Versículo em destaque
Marcos 8:22 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. "
Marcos 8:22
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
20 E, quando parti os sete entre os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? E disseram-lhe: Sete.
21 E ele lhes disse: Como não entendeis ainda?
22 E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse.
23 E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa.
24 E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam.
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Essa cura é descrita apenas por Marcos e traz vários detalhes incomuns.
Um homem cego é trazido a Jesus por seus amigos, que lhe pedem que o toque (Marcos 8:22). A fé deles é evidente: não duvidavam que um único toque da mão de Cristo poderia devolver a visão. Mas o próprio cego não demonstra o mesmo desejo forte nem a mesma confiança que outros cegos mostraram em situações semelhantes. Quando os espiritualmente cegos não oram por si mesmos, que seus amigos e familiares orem por eles, pedindo que Cristo os toque.
Jesus então toma o cego pela mão e o conduz (Marcos 8:23). Ele não manda que os amigos o guiem. Isso mostra a impressionante humildade e bondade de Jesus. Ele mesmo se torna, de fato, um guia para o cego, como Jó descreve: “olhos para o cego” (Jó 29:15). Nunca um pobre cego teve guia tão excelente. Jesus o leva para fora da aldeia. Se quisesse apenas privacidade, poderia tê-lo levado a uma casa ou a um aposento interno e curado ali. Mas ele também queria repreender Betsaida pelas poderosas obras já realizadas ali e que foram desperdiçadas (Mateus 11:21). De certo modo, mostrava à cidade que ela não era digna de receber mais milagres dentro de seus muros. É possível ainda que tenha levado o homem para fora para que ele pudesse olhar os campos abertos, onde havia uma visão mais ampla do que nas ruas estreitas.
Em seguida, Jesus o cura, ele que veio ao mundo para pregar a recuperação da vista aos cegos e também conceder aquilo que pregava (Lucas 4:18). Usa um sinal: cospe nos olhos do homem, ou dentro deles, como alguns entendem, e põe as mãos sobre ele. Poderia tê-lo curado apenas com uma palavra, como fez com muitos outros. Mas escolhe esse modo para socorrer uma fé muito fraca e fortalecer o homem contra a incredulidade. A saliva também aponta para o colírio com que Cristo unge os olhos dos espiritualmente cegos (Apocalipse 3:18).
A cura acontece em etapas, o que não era comum nos milagres de Cristo. Jesus lhe pergunta: “Vês alguma coisa?” (Marcos 8:23). Queria que ele descrevesse como estava enxergando, em parte por causa das pessoas ao redor. O homem levanta os olhos, e esse é o limite da primeira recuperação. Consegue abrir os olhos e diz: “Vejo os homens, pois os vejo como árvores que andam.” Ele distingue homens de árvores apenas pelo movimento. Tem alguma visão fraca e, entre si e o céu, enxerga alguém em pé, ereto como uma árvore, mas não consegue distinguir claramente a forma (Jó 4:16).
Depois, a cura é completada. Cristo não deixa sua obra pela metade. Ele põe novamente as mãos sobre os olhos do homem, para afastar as trevas que ainda restavam, e manda que ele olhe outra vez. Então ele passa a ver claramente todas as coisas (Marcos 8:25). Jesus toma esse caminho por várias razões. Primeiro, ele não está preso a um único método. Mostra sua liberdade em tudo o que faz. Não cura sempre do mesmo modo, mas varia o procedimento como quer. A providência de Deus muitas vezes chega ao mesmo resultado por caminhos diferentes, para que as pessoas observem sua direção com fé confiante.
Segundo, a cura acompanha a fé do homem. Talvez sua fé fosse muito fraca no início e, depois, tenha crescido, e sua cura progrediu na mesma medida. Cristo nem sempre age segundo essa regra, mas às vezes o faz para repreender os que se aproximam dele cheios de dúvidas.
Terceiro, Jesus está mostrando como sua graça cura os espiritualmente cegos. No começo, o entendimento deles é confuso. Veem os homens como árvores que andam. Mas, como a luz da madrugada, vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito; então passam a ver claramente (Provérbios 4:18). Assim, é preciso considerar se vemos algo daquelas realidades que a fé torna firmes e reais. Se, pela graça, enxergamos ainda que seja um pouco, podemos esperar ver cada vez mais, porque Jesus Cristo aperfeiçoará completamente aqueles que ele santifica.
Depois de curá-lo, Jesus ordena que o homem não conte nada a ninguém em Betsaida, e nem mesmo que entre na aldeia (Marcos 8:26). Alguns ali provavelmente tinham visto Jesus conduzi-lo para fora e talvez esperassem que voltasse. Já tinham presenciado muitos milagres, mas não foram nem curiosos o bastante para seguir Jesus. Cristo não quis que pessoas assim tivessem o benefício de ver o homem curado se não o honravam o suficiente para andar um pequeno trecho e presenciar o milagre.
Jesus não o proibiu de contar a outros, mas não devia contar nada àquela cidade. Quem trata com leveza a bondade de Cristo perde o proveito dela. Cristo faz com que as pessoas sintam o valor de suas bênçãos retirando-as quando elas recusam valorizá-las. Betsaida, no dia em que foi visitada por Deus, não reconheceu as coisas que pertenciam à sua paz, e agora elas estavam escondidas de seus olhos. Eles não quiseram ver, e por isso não veriam.
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Deste capítulo
Marcos 8:1
"Naqueles dias, havendo uma grande multidão, e não tendo o que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes:"
Marcos 8:2
"Tenho compaixão da multidão, porque há já três dias que estão comigo, e não têm o que comer."
Marcos 8:3
"E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe."
Marcos 8:4
"E os seus discípulos responderam-lhe: De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?"
Marcos 8:5
"E perguntou-lhes: Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete."
Marcos 8:6
"E ordenou à multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, para que os pusessem diante deles, e puseram-nos diante da multidão."
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