Versículo em destaque
Neemias 9:4 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E Jesuá, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, Serebias, Bani e Quenani se puseram em pé no lugar alto dos levitas, e clamaram em alta voz ao Senhor seu Deus. "
Neemias 9:4
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
2 E a descendência de Israel se apartou de todos os estrangeiros, e puseram-se em pé, e fizeram confissão pelos seus pecados e pelas iniqüidades de seus pais.
3 E, levantando-se no seu lugar, leram no livro da lei do Senhor seu Deus uma quarta parte do dia; e na outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus.
4 E Jesuá, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, Serebias, Bani e Quenani se puseram em pé no lugar alto dos levitas, e clamaram em alta voz ao Senhor seu Deus.
5 E os levitas, Jesuá, Cadmiel, Bani, Hasabnéias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías, disseram: Levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; e bendigam o teu glorioso nome, que está exaltado sobre toda a bênção e louvor.
6 Só tu és Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora.
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Aqui temos o relato de como aquele dia de jejum foi conduzido. Os nomes dos ministros que serviram são mencionados duas vezes, em Neemias 9:4 e Neemias 9:5, ainda que com pequenas diferenças. Eles provavelmente oraram um após o outro, seguindo a ordem que o apóstolo estabelece: “todos podereis profetizar, um por um” (1 Coríntios 14:31); ou então, como alguns entendem, havia oito grupos distintos, espalhados a certa distância uns dos outros, e cada grupo tinha um levita, um homem da tribo separada para o serviço do templo, como seu dirigente.
A obra daquele dia era composta de oração e louvor. Eles clamaram a Deus em alta voz (Neemias 9:4), pedindo que perdoasse os pecados de Israel e lhes mostrasse o seu favor. Não gritavam para que Deus os ouvisse melhor, como faziam os adoradores de Baal, mas para que o povo escutasse e para que o próprio coração deles fosse despertado a maior fervor. O louvor também tinha o seu lugar em um dia de jejum, pois em todo ato de adoração devemos ter como alvo dar a Deus a honra devida ao seu nome.
Temos aqui um resumo da oração deles. É possível que tenha sido escrito antes, para orientar os levitas, ou então lembrado depois, como os principais pontos que foram ditos. Certamente foi falado muito mais do que está registrado, pois a confissão de pecados e a adoração a Deus ocuparam a quarta parte do dia, e provavelmente ainda mais. Nessa oração solene, a primeira coisa que ouvimos é um humilde e reverente louvor a Deus como o Ser perfeito e glorioso, a fonte de tudo o que existe (Neemias 9:5-6).
O povo foi convocado a demonstrar sua concordância ficando em pé, e então o ministro se voltou para Deus e disse: “Bendito seja o teu nome glorioso”. Deus é louvado ali como o único Deus vivo e verdadeiro. “Tu só és Senhor”, isto é, ele existe por si mesmo e não depende de ninguém. Não há outro Deus além dele. Ele é também exaltado como o Criador de todas as coisas: os céus, a terra, os mares e tudo o que neles há. A primeira verdade da fé é, com razão, a primeira verdade do nosso louvor.
Ele é também louvado como o grande Conservador de toda a criação. Ele preserva cada criatura que fez. Seu cuidado alcança os seres mais elevados, porque eles precisam dele, e os mais humildes, porque ele não os despreza. O que Deus faz, ele conserva. O que ele faz, faz de maneira completa e eficaz (Eclesiastes 3:14). Ele é ainda exaltado como aquele a quem todas as criaturas adoram. O exército dos céus, os santos anjos, o adoram (Neemias 9:6). No entanto, seu nome é elevado acima de toda bênção e louvor. Ele não necessita de nosso louvor, e nada do que dizemos acrescenta algo à sua glória. Até o melhor louvor, inclusive o dos anjos, fica muito aquém do que ele merece.
Em seguida, a oração faz um relato agradecido da bondade de Deus para com Israel. Muitas dessas bênçãos são lembradas diante de Deus por um bom motivo. Devemos aproveitar toda oportunidade para falar da benignidade do Senhor e dar graças em cada oração. Quando confessamos nossos pecados, é proveitoso recordar-nos das misericórdias de Deus, pois elas tornam nossos pecados ainda mais graves e ajudam a produzir maior vergonha e humildade. E, quando pedimos misericórdia em meio às aflições, a fé é fortalecida ao olhar para trás e ver a ajuda de Deus no passado, tanto em nossa própria vida como na vida de nossos pais.
A oração começa com o chamado de Abraão (Neemias 9:7). O favor de Deus para com ele foi especial, porque Deus o escolheu. Sua graça foi poderosa, tirando Abraão de Ur dos caldeus. Ao dar-lhe o nome Abraão, Deus o honrou como seu e prometeu que ele seria pai de muitas nações. “Olhai para Abraão, vosso pai” (Isaías 51:2), e vejam nele a graça livre de Deus manifestada.
Depois, a oração recorda a aliança que Deus fez com Abraão, para dar-lhe a terra de Canaã a ele e à sua descendência, figura da pátria superior que haveria de vir (Neemias 9:8). Essa aliança era certa, porque Deus achou fiel o coração de Abraão diante dele, e o achou assim porque ele mesmo o fez assim. A fé não é algo que produzimos por nós mesmos, mas dom de Deus. E assim Deus cumpriu a sua promessa. Ele se mostra reto para com os retos, e onde quer que encontre um coração fiel, ali se manifesta como Deus fiel.
Em seguida vem o livramento de Israel do Egito (Neemias 9:9-11). Era apropriado lembrar isso enquanto pediam a Deus que completasse o livramento deles de Babilônia. Deus os resgatou porque viu a aflição deles, ouviu o clamor deles e agiu contra o orgulho e a crueldade dos opressores. Quando os egípcios se ensoberbeceram, Deus se mostrou maior do que eles (Êxodo 18:11) e fez o seu nome conhecido. Ele havia dito: “Eu me glorificarei sobre Faraó”. Ainda hoje Deus é glorificado por aquela grande obra. Ela foi realizada por meio de milagres, por sinais e maravilhas. O livramento deles se tornou a ruína de seus inimigos, que foram lançados nas profundezas como uma pedra em águas profundas.
A oração também lembra como Deus os guiou pelo deserto por meio da coluna de nuvem e de fogo, que mostrava o caminho, o momento de partir e o momento e o lugar de descansar (Neemias 9:12). Ela dirigia cada etapa da jornada e era um sinal visível de que Deus estava presente para os guiar e proteger. Isso é lembrado novamente em Neemias 9:19, onde se destaca que, embora os pecados deles merecessem que Deus se retirasse e os deixasse vaguear e perecer, ele mostrou grande misericórdia e não lhes tirou a coluna de nuvem e de fogo. Quando Deus continua a nos conceder misericórdias que já tínhamos perdido por nossos pecados, ficamos em dívida dupla de gratidão.
Em seguida, a oração fala da generosa provisão de Deus no deserto, para que não morressem de fome. Ele lhes deu pão do céu e água da rocha (Neemias 9:15), e fortaleceu o coração deles com a promessa de que entrariam e possuiriam a terra de Canaã. Tinham alimento e bebida ao longo do caminho, e, no fim da jornada, a boa terra os aguardava. Que mais poderiam desejar? Essa mesma bênção é repetida em Neemias 9:20-21, como algo que Deus continuou a conceder, apesar da teimosia deles. Durante quarenta anos ele os sustentou. Nunca houve povo tão longamente cuidado, nem com tanta ternura. Suas roupas não se gastaram e, embora o caminho fosse áspero e cansativo, seus pés não incharam. Eles foram carregados, por assim dizer, sobre asas de águia.
Por último, a oração lembra a outorga da lei no monte Sinai. Este foi o maior favor concedido a eles e a mais alta honra que receberam. O Legislador era glorioso (Neemias 9:13). Deus não apenas enviou a lei, mas desceu e falou com eles (Deuteronômio 4:33).
A lei que Deus deu era muito boa. Nenhuma nação sobre a terra possuía leis tão justas, mandamentos tão verdadeiros e ordenanças tão boas (Deuteronômio 4:8). A lei moral e a lei civil eram verdadeiras e retas, baseadas no que é naturalmente justo e na diferença permanente entre o bem e o mal. Até as leis cerimoniais eram boas, pois mostravam a bondade de Deus para com o seu povo e apontavam para a graça do evangelho, isto é, o favor gratuito de Deus por meio de Cristo.
É dada atenção especial ao quarto mandamento, o sábado, como grande bênção. “Fizeste-lhes conhecer o teu santo sábado” foi um sinal do favor especial de Deus. Isso os distinguiu das outras nações, que haviam se afastado de Deus e perdido aquela parte inicial da religião revelada. Também os ajudava a manter comunhão com Deus. Juntamente com a lei e o sábado, Deus lhes deu o seu bom Espírito para os ensinar (Neemias 9:20). Além da lei dada no Sinai, os cinco livros de Moisés, escritos enquanto ele era movido pelo Espírito Santo, continuaram a instruí-los. Em especial, o livro de Deuteronômio lhes trouxe ensinamentos mais amplos de Deus por meio de Moisés. Bezaleel foi cheio do Espírito de Deus (Êxodo 31:3), Josué foi cheio do Espírito (Números 27:18), e sobre Calebe se diz que tinha “outro espírito”.
Deus também lhes deu a posse de Canaã, aquela boa terra, juntamente com reinos e nações (Neemias 9:22). Tornou-os tão numerosos que encheram a terra (Neemias 9:23) e tão vitoriosos que se tornaram senhores dela (Neemias 9:24). Os povos que ali habitavam foram entregues em suas mãos, para que tratassem com eles como entendessem, podendo até pôr os pés sobre o pescoço de seus reis, se assim desejassem. Dessa forma, receberam uma morada firme e próspera (Neemias 9:25). Suas cidades eram fortes e bem defendidas. Suas casas eram belas e bem abastecidas, cheias de bens preciosos. Todo o país era como um jardim fértil, repleto de vinhas e oliveiras. Encontraram tudo pronto e desfrutaram dos dons da grande bondade de Deus. Não poderiam desejar vida mais feliz em Canaã, se eles mesmos não a tivessem estragado.
Deus também mostrou grande disposição em perdoar os pecados deles e socorrê-los quando a própria rebeldia deles lhes trazia sofrimento. No deserto, eles o encontraram pronto a perdoar (Neemias 9:17), um Deus que perdoa, como se ressalta ali. Ele havia revelado seu nome como o Deus que perdoa a maldade, a rebelião e o pecado. Ele tem poder para perdoar, está disposto a perdoar e tem prazer em perdoar. Embora eles o tivessem abandonado, ele não os abandonou, embora, em justiça, pudesse tê-lo feito. Continuou cuidando deles e mostrando-lhes favor. Mais tarde, já estabelecidos em Canaã, quando por seus pecados se venderam às mãos de seus inimigos, ele lhes deu libertadores quando se humilharam e pediram socorro (Neemias 9:27). Esses foram os juízes, por meio de quem Deus operou muitos grandes livramentos quando estavam à beira da ruína. Ele fez isso não porque eles merecessem, mas segundo suas misericórdias, suas muitas misericórdias.
Ele também os advertiu claramente por meio de seus servos, os profetas. Quando os tirava da angústia, ainda assim falava contra os pecados deles (Neemias 9:28, 29), para que não confundissem o livramento com aprovação de sua maldade. O propósito das advertências dos profetas era reconduzir o povo à lei de Deus, colocar seus pescoços debaixo do jugo dessa lei e guiá-los por sua regra. A meta do ministério é conduzir as pessoas a Deus, levando-as à sua lei, e não atraí-las a nós, submetendo-as a qualquer lei nossa. Vemos isso de novo em Neemias 9:30: “Tu os advertiste pelo teu Espírito, por intermédio de teus profetas.” O testemunho dos profetas era, na verdade, o testemunho do Espírito neles, o Espírito de Cristo falando por meio deles (1 Pedro 1:10, 11). Eles falaram movidos pelo Espírito Santo, e suas palavras devem ser recebidas assim. Deus lhes havia dado o seu Espírito para ensiná-los (Neemias 9:20), mas, quando não quiseram aprender por esse ensino, ele usou o seu Espírito para testemunhar contra eles. Se não deixarmos que a palavra de Deus nos ensine e governe, um dia ela nos acusará e julgará. Deus envia profetas em misericórdia ao seu povo (2 Crônicas 36:15), para não ter de enviar juízos.
Deus também mostrou grande paciência e suavizou seus castigos. “Por muitos anos os aturaste” (Neemias 9:30), porque era tardio em irar-se e esperava para ver se se arrependeriam. Mesmo quando os castigou, não os destruiu de todo nem os abandonou (Neemias 9:31). Se os tivesse abandonado, eles teriam sido exterminados. Ele não derramou sobre eles todo o seu furor, porque seu propósito era corrigi-los, não arruiná-los. Dessa forma, eles multiplicam e realçam os muitos exemplos da bondade de Deus para com Israel. Devemos fazer o mesmo. Quando pensamos corretamente na bondade de Deus, isso deve nos conduzir ao arrependimento e vencer o nosso pecado. Quanto mais gratos formos pelas misericórdias de Deus, mais humilhados seremos por causa de nossos pecados.
Segue então uma humilde confissão de pecado, tanto dos pecados deles como dos pecados de seus pais. Esses pecados são entrelaçados com lembranças da bondade de Deus, para que a bondade divina, mesmo diante da rebeldia deles, apareça com mais clareza, e os pecados deles, cometidos contra tamanha bondade, se mostrem ainda mais graves. Muitas partes dessa confissão foram tomadas de Ezequiel 20:5-26. A palavra de Deus nos ajuda a orar, e a partir do que ele nos diz aprendemos o que dizer a ele.
Eles começam com os pecados de Israel no deserto: “Eles, e até nossos pais”, que é o melhor entendimento, “se ensoberbeceram” e endureceram a cerviz (Neemias 9:16). Embora tivessem todo motivo para se humilhar, por causa do que haviam sido e de quão recentemente haviam saído da escravidão, eles se encheram de orgulho. O orgulho está na raiz da teimosia e da desobediência. As pessoas acham indigno curvar-se ao jugo de Deus e tratam como questão de honra opor a própria vontade à vontade de Deus.
Houve duas coisas que eles não consideraram devidamente, e, se o tivessem feito, não teriam agido como agiram. Eles ouviram a palavra de Deus, mas não prestaram atenção aos seus mandamentos. Viram as obras de Deus, mas não se lembraram de suas maravilhas. Se as tivessem reconhecido como milagres, teriam obedecido por fé e santo temor. Se tivessem visto nelas misericórdias, teriam obedecido por gratidão e santo amor. Quando as pessoas não fazem bom uso nem das ordenanças de Deus nem de suas providências, o que se pode esperar delas?
Dois grandes pecados são mencionados aqui, pecados que eles cometeram no deserto, enquanto tramavam voltar atrás. Primeiro, desejaram retornar à escravidão egípcia e, por causa de alho e cebola, preferiram isso à gloriosa liberdade do povo de Deus, ainda que essa liberdade viesse acompanhada de algumas dificuldades. Na rebeldia, escolheram um chefe para levá-los de volta à escravidão, demonstrando desconfiança no poder de Deus e desprezo pela sua santa promessa (Neemias 9:17).
Eles também confessaram a idolatria de seus pais no deserto, quando fizeram um bezerro de fundição e, em sua loucura, o chamaram de seu deus.
Depois, entristeceram-se pelos pecados que seus pais cometeram depois que Deus lhes deu a terra de Canaã. Embora eles mesmos se tivessem alegrado com a grande bondade de Deus, isso não os manteve perto dele. Pelo contrário, foram desobedientes e praticaram grandes pecados (Neemias 9:26). Abusaram dos profetas de Deus e os mataram, porque esses profetas os advertiam e procuravam fazê-los voltar para Deus (Neemias 9:26). Assim, retribuíram a maior bondade com o pior mal.
Também abusaram da bondade de Deus. Depois que tiveram descanso, voltaram a fazer o mal (Neemias 9:28). Nem a aflição nem o livramento os mudaram. O temor não os manteve em seu dever, e o amor tampouco.
Por fim, aproximaram-se mais do seu próprio tempo e lamentaram os pecados que trouxeram os juízos debaixo dos quais há muito sofriam e dos quais, naquele momento, estavam apenas parcialmente libertos. “Procedemos iniquamente” (Neemias 9:33), disseram. “Nossos reis, nossos príncipes, nossos sacerdotes e nossos pais todos foram culpados, e nós somos culpados com eles” (Neemias 9:34).
Acusaram a si mesmos e a seus pais de dois grandes pecados que causaram seus sofrimentos. Primeiro, desprezaram a boa lei que Deus lhes dera. Pecaram contra os juízos de Deus, isto é, contra os mandamentos sábios de Deus e a autoridade de Deus como governante. Tinham sido informados de que a obediência lhes traria vida: “o homem que os cumprir, por eles viverá” (Neemias 9:29). Mesmo assim, não quiseram obedecer, e assim agiram como se não quisessem viver. Abandonaram a sua própria misericórdia. Essa forma abreviada da aliança, “Faze isto e viverás”, vem de Ezequiel 20:13, e Paulo a cita em Gálatas 3:12 para mostrar que a lei não se baseia na fé. Ainda assim, eles deram o ombro retirado. Fingiram tomar sobre si o fardo da lei de Deus, mas recuaram. Na hora de agir, voltaram atrás e não quiseram ouvir. Tiveram um coração teimoso. Mesmo quando Deus os chamava de volta por meio de seus profetas, recusaram ouvir (Neemias 9:30). Ele estendeu as mãos, mas ninguém deu atenção.
Em segundo lugar, desprezaram a boa terra que Deus lhes tinha dado (Neemias 9:35). “Nossos reis não te serviram no seu reino”, disseram. “Eles não usaram o poder para sustentar a religião. Nosso povo não te serviu com os bens da tua grande bondade, nem naquela terra vasta e fértil que lhes deste. Tu não apenas a entregaste por promessa, mas expulsaste as nações e lhes deste vitórias completas sobre elas.” Os que não quiseram servir a Deus em sua própria terra foram obrigados a servir seus inimigos em terra estrangeira, exatamente como Deus havia advertido em Deuteronômio 28:47-48. É triste quando uma boa terra tem um povo mau, e foi isso que aconteceu em Sodoma. Riqueza e abundância muitas vezes tornam as pessoas orgulhosas e mundanas.
Agora, com humildade, eles descrevem os juízos sob os quais estiveram, tanto no passado quanto no presente. As aflições anteriores são lembradas como prova adicional de seu pecado, porque não aprenderam com elas. Nos dias dos juízes, foram oprimidos por seus inimigos (Neemias 9:27). Quando tornaram a pecar, Deus novamente os entregou nas mãos dos inimigos, que não poderiam tocá-los, a menos que Deus os tivesse entregue. Mas, quando Deus se retirou, esses inimigos ganharam e mantiveram domínio sobre eles.
Eles também colocaram diante do Senhor a miséria que estavam vivendo (Neemias 9:36-37). “Hoje somos servos”, disseram. Israelitas que nasceram livres tinham se tornado escravos, e a terra que antes possuíam por um título infinitamente mais honroso que qualquer posse humana — um dom direto do Deus do céu ao seu povo escolhido — agora era mantida da forma mais baixa possível, sob domínio dos reis da Pérsia, a quem estavam sujeitos. Que mudança triste. Mas é isso que o pecado faz. Eles eram obrigados a prestar serviço pessoal, seus governantes tinham poder sobre seus próprios corpos, e tudo o que possuíam dependia apenas de permissão. O tributo sobre a terra era tão pesado que se parecia com um aluguel extremo. Na prática, o rei ficava com quase toda a renda da terra, e eles mal conseguiam sustentar a si mesmos e às suas famílias.
Eles reconheceram honestamente que tudo isso vinha por causa de seus pecados. Pobreza e escravidão são frutos do pecado. O pecado arrasta as pessoas para todo tipo de angústia e aperto.
Então se voltaram para Deus com um pedido. Rogaram que a sua aflição não parecesse pequena aos olhos do Senhor (Neemias 9:32). Essa é a única petição direta em toda a oração. O problema era amplo: tinha alcançado reis, príncipes, sacerdotes, profetas, pais e todo o povo. Todos haviam participado do pecado (Neemias 9:34) e agora todos participavam do juízo. E isso já durava muito tempo, desde os dias dos reis da Assíria, que levaram cativas as dez tribos, até aquele momento. O sentido era: “Senhor, não trates isto como algo pequeno, nem como coisa indigna de atenção ou socorro.” Eles não disseram a Deus o que ele devia fazer; apenas pediram que atentasse para sua situação, lembrando que, quando viu o grande sofrimento do seu povo no Egito, desceu para livrá-lo (Êxodo 3:7-8). Nesse pedido, enxergavam Deus tanto como aquele a quem se deve temer, por ser o Deus grande, poderoso e temível, quanto como aquele em quem se pode confiar, por ser o Deus da aliança, que guarda o pacto e usa de misericórdia.
Ao mesmo tempo, confessaram que o sofrimento deles ainda era menor do que mereciam (Neemias 9:33). Admitiram que Deus tinha sido justo em todas as suas aflições e não lhes fizera injustiça alguma. Era como se dissessem: “Fizemos perversamente ao quebrar as tuas leis; por isso, tens razão em ter trazido sobre nós todos esses males.” Quando estamos debaixo da disciplina de Deus, ainda que severa e prolongada, devemos reconhecer que Deus é justo e culpar a nós mesmos. Ele será achado justo quando julga (Salmo 51:4).
Depois dessa longa exposição do seu caso, chegaram a uma resolução final: voltariam para Deus e para o seu dever, e se prenderiam a ele de modo a nunca mais se afastarem. “Por causa de tudo isso”, disseram, “firmamos uma aliança segura com Deus.” À vista de quantas vezes já haviam se desviado, agora queriam se ligar a ele mais firmemente do que nunca. Já que tinham sofrido tanto por causa do pecado, tomariam uma resolução forte contra ele, para não mais “retirar o ombro” do jugo.
Essa aliança foi feita com reflexão séria. Ela brotou de uma consideração cuidadosa, de modo que era um ato de adoração racional. Foi também concluída com grande solenidade. Foi escrita, para que ficasse como memorial permanente; foi selada e registrada, para servir de testemunho contra eles caso agissem falsamente.
Eles concordaram nisso em conjunto, com uma só voz, para que pudessem fortalecer as mãos uns dos outros. O compromisso deles também era firme e decidido. Era uma aliança que pretendiam guardar, sem plano secreto de voltar atrás depois. Estavam resolvidos a viver e morrer sob esse compromisso, e a nunca se desviar dele.
Alguns príncipes, sacerdotes e levitas foram escolhidos para representar toda a congregação, assinando e selando a aliança em nome de todos. Assim se cumpriu a promessa de Deus acerca dos judeus quando voltassem do cativeiro, de que se uniriam ao Senhor em uma aliança eterna (Jeremias 50:5) e de que assinariam seus nomes como pertencentes a ele (Isaías 44:5). Um coração sincero não se incomoda com compromissos tão firmes. E quem conhece o quanto o próprio coração é enganoso não considera desnecessárias promessas tão sérias.
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Deste capítulo
Neemias 9:1
"E, no dia vinte e quatro deste mês, ajuntaram-se os filhos de Israel com jejum e com sacos, e traziam terra sobre si."
Neemias 9:2
"E a descendência de Israel se apartou de todos os estrangeiros, e puseram-se em pé, e fizeram confissão pelos seus pecados e pelas iniqüidades de seus pais."
Neemias 9:3
"E, levantando-se no seu lugar, leram no livro da lei do Senhor seu Deus uma quarta parte do dia; e na outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus."
Neemias 9:5
"E os levitas, Jesuá, Cadmiel, Bani, Hasabnéias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías, disseram: Levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; e bendigam o teu glorioso nome, que está exaltado sobre toda a bênção e louvor."
Neemias 9:6
"Só tu és Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora."
Neemias 9:7
"Tu és o Senhor, o Deus, que elegeste a Abrão, e o tiraste de Ur dos caldeus, e lhe puseste por nome Abraão."
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