Versículo em destaque

Lucas 17:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia; "

Lucas 17:11

menu_book Versículo no contexto

9 Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não.

10 Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.

11 E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia;

12 E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe;

13 E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos a cura de dez leprosos, um milagre que Lucas registra e que os outros evangelistas não mencionam. A lepra era uma doença que os judeus muitas vezes viam como um sinal do juízo de Deus por algum pecado especial. Como Cristo veio para tirar o pecado e desviar a ira de Deus, ele teve cuidado especial em purificar leprosos que apareciam em seu caminho.

Jesus estava a caminho de Jerusalém, aproximadamente na metade do percurso. Nesse momento, encontrava-se na região de fronteira entre Samaria e Galileia, onde era menos conhecido do que em Jerusalém ou na própria Galileia. Ele passou por ali para encontrar esses leprosos e curá‑los, porque se deixa achar por aqueles que nem o estavam procurando.

Os leprosos vieram juntos a Cristo. Eram dez em um só grupo e, ainda que estivessem separados do convívio com as outras pessoas, ainda podiam conversar entre si. Isso devia lhes trazer algum consolo, pois podiam compartilhar suas aflições e se apoiar mutuamente.

Eles encontraram Jesus quando ele entrava numa certa aldeia. Não esperaram que ele descansasse do cansaço da viagem, mas vieram a ele enquanto ainda estava entrando na povoação. Mesmo assim, ele não os afastou nem adiou o atendimento ao pedido deles.

Eles ficaram à distância, porque a lei exigia que permanecessem afastados dos demais. Um claro senso da nossa própria impureza espiritual deveria nos tornar humildes quando nos aproximamos de Cristo. Quem somos nós para chegar perto daquele que é perfeitamente puro? Nós somos impuros.

O pedido deles foi unânime e urgente. Eles levantaram a voz e clamaram: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós” (Lucas 17:13). Quem espera receber ajuda de Cristo precisa recebê‑lo como seu Mestre e estar pronto a obedecê‑lo. Se ele é de fato Mestre, então ele é Jesus, Salvador. Eles não pediram, palavra por palavra, para serem curados da lepra, mas apenas disseram: “Tem misericórdia de nós.” Isso basta, porque a compaixão de Cristo jamais falha.

Eles tinham ouvido falar desse Jesus, embora ele não tivesse passado muito tempo naquela região. Isso foi o suficiente para movê‑los a buscá‑lo. Ainda que um só deles tivesse começado com um pedido tão simples e sem custo, é provável que os outros logo tivessem se unido a ele.

Cristo os enviou ao sacerdote para serem examinados, pois o sacerdote era quem julgava os casos de lepra. Ele não lhes disse primeiro que seriam curados, mas apenas ordenou que fossem e se mostrassem aos sacerdotes (Lucas 17:14). Isso provou a obediência deles, e a prova foi adequada, assim como a fé de Naamã foi provada quando lhe foi dito: “Vai, e lava‑te no Jordão.” Quem espera as bênçãos de Cristo deve recebê‑las do jeito e pelo método que ele determina.

Alguns daqueles leprosos talvez tenham murmurado diante dessa ordem. Podiam pensar: “Ou nos cura, ou nos diz claramente que não vai nos curar, mas não nos mande numa missão inútil aos sacerdotes.” Contudo, ainda que alguns pudessem ter resistido por dentro, todos foram. Como a lei cerimonial ainda estava em vigor, Cristo fez questão de que ela fosse honrada e de que os sacerdotes recebessem o devido respeito nas questões que pertenciam ao seu ofício. Além disso, provavelmente desejava que os sacerdotes confirmassem a cura e tivessem motivo para perguntar sobre aquele que tinha tanto poder sobre as doenças do corpo.

Enquanto iam, ficaram limpos. Só então estavam aptos para se apresentarem ao sacerdote e receberem a declaração oficial de que estavam purificados. Devemos esperar que Deus nos encontre com misericórdia quando andamos no caminho do dever. Se fizermos o que está ao nosso alcance, Deus fará o que nós não podemos fazer. Vá aos meios de graça estabelecidos. Vá orar e ler as Escrituras. Vá mostrar‑se aos “sacerdotes”, isto é, abrir o seu caso a um ministro fiel. Os meios exteriores, por si sós, não curam, mas Deus muitas vezes cura por meio do uso sincero deles.

Um dos dez, e apenas um, voltou para dar graças (Lucas 17:15). Ao perceber que fora curado, não seguiu adiante primeiro até o sacerdote para ser declarado limpo e liberado do confinamento, que era tudo o que os outros pareciam desejar. Em vez disso, voltou‑se para aquele que o havia curado, desejando que Cristo recebesse a glória antes que ele recebesse o benefício completo.

Ele parece ter sido fervoroso e sincero em sua gratidão. Em alta voz glorificou a Deus, reconhecendo que a bênção vinha dele. Ele tinha levantado a voz em súplica, e agora a levantava também em louvor (Lucas 17:13). Quem recebe misericórdia de Deus deve falar disso a outros, para que também louvem a Deus e sejam encorajados a confiar nele.

Ele deu também um agradecimento especial a Cristo. Prostrou‑se com o rosto em terra aos pés de Jesus e lhe deu graças (Lucas 17:16). Devemos agradecer a Cristo pelos favores que nos concede, especialmente quando ele cura enfermidades. Devemos fazê‑lo sem demora, antes que o tempo esfrie em nós o sentido da misericórdia recebida. Devemos também ser humildes em nossa gratidão, assim como somos em nossas orações. Os filhos de Jacó devem, como Jacó, dizer que são menores que todas as misericórdias de Deus, tanto quando estão pedindo como quando estão recebendo.

Cristo notou esse homem que se distinguiu pela gratidão. Ele era samaritano, enquanto os outros eram judeus (Lucas 17:16). Os samaritanos estavam separados da comunidade religiosa judaica e não possuíam o mesmo conhecimento puro nem o mesmo culto verdadeiro a Deus. Ainda assim, foi um deles que glorificou a Deus, enquanto os judeus ou se esqueceram de fazê‑lo, ou se recusaram quando foram lembrados.

Cristo notou especialmente duas coisas: o retorno agradecido desse homem e a ingratidão dos outros. Aquele que era estrangeiro à comunidade de Israel foi o único que voltou para dar glória a Deus (Lucas 17:17, Lucas 17:18). Vê‑se aqui quão rico Cristo é em fazer o bem. “Não foram dez os limpos?” Uma única palavra sua curou um grupo inteiro. Há poder de cura e purificação mais que suficiente no sangue de Cristo para todos os seus pacientes, por mais numerosos que sejam. Dez foram purificados de uma só vez, e não há menos graça para nós porque outros também participam dela.

E vê‑se também quão pobres somos em devolver graças. “Onde estão os nove?” Por que não voltaram para agradecer? Isso mostra quão comum é a ingratidão. De muitos que recebem misericórdia de Deus, pouquíssimos agradecem como se deve, mal um em cada dez. Muitos não retribuem a Deus com o louvor que a sua misericórdia merece.

E muitas vezes aqueles de quem menos se espera gratidão são os mais agradecidos. Um samaritano dá graças, e um judeu não.

Muitos que professam a religião revelada são envergonhados por alguns que são guiados apenas pela religião natural, isto é, pela luz da consciência e da razão. Estes podem superá‑los não só na conduta moral, mas também na devoção e reverência para com Deus. Isso torna ainda pior a ingratidão dos judeus aqui, porque a bondade de Cristo foi tratada com tanta leveza. Mostra também como é justa a dor de Cristo diante da ingratidão do mundo, pois ele fez tanto pela humanidade e recebeu tão pouco em retorno.

Cristo deu a esse homem curado um encorajamento especial em (Lucas 17:19): “A tua fé te salvou.” Os outros também foram curados, e a cura deles não lhes foi retirada, embora pudesse justamente tê‑lo sido, por causa da ingratidão deles, mesmo com um exemplo tão claro de gratidão diante dos olhos. Mas a cura desse homem foi confirmada com um elogio especial. Os outros foram restaurados pela força do poder de Cristo, em piedade pelo sofrimento deles e em resposta ao pedido que fizeram. Ele foi restaurado pela fé, pela qual Cristo viu que ele era diferente dos demais.

As misericórdias temporais, isto é, as bênçãos terrenas, são duplamente doces quando vêm em resposta às orações da fé e voltam para Deus nos louvores da fé.

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