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Números 22:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Depois partiram os filhos de Israel, e acamparam-se nas campinas de Moabe, além do Jordão na altura de Jericó. "

Números 22:1

menu_book Versículo no contexto

1 Depois partiram os filhos de Israel, e acamparam-se nas campinas de Moabe, além do Jordão na altura de Jericó.

2 Vendo, pois, Balaque, filho de Zipor, tudo o que Israel fizera aos amorreus,

3 Moabe temeu muito diante deste povo, porque era numeroso; e Moabe andava angustiado por causa dos filhos de Israel.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Os israelitas tinham enfim terminado a longa peregrinação pelo deserto e estavam acampados nas campinas de Moabe, perto do Jordão. Ali permaneceram até, depois da morte de Moisés, atravessarem o Jordão sob a liderança de Josué. A partir deste ponto o narrador passa a relatar o que aconteceu em seguida.

Primeiro, vemos o medo que tomou conta dos moabitas quando Israel se aproximou. Eles não tinham motivo real para esperar algum mal, se tivessem considerado o mandamento que Deus dera a Israel para não combater Moabe nem atacá-los (Deuteronômio 2:9). Mas, mesmo que soubessem disso, provavelmente pensaram que fosse apenas um engano para fazê-los baixar a guarda antes de serem destruídos. Assim, trataram Israel como inimigo, sem que houvesse razão para isso.

Esse é um padrão comum entre os ímpios. Quem planeja fazer o mal frequentemente finge que o outro é que está planejando o mal. A suspeita sem fundamento torna-se então desculpa para a ira injusta. Os moabitas ouviram falar da vitória de Israel sobre os amorreus (Números 22:2) e viram o tamanho do povo de Israel. Concluíram que, se não agissem logo, Israel tomaria conta deles e de todos ao redor, como um boi que devora a erva do campo.

Estavam apavorados e espalharam seu medo entre os anciãos de Midiã, para que pudessem planejar juntos a própria segurança. Se Moabe caísse, Midiã não resistiria por muito tempo. No entanto, os moabitas poderiam ter usado o sucesso de Israel para o bem. Israel os havia libertado de Siom, rei dos amorreus, que havia tomado uma parte de sua terra e poderia ter tomado mais. Eles deveriam ter acolhido Israel e buscado a paz, mas tinham se afastado da fé de seu antepassado Ló e caído na idolatria. Por isso odiavam o povo do Deus de Abraão, e Deus permitiu que ficassem confusos e angustiados em seus planos.

Em segundo lugar, o rei de Moabe elaborou um plano para fazer Israel ser amaldiçoado, isto é, queria voltar Deus contra eles, porque via que Deus lutava por eles. Confiou mais em artifícios do que em exércitos. Imaginou que, se encontrasse algum profeta ou mágico que lançasse palavras de maldição sobre Israel e de bênção sobre o lado dele, poderia derrotar um povo que parecia mais forte do que ele.

Essa ideia vinha em parte do pouco que restava de religião entre eles, pois supunha que poderes invisíveis governam os assuntos humanos e que é preciso buscar ajuda junto a esses poderes. Mas vinha também dos escombros da verdadeira religião. Se moabitas e midianitas não tivessem se desviado tanto da fé de Abraão e de Ló, jamais teriam imaginado que poderiam ferir o povo de Deus por meio de maldições.

Em terceiro lugar, Balaque, rei de Moabe, mandou chamar Balaão, filho de Beor, um adivinho bem conhecido, para pedir que amaldiçoasse Israel. Balaão morava longe, na mesma região geral de onde Abraão tinha vindo e onde Labão havia vivido. Podiam existir adivinhos mais próximos, mas nenhum com a reputação de Balaão, e Balaque estava decidido a conseguir a melhor ajuda possível, ainda que tivesse de mandar mensageiros para bem longe.

Balaque tentou primeiro conquistar a amizade de Balaão, dirigindo-se a ele como a um conselheiro de confiança e descrevendo o perigo que Israel representava por causa de seu número e por estar acampado tão perto: cobriam a face da terra e habitavam defronte dele (Números 22:5). Em seguida, quase tratou Balaão como um deus, atribuindo às suas palavras um poder que elas não tinham. Disse que quem Balaão abençoasse seria abençoado e quem ele amaldiçoasse seria amaldiçoado (Números 22:6).

Bispo Patrick e muitos escritores judeus supõem que Balaão talvez tivesse sido, no início, um verdadeiro profeta, e que as pessoas passaram a confiar nele porque suas previsões e orações pareciam se cumprir. Mas, à medida que o orgulho e a avareza cresceram em seu coração, Deus o deixou, e então ele recorreu a artes más para manter a própria fama. Ele é chamado de profeta em (2 Pedro 2:16) porque um dia já o foi, ou porque construiu seu nome por meio de práticas mágicas, como Simão, o mágico, que enganou as pessoas a ponto de ser chamado de “o grande poder de Deus” (Atos 8:10).

Quando os verdadeiros profetas de Deus pronunciam uma maldição em nome do Senhor, ela pode ter grande efeito, como a maldição de Noé (Gênesis 9:25) e a de Eliseu (2 Reis 2:24). Mas a maldição sem causa não encontra lugar onde pousar (Provérbios 26:2), assim como a maldição de Golias contra Davi não teve êxito, ainda que ele tivesse invocado seus deuses (1 Samuel 17:43). Devemos desejar ter a nosso favor as orações dos ministros de Deus e de seu povo, e temer tê-las contra nós, porque Deus leva a sério tanto a bênção quanto a maldição que eles pronunciam.

Mesmo assim, a lisonja de Balaque não bastou, por si só, para conquistar Balaão. A verdadeira isca veio em seguida: trouxeram na mão o pagamento pela adivinhação, a recompensa da injustiça, que Balaão amava (2 Pedro 2:15).

Em quarto lugar, Deus conteve Balaão e proibiu que amaldiçoasse Israel. Balaão provavelmente conhecia a história e o caráter de Israel e devia saber que Deus estava de fato com eles. Deveria ter mandado embora os mensageiros imediatamente, dizendo que jamais levantaria maldição contra um povo a quem Deus havia abençoado. Em vez disso, reteve-os para passar a noite, o que lhe deu tempo para pensar e para receber uma orientação de Deus (Números 22:8). Quando paramos para negociar com a tentação, colocamo-nos em perigo de ser vencidos por ela.

Naquela noite Deus veio a Balaão, provavelmente em sonho, e perguntou o que aqueles homens queriam com ele. Deus já sabia, mas queria que Balaão declarasse. Balaão expôs o pedido deles (Números 22:9-11) e então Deus lhe disse que não fosse com eles, nem amaldiçoasse aquele povo abençoado (Números 22:12). Deus às vezes fala assim a homens maus por causa da proteção de seu povo, como fez com Abimeleque (Gênesis 20:3) e Labão (Gênesis 31:24). Chegamos até a ler sobre alguns que praticavam o mal e, ainda assim, profetizaram e fizeram milagres em nome de Cristo.

Balaão foi instruído não apenas a não ir até Balaque, mas também a não sequer tentar amaldiçoar aquele povo, algo que poderia ter tentado fazer à distância. A razão era clara: eles eram abençoados. Isso fazia parte da bênção dada a Abraão: “amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gênesis 12:3). Assim, qualquer tentativa de amaldiçoar Israel não seria apenas inútil, mas perigosa.

Israel frequentemente tinha provocado a ira de Deus no deserto, mas Ele não permitiu que seus inimigos os amaldiçoassem. Ele não os tratou segundo os seus pecados. A bênção pertence àqueles cuja iniquidade é perdoada e cujo pecado é coberto, como Paulo afirma em (Romanos 4:6-7).

Os mensageiros voltaram então sem Balaão. Balaão não foi totalmente sincero ao transmitir-lhes a resposta de Deus, como vemos em (Números 22:13). Disse apenas: “O Senhor recusa deixar-me ir convosco.” Não lhes declarou, como deveria, que Israel era um povo abençoado e que não podia, de modo algum, ser amaldiçoado. Se tivesse falado assim, todo o plano teria caído por terra e a tentação não voltaria a ser tentada.

Em vez disso, deu a entender a Balaque que aprovava o plano e que teria prazer em ajudar, se lhe fosse permitido. Colocou a questão nas palavras mais seguras para si, alegando ter posição de profeta e não poder ir sem permissão de Deus, permissão essa que, por ora, não tinha recebido. Assim, por enquanto, precisava recusar.

Isso revela um grande perigo. As pessoas se tornam presa fácil da tentação de Satanás quando falam levianamente dos mandamentos de Deus, como se obedecer fosse apenas uma questão de pedir ou não autorização. Ir contra a lei de Deus não é simplesmente agir sem permissão, é rebelião.

Os mensageiros também não foram honestos ao relatar tudo a Balaque. Disseram apenas: “Balaão recusa vir conosco” (Números 22:14). Isso dava a entender que Balaão apenas esperava uma oferta melhor ou mais honra. Não quiseram que Balaque soubesse que o próprio Deus havia rejeitado o plano.

Assim, grandes homens costumam ser enganados pela lisonja dos que os cercam. Seus conselheiros fazem o possível para impedi-los de ver os próprios erros e a insensatez de suas decisões.

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