Levítico 2:1
" Agora, ó sacerdotes, este mandamento é para vós. "
Entenda os temas principais e aplique Levítico 2 na sua vida hoje
17 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Deus insiste que seu nome não seja profanado e que as coisas dedicadas a ele sejam tratadas com o máximo respeito. A santidade não é apenas uma ideia abstrata, mas se expressa em práticas concretas, limites, cuidados e obediência. O relacionamento com Deus é marcado por honra, não por descuido.
Os descendentes de Arão deviam estar ritualmente puros para comer e administrar as porções sagradas. Doenças, fluídos corporais e contato com mortos os tornavam temporariamente impuros, impedindo o acesso às coisas santas até haver purificação. Isso sinaliza que quem serve diante de Deus precisa levar a sério a própria vida diante dele.
Nem qualquer pessoa podia comer das ofertas reservadas aos sacerdotes. Há regras para estrangeiros, empregados, filhos e filhas de sacerdotes, bem como orientações para casos de erro. O acesso às coisas santas é um privilégio regulado, não algo comum ou banal.
Os animais oferecidos ao Senhor deviam ser sem defeito, especialmente em votos e sacrifícios pacíficos. A oferta reflete o valor atribuído a Deus: o melhor é separado para ele. Defeitos físicos simbolizam algo inadequado para representar a entrega total e perfeita exigida pelo culto.
Há detalhes sobre a idade mínima dos animais, o cuidado de não matar mãe e filho no mesmo dia e o consumo imediato dos sacrifícios de louvor. Essas normas preservam a ordem, evitam abusos e reforçam que o culto deve unir obediência, sensibilidade e confiança.
Levítico 22 se insere no conjunto de leis dadas a Israel no deserto, provavelmente durante o período em que o povo acampava ao pé do Sinai, após a saída do Egito. O foco está no sacerdócio levítico, especialmente nos descendentes de Arão, responsáveis por ministrar no tabernáculo e lidar com as ofertas que o povo trazia.
Na cultura antiga do Oriente Médio, o culto incluía sacrifícios de animais e ofertas de cereais. Em Israel, porém, essas práticas são moldadas pela revelação do Deus único e santo. O tabernáculo era o lugar onde Deus se fazia presente de modo especial no meio do povo, e as porções das ofertas que cabiam aos sacerdotes funcionavam como sustento para eles e suas famílias.
As distinções entre puro e impuro, comum e santo, eram centrais para a identidade de Israel como povo separado entre as nações. Impureza cerimonial (como doenças de pele, fluxos corporais ou contato com mortos) não significava necessariamente pecado moral, mas incapacidade temporária para lidar com o sagrado. Essa pedagogia visual e prática ensinava ao povo que Deus não deve ser abordado de qualquer maneira.
As exigências de animais sem defeito se conectam à ideia de que o que é dedicado a Deus deve ser íntegro. Votos e ofertas voluntárias eram expressões de gratidão, devoção ou pedido ao Senhor, e a lei estabelecia parâmetros para evitar culto negligente ou manipulador. Ao final, Deus recorda que tirou Israel do Egito para ser seu Deus, ligando a obediência cultual à memória da libertação.
Levítico 22 apresenta uma estrutura ordenada de orientações, com transições marcadas por fórmulas como “Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo”:
Exigência de pureza dos sacerdotes em relação às coisas santas (v.1-9)
Quem pode ou não comer das porções sagradas (v.10-16)
Regras para animais oferecidos em sacrifício (v.17-25)
Detalhes adicionais sobre idade e tratamento dos animais (v.26-28)
Orientações sobre sacrifícios de louvor e conclusão teológica (v.29-33)
O capítulo alterna instruções práticas e afirmações solenes de identidade divina (“Eu sou o Senhor”, “Eu sou o Senhor que vos santifico”), que funcionam como refrões teológicos sublinhando o peso espiritual das leis.
Teologicamente, Levítico 22 aprofunda a compreensão da santidade de Deus e da responsabilidade humana no trato com o sagrado.
Deus santo, nome santo, povo santificado O texto insiste em que o nome de Deus não seja profanado (v.2, 32). O nome representa a própria pessoa de Deus, seu caráter e sua presença. Tratar as coisas santas com descuido equivale a desonrar o próprio Deus. Ao mesmo tempo, Deus se apresenta como aquele que santifica o povo (v.9, 16, 32), mostrando que a santidade exigida não é apenas construída pelo esforço humano, mas é obra dele.
Mediação sacerdotal responsável Os sacerdotes são mediadores entre o povo e Deus e, justamente por isso, são chamados a um padrão rigoroso de pureza ritual. Isso revela a seriedade do ministério espiritual: tocar nas coisas de Deus exige cuidado, discernimento e obediência. A negligência no serviço sacerdotal pode resultar em culpa, pecado e até morte (v.9).
Distinção entre santo, comum, puro e impuro O capítulo reforça categorias já vistas em Levítico: nem todo o que é puro é necessariamente santo, mas o impuro certamente não pode tocar no que é santo. Essas distinções comunicam que Deus é qualitativamente diferente, separado, e que sua presença exige preparação. Essa linguagem ritual prepara o terreno para conceitos posteriores de pureza interior e santidade de vida.
Integridade da oferta e do ofertante A exigência de animais sem defeito (v.19-21) ressalta que o culto não pode ser feito com sobras ou restos. O que é oferecido a Deus deve refletir quem Deus é: perfeito, íntegro, digno do melhor. Embora o texto trate de defeitos físicos em animais, o princípio aponta para integridade do coração e da vida na adoração.
Graça e limite no erro Mesmo ao tratar de profanação, o texto prevê a possibilidade de erro involuntário (v.14) e oferece um caminho de reparação. Isso mostra um Deus que leva a sério o pecado, mas que também provê meios de restauração. A exigência de acrescentar uma quinta parte enfatiza a responsabilidade e o valor daquilo que é santo.
Memória da redenção como base da obediência A obediência às leis cultuais está ligada diretamente ao êxodo: Deus tirou Israel do Egito para ser seu Deus (v.33). A santidade do povo e o cuidado com o culto não são um fim em si mesmos, mas resposta à graça da libertação. A ética do culto nasce da história da salvação.
Lido sob uma perspectiva terapêutica, Levítico 22 oferece imagens fortes de limites saudáveis, cuidado com o sagrado e responsabilidade compartilhada.
A ideia de que nem tudo e nem todos podem se aproximar de qualquer jeito das coisas santas fala de fronteiras claras. Em termos emocionais, isso lembra que há espaços que pedem respeito, ritmos que exigem pausa e limites que protegem tanto a pessoa quanto a comunidade. Assim como os sacerdotes não podiam tocar o santo em estado de impureza, a vida interior também precisa de atenção: há momentos em que é necessário reconhecer fragilidade, buscar limpeza e esperar o “pôr do sol” antes de retomar funções pesadas.
O texto também oferece um senso de responsabilidade: ações impensadas em relação ao sagrado trazem consequências (v.9, 15-16). Psicologicamente, isso ressoa com a noção de que negligenciar o que é valioso – relacionamentos, fé, corpo, mente – provoca desgaste e culpa. Ao mesmo tempo, a possibilidade de correção em casos de erro involuntário aponta para caminhos de reparo, não para condenação definitiva.
Há ainda um consolo implícito: Deus se apresenta, repetidamente, como aquele que santifica (v.9, 16, 32). Isso sugere que a transformação profunda não depende apenas da força humana. Em termos de cuidado da alma, isso alivia a pressão perfeccionista e abre espaço para um processo: Deus trabalha, limpa, separa, restaura.
Por fim, o cuidado com os animais e a proibição de excessos (v.27-28) evocam uma espiritualidade que não é violenta nem desumana. A fé aqui desenhada integra reverência a Deus com sensibilidade à criação e à vida, o que ajuda a construir uma visão mais gentil e equilibrada de si mesmo, do outro e do mundo.
Algumas leituras apressadas de Levítico 22 podem gerar desconforto emocional ou espiritual:
Perfeccionismo espiritual As exigências de pureza e ofertas sem defeito podem ser interpretadas como demanda de perfeição absoluta, alimentando culpa excessiva e sensação de nunca ser suficiente. Em contexto terapêutico, é importante lembrar que as leis descrevem um sistema específico e simbólico, e que o próprio texto mostra Deus como aquele que santifica e provê meios de reparo.
Medo paralisante de Deus As advertências de morte e extirpação (v.3, 9) podem ser lidas como ameaça constante, gerando uma imagem de Deus apenas punitivo. Há risco de reforçar um estilo de fé baseado em pavor, e não em confiança reverente. Um acompanhamento cuidadoso ajuda a equilibrar justiça e graça, lembrando o contexto de aliança e cuidado de Deus por Israel.
Estigma em relação a doença e corpo Referências a lepra, fluxos corporais e impureza ligada ao corpo podem ser mal compreendidas como julgamento moral de quem adoece ou tem limitações físicas. Isso pode reforçar vergonha corporal ou espiritual. É crucial distinguir impureza ritual (ligada ao culto no Israel antigo) de culpa moral.
Exclusão e sensação de não pertencer As limitações sobre quem pode comer das porções sagradas (v.10-13) podem ecoar dores de rejeição ou exclusão em pessoas que já se sentem à margem de comunidades de fé ou da sociedade. É necessário contextualizar que o texto regula funções específicas no sistema sacerdotal, e não define o valor intrínseco das pessoas.
Carga desproporcional de responsabilidade A ênfase em culpa por profanação pode ser interpretada de modo a levar alguém a assumir culpas que não são suas ou a carregar pesos espirituais exagerados. Em termos terapêuticos, é importante diferenciar responsabilidade saudável de autoacusação destrutiva.
Levítico 22 oferece princípios que podem ser traduzidos para a vida atual, mesmo fora do sistema sacrificial antigo:
Tratar o que é de Deus com seriedade Tempo de oração, leitura bíblica, participação comunitária e serviço não são atividades comuns; são expressões de algo santo. Isso inspira a organizar a rotina para dar espaço real à fé, não apenas sobras de tempo e energia.
Cuidar de si antes de servir Os sacerdotes precisavam estar puros para lidar com as coisas santas. Hoje, quem cuida de outros – em casa, na igreja, no trabalho – também precisa reconhecer limites físicos, emocionais e espirituais. Descanso, tratamento adequado e busca de ajuda fazem parte de um serviço fiel.
Estabelecer limites saudáveis Nem todos participavam das porções sagradas. A vida saudável inclui saber dizer “sim” e “não”, definindo com clareza quem participa de determinados espaços, decisões e recursos. Limites claros protegem relacionamentos e evitam abusos.
Oferecer o melhor a Deus Animais sem defeito simbolizam uma atitude de entregar ao Senhor o melhor do que se é e do que se tem: excelência no trabalho, honestidade nas finanças, integridade nos relacionamentos, dedicação sincera na adoração.
Reparar erros quando acontecerem O texto prevê o caso de alguém que come coisa santa por engano e manda acrescentar uma quinta parte (v.14). Isso inspira práticas de reparação: reconhecer falhas, pedir perdão, compensar o dano quando possível e aprender com a experiência.
Lembrar o que Deus já fez A motivação para a obediência vem da memória da libertação do Egito (v.33). Na prática, cultivar gratidão pela história de cuidado de Deus fortalece a disposição para viver de forma coerente com a fé professada.
No sistema de Levítico, impureza ritual (por doenças, fluxos corporais ou contato com mortos) tornava a pessoa inapropriada, temporariamente, para lidar com o sagrado. Isso não significava necessariamente pecado moral, mas ensinava por meio de símbolos que Deus é santo e que a aproximação a ele exige respeito e preparação. Os sacerdotes, por serem mediadores entre o povo e Deus, precisavam observar essas regras com rigor para não profanar as coisas santas.
A expressão "aquela alma será extirpada" pode indicar exclusão severa da comunidade, ruptura da participação no povo de Deus e, em alguns casos, até a possibilidade de juízo divino direto. Nem sempre o texto especifica se se trata de morte física ou apenas de afastamento comunitário, mas o ponto principal é transmitir a gravidade de se aproximar do sagrado em estado de impureza e desobediência.
Animais com defeito eram considerados inadequados para o altar porque a oferta deveria refletir a dignidade de Deus. Oferecer o melhor do rebanho simbolizava honra, confiança e entrega total. Defeitos físicos, no contexto ritual, comunicavam algo incompleto, quebrado, insuficiente para representar a dedicação que Deus merece. O princípio subjacente é que Deus não é honrado com o que é desprezível ou sem valor.
As porções sagradas das ofertas eram destinadas principalmente aos sacerdotes e aos membros de sua casa. Estranhos, hóspedes e diaristas não podiam comer delas (v.10). Escravos comprados e os nascidos na casa do sacerdote podiam participar (v.11). A filha de sacerdote casada com homem que não era sacerdote perdia esse direito, mas, se voltasse viúva ou repudiada, sem filhos, podia novamente comer do pão de seu pai (v.12-13). Essas regras preservavam a distinção entre o que era santo e o que era comum.
Levítico 22.14 prevê esse caso: se alguém comesse uma coisa santa por erro, deveria restituir ao sacerdote o que foi consumido e acrescentar mais uma quinta parte (20%). Isso reconhecia o valor especial do que é santo e oferecia um caminho de reparação. Não havia espaço para tratar o sagrado com descuido, mesmo quando o erro não era intencional, mas também não havia apenas condenação: havia um meio de correção.
A proibição de matar no mesmo dia o animal e seu filhote (v.28) é geralmente entendida como expressão de sensibilidade e respeito à vida, evitando crueldade desnecessária. O culto a Deus, em Israel, não devia ser desconectado de um mínimo de compaixão pela criação. Essa regra indica que a adoração não é desculpa para brutalidade, mas deve refletir o caráter justo e bondoso de Deus.
Levítico 22 mostra um Deus profundamente sério com o que é santo, mas também muito próximo do seu povo. Entre tantas regras e detalhes, aparece um refrão: “Eu sou o Senhor que vos santifico”. A santidade não é apenas um peso colocado sobre os ombros; é também um cuidado que vem de Deus sobre a vida. Quando o texto fala que certas pessoas, por estarem impuras, não podiam se aproximar das coisas santas, isso pode ressoar com sentimentos de inadequação. Muitos carregam no coração a impressão de que estão sempre “impedidos” de se aproximar de Deus: por causa de falhas, histórias dolorosas, marcas do passado. Aqui, porém, aparece um movimento importante: a impureza tem limite, tem prazo, tem caminho de limpeza. Não é uma condenação eterna, é uma etapa do caminho. Há algo consolador em ver que Deus nota o estado das pessoas que o servem. Ele não ignora doenças, cansaço, contato com a morte. A vida real, com suas perdas, está incluída na forma como ele organiza o culto. O sacerdote impuro não é descartado; ele é temporariamente afastado, cuidado, lavado, e depois volta a comer o pão que o sustenta. Isso fala de uma espiritualidade que reconhece que ninguém consegue estar forte o tempo todo. O cuidado exigido com as coisas santas também lembra o valor do que é sagrado na existência: relacionamentos, corpo, fé, comunidade. Quando essas coisas são tratadas de qualquer jeito, o coração se fere. O texto aponta para um Deus que não suporta ver o sagrado banalizado, porque sabe quanto isso machuca o próprio povo. Nas últimas linhas, Deus recorda: “Que vos tirei da terra do Egito, para ser o vosso Deus”. A base de tudo não é a lista de normas, mas o fato de que ele já salvou, já libertou, já se colocou ao lado do povo. Em tempos de culpa, cansaço ou medo, essa memória é um abrigo: o Deus que pede santidade é o mesmo que estende a mão, tira da escravidão e sustenta dia após dia.
Levítico 22 aprofunda o regulamento do culto em Israel, reforçando duas dimensões centrais: pureza sacerdotal e integridade das ofertas. Do ponto de vista exegético, o capítulo está dividido entre orientações específicas para os sacerdotes (v.1-16) e instruções abrangendo todo Israel, incluindo estrangeiros residentes, em relação às ofertas (v.17-33). A primeira seção trata da relação entre pureza ritual e acesso às porções sagradas. A lista de fontes de impureza (lepra, fluxos, contato com mortos, répteis) ecoa categorias já definidas previamente em Levítico. Importante notar que a impureza aqui é cerimonial, não moral. O ponto não é condenar a pessoa doente ou enlutada, mas manter uma clara distinção simbólica entre vida e morte, integridade e ruptura, o que se torna pedagogia visual da santidade divina. Os limites sobre quem pode comer das “coisas santas” explicam a estrutura socioeconômica do sacerdócio. As porções das ofertas são sustento da casa sacerdotal, mas não se tornam comida comum. A filha que se casa com “homem estranho” (fora da linhagem sacerdotal) deixa de ter acesso, pois passa a integrar outro núcleo familiar; se volta viúva ou repudiada, sem filhos, é reintegrada ao círculo de provisão sacerdotal. Essas regras preservam a identidade do grupo que vive do altar. Na segunda parte, a exigência de animais sem defeito retoma um princípio teológico forte: o que sobe ao altar deve ser adequado à santidade do Deus que recebe a oferta. A distinção entre ofertas voluntárias e votos permite certa flexibilidade para ofertas espontâneas, enquanto mantém mais rigor nas obrigações assumidas diante de Deus. O texto até admite que alguns animais com deformidades possam servir em ofertas voluntárias (v.23), mas não para votos, mostrando nuances dentro da legislação. A proibição de receber de estrangeiros animais defeituosos (v.25) sugere que Israel não podia terceirizar para fora os padrões de santidade do seu culto. Mesmo quando a oferta vinha de alguém de fora, o critério era a integridade exigida por Deus. Historicamente, isso ajudava a proteger o culto de influências externas que banalizassem o sacrifício. Os detalhes sobre idade do animal e a proibição de matar mãe e filhote no mesmo dia conectam-se a princípios de ordem e moderação. Sacrifício não é violência arbitrária, mas ato regulado e simbólico. Por fim, o refrão “Eu sou o Senhor” e, especialmente, “Eu sou o Senhor que vos santifico” articula o fundamento teológico: Deus define o que é santo e é ele mesmo quem separa o povo. A santidade não é apenas um sistema ritual, mas expressão da identidade do Deus que tirou Israel do Egito para ser seu Deus. Esses textos preparam o desenvolvimento posterior da teologia da santidade interior e da mediação sacerdotal em chave mais ampla na história bíblica.
Levítico 22 traz uma série de detalhes que, em princípio, parecem distantes da rotina atual, mas escondem princípios muito práticos para organizar a vida. Primeiro, aparece o valor dos limites. Nem qualquer pessoa podia comer das porções sagradas, nem em qualquer situação. Havia critérios claros. Na prática da vida, isso inspira a definir bem quem participa de certas decisões, quem tem acesso a determinados recursos, quais espaços são íntimos e quais são públicos. Falta de limites costuma gerar confusão, ressentimento e desgaste em família, trabalho e igreja. O cuidado com o estado do sacerdote antes de servir lembra a importância de olhar para a própria condição antes de assumir responsabilidades. Tentar “tocar o sagrado” – cuidar de outros, liderar, servir – estando emocionalmente esgotado, fisicamente doente ou espiritualmente seco tende a gerar mais problemas. Um princípio prático aqui é aprender a reconhecer sinais de cansaço e, quando necessário, pausar, se tratar, se reabastecer. A exigência de animais sem defeito aponta para a qualidade do que se oferece a Deus, mas também para a qualidade com que se vive em geral. Em termos concretos: não entregar o mínimo possível no trabalho, não oferecer apenas o resto de atenção à família, não viver a fé como obrigação burocrática. Integridade e excelência não são luxo, são expressão de quem se leva a sério diante de Deus e dos outros. Há, ainda, um princípio de responsabilidade: quando alguém come coisa santa por engano, precisa repor e acrescentar uma parte a mais. Isso pode ser traduzido como disposição de consertar o que foi danificado – um compromisso não cumprido, uma palavra dura, um prejuízo financeiro. Não basta “esquecer”, é saudável reparar na medida do possível. Por trás de todas essas orientações está um lembrete: Deus tirou o povo do Egito para ser o seu Deus. Vida prática, organização de rotina, uso de dinheiro, jeito de trabalhar e servir não são neutros; têm relação direta com quem Deus é para a pessoa. Viver com seriedade, limites claros e entrega de qualidade não é apenas eficiência: é resposta à graça recebida.
Levítico 22 é uma janela para a forma como Deus educa o seu povo na arte de viver diante do sagrado. Mais do que um conjunto frio de normas, o capítulo desenha uma espiritualidade onde tudo – corpo, tempo, comida, oferta – é tocado pela santidade de Deus. A insistência em que os sacerdotes se apartem das coisas santas quando impuros revela uma verdade profunda: ninguém se apresenta diante de Deus sem ser transformado. A impureza ritual é um sinal externo de uma realidade mais ampla: a distância entre a santidade divina e a fragilidade humana. A boa notícia é que o próprio texto repete: “Eu sou o Senhor que vos santifico”. A jornada espiritual não começa na performance humana, mas no ato de Deus que separa, limpa e chama. O tratamento cuidadoso das porções sagradas e das ofertas mostra que a vida espiritual não é desconectada do concreto. Comer, trabalhar, cuidar da família, administrar bens – tudo pode ser vivido como participação em algo santo ou como banalização. A fronteira entre santo e comum passa pela forma como o coração se relaciona com o que tem nas mãos. Os animais sem defeito apontam para uma dimensão interior: Deus não busca apenas atos externos corretos, mas uma entrega íntegra. A espiritualidade amadurecida vai aprendendo a deixar de oferecer a Deus apenas o que sobra – tempo quebrado, forças já gastas, atenção dispersa – e passa a entregar as “primícias” da mente, do afeto, da vontade. Essa inteireza não é perfeccionismo, mas resposta amorosa àquele que primeiro amou. A proibição de matar no mesmo dia o animal e seu filhote sugere que a verdadeira adoração não atropela a criação, não desumaniza, não endurece o coração. A vida com Deus, quando autêntica, produz mais compaixão, não menos. Ao final, Deus lembra: “Que vos tirei da terra do Egito, para ser o vosso Deus”. Toda disciplina espiritual, toda reverência, toda obediência tem raiz em um ato histórico de graça. A alma encontra repouso quando percebe que a santidade exigida não é um caminho para conquistar Deus, mas a consequência de já ter sido alcançada por ele. A prática da fé, então, se torna resposta à libertação recebida, e cada detalhe da vida passa a ser vivido diante daquele que diz: “Eu sou o Senhor que vos santifico”.
" Agora, ó sacerdotes, este mandamento é para vós. "
" Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração. "
" Eis que reprovarei a vossa semente, e espalharei esterco sobre os vossos rostos, o esterco das vossas festas solenes; e para junto deste sereis levados. "
" Então sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que a minha aliança fosse com Levi, diz o Senhor dos Exércitos. "
" Minha aliança com ele foi de vida e de paz, e eu lhas dei para que temesse; então temeu-me, e assombrou-se por causa do meu nome. "
Malaquias 2:5 mostra que Deus fez uma aliança de vida e paz com o sacerdote que o respeitava profundamente. O versículo ensina que a verdadeira …
Ler análise completa" A lei da verdade esteve na sua boca, e a iniqüidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão, e da iniqüidade converteu a muitos. "
" Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos. "
" Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o Senhor dos Exércitos. "
" Por isso também eu vos fiz desprezíveis, e indignos diante de todo o povo, visto que não guardastes os meus caminhos, mas fizestes acepção de pessoas na lei. "
" Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que agimos aleivosamente cada um contra seu irmão, profanando a aliança de nossos pais? "
" Judá tem sido desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do Senhor, o qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho. "
" O Senhor destruirá das tendas de Jacó o homem que fizer isto, o que vela, e o que responde, e o que apresenta uma oferta ao Senhor dos Exércitos. "
" Ainda fazeis isto outra vez, cobrindo o altar do Senhor de lágrimas, com choro e com gemidos; de sorte que ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão. "
" E dizeis: Por quê? Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança. "
" E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. "
" Porque o Senhor, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio, e aquele que encobre a violência com a sua roupa, diz o Senhor dos Exércitos; portanto guardai-vos em vosso espírito, e não sejais desleais. "
" Enfadais ao Senhor com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto que dizeis: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e desses é que ele se agrada, ou, onde está o Deus do juízo? "
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