Versículo em destaque
Números 24:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Vendo Balaão que bem parecia aos olhos do SENHOR que abençoasse a Israel, não se foi esta vez como antes ao encontro dos encantamentos; mas voltou o seu rosto para o deserto. "
Números 24:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Vendo Balaão que bem parecia aos olhos do SENHOR que abençoasse a Israel, não se foi esta vez como antes ao encontro dos encantamentos; mas voltou o seu rosto para o deserto.
2 E, levantando Balaão os seus olhos, e vendo a Israel, que estava acampado segundo as suas tribos, veio sobre ele o Espírito de Deus.
3 E proferiu a sua parábola, e disse: Fala, Balaão, filho de Beor, e fala o homem de olhos abertos;
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A bênção que Balaão pronuncia sobre Israel é, em essência, muito semelhante às duas anteriores do capítulo anterior. Mas a forma como ele fala agora é diferente. Ele abandona os encantamentos em que costumava confiar e não recorre a feitiços nem artes mágicas. Ele percebe que isso não lhe serve de nada, porque é inútil tentar arrancar do diabo uma maldição, quando Deus já decidiu abençoar. Mais cedo ou mais tarde, Deus mostra às pessoas quão insensato é confiar em coisas vazias, incapazes de trazer qualquer ajuda real.
Balaão também muda o seu cenário. Ele não se afasta para um lugar isolado, como antes, mas volta o rosto para o deserto, na direção em que Israel estava acampado. Vendo que Israel precisava ser abençoado, ele desiste de resistir e, embora de má vontade, se submete. Então o Espírito de Deus vem sobre ele, ou seja, o Espírito de profecia, assim como aconteceu com Saul quando Deus o impediu de atingir Davi (1 Samuel 19:23). Balaão já não falava pensamentos próprios, mas as palavras que o Espírito lhe dava.
Ele começa também com uma introdução diferente, muito parecida com as palavras de Davi (2 Samuel 23:1-3). Contudo, parece haver um tom de orgulho e autoexaltação, como se quisesse crédito para si mesmo e posar como alguém que participa dos conselhos celestiais. Ele se gloria em duas coisas. Primeiro, gaba-se do grande favor que teria recebido de Deus, por este se ter revelado a ele, pois ouviu as palavras de Deus e viu a visão do Todo-Poderoso. Deus já lhe havia aparecido e falado antes, e Balaão parece inflado por isso. Paulo fala com humildade sobre suas visões e revelações (2 Coríntios 12:1), mas Balaão fala com soberba.
Em segundo lugar, Balaão se gloria de sua própria capacidade de receber essas revelações. Diz que caiu em êxtase como outros profetas, e ainda assim seus olhos estavam abertos. Ele menciona isso duas vezes, ainda que a formulação mude no texto original. Alguns entendem que, na primeira expressão, ele admite ter sido um homem de olhos fechados, mas agora fala como quem tem os olhos abertos. Ao tentar amaldiçoar Israel, ele reconhece que estava enganado. Agora começa a enxergar seu erro, mas ainda está cego pela ganância e ambição, esses desejos insensatos que causam tanto dano.
Os que lutam contra Deus e contra o seu povo mais cedo ou mais tarde descobrem o quanto foram enganados. Muitos têm os olhos abertos, mas o coração permanece fechado. Entendem certas coisas, mas não são santificados por esse conhecimento. Um saber que apenas alimenta o orgulho só contribui para a ruína da pessoa, e muitos caminham para a condenação com os olhos abertos.
Mesmo assim, a bênção em si permanece, em grande parte, a mesma. Balaão admira várias coisas em Israel. Ele começa admirando sua beleza: “Quão formosas são as tuas tendas, ó Jacó!”. Embora morassem em tendas simples, e não em casas suntuosas, Balaão vê nelas beleza por causa de sua arrumação ordeira, por tribos (Números 24:2). Nada torna a religião mais atraente, aos olhos de quem está de fora, do que a unidade e a harmonia do povo de Deus (Salmo 133:1). A beleza de Israel e o bom nome que ganhariam entre os vizinhos são comparados à formosura e ao perfume de vales férteis, jardins bem cuidados, árvores viçosas e especiarias aromáticas (Números 24:6).
Aqueles cujos olhos estão realmente abertos veem os santos na terra como pessoas excelentes e neles têm prazer. O justo é mais excelente do que o seu próximo. Eles são árvores plantadas pelo Senhor, e esse é o seu verdadeiro valor. Seus ramos de justiça são o plantio do Senhor. Veja (Oséias 14:5-7).
Balaão também aponta para a fecundidade e o crescimento de Israel. Isso está incluído nas imagens de vales, jardins e árvores (Números 24:6). E harmoniza com as palavras: “De seus baldes derramará a água”, isto é, Deus os regará com sua bênção, como chuva do céu. Então “a sua semente estará em muitas águas”, ou seja, entre muitos povos e nações. As Escrituras às vezes usam “águas” para se referir a povos, multidões e nações. E isso se confirma no grande crescimento daquela nação, mesmo quando esteve espalhada entre outros povos.
Ele fala também da honra e elevação de Israel. Assim como o tamanho de um povo honra o seu príncipe, a grandeza de um governante honra o seu povo. Balaão diz que o rei deles será mais elevado do que Agague. Agague provavelmente era o rei mais poderoso daquela região, e Balaão não conhecia outro maior. No entanto, ele prediz que o principal líder de Israel, depois de Moisés, Josué, seria muito mais ilustre e honrado do que Agague jamais foi, destacando-se muito mais na história. Mais tarde, Saul, primeiro rei de Israel, triunfou sobre um Agague, ainda que este viesse “delicadamente”, isto é, em pompa real.
Depois, Balaão fala do poder e das vitórias de Israel (Números 24:8). Primeiro, ele volta os olhos ao que já tinham feito, ou melhor, ao que tinha sido feito por eles. Deus os tirou do Egito, algo que ele já havia mencionado (Números 23:22). As maravilhas ligadas ao livramento do Egito fizeram mais para divulgar sua fama e infundir temor em seus inimigos do que qualquer outra coisa (Josué 2:10). O mesmo Deus que os tirou do Egito certamente não deixaria de levá-los a Canaã, pois Deus sempre completa a obra que começa.
Em seguida, ele olha para a força presente de Israel. Eles têm, por assim dizer, a força de um “unicórnio”, uma criatura selvagem e poderosa, que não se deixa facilmente dominar (Jó 39:9-10). Balaão quer dizer que Israel é forte demais para ser detido, seja por suas maldições, seja pelos exércitos de Balaque. Então ele olha para as vitórias futuras: “Comerá as nações, seus inimigos”, isto é, as destruirá com tanta facilidade e certeza como o leão despedaça sua presa, e ainda se fortalecerá, enriquecerá e se fartará com os despojos tomados delas.
Ele descreve também a coragem e a segurança de Israel: “Agachou-se, se deitou como leão, e como leão velho” (Números 24:9). Balaão vê Israel agora descansando nas campinas de Moabe, sem pedir licença ao rei de Moabe e sem temê-lo. Em breve, farão o mesmo em Canaã. Depois que o leão despedaça sua presa, deita-se em paz e nada teme. Ninguém ousa incomodar um leão que dorme.
Como observa o bispo Patrick, os leões não precisam se esconder em abrigos para dormir. Eles se deitam onde bem entendem, porque nada ousa tocá-los. Assim também Israel ficaria seguro em Canaã, especialmente nos dias de Davi e Salomão. Deste modo, o justo é ousado como um leão (Provérbios 28:1), não para agredir os outros, mas para repousar em segurança, porque Deus o faz habitar em confiança (Salmo 4:8).
Por fim, Balaão aponta para a influência de Israel sobre os povos ao redor. Seus amigos, e todos os que se unissem a eles em aliança, seriam abençoados. “Bendito o que te abençoar” significa que qualquer um que lhes fizesse o bem seria certamente beneficiado por isso.
Mas seus inimigos, e os que pegassem em armas contra eles, seriam miseráveis. “Maldito o que te amaldiçoar” (Gênesis 12:3). Qualquer um que prejudica o povo de Deus se expõe a grande perigo, porque Deus considera o que é feito a eles, seja bem ou mal, como feito a si mesmo.
Assim, Deus confirma a bênção prometida a Abraão e à sua descendência. Ele fala como alguém que, naquele momento, prefere abençoar Israel e não amaldiçoá-lo, porque deseja participar da bênção reservada aos amigos de Israel e teme a maldição que recai sobre os seus inimigos.
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Deste capítulo
Números 24:2
"E, levantando Balaão os seus olhos, e vendo a Israel, que estava acampado segundo as suas tribos, veio sobre ele o Espírito de Deus."
Números 24:3
"E proferiu a sua parábola, e disse: Fala, Balaão, filho de Beor, e fala o homem de olhos abertos;"
Números 24:4
"Fala aquele que ouviu as palavras de Deus, o que vê a visão do Todo-Poderoso; que cai, e se lhe abrem os olhos:"
Números 24:5
"Quão formosas são as tuas tendas, ó Jacó, as tuas moradas, ó Israel!"
Números 24:6
"Como ribeiros se estendem, como jardins à beira dos rios; como árvores de sândalo o Senhor os plantou, como cedros junto às águas;"
Números 24:7
"De seus baldes manarão águas, e a sua semente estará em muitas águas; e o seu rei se erguerá mais do que Agague, e o seu reino será exaltado."
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