Versículo em destaque

Números 30:3 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Também quando uma mulher, na sua mocidade, estando ainda na casa de seu pai, fizer voto ao Senhor, e com obrigação se ligar, "

Números 30:3

menu_book Versículo no contexto

1 E falou Moisés aos cabeças das tribos dos filhos de Israel, dizendo: Esta é a palavra que o SENHOR tem ordenado.

2 Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou fizer juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua boca, fará.

3 Também quando uma mulher, na sua mocidade, estando ainda na casa de seu pai, fizer voto ao Senhor, e com obrigação se ligar,

4 E seu pai ouvir o seu voto e a sua obrigação, com que ligou a sua alma; e seu pai se calar para com ela, todos os seus votos serão válidos; e toda a obrigação com que ligou a sua alma, será válida.

5 Mas se seu pai lhe tolher no dia que tal ouvir, todos os seus votos e as suas obrigações com que tiver ligado a sua alma, não serão válidos; mas o Senhor lhe perdoará, porquanto seu pai lhos tolheu.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Parte-se aqui do pressuposto de que pessoas plenamente responsáveis por si mesmas, e que têm bom juízo e memória, devem cumprir todo voto que fazem, desde que seja lícito e possível. Porém, se quem faz o voto está sob a autoridade de outra pessoa, o caso é diferente. Dois casos muito próximos entre si são aqui apresentados e decididos.

O primeiro é o caso de uma filha que ainda mora na casa do pai. Alguns entendem que isso poderia incluir também o filho que ainda vive sob o domínio do pai e de tutores. Não se pode afirmar com segurança se essa exceção deve ser estendida tão longe. Não nos é permitido criar distinções onde a lei não as estabelece. A regra geral é clara: se um homem faz um voto, deve cumpri‑lo. Mas aqui a lei fala especificamente da filha. O voto dela não fica imediatamente e plenamente obrigatório, mas permanece em suspenso até que o pai o ouça, pressupondo‑se que ele o ouça dela mesma.

Quando o pai o ouve, tem poder para confirmá‑lo ou anulá‑lo. Até o seu silêncio é suficiente para confirmá‑lo, como se lê adiante: se ele se calar, os votos dela permanecem. O silêncio indica consentimento. Ao não falar contra, ele permite a liberdade que ela assumiu para si, e enquanto não se opuser, ela continua obrigada ao voto.

Mas se ele o rejeita abertamente, pode anulá‑lo por completo. Pode fazê‑lo porque o voto poderia prejudicar os negócios da família, contrariar os planos do pai, atrapalhar a provisão da casa se envolvesse alimento, ou dificultar o suprimento das necessidades da família se fosse mais caro do que suas posses permitiriam. Acima de tudo, tal voto poderia afrontar a autoridade dele sobre a filha. Assim, se ele o proíbe, ela fica livre, e o Senhor a perdoará, isto é, ela não será considerada culpada por ter deixado de cumprir o voto. Ela teve boa intenção ao fazê‑lo, e se seu propósito foi sincero, será tida como alguém que, no coração, fez mais do que o sacrifício exigia.

Isso mostra quanto os filhos devem aos pais em respeito e obediência. Também é bom para toda a comunidade que a autoridade dos pais seja mantida. Quando os filhos são estimulados a desobedecer a seus pais, como foram pela tradição dos anciãos (Mateus 15:5‑6), logo se tornam, em outros aspectos também, filhos de Belial, isto é, gente inútil e sem lei. Ainda que esta lei não tenha sido dada para abranger o caso de filhos que se casam sem o consentimento dos pais, de modo a dar aos pais poder de anular o casamento, como alguns já pensaram, ainda assim ela mostra que tal conduta é pecaminosa. E chama os filhos que agiram de modo insensato ao arrependimento e à humilhação diante de Deus e dos pais.

O caso da esposa é muito parecido. A viúva ou a divorciada não tem nem pai nem marido que exerçam autoridade sobre ela. Assim, todo voto com que se obrigar permanece valendo contra ela, como se lê adiante. Se ela quebrar tal voto, o faz por sua própria conta e risco. Mas a esposa, que com razão não pode considerar nada plenamente seu sem o consentimento do marido, não pode fazer tal voto sem essa aprovação.

A lei é clara no caso da mulher que continua casada depois de fazer o voto. Se o marido o admite, ainda que em silêncio, o voto permanece, conforme é explicado mais adiante: se ele se calar, confirma‑o. Se ele o recusar, então o dever da esposa para com o marido prevalece sobre o voto, pois o voto nasceu apenas de seu próprio ato e não de um mandamento anterior de Deus. Ela deve ser submissa a ele como ao Senhor; logo, seria pecado para ela agir contra o marido. Talvez devesse ter pedido o consentimento dele antes de fazer o voto. Por isso, ela precisa de perdão, como também é declarado nesta mesma legislação.

A mesma regra se aplica se uma esposa em breve vier a ficar viúva ou a ser divorciada. Ainda que volte à casa do pai, não retorna por isso à autoridade paterna de modo que o pai possa anular os votos dela. Mas se o voto foi feito enquanto ela ainda estava na casa do marido, e o marido o rejeitou, ele foi anulado de uma vez por todas. Ela não volta a ficar obrigada por esse voto quando se vê livre do domínio do marido. Este é o sentido claro das determinações posteriores, que de outro modo apenas repetiriam o que já foi dito.

Acrescenta‑se ainda que, se o marido anular os votos da esposa, ele levará a culpa dela. Isso significa que, se o que ela havia votado era realmente bom, para a honra de Deus e para o próprio bem espiritual dela, e o marido o cancelou por ganância, por mau gênio ou apenas para exibir sua autoridade, embora ela fique desobrigada do voto, ele terá muito a responder diante de Deus. Aqui se vê como a lei de Deus protege cuidadosamente a boa ordem das famílias e preserva a autoridade dos que estão acima, juntamente com o dever e o respeito dos que estão abaixo. É conveniente que cada homem governe bem a sua própria casa e mantenha esposa e filhos em boa ordem, com dignidade.

Antes de permitir que essa grande ordem seja quebrada, ou de dar qualquer incentivo para que os sujeitos à autoridade rompam seus laços, Deus se mostrou disposto até a liberar a obrigação de um voto solene. Isso mostra quanto a verdadeira religião fortalece os laços familiares e guarda o bem‑estar de toda a sociedade humana, para que nela as famílias da terra sejam abençoadas.

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