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Miqueias 2:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Não profetizeis aos que profetizam; eles não profetizarão para eles, pois não se apartará a sua vergonha. "

Miqueias 2:6

menu_book Versículo no contexto

4 Naquele dia se levantará sobre vós um provérbio, e se lamentará pranto lastimoso, dizendo: Nós estamos inteiramente desolados; a porção do meu povo ele a troca; como me despoja! Tira os nossos campos e os reparte!

5 Portanto, não terás tu na congregação do Senhor quem lance o cordel pela sorte.

6 Não profetizeis aos que profetizam; eles não profetizarão para eles, pois não se apartará a sua vergonha.

7 Ó vós que sois chamados casa de Jacó, porventura encurtou-se o Espírito do Senhor? São estas as suas obras? E não é assim que fazem bem as minhas palavras ao que anda retamente?

8 Mas ontem, se levantou o meu povo como inimigo; de sobre a vestidura tirastes a capa daqueles que passavam seguros, como homens que voltavam da guerra.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui são apontados dois pecados do povo de Israel e anunciados dois juízos, cada um correspondente exatamente ao pecado cometido. Eles perseguiam os profetas de Deus e oprimiam os pobres de Deus. Perseguir os profetas do Senhor, procurando calá‑los e silenciá‑los, é um pecado que provoca a ira de Deus mais do que muitos outros. Isso afronta a sua autoridade sobre nós e rejeita a misericórdia que ele demonstra ao enviar profetas ao seu povo.

Em primeiro lugar, note como eles resistiam aos profetas de Deus. Diziam aos que profetizavam: “Não profetizeis” (Isaías 30:10). Diziam aos videntes: “Não vejais”, isto é: “Não nos incomodem com o que vocês veem, não nos tragam mensagens assustadoras”. Queriam ou nenhuma profecia, ou somente profecias agradáveis. A palavra usada aqui para profetizar tem a ideia de “gotejar”, porque as palavras dos profetas caíam do céu como o orvalho.

Os que odeiam ser corrigidos também odeiam ser repreendidos e fazem de tudo para calar os ministros fiéis. A Amós foi dito que não profetizasse (Amós 7:10). Por isso os perseguidores tentam tirar‑lhes o fôlego, já que não têm outro meio de lhes calar a boca. Se esses servos vivem, eles pregarão e incomodarão os que habitam sobre a terra, como fizeram as duas testemunhas (Apocalipse 11:10).

Alguns entendem as palavras assim: “Não profetizeis; deixem estes outros profetizarem”. Em outras palavras, não queriam ministros que expusessem suas faltas e os advertissem. Queriam ministros que os lisonjeassem em seus pecados e lhes prometessem paz. Não queriam ficar sem ministros; queriam apenas aqueles que dissessem exatamente o que desejavam ouvir e depois os deixassem em paz.

É isso que lhes é lançado em rosto em Miqueias 2:11. Ao silenciarem e desprezarem os verdadeiros profetas, incentivavam os falsos. Amparavam impostores e lhes davam influência contra os mensageiros fiéis de Deus. Se um homem anda num espírito falso, fingindo ter o Espírito de Deus quando na verdade tem um espírito de erro e engano, e diz: “Vou profetizar para vocês sobre vinho e bebida forte”, então é esse o profeta que eles querem. É ele quem lhes diz que terão sempre fartura de prazeres e que não precisam temer os juízos de guerra e fome que os outros profetas anunciam. Também lhes diz que é lícito beber o quanto quiserem e não se perturbar com o pecado da embriaguez.

Um profeta assim é um homem segundo o coração deles. Ele lhes diz que não há pecado nem perigo na vida perversa que levam. Torna‑se o profeta escolhido deles, não só participando de seus banquetes e orgias, mas dando à vida sensual deles um selo religioso falso por meio de suas profecias. Isso os endurece ainda mais em seu modo de vida descuidado e pecaminoso. Não é de admirar que pessoas corrompidas queiram ministros semelhantes a elas, pois desejam crer que Deus é assim também (Salmo 50:21).

É algo vergonhoso quando coisas santas são usadas para fins tão baixos. A própria profecia é então obrigada a servir a uma multidão ímpia e profana. Assim, aquele servo que disse: “Meu senhor demora‑se em vir” acabou espancando os conservos e comendo e bebendo com os bêbados.

Em segundo lugar, o profeta discute isso com eles em Miqueias 2:7. “Ó vós que sois chamados casa de Jacó”, ele diz, “é próprio de vocês agirem assim? Vocês vão calar os que profetizam e proibir que falem em nome do Senhor?” Ser chamado casa de Jacó é honra e privilégio. “Tu que tens por sobrenome judeu” (Romanos 2:17). Mas quando aqueles que carregam esse nome honroso se afastam de Deus, muitas vezes se tornam os piores dos homens e os mais ferozes inimigos dos profetas. Os judeus, chamados casa de Jacó, mais tarde se tornaram dos mais violentos perseguidores dos primeiros pregadores do evangelho.

O profeta então mostra o que eles estavam fazendo de errado. Primeiro, estavam insultando a Deus, o Deus dos santos profetas. “Está limitado o Espírito do Senhor?”, ele pergunta. Ao silenciar os profetas do Senhor, faziam de tudo para silenciar também o seu Espírito. Mas será que podiam fazer isso de fato? Podiam tornar o Espírito de Deus um prisioneiro e servo deles? Podiam dizer a ele o que devia falar e proibir que falasse o que não lhes agradava? Ainda que calassem os profetas, o Espírito do Senhor não poderia alcançar a consciência deles de outras maneiras? A incredulidade deles poderia fazer falhar os planos de Deus?

Em segundo lugar, isso era uma desonra à sua pretensão de serem judeus, casa de Jacó. Trazem um nome nobre, mas eram essas as obras que combinavam com esse nome? Eram essas as obras de seu pai Jacó? Estavam seguindo seus passos? Não. Se fossem verdadeiramente filhos dele, fariam as obras dele. Em vez disso, tentavam matar e silenciar um homem que lhes dizia a verdade em nome de Deus. Abraão não fez isso (João 8:39, João 8:40), e Jacó tampouco fez isso.

Ou a pergunta pode ter o sentido: “São essas as obras de Deus? São essas as atitudes que lhe agradam? São essas as ações do seu povo?” Não, eles sabem que não, ainda que alguns, tão cegos e obstinados, cheguem a matar os ministros de Deus pensando que assim prestam serviço a Deus (João 16:2).

Em terceiro lugar, deveriam considerar quão irracional e tolo era isso. “Porventura as minhas palavras não fazem bem ao que anda retamente?” Sim, certamente fazem. Esse apelo recorre à experiência dos retos. Pergunte a qualquer um deles, e concordará que a palavra de Deus faz bem aos que vivem com sinceridade e fidelidade. Por que se opor ao que faz tanto bem, como a pregação fiel?

Agindo assim, eles cometem injustiça contra Deus, que assume como suas as palavras dos profetas, “minhas palavras”, e as usa para fazer o bem às pessoas (Salmo 119:68). Irão impedir o grande Benfeitor de fazer o bem? Colocarão a luz do mundo debaixo de um alqueire? Dá no mesmo dizer ao sol que não brilhe e dizer aos videntes que não vejam. Também prejudicam as almas, porque retiram o proveito que Deus pretendia conceder por meio da sua palavra.

São inimigos não só de Deus, mas também do mundo e de sua própria nação, os que silenciam bons ministros e bloqueiam os meios de conhecimento e graça. É certamente para o bem público de nações e reinos que a religião seja estimulada. As palavras de Deus fazem bem aos que andam retamente. As pessoas piedosas são marcadas por andarem em retidão (Salmo 15:2), e sua consolação é que as palavras de Deus são boas e lhes fazem bem. Encontram nelas consolo. As palavras de Deus são boas palavras para pessoas boas, e lhes falam conforto.

Mas aqueles que se opunham à palavra de Deus e calavam os profetas tentavam se defender dizendo que as palavras de Deus eram inúteis e desagradáveis para eles. Alegavam que as mensagens do Senhor não lhes faziam bem e nunca anunciavam nada de bom a respeito deles, só coisas duras, como Acabe reclamou de Micaías. A resposta do profeta é que isso era culpa deles mesmos e só a si podiam censurar. Se quisessem usar bem a palavra, ela lhes faria bem, porque, se andassem retamente e se tornassem aptos a receber consolo, a palavra de Deus lhes falaria consolo. Fazei o bem, e dele recebereis louvor.

A próxima ameaça é o que Deus fará por causa desse pecado. Ele escolherá os enganos deles. Em primeiro lugar, perderão a bênção de um ministério fiel. Já que disseram: “Não profetizeis”, Deus os tomará em sua palavra e deixará de lhes enviar profetas. O pecado deles se tornará seu castigo. Se as pessoas silenciam os ministros de Deus, é justo que Deus os silencie, como fez com Ezequiel, e deixe de enviar repreensões e avisos. Um médico não deve continuar tratando um paciente que se recusa a ser curado e não quer ouvir. Então também não serão mais envergonhados. Faz parte do trabalho de magistrados e ministros envergonhar os que erram (Juízes 18:7), para que a vergonha os impeça de repetir a loucura. Mas quando Deus entrega as pessoas a um pecado sem vergonha, diz aos seus profetas: “Efraim está entregue aos ídolos; deixa‑o”.

Em segundo lugar, serão entregues a um falso ministério, que os conduzirá cegamente. Miqueias 2:11 pode ser lido como ameaça: se um homem andar num espírito de falsidade, com o mesmo espírito mentiroso que estava nos profetas de Acabe, e fortalecer o povo em seus maus caminhos, ele será o profeta deste povo. Ou seja, Deus os deixará ouvir esse tipo de homem. Já que querem ser enganados, sejam enganados. Porque não receberam o amor da verdade, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira (2 Tessalonicenses 2:10‑11). Terão profetas que profetizam por vinho e bebida forte, como alguns entendem, homens que moldarão sua mensagem para agradar as pessoas em troca de uma garrafa de vinho ou de uma caneca de bebida. Consolarão pecadores em seus pecados, contanto que esses pecadores alimentem suas cobiças. Ter tais profetas, e ser guiado por eles, é um juízo terrível e um sinal certo de que a ruína está próxima.

O profeta então passa a outro pecado, o de oprimir os pobres de Deus, como já havia mencionado antes (Miquéias 2:1-2). Esse é um pecado duplamente odioso e provocador diante de Deus. A descrição desse pecado aparece em (Miquéias 2:8-9). Quando desprezaram os profetas de Deus e resistiram a eles, abriram a porta para todo tipo de mal. O que pode conter aqueles que não têm respeito pela palavra de Deus? Os que antes se levantavam contra os inimigos da nação para defender o país, demonstrando coragem ao fazê-lo, agora tinham se tornado inimigos da própria nação. Em vez de defendê-la, a destruíam e lhe faziam ainda mais mal do que um inimigo estrangeiro poderia fazer, como normalmente acontece com esses “inimigos internos” dentro de um povo.

Eles se aproveitavam de homens, mulheres e crianças. Atacavam homens que viajavam em segurança pelo caminho, homens afastados da guerra e ocupados tranquilamente em seus negócios legítimos. Tratavam-nos como se fossem inimigos perigosos e os despojavam de tudo, tirando-lhes tanto a capa como a túnica. Roubavam os inocentes, que confiavam nos outros e não desconfiavam de nada, tornando-se presas fáceis. Aproveitavam-se também das mulheres, que pela própria condição deveriam ser protegidas (Miquéias 2:9). Expulsavam as mulheres do meu povo de suas casas agradáveis. Devoravam as casas das viúvas (Mateus 23:14) e as obrigavam a sair porque as casas eram agradáveis e cobiçadas por esses opressores. Isso já era cruel por si só, mas se tornava ainda pior porque se tratava de mulheres do povo de Deus, que estavam sob a proteção dele. Eles ainda exploravam as crianças, cuja idade pede cuidado e ternura. “Dos seus filhinhos tirastes o meu ornato para sempre.” A glória das crianças de Israel era serem livres, mas esses opressores as escravizavam. As crianças haviam nascido na casa de Deus e tinham direito às suas bênçãos; porém, eram vendidas a estranhos e enviadas para terras idólatras, onde essa glória se perdia para sempre, ou pelo menos era isso que os opressores pretendiam. O Deus justo certamente chamará a juízo aqueles que fazem injustiça às viúvas e aos órfãos, pois são indefesos e não têm quem os proteja.

A sentença contra eles é dada em (Miquéias 2:10): “Levantai-vos e andai”, isto é, preparem-se para deixar a terra, porque vocês serão expulsos dela, assim como expulsaram de suas casas as mulheres e as crianças do meu povo. Essa terra não é, e não será, o descanso de vocês, do mesmo modo que Canaã foi designada por Deus para ser lugar de descanso do seu povo (Salmo 95:11). Nela vocês não encontrarão nem paz nem vida duradoura, porque a maldade de vocês a contaminou. O pecado contamina a terra, e os pecadores não podem esperar permanecer estabelecidos no lugar que profanaram. A terra os vomitará, como um dia vomitou os cananeus quando eles a contaminaram com seus pecados (Levítico 18:27-28). Na verdade, vocês não apenas serão arrancados da terra, mas ela mesma os destruirá com destruição dolorosa. Ou serão expulsos dela, ou, o que dá no mesmo, serão arruinados nela.

Podemos aplicar isso à nossa vida neste mundo presente. O mundo está contaminado, e há muita corrupção nele por causa das paixões pecaminosas. Portanto, devemos levantar-nos e afastar-nos de sua corrupção, manter distância do que é impuro e conservar-nos incontaminados. Este mundo não é o nosso descanso. Nunca foi designado para ser o nosso descanso. Ele foi feito para ser caminho, não morada definitiva; pouso de passagem, não habitação final. Aqui não temos cidade permanente. Assim, levantemo-nos e partamos interiormente, apegando-nos pouco a este mundo, vivendo acima dele, pensando na partida e buscando a cidade permanente que está no alto.

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