamente erguer-se para Deus em seu serviço. Deviam levantar os olhos, elevar o coração e prontamente se mover na obra da sua vocação. Não foram ordenados para a ociosidade, mas para atividade e diligência.
Então Deus declarou que os aceitava: “Os levitas serão meus” (Números 8:14). Ele os tomou em lugar dos primogênitos (Números 8:16-18), como já tinha sido explicado (Números 3:41). O que é oferecido a Deus com sinceridade é graciosamente aceito por ele. Seus ministros, a quem ele concede misericórdia e torna fiéis, recebem marcas especiais de favor e honra. Eles serão dele, e então entrarão para fazer o serviço do tabernáculo (Números 8:15). Deus os toma para si a fim de que o sirvam. Todos os que esperam desfrutar dos privilégios do tabernáculo devem estar prontos para cumprir o seu serviço.
Por um lado, nenhuma das criaturas de Deus é seu servo necessário, pois ele não precisa da ajuda de ninguém. Por outro lado, nenhum dos que são seus é mantido apenas para honra, sem ter nada a fazer. Todos aqueles a quem Deus toma como seus ele também põe em atividade. Até os anjos têm seu trabalho.
Por fim, os levitas são dados como dádiva a Arão e a seus filhos (Números 8:19), embora o benefício desse arranjo alcançasse todo o Israel. Primeiro, os levitas deviam servir debaixo dos sacerdotes, como assistentes e ajudantes no santuário. Arão os ofereceu a Deus (Números 8:11), e depois Deus os devolveu a Arão (Números 8:19). Tudo o que entregamos a Deus, ele nos devolve de modo muito melhor. Nosso coração, nossos filhos e nossos bens nunca são tão verdadeiramente nossos, ou tão gozosos para nós, quanto quando os oferecemos a Deus. Em segundo lugar, eles deviam atuar em favor do povo.
Foram separados para servir aos filhos de Israel. Isso significava mais do que apenas cumprir tarefas designadas. Seu trabalho era promover o bem, a segurança e a paz do povo, e trazer honra para toda a nação.
Aqueles que servem fielmente a Deus fazem uma das melhores obras possíveis em favor do bem público. Os ministros de Deus, contanto que se mantenham dentro de sua vocação e cumpram seu dever com zelo, devem ser considerados entre os mais úteis servidores de um país. Israel não podia prescindir da tribo de Levi, mais do que podia abrir mão de qualquer outra tribo.
Que serviço prestavam aos filhos de Israel? O texto diz que era para fazer expiação por eles, para que não houvesse praga entre o povo. Expiação significa fazer paz com Deus por meio do sacrifício. Os sacerdotes faziam isso oferecendo sacrifícios, mas os levitas também cooperavam, cuidando das coisas santas e preservando a paz com Deus que os sacrifícios tinham assegurado.
Se o serviço do tabernáculo tivesse sido deixado, de forma dispersa, a todos os primogênitos de Israel, teria sido negligenciado ou mal executado, sem reverência. Esses homens não estariam tão ligados à obra, nem tão treinados e acostumados a ela quanto os levitas. Isso poderia trazer uma praga sobre os filhos de Israel, talvez até a morte dos próprios primogênitos, que foi a última e maior praga no Egito.
Para evitar isso e preservar a expiação, os levitas foram designados para esse serviço. Seriam instruídos nele desde a infância por seus pais, de modo que o conhecessem bem. Assim os filhos de Israel, especialmente os primogênitos, não precisariam se aproximar do santuário. E, quando algum israelita precisasse de auxílio, os levitas estariam prontos para instruí-lo, conduzi-lo e impedi-lo de cometer erros graves.
Isso foi uma grande bondade para a igreja. Deus dá ministros para irem adiante do povo nas coisas de Deus, como guias, supervisores e dirigentes no culto, e para fazerem disso o seu ofício. Quando Cristo subiu ao céu, concedeu esses dons ao seu povo (Efésios 4:8, Efésios 4:11, Efésios 4:12).
O tempo do serviço deles também foi determinado. Eles deveriam começar a servir aos vinte e cinco anos de idade (Números 8:24). Não deviam carregar o tabernáculo e seus utensílios antes de completarem trinta anos (Números 4:3), mas podiam servir de outras maneiras a partir dos vinte e cinco. Essa era uma boa idade para iniciar o trabalho público, pois normalmente reúne força física, juízo e firmeza de caráter. Homens mais jovens correm também maior risco de se encherem de orgulho.
Eles deviam encerrar o serviço pleno aos cinquenta anos, recebendo uma espécie de dispensa do trabalho pesado (Números 8:25). Não era uma demissão vergonhosa, mas uma passagem bondosa para um estado de descanso, adequado à idade. Ainda deviam ministrar com seus irmãos no tabernáculo, orientando os levitas mais jovens e ajudando a dirigi-los. Também deviam vigiar, como guardas nas entradas, para que nenhum estranho entrasse, nem pessoa impura se aproximasse. Porém não se devia colocar sobre eles tarefas que os exaurissem.
Se a graça de Deus concede forças para a obra à qual Ele chama, a sabedoria humana deve cuidar para que o trabalho esteja de acordo com as forças de cada um. Os mais velhos são mais adequados para funções de confiança e vigilância. Os mais jovens são mais apropriados para o trabalho ativo e o serviço mais pesado. Aqueles que servem bem como auxiliares alcançam para si uma boa posição (1 Timóteo 3:13). Ainda assim, os dons não são limitados pela idade (Jó 32:9), pois é o mesmo Espírito que concede todas essas capacidades.
Assim ficou resolvida a questão dos levitas.
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Deste capítulo
Números 8:1
"E falou o SENHOR a Moisés, dizendo:"
Números 8:2
"Fala a Arão, e dize-lhe: Quando acenderes as lâmpadas, as sete lâmpadas iluminarão o espaço em frente do candelabro."
Números 8:3
"E Arão fez assim: Acendeu as lâmpadas do candelabro para iluminar o espaço em frente, como o Senhor ordenara a Moisés."
Números 8:4
"E era esta a obra do candelabro, obra de ouro batido; desde o seu pé até às suas flores era ele de ouro batido; conforme ao modelo que o Senhor mostrara a Moisés, assim ele fez o candelabro."
Números 8:6
"Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os;"
Números 8:7
"E assim lhes farás, para os purificar: Esparge sobre eles a água da expiação; e sobre toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão as suas vestes, e se purificarão."
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