Versículo em destaque
Lucas 2:41 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa; "
Lucas 2:41
O que significa Lucas 2:41?
Lucas 2:41 mostra José e Maria participando todos os anos da Páscoa em Jerusalém, revelando uma família comprometida em obedecer a Deus e manter tradições de fé. Isso inspira pais a incluir práticas espirituais na rotina, como levar os filhos à igreja, ensinar a Bíblia em casa e celebrar datas cristãs em família.
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Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
39 E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para a sua cidade de Nazaré.
40 E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.
41 Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa;
42 E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.
43 E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe.
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Temos aqui a única história registrada sobre o nosso bendito Salvador entre a sua infância e o momento em que ele apareceu a Israel com cerca de vinte e nove anos. Por isso é importante dar muita atenção a esse relato, pois é inútil desejar saber mais do que a própria Escritura nos oferece. Vemos Cristo subindo com seus pais a Jerusalém para a festa da Páscoa (Lucas 2:41, Lucas 2:42).
Este era o costume deles, conforme exigia a lei, mesmo sendo a viagem longa e eles pobres. Provavelmente precisavam apertar os recursos para consegui-la. O culto público deve ser frequentado, e não devemos abandonar a congregação, como alguns fazem. Os negócios deste mundo precisam ceder lugar aos deveres espirituais. José e Maria tinham em casa um Filho que podia ensiná‑los melhor do que todos os rabinos de Jerusalém, e ainda assim subiam à festa. O Senhor ama as portas de Sião mais do que todas as moradas de Jacó, e assim também deve ser conosco. É provável que José também subisse para Pentecostes e Tabernáculos, pois todos os homens deviam comparecer três vezes ao ano; já Maria ia para a Páscoa, a maior das três festas e a que mais claramente mostrava a figura do evangelho.
O menino Jesus, com doze anos, foi com eles. Os mestres judeus diziam que as crianças deviam começar a jejuar de vez em quando aos doze anos, para aprenderem a jejuar no Dia da Expiação. Aos treze, diziam que o menino se tornava “filho do mandamento”, isto é, plenamente responsável pelos deveres de um membro adulto do povo da aliança. O texto não diz que essa foi a primeira vez que Jesus subiu para adorar na festa; é bem possível que já o fizesse há vários anos, com sabedoria e discernimento acima da idade. Todos os que podem ouvir com entendimento devem frequentar o culto público (Neemias 8:2). Crianças que demonstram interesse em outras coisas também devem ser estimuladas na religião. Honra a Cristo quando crianças participam do culto público, e ele acolhe o louvor delas. As crianças dedicadas a Deus na infância devem ser conduzidas, quando crescem, à Páscoa do evangelho, a Ceia do Senhor, para que assumam por si mesmas esse compromisso.
Cristo então ficou em Jerusalém sem o conhecimento de seus pais, e nisso deu um sinal antecipado da obra para a qual havia sido designado. Seus pais não partiram antes de terminar todos os dias da festa. Ficaram os sete dias completos, embora muitos se fossem depois dos dois primeiros dias. É bom permanecer até que a ordenança seja concluída, como aqueles que dizem: “É bom estarmos aqui”, e não se apressar a sair como se estivessem cansados de estar diante do Senhor.
O menino ficou em Jerusalém, não porque não quisesse voltar para casa nem porque não amasse seus pais, mas porque ali tinha um trabalho a cumprir. Ele queria que eles aprendessem que tinha um Pai no céu, a quem devia obedecer acima de todos. O respeito para com Deus não deve ser confundido com desrespeito aos pais. Alguns pensam que ele permaneceu no templo, pois os judeus devotos iam primeiro ali, de manhã, no dia de partir, para adorar a Deus antes de ir embora. Outros pensam que ficou na casa onde se hospedavam, ou na casa de algum amigo, já que uma criança como ele seria amada por todos; e então ele iria ao templo somente na hora costumeira do culto. Em todo caso, ele ficou para trás. É um bom sinal quando os jovens se dispõem a permanecer na casa do Senhor, pois assim se assemelham a Cristo.
Seus pais caminharam o primeiro dia sem suspeitar que ele havia ficado, porque supunham que estivesse com a caravana (Lucas 2:44). A multidão era grande, especialmente no primeiro dia de viagem, e as estradas cheias de gente. Por isso pensaram que ele estivesse viajando com alguns vizinhos. Procuraram‑no entre os parentes e conhecidos no caminho, enquanto desciam. Perguntavam, em essência: “Vocês viram nosso Filho?” Como a noiva nas Escrituras, buscavam aquele a quem sua alma amava. Ele valia a busca. Sabiam que todos desejariam sua companhia, e que ele se alegraria em fazer o bem entre parentes e amigos. Mas não o encontraram ali (Lucas 2:45). Há muitos, demasiados, entre nossos parentes e conhecidos, de quem não podemos nos afastar, e ainda assim encontramos pouco ou nada de Cristo entre eles.
Quando não o acharam entre os viajantes, esperaram vê‑lo à noite, no lugar onde iriam pernoitar. Mas também ali não houve notícia dele. Compare com (Jó 23:8, Jó 23:9). Não o encontrando naquela noite, voltaram para Jerusalém na manhã seguinte, em busca dele. Quem quer encontrar Cristo precisa continuar buscando até que o encontre. Ele se deixa achar por aqueles que o buscam, e os recompensa generosamente.
Os que perderam o consolo em Cristo, ou os sinais de que pertencem a ele, devem refletir sobre onde, quando e como os perderam. Devem voltar ao ponto em que os tinham por último. Precisam lembrar‑se de onde caíram, arrepender‑se, praticar as primeiras obras e retornar ao primeiro amor (Apocalipse 2:4, Apocalipse 2:5). Quem deseja recuperar a comunhão íntima com Cristo deve ir, por assim dizer, a Jerusalém, a cidade das nossas festas fixas, o lugar que ele escolheu para fazer habitar ali o seu nome. Deve encontrá‑lo em suas ordenanças, especialmente na Páscoa do evangelho, e ali pode esperar encontrá‑lo.
No terceiro dia encontraram‑no no templo, em uma das salas onde os mestres da lei realizavam suas reuniões e debates. Ali estava ele, sentado entre eles (Lucas 2:46). Não estava em pé, como um aluno sendo examinado ou instruído, pois revelara tal conhecimento e sabedoria que o deixaram sentar entre eles como parte do grupo. Isso mostra não apenas que ele era cheio de sabedoria (Lucas 2:40), mas também que desejava crescer nela e estava disposto a compartilhá‑la.
Nisso ele é exemplo para crianças e jovens. Devem aprender com Cristo a apreciar a companhia daqueles de quem podem receber algum bem. Devem preferir sentar‑se entre os mestres do que entre companhias levianas. Que comecem aos doze anos, e até antes, a buscar conhecimento e a se aproximar de quem possa instruí‑los. Na juventude, o desejo sincero de aprender é um sinal promissor.
Muitos jovens da idade de Cristo estariam brincando com outras crianças no templo, mas ele estava assentado com os mestres, no templo. Ele os ouvia, e quem quer aprender deve ser pronto para ouvir. Também lhes fazia perguntas. Quer tenha feito isso como mestre, pois tinha autoridade para perguntar, quer como aprendiz, demonstrando humildade, quer como alguém que, junto com os outros, busca a verdade, o fato é que a verdade muitas vezes é descoberta por meio de um diálogo respeitoso.
Ele também dava respostas muito surpreendentes e plenamente satisfatórias (Lucas 2:47). Sua sabedoria aparecia tanto nas perguntas que fazia quanto nas respostas que dava, de modo que todos os que o ouviam se admiravam. Nunca tinham ouvido ninguém, jovem ou idoso, falar com tanta clareza e entendimento. Como Davi, ele tinha mais entendimento do que todos os seus mestres, sim, mais do que os anciãos (Salmo 119:99-100).
Cristo deixou ali aparecer alguns raios de sua glória, mas apenas por um momento. Como disse Calvino, ele lhes deu uma amostra de sua sabedoria e de seu conhecimento divinos. Essa sua manifestação pública no templo, como mestre, lembra a tentativa inicial de Moisés de socorrer Israel, que Estêvão entendeu como um sinal do que Deus faria mais tarde por meio dele (Atos 7:24-25). Eles podiam ter percebido a indicação e tê‑lo recebido naquela ocasião, mas não entenderam. Assim, como Moisés, Cristo voltou novamente à vida oculta, e por muitos anos nada mais se ouviu dele.
Sua mãe então falou com ele em particular. Quando o grupo se dispersou, ela o chamou à parte e lhe perguntou sobre aquilo com ternura e afeto (Lucas 2:48). José e Maria ficaram espantados ao encontrá‑lo ali, e admirados de ver que ele recebera tamanha honra, ao sentar‑se entre os mestres e atrair a atenção deles. José permaneceu em silêncio, pois sabia que era apenas seu pai legal.
Maria contou‑lhe quão doloroso aquilo havia sido: “Filho, por que procedeste assim conosco? Por que nos expuseste a tal angústia?” É provável que tivessem passado por pensamentos terríveis, talvez até temendo que ele tivesse sido atacado ou levado por algum inimigo. Já que Herodes, em outra ocasião, tentara matá‑lo quando criança, talvez temessem o pior. “Por que nos deste motivo para isso? Eis que teu pai e eu te procurávamos aflitos.” Não estavam só entristecidos por tê‑lo perdido, mas também envergonhados por não o terem vigiado com mais cuidado e trazido com eles.
Os que pensam ter perdido a Cristo podem, com razão, lamentar essa perda. Mas essa tristeza não deve levar ao desespero. Devem continuar buscando. Se quisermos encontrar Cristo, precisamos buscá‑lo com tristeza: tristeza por tê‑lo perdido, tristeza por tê‑lo afastado, tristeza por não o termos procurado antes. Os que o buscam assim acabarão por encontrá‑lo, e sua alegria será maior por causa da espera.
Ele corrigiu com suavidade a preocupação ansiosa de seus pais (Lucas 2:49): por que o procuravam daquela maneira? Eles bem podiam ter confiado que ele os seguiria de volta para casa quando tivesse terminado o que precisava fazer ali. Ele não podia “se perder” em Jerusalém. Ele lhes diz que era necessário que estivesse na casa de seu Pai, ou envolvido nos negócios de seu Pai. De um modo ou de outro, o sentido é que ele pertencia ao lugar onde a obra de seu Pai estava sendo realizada.
Primeiro, com isso ele queria dizer que estava debaixo do cuidado e da proteção de seu Pai. Eles deveriam ter confiado nele a Deus, em vez de carregarem sozinhos o peso daquela aflição. Cristo é como uma flecha escondida na aljava de seu Pai (Isaías 49:2). Deus cuida de sua igreja da mesma maneira; por isso, nunca devemos desesperar quanto à sua segurança.
Em segundo lugar, ele queria dizer que precisava estar ocupado na obra de seu Pai. Esse era o seu chamado, e por isso não podia voltar para casa tão depressa como eles esperavam. Ele, por assim dizer, lembra: vocês já não perceberam isso sobre mim, que me entreguei às coisas de Deus e preciso me dedicar a elas? Aqui ele nos deixou um exemplo. Os filhos de Deus devem, como Cristo, dar prioridade ao trabalho de seu Pai celestial e fazer com que todo outro trabalho se subordine a esse.
Hoje entendemos bem essa palavra, porque Cristo a explicou depois, por tudo o que disse e fez. Fazer a vontade do Pai e concluir a sua obra era a missão de Cristo no mundo, e também o seu alimento e bebida espirituais. Contudo, naquele momento, seus pais não compreenderam o que ele queria dizer (Lucas 2:50). Eles não enxergavam que obra ele tinha a cumprir no templo para o seu Pai. Criam que ele era o Messias que se assentaria no trono de Davi, mas imaginavam que isso o levaria ao palácio real, não ao templo. Ainda não entendiam seu ofício de profeta, embora grande parte de sua obra se realizasse justamente dessa forma.
Depois, vem o retorno a Nazaré. Aquela breve manifestação de sua glória foi passageira. Terminou, e ele não pediu aos pais que permanecessem em Jerusalém nem que o estabelecessem ali, embora ali fosse o lugar em que poderia crescer em honra pública e mostrar sua sabedoria de modo mais evidente. Em vez disso, ele voltou de bom grado à vida simples em Nazaré, onde, durante muitos anos, ficou como que “sepultado vivo”, escondido. Certamente subia a Jerusalém três vezes ao ano para as festas, mas não nos é dito se voltou a conversar com os doutores no templo.
Somos informados, em primeiro lugar, que ele era submisso a seus pais. Uma vez, para mostrar que era mais do que um simples homem, afastou-se deles para cuidar da obra de seu Pai celestial. Mas esse não era o seu modo de agir constante. Por muitos anos depois disso, permaneceu debaixo da autoridade deles, seguiu suas orientações e, muito provavelmente, trabalhou com José no ofício de carpinteiro. Nesse comportamento, deu às crianças um exemplo de obediência zelosa aos pais, no Senhor. Embora tivesse nascido de mulher e estivesse sob o quinto mandamento, mostrou ao povo fiel como viver de maneira fiel. Mesmo tendo pais pobres e humildes, e embora José fosse apenas seu pai legal, ainda assim lhes obedeceu. E, ainda que fosse forte em espírito e cheio de sabedoria, sim, ainda que fosse o próprio Filho de Deus, sujeitou-se a seus pais. Que resposta darão, então, aqueles que são fracos e insensatos, mas se recusam a obedecer a seus pais?
Em segundo lugar, sua mãe não compreendeu plenamente as palavras do filho, mas guardou tudo em seu coração. Ela esperou, na expectativa de que, em tempo oportuno, aquelas palavras lhe fossem explicadas, e então as entenderia melhor e saberia como aproveitá-las.
Ainda que possamos deixar de lado ditos humanos obscuros ou confusos, nunca devemos tratar assim as palavras de Deus. Aquilo que a princípio parece difícil, de modo que não sabemos bem o que fazer com aquilo, pode depois tornar-se claro e evidente. Por isso, devemos guardar tais palavras no coração para uso posterior (João 2:22). O que não parece útil agora pode vir a ser muito útil em outra ocasião. Um aluno guarda regras de gramática na memória, mesmo quando ainda não enxerga sua utilidade, porque lhe dizem que serão importantes mais adiante. Assim também devemos tratar as palavras de Cristo.
Ele também crescia, e esse crescimento era notável (Lucas 2:52): “crescia em sabedoria e em estatura”. Em sua natureza divina, Cristo não podia crescer em nada, pois Deus já é perfeito. Isso se refere à sua natureza humana: seu corpo crescia em altura e vigor, à medida que avançava pelos anos de infância e juventude, e sua alma humana crescia em sabedoria e em todos os dons próprios de uma alma verdadeiramente humana. O Verbo eterno esteve unido à sua alma humana desde o momento da concepção, mas a vida divina nele se manifestou em sua humanidade pouco a pouco, conforme aquilo que sua natureza humana podia receber.
À medida que suas faculdades humanas se desenvolviam, os dons provenientes de sua natureza divina se mostravam de forma mais plena. Ele crescia também em graça diante de Deus e dos homens, isto é, todas as qualidades que o tornavam agradável iam aparecendo cada vez mais claramente a ambos. Dessa maneira, Cristo se ajustou ao estado de humilhação que havia assumido. Desceu para ser bebê, criança e depois jovem, e, à medida que crescia, a imagem de Deus brilhava nele mais claramente do que poderia brilhar quando era menor. Os jovens devem seguir o mesmo caminho: à medida que crescem em corpo, devem crescer em sabedoria. E, crescendo em sabedoria, crescerão também em graça diante de Deus e diante das pessoas.
Perspectivas da IA cristã
Lucas 2:41 mostra uma cena simples e, ao mesmo tempo, profunda: “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa”. Há um clima de rotina sagrada nesse versículo. José e Maria carregam … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Lucas 2:41 mostra uma cena simples e, ao mesmo tempo, profunda: “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa”. Há um clima de rotina sagrada nesse versículo. José e Maria carregam a própria história de fé nos passos repetidos, ano após ano. Nada espetacular, nada milagroso à primeira vista. Só uma família cansada de estrada, mas fiel ao caminho. Esse detalhe lembra que Jesus cresceu em um ambiente onde a fé tinha cheiro de viagem longa, poeira na sandália, criança sonolenta no trajeto, cansaço e, mesmo assim, perseverança. O Filho de Deus é inserido por seus pais em um ritmo de adoração que passa pelo comum da vida: calendário, tradição, pequenas obediências. Deus encontra essa família exatamente nesse “todo ano”, nessa constância que nem sempre emociona, mas sustenta. Para corações que carregam peso, esse versículo sussurra que o cuidado divino também se revela em práticas simples e repetidas, em passos pequenos que mantêm o vínculo com a fé mesmo quando a alma não sente grande coisa. Um passo pequeno ainda é cuidado.
Lucas 2.41, em sua simplicidade, revela muito sobre o ambiente em que Jesus cresceu. A informação de que seus pais “todos os anos iam... à festa da páscoa” mostra uma família profundamente enraizada na piedade … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Lucas 2.41, em sua simplicidade, revela muito sobre o ambiente em que Jesus cresceu. A informação de que seus pais “todos os anos iam... à festa da páscoa” mostra uma família profundamente enraizada na piedade judaica comum, não em práticas excêntricas. José e Maria obedecem a Torá, que exigia a presença masculina nas grandes festas em Jerusalém, mas aqui a família inteira se envolve, indicando devoção além do mínimo exigido. O contexto ajuda aqui: a Páscoa celebrava a libertação do Egito, centro da identidade de Israel. Inserir Jesus nesse cenário anual sugere que sua autoconsciência messiânica amadurece dentro da memória viva do êxodo e da fidelidade de Deus. Não há aqui um “Jesus desconectado” de seu povo; há um Messias que aprende, desde pequeno, os ritmos da fé de Israel. Uma leitura cuidadosa sugere ainda algo sobre a encarnação: o Filho de Deus cresce em um lar que leva a sério a adoração comunitária e a peregrinação. Antes do episódio no templo, o texto mostra anos de formação silenciosa, nos quais a obediência cotidiana prepara o terreno para a revelação extraordinária.
Em Lucas 2:41, um detalhe simples se destaca: “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da Páscoa”. A família de Jesus tinha um hábito espiritual estável, repetido, mesmo com toda a simplicidade … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Em Lucas 2:41, um detalhe simples se destaca: “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da Páscoa”. A família de Jesus tinha um hábito espiritual estável, repetido, mesmo com toda a simplicidade e limitações da vida naquela época. Não há glamour, apenas constância. Esse versículo revela uma fé encarnada na rotina. José e Maria não aparecem aqui como pais perfeitos, mas como gente que organiza agenda, viagem, custo e cansaço para manter um compromisso com Deus e com a tradição do povo. O Filho de Deus cresce dentro desse ambiente: uma casa comum, com práticas espirituais comuns, feitas ano após ano. Sabedoria também aparece na rotina. A espiritualidade dessa família não é só emoção de momento, é calendário, costume, escolha reiterada. É nessa “normalidade sagrada” que Jesus amadurece, aprende, pergunta, obedece. O texto mostra que grandes histórias de fé, muitas vezes, nascem de pequenos gestos repetidos. Antes de qualquer milagre, há pais caminhando, de novo, para Jerusalém, porque entenderam que fé se nutre na perseverança, não apenas em experiências extraordinárias.
A afirmação simples de que, “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da Páscoa”, revela um cenário de fidelidade silenciosa. Antes de qualquer milagre público, antes da cruz e da ressurreição, a … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
A afirmação simples de que, “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da Páscoa”, revela um cenário de fidelidade silenciosa. Antes de qualquer milagre público, antes da cruz e da ressurreição, a vida do Cristo encarnado está mergulhada numa família que caminha, ano após ano, na mesma direção: a adoração obediente. José e Maria sobem a Jerusalém não por impulso esporádico, mas por um ritmo estabelecido. A Páscoa recorda libertação, sangue nos umbrais, passagem da morte para a vida. Nesse contexto, o Menino que um dia seria o Cordeiro definitivo é conduzido, repetidas vezes, ao lugar da memória da aliança. Deus trabalha também no silêncio. O versículo ilumina a formação de Jesus na história concreta de Israel: fé praticada, caminhos percorridos em peregrinação, festas marcando o tempo. Mostra que a grande obra de Deus se costura dentro de atos aparentemente comuns de obediência. A eternidade desce ao cotidiano quando uma família se deixa moldar, ano após ano, pelo chamado de adorar no tempo certo, no lugar estabelecido, com o coração voltado à aliança.
Aplicação para a restauração da saúde
Em Lucas 2:41, a rotina anual dos pais de Jesus indo a Jerusalém revela a importância de práticas constantes e estruturadas. Em saúde mental, ritmos previsíveis funcionam como fatores de proteção diante de ansiedade, depressão e trauma. A fidelidade deles à peregrinação não romantiza a vida nem nega sofrimentos, mas mostra que, em meio a incertezas, alguns compromissos podem permanecer estáveis. Na clínica, percebe-se que pessoas com histórico de estresse crônico se beneficiam de rituais saudáveis: horários de sono, alimentação regular, momentos de silêncio, comunidade de apoio e espiritualidade vivida com realismo.
A disciplina espiritual anual da família de Jesus pode ser vista como um “marco” que organiza emoções ao longo do tempo, semelhante a intervenções psicoeducativas que ajudam a criar previsibilidade. Em episódios depressivos, o corpo tende à inércia; em quadros ansiosos, à hiperatividade desorganizada. Pequenos compromissos repetidos, integrando fé e autocuidado, favorecem regulação emocional. A espiritualidade, quando não usada para negar dor, mas para sustentá-la, oferece sentido, pertencimento e contenção, ajudando a pessoa a atravessar períodos difíceis sem se confundir totalmente com o seu sofrimento.
Maus usos comuns a evitar
Uma distorção comum desse versículo é usá-lo para romantizar a ideia de que fé exige obediência cega a tradições religiosas, mesmo quando elas geram sofrimento psíquico significativo. Em contextos abusivos, pode-se pressionar alguém a participar de rituais ou viagens religiosas apesar de exaustão, luto intenso, depressão ou ansiedade grave, ignorando limites físicos e emocionais. Quando há sintomas persistentes de tristeza, culpa religiosa extrema, pensamento suicida, automutilação, sensação de desespero ou incapacidade de cumprir tarefas básicas do dia a dia, é fundamental buscar apoio profissional em saúde mental. Também é prejudicial utilizar esse texto para minimizar traumas familiares ou conflitos graves, dizendo que “Deus resolve tudo” sem acolher a dor, nem indicar tratamento médico ou psicoterápico, caracterizando positividade tóxica e espiritualização como fuga de problemas reais.
Perguntas frequentes
Por que Lucas 2:41 é um versículo importante para o estudo da Bíblia?
Qual é o contexto de Lucas 2:41 no Evangelho de Lucas?
Como posso aplicar Lucas 2:41 na minha vida hoje?
O que Lucas 2:41 nos ensina sobre a família de Jesus e a fé?
O que significa a ida anual dos pais de Jesus a Jerusalém em Lucas 2:41?
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Deste capítulo
Lucas 2:1
"E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse"
Lucas 2:2
"(Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria)."
Lucas 2:3
"E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade."
Lucas 2:4
"E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi),"
Lucas 2:5
"A fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida."
Lucas 2:6
"E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz."
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