Versículo em destaque
Números 14:11 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E disse o Senhor a Moisés: Até quando me provocará este povo? e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele? "
Números 14:11
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
9 Tão-somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo dessa terra, porquanto são eles nosso pão; retirou-se deles o seu amparo, e o Senhor é conosco; não os temais.
10 Mas toda a congregação disse que os apedrejassem; porém a glória do Senhor apareceu na tenda da congregação a todos os filhos de Israel.
11 E disse o Senhor a Moisés: Até quando me provocará este povo? e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele?
12 Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei; e te farei a ti povo maior e mais forte do que este.
13 E disse Moisés ao Senhor: Assim os egípcios o ouvirão; porquanto com a tua força fizeste subir este povo do meio deles.
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Aqui está o juízo justo que Deus pronunciou contra Israel por causa de suas murmurações e incredulidade. Depois ele atenuou esse juízo, mas ainda assim mostrou o que o pecado deles merecia e o que a justiça estrita exigia. Mostrou também o que teria acontecido se Moisés não tivesse intercedido. Quando a glória do Senhor apareceu no tabernáculo, Moisés provavelmente entendeu aquilo como um chamado para se apresentar diante de Deus, assim como havia subido ao monte em uma crise semelhante, antes de o tabernáculo ser erguido (Êxodo 32:30). Enquanto o povo procurava envergonhá‑lo, Deus honrou publicamente Moisés como aquele que conhecia o seu conselho.
Primeiro, Deus mostrou a Moisés quão grave era o pecado do povo (Números 14:11). O que se passava entre Deus e Israel acontecia por meio de Moisés. Quando o povo se irritava contra Deus, murmurava contra Moisés (Números 14:2). Quando Deus se indignava contra o povo, também falava com Moisés, pois o Senhor revela o seu segredo aos seus servos, os profetas (Amós 3:7). Deus se queixa de duas coisas.
Primeiro, do pecado em si. Ele diz: “Este povo me provoca”, isto é, rejeita, insulta e despreza a Deus porque se recusa a crer nele. A incredulidade era a raiz amarga que produzia toda a sua amargura e rebelião. A falta de confiança fez daquele um “dia da provocação no deserto” (Hebreus 3:8). Desconfiar de Deus, de seu poder e de suas promessas é, por si só, uma grande ofensa e está por trás de muitos outros pecados. A incredulidade é um pecado gravíssimo (1 João 5:10) e é um pecado‑raiz (Hebreus 3:12).
Segundo, da persistência teimosa nesse pecado. Deus pergunta: “Até quando farão isto?” Ele conta por quanto tempo os pecadores continuam a provocá‑lo, e, quanto mais persistem, mais o desagradam. O pecado deles era mais grave por causa de quem eram. Eram “este povo”, um povo escolhido para um relacionamento especial com Deus e que professava pertencer a ele. Quanto mais perto alguém está de Deus em nome e profissão, mais o provoca quando peca, especialmente quando não confia nele. O pecado deles também era mais grave por causa do que tinham visto. Haviam experimentado o poder e a bondade de Deus em todos os sinais que ele operara no meio deles. Seria de se esperar que isso os levasse a confiar e obedecer. Quanto mais Deus faz por nós, maior é nossa culpa se ainda assim o desconfiamos.
Em seguida, Deus mostrou a Moisés a sentença que a justiça exigia (Números 14:12). Era como se dissesse: “O que resta agora senão acabar de vez com eles?” Ou seja, o juízo logo seria executado. Ele os feriria com peste, não deixaria sobreviventes e apagaria o seu nome e linhagem. Rejeitá‑los‑ia como seu povo e não mais se deixaria “importunar” por eles. Filhos rebeldes merecem ser deserdados.
Se alguém perguntasse o que seria da aliança com Abraão, a resposta de Deus era que ele poderia preservá‑la por meio de Moisés: “De ti farei uma nação maior”. Nisso, Deus provava Moisés para ver se ele ainda amava Israel como antes, quando havia preferido o bem do povo à ascensão da sua própria casa. Moisés mostrou que conservava o mesmo espírito público e não suportava a ideia de erguer o próprio nome sobre a ruína de Israel. Deus também nos ensina aqui que não depende de pecadores. Se Adão e Eva tivessem sido eliminados, ele poderia ter levantado outro casal e ainda assim demonstrado misericórdia. Do mesmo modo, se Israel tivesse sido destruído, ele poderia ter glorificado sua misericórdia em Moisés.
Então Moisés fez uma oração humilde em favor do povo. O pecado deles havia aberto uma brecha no muro da proteção, e a destruição teria irrompido caso Moisés não tivesse se colocado na brecha, no momento certo, para contê‑la. Nisso, ele apontou para Cristo, que orou por aqueles que o perseguiam e que é exemplo para nós, conforme o seu próprio mandamento (Mateus 5:44).
O pedido de Moisés foi simples: “Perdoa a iniquidade deste povo” (Números 14:19). Em outras palavras: “Não lhes tragas a ruína que merecem”. Foi semelhante à oração de Cristo pelos que o crucificaram: “Pai, perdoa‑lhes”. Quando uma nação peca como nação, o perdão significa a retirada do castigo nacional, e é isso que Moisés suplica com urgência aqui.
Ele apresenta muitos argumentos fortes. O principal é a honra de Deus (Números 14:13‑16). Ele começa por aí, quase de repente, tomando como gancho as palavras tremendas de Deus: “Eu os deserdarei”. “Senhor”, diz ele, “então os egípcios o saberão”. A honra de Deus estava mais próxima do coração de Moisés do que os seus próprios interesses.
Ele argumenta que tanto o Egito como Canaã estavam observando, e grandes expectativas haviam sido criadas em torno desse povo. As nações vizinhas tinham ouvido dizer que o Senhor estava entre eles (Números 14:14). A notícia do cuidado de Deus se espalhara ao longe, e nenhum outro povo estivera em posição semelhante debaixo do céu. Se agora fossem exterminados, a notícia correria rapidamente. Os egípcios o saberiam, pois tinham espiões entre os israelitas, e também os moradores da terra o saberiam (Números 14:13‑14). Egito e Canaã mantinham forte contato um com o outro, ainda que não por aquele caminho do deserto.
Se esse povo, que causara tanta impressão, fosse todo destruído e suas grandes promessas se tornassem nada, os pagãos interpretariam isso da pior forma. A sua luz se apagaria de uma vez, e a notícia seria levada com alegria entre as nações. Mas as nações não veriam nisso a justiça de Deus trazendo‑lhe glória. Interpretariam como fracasso do seu poder. Comentariam que ele os havia destruído no deserto porque não pôde levá‑los à terra de Canaã, como se seu braço tivesse enfraquecido e o seu estoque de maravilhas tivesse se esgotado (Números 14:16). Moisés suplica, em essência, que nenhum atributo de Deus seja exaltado à custa de outro. Seria melhor que a misericórdia triunfasse sobre o juízo do que ver o poder de Deus ser posto em dúvida.
Esse é um dos melhores tipos de oração: é fundamentada na própria honra de Deus e corresponde ao primeiro pedido da oração do Senhor: “Santificado seja o teu nome”. Que não se traga vergonha ao trono da sua glória. O próprio Deus usa esse tipo de argumento quando diz: “Temia a provocação do inimigo” (Deuteronômio 32:27). Devemos também tomar isso como orientação para a vida, de modo que ajamos sempre de forma a não dar ocasião para que os inimigos de Deus falem mal dele (1 Timóteo 6:1).
Moisés ainda apela à proclamação do nome de Deus em Horebe (Números 14:17‑18): “Engrandeça‑se, pois, o poder do Senhor”. Aqui, poder significa a força da misericórdia perdoadora, seu domínio sobre a própria ira.
Se Deus os destruísse, seu poder seria posto em questão. Mas se prosseguisse e concluísse a salvação deles, mesmo com inimigos fortes contra eles e com os próprios pecados do povo agravando tudo, isso tornaria seu poder ainda mais evidente. Que coisa ele não poderá fazer, se foi capaz de tornar um povo tão fraco vitorioso e um povo tão indigno seu povo escolhido? Quanto maior o risco de que outros falem contra o poder de Deus, mais devemos desejar ver esse poder honrado.
Para fortalecer sua súplica, Moisés recorda o que o próprio Deus havia dito: “O Senhor é longânimo e grande em misericórdia”. Deus apresentara a sua bondade como parte da sua glória (Êxodo 34:6‑7). Agora Moisés pede que Deus manifeste de novo essa glória naquela situação. Sempre devemos buscar confiança na oração na própria palavra de Deus, nas promessas em que ele nos fez esperar (Salmo 119:49). Em essência, Moisés está dizendo: “Senhor, age conforme tens falado, pois, tendo dito, não cumprirás a tua palavra?”
Moisés apoia seu pedido em três pontos claramente declarados por Deus. Primeiro, o caráter geral de Deus é bom: ele é longânimo e grande em misericórdia. Não se irrita com facilidade, mas é bondoso e compassivo até com os que o ofendem. Segundo, Deus está disposto a perdoar o pecado em todas as suas formas. Terceiro, mesmo quando castiga, não tem em vista a destruição total. Assim se deve entender as palavras de que não inocenta o culpado e visita a iniquidade dos pais nos filhos: ele não faz um extermínio completo ao visitar a culpa dos pais nos filhos.
Deus havia dito no segundo mandamento que visitaria o pecado dessa maneira, mas aqui o sentido é que não extermina de uma só vez famílias, igrejas ou nações. Isso se ajusta bem a este momento. Moisés não pede que Deus jamais castigue esse pecado, pois isso apenas encorajaria a rebeldia. Ele pede que Deus não destrua todo o povo de uma vez, “como a um só homem” (Números 14:15). Em outras palavras, não pede que escapem da correção, mas que não sejam cortados das bênçãos da aliança de Deus.
Esta lembrança era especialmente apropriada porque Deus havia revelado esse mesmo nome quando perdoou o pecado do bezerro de ouro. O pecado atual do povo também era grave, mas não era idolatria. Moisés também apela à misericórdia passada: “Como tens perdoado a este povo desde o Egito” (Números 14:19). À primeira vista, isso pode parecer um argumento fraco. Por que Deus deveria continuar perdoando pessoas que, depois de tantos perdões, seguiam se rebelando cada vez mais? A sabedoria humana diria que tanta paciência só as encorajaria a permanecer no pecado.
Mas os caminhos de Deus são muito mais elevados que os nossos, inclusive no perdoar o pecado (Isaías 55:9). Moisés trata o perdão passado de Deus como um forte motivo para pedir novo perdão. Seu pensamento é: “Perdoa agora, como já tens perdoado antes”. Isso não prejudica a justiça de Deus, nem diminui o louvor devido à sua misericórdia, perdoar outra vez. É por isso que os filhos de Jacó não são destruídos, porque lidam com um Deus que não muda (Malaquias 3:6).
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Deste capítulo
Números 14:1
"Então toda a congregação levantou a sua voz; e o povo chorou naquela noite."
Números 14:2
"E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito! ou, mesmo neste deserto!"
Números 14:3
"E por que o Senhor nos traz a esta terra, para cairmos à espada, e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito?"
Números 14:4
"E diziam uns aos outros: Constituamos um líder, e voltemos ao Egito."
Números 14:5
"Então Moisés e Arão caíram sobre os seus rostos perante toda a congregação dos filhos de Israel."
Números 14:6
"E Josué, filho de Num, e Calebe filho de Jefoné, dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes."
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