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Marcos 9:14 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e alguns escribas que disputavam com eles. "

Marcos 9:14

menu_book Versículo no contexto

12 E, respondendo ele, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará; e, como está escrito do Filho do homem, que ele deva padecer muito e ser aviltado.

13 Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo o que quiseram, como dele está escrito.

14 E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e alguns escribas que disputavam com eles.

15 E logo toda a multidão, vendo-o, ficou espantada e, correndo para ele, o saudaram.

16 E perguntou aos escribas: Que é que discutis com eles?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos a história de Cristo expulsando um demônio de uma criança, narrada de forma mais detalhada do que em (Mateus 17:14 e seguintes). Primeiro se nota o retorno de Cristo aos discípulos e o problema em que ele os encontra. Ele havia deixado de lado a manifestação de sua glória e voltado para cuidar dos seus, para ver o que lhes havia acontecido. Sua glória no céu não o faz esquecer das necessidades de sua igreja na terra. Ele os visita em profunda humildade, como em (Mateus 17:14).

Ele chegou exatamente na hora certa, quando os discípulos estavam envergonhados e em apuros. Os escribas, inimigos declarados de Cristo e de seus discípulos, haviam ganho vantagem sobre eles. Um menino possesso de um espírito imundo fora trazido aos discípulos, e eles não puderam expulsá-lo. Então os escribas zombaram deles, falaram contra o Mestre deles e agiram como se tivessem vencido. Marcos diz que Cristo encontrou os escribas discutindo com eles diante da multidão, e alguns do povo talvez já começassem a se escandalizar com aquilo.

Isso se assemelha a Moisés descendo do monte e encontrando o arraial de Israel em desordem. Tão depressa foram Moisés e Cristo sentidos como ausentes. A volta de Cristo certamente foi consolo para os discípulos e decepção para os escribas. Mas Marcos destaca especialmente como isso causou espanto no povo. Talvez estivessem pensando: “O que foi feito de Jesus?” Quando, porém, o viram chegar, muito se admiraram, e algumas cópias acrescentam que tiveram medo. Correram até ele e o saudaram. É fácil entender por que se alegraram em vê-lo, mas por que ficaram tão admirados? Talvez ainda houvesse algo de extraordinário em seu rosto. O rosto de Moisés resplandecia quando ele desceu do monte, o que fez o povo temer aproximar-se dele (Êxodo 34:30). Algo parecido pode ter sido visto em Cristo, ou ao menos um novo brilho e vigor em sua aparência que os surpreendia.

Em seguida, o caso que havia perturbado os discípulos é trazido agora diretamente a Cristo. Ele se dirige aos escribas, que viviam importunando seus discípulos e tentando enredá-los, e pergunta: “Que é que discutis com eles?” Em outras palavras: “Qual é a contenda agora?” Os escribas nada disseram, pois a presença dele os silenciara. Os discípulos também se calaram, aliviados, deixando o assunto nas mãos de Cristo. Mas o pai do menino expôs tudo, como se lê em (Marcos 9:17-18).

Seu filho tinha um espírito mudo. Ou seja, sofria convulsões e não podia falar durante os ataques. Seu estado era muito triste. Sempre que as crises vinham, o espírito o lançava em convulsões violentas que quase o despedaçavam. Fazia-o espumar pela boca e ranger os dentes, o que era doloroso para ele e assustador para todos ao redor. Mesmo após as crises, ele ficava tão fraco que ia definhando, como indica a expressão em (Salmo 102:3-5). Era uma tristeza constante para um pai sensível assistir a isso.

Os discípulos não puderam ajudá-lo. O pai lhes pedira que expulsassem o demônio, como já haviam feito em outros casos, e eles estavam dispostos a tentar. Mas não conseguiram. Em essência, ele diz: “Mestre, o senhor não poderia ter chegado em hora melhor. Eu o trouxe até ti.” Cristo chegou justamente quando o socorro humano havia falhado.

Então Cristo dirige uma repreensão a todos, em (Marcos 9:19): “Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?” Alguns entendem isso como uma repreensão aos discípulos, porque não usaram o poder que Cristo lhes havia dado e porque não jejuaram e oraram, como ele algumas vezes os instruíra. Outros veem aqui uma repreensão aos escribas, que se alegraram com o fracasso dos discípulos e esperavam envergonhá-los por causa disso. Cristo os chama de geração incrédula e fala como alguém cansado da incredulidade e dureza de coração deles. Nunca o ouvimos queixar-se: “Até quando estarei nesta condição humilde?” Sua dor é: “Até quando estarei entre este povo incrédulo?”

O estado real do menino, quando foi trazido a Cristo, era muito triste, e o relato do pai era igualmente doloroso. Ao ver a Cristo, o menino caiu em uma crise. O espírito logo o rasgou, agitou-se violentamente dentro dele e o perturbou, como se observa. Era como se o diabo desafiasse abertamente a Cristo, tentando manter seu domínio apesar da presença dele. O menino caiu por terra e se revolvia, espumando. Podemos entender também que o diabo se enfureceu ainda mais porque sabia que pouco tempo lhe restava (Apocalipse 12:12).

Cristo perguntou havia quanto tempo aquilo acontecia, e a resposta mostrou que se tratava de uma miséria antiga. Isso o acometia desde a infância (Marcos 9:21). Isso tornava o caso mais triste e, humanamente, a cura mais difícil. Por natureza, todos somos filhos da desobediência, e o espírito maligno opera nessas pessoas desde a juventude. A estultícia está ligada ao coração da criança, e só a poderosa graça de Cristo pode expulsá-la.

Então o pai suplica a Cristo com urgência, como em (Marcos 9:22): “Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o destruir.” O objetivo do diabo é sempre a ruína daqueles em quem reina e em quem opera. Ele busca a quem possa tragar. Em seguida, o pai diz: “Se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.” O leproso tinha certeza do poder de Cristo, mas questionou sua vontade, dizendo: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo” (Mateus 8:2). Este pai faz o contrário. Ele apela para a boa vontade de Cristo, mas coloca um “se” sobre o poder dele, porque os discípulos, que expulsavam demônios em nome de Cristo, haviam fracassado neste caso. Assim, a honra de Cristo sofre por causa da fraqueza e da insensatez de seus discípulos.

A resposta de Cristo em (Marcos 9:23) é: “Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê.” Aqui ele corrige com mansidão a fé fraca daquele homem. O pai havia dito: “Se tu podes fazer alguma coisa”, e apontara para a falta de poder dos discípulos. Cristo devolve a questão a ele e o faz considerar sua própria fé. Ele quer que o homem veja que o problema não está no poder de Cristo, mas na incredulidade. Ao mesmo tempo, Cristo anima calorosamente o desejo daquele pai. Tudo é possível àquele que crê no poder onipotente de Deus, porque nada é demasiado difícil para Deus. Ou seja, o que nos parece impossível pode ser feito pela graça de Deus em favor dos que confiam em sua promessa. Quando lidamos com Cristo, a fé é grandemente necessária, e muito é prometido à fé.

Se podes crer, então, ainda que tenhas sido grande pecador, podes ser reconciliado com Deus. Ainda que sejas muito abatido e indigno, podes alcançar o céu. Se podes crer, teu coração duro pode ser amolecido. Tuas doenças espirituais podem ser curadas. E, embora sejas fraco, podes perseverar até o fim.

Aquele pobre homem responde com uma profissão de fé: “Senhor, eu creio.” Ele estava plenamente convencido do poder e da misericórdia de Cristo. Queria dizer que a cura de seu filho não seria impedida por falta de fé de sua parte. Mas ele ainda acrescenta uma oração por graça: “Ajuda a minha incredulidade” (Marcos 9:24).

Mesmo aqueles que podem dizer com sinceridade: “Senhor, eu creio”, ainda têm motivo para lamentar sua incredulidade. Muitas vezes não conseguem aplicar a palavra de Cristo a si mesmos e ao seu próprio caso como deveriam, nem descansar nela com a alegria que convém. Os que reconhecem sua incredulidade devem olhar para Cristo em busca de ajuda contra ela, e sua graça lhes será suficiente.

“Ajuda a minha incredulidade” significa: “Ajuda-me perdoando-a. Ajuda-me dando-me poder contra ela. Supre o que falta à minha fé com tua graça, cuja força se aperfeiçoa na nossa fraqueza.”

Cristo viu o povo acorrendo, ansioso para ver o desfecho daquela prova de poder, e não os deixou esperando. Ele repreendeu o espírito imundo. Essa é a maneira mais adequada de dizer, conforme se vê também em outros lugares.

Note-se, primeiro, a ordem que Cristo deu ao espírito imundo: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai dele e nunca mais entres nele.” O espírito tornara o menino mudo e surdo, mas agora ouvira a própria sentença e nada podia dizer em sua defesa. Cristo quis não apenas tirar o menino daquela crise, mas impedir que as crises voltassem. Quando Cristo cura, ele cura de forma plena. Satanás pode se retirar por um tempo e depois voltar, mas, se Cristo o expulsa, ele o mantém de fora.

Em segundo lugar, repare em como o espírito imundo reagiu. Ele se tornou ainda mais violento. Gritou e lançou o menino em uma convulsão terrível justamente no momento de sair. Despedaçou-o severamente, como se odiasse soltar o seu domínio. Estava irritado com o poder superior de Cristo, foi cruel com a criança e, se pudesse, teria se alegrado em matá-la. Muitos disseram: “Morreu.” Mas a luta que uma alma sente quando o poder de Satanás está sendo quebrado pode ser assustadora por um momento, enquanto, na verdade, abre caminho para um consolo duradouro.

Em terceiro lugar, veja como o menino foi completamente restaurado (Marcos 9:27). Jesus tomou-o pela mão, segurou-o com firmeza e o levantou. Então ele se pôs em pé, recuperado, e tudo ficou bem.

Depois disso, os discípulos perguntaram-lhe em particular por que não puderam expulsar aquele demônio. Queriam aprender onde haviam falhado, para não passarem vergonha em público novamente. Ele lhes respondeu (Marcos 9:29) que aquela espécie de espírito só podia ser expulsa com oração e jejum.

Qualquer que fosse a diferença em outros aspectos, o ponto principal parece ser que aquele espírito imundo possuía o menino desde a infância, e isso tornara seu domínio mais forte. Hábitos pecaminosos formados ao longo de muito tempo se enraízam, e com o passar dos anos começam a parecer quase fixos, como doenças antigas difíceis de curar. Pode o etíope mudar a cor da sua pele? Os discípulos não deviam pensar que sempre realizariam sua obra com a mesma facilidade. Algumas tarefas exigiriam mais do que um esforço comum. Mas Cristo pode fazer com uma só palavra o que eles precisariam buscar por meio de oração e jejum.

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