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Lucas 14:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, ouvindo isto, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus. "

Lucas 14:15

menu_book Versículo no contexto

13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,

14 E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.

15 E, ouvindo isto, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus.

16 Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.

17 E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Este é mais um dos ensinamentos do nosso Salvador em que Ele transforma o banquete para o qual foi convidado em uma lição espiritual. Esse é um modo de manter uma boa conversa, mesmo no meio da vida comum.

A ocasião veio de um dos convidados. Enquanto Cristo dava orientações sobre como dar banquetes, esse homem disse: “Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus” (Lucas 14:15). Alguns dizem que isso era um dito comum entre os rabinos, os mestres judeus.

Mas por que ele trouxe esse assunto justamente aqui? Talvez tenha percebido que Cristo primeiro havia corrigido os convidados e depois o anfitrião, e temeu que o ambiente ficasse desconfortável. Então mudou de assunto. Ou talvez tenha admirado as lições que Cristo acabara de dar sobre humildade e bondade, mas duvidasse de que, naquela geração pecadora, as pessoas vivessem de acordo com elas. Então, suspirou pelo reino de Deus, onde tais leis reinariam plenamente, e chamou de bem-aventurados os que participariam desse reino.

Ou talvez Cristo acabara de mencionar a ressurreição dos justos como recompensa pela bondade para com os pobres. Nesse caso, o homem estava concordando com Ele: os que forem recompensados na ressurreição dos justos comerão pão no reino de Deus, e isso é muito melhor do que ser convidado de novo à mesa do maior homem da terra. Ou ainda, pode ser que ele tenha percebido que Cristo se calara após dar essas lições e quisesse atraí-lo novamente à conversa, tão satisfeito estava com o que ouvira. Sabia que nada moveria tanto a atenção de Cristo quanto uma menção ao reino de Deus.

Mesmo aqueles que não conseguem sustentar sozinhos uma boa conversa deveriam, de vez em quando, dizer alguma palavra para apoiá-la e fazê-la avançar.

O que esse homem disse era claramente verdadeiro, e cabia bem ali porque estavam à mesa. Devemos aproveitar as oportunidades, a partir das coisas comuns, para pensar e falar sobre as coisas celestiais e espirituais, já que a própria Escritura costuma compará-las a essas realidades do dia a dia. Esse é um dos motivos de tais comparações. E, quando recebemos os dons da providência de Deus, devemos, por meio deles, ser levados a pensar nos dons de sua graça, que são ainda melhores.

Esse pensamento é especialmente adequado quando estamos desfrutando de alimento para o corpo: “Bem-aventurados os que comerem pão no reino de Deus.” Isso pode se referir ao reino da graça, o reino do Messias, que estava prestes a ser estabelecido. Cristo prometeu aos seus discípulos que comeriam e beberiam à mesa com Ele em seu reino. Os que participam da Ceia do Senhor comem pão no reino de Deus. Também pode se referir ao reino da glória, na ressurreição. A alegria do céu é como um banquete sem fim. Bem-aventurados os que se assentam a essa mesa e nunca mais se levantam dela.

Nosso Senhor Jesus respondeu com uma parábola, a partir de Lucas 14:16. Ele concorda com o que aquele homem disse: “É bem verdade, bem-aventurados os que participam dos privilégios do reino do Messias. Mas quem é que, de fato, desfrutará desse privilégio? Vocês, judeus, pensam que terão tudo isso, mas, em sua maioria, vão rejeitá-lo, e os gentios participarão amplamente dele.” Ele disse isso em forma de parábola, porque, se falasse claramente, os fariseus não aceitariam.

Na parábola, vemos a graça livre e a misericórdia de Deus brilhando no evangelho de Cristo. Primeiro, vemos a rica provisão que Ele fez para as almas necessitadas, para seu alimento, refrigério e acolhimento (Lucas 14:16). “Um certo homem fez uma grande ceia.” Há algo em Cristo e na graça do evangelho que se torna alimento e banquete para a alma que reconhece suas próprias necessidades. É chamado de ceia porque, naquela região, a ceia era a principal refeição, quando o trabalho do dia já estava terminado. Do mesmo modo, a revelação da graça do evangelho ao mundo veio como que no entardecer do dia do mundo, e o pleno desfrute dessa graça no céu é guardado para o entardecer do nosso dia.

Em segundo lugar, vemos o convite gracioso que nos é dado para virmos participar dessa provisão. Houve um convite geral: “Convidou a muitos.” Cristo convidou toda a nação judaica a participar das bênçãos de seu evangelho. Há provisão suficiente para todos os que vierem. A Escritura já havia falado disso como um banquete para todos os povos (Isaías 25:6). Cristo, no evangelho, mantém uma boa casa e mantém as portas abertas.

Houve também um lembrete especial quando a hora da ceia se aproximou. O servo foi enviado para dizer-lhes: “Vinde, porque tudo já está preparado.” Quando o Espírito foi derramado e a igreja do evangelho foi estabelecida, aqueles que já tinham sido convidados foram ainda mais insistentemente chamados a vir sem demora. Agora tudo está pronto: o pleno sentido do evangelho foi revelado, todas as ordenanças do evangelho foram instituídas, a comunhão dos cristãos foi estabelecida e, acima de tudo, o Espírito Santo foi dado.

Esse continua sendo o chamado para nós: “Tudo já está preparado.” Agora é o tempo aceitável. É agora, e não faz muito que esse tempo chegou. É agora, e não vai durar muito. A estação da graça logo se encerrará, por isso venham agora. Não demorem. Recebam o convite. Creiam que são bem-vindos. “Comei, amigos; bebei, sim, embriagai-vos, ó amados.”

A graça do evangelho encontra, porém, uma resposta fria. Os convidados não vieram. Eles não disseram abertamente que não viriam, mas todos, a uma voz, começaram a escusar-se (Lucas 14:18). Era de se esperar que todos viessem com alegria a um convite tão bondoso. Quem recusaria uma ceia assim? No entanto, todos encontraram alguma desculpa para não ir. Isso mostra o descaso geral da nação judaica ao rejeitar Cristo e as ofertas de sua graça, e o desprezo que demonstraram pelo convite. Mostra também quão pouco disposta a maioria das pessoas está a responder ao chamado do evangelho. Envergonham-se de dizer um “não” aberto, então pedem para serem desculpadas. Agiram todos ao mesmo tempo, sem precisar pensar muito em desculpas. Estavam todos de acordo.

Entre eles havia dois que tinham acabado de fazer compras. Estavam com tanta pressa de ir examinar o que haviam comprado que não conseguiam encontrar tempo para a ceia. Um havia comprado um campo, um pedaço de terra que parecia um bom negócio, e precisava ver se era realmente assim. Então disse: “Rogo-te que me hajas por escusado.” Seu coração estava tão preso a aumentar seus bens que ele não conseguia ser educado com seu amigo nem bondoso consigo mesmo. Aqueles cujo coração está cheio do mundo, que amam ajuntar campo a campo e casa a casa, são surdos ao convite do evangelho.

Que desculpa rasa foi essa. Ele poderia muito bem esperar até o dia seguinte para ver seu campo, e ele estaria exatamente igual. Outro havia comprado animais para trabalhar a terra. “Comprei cinco juntas de bois para lavrar, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado.” O primeiro mostra um forte amor ao mundo; este mostra uma preocupação ansiosa com ele. Ambos revelam que preferem o corpo à alma, e as coisas temporais às eternas.

É muito pecaminoso, quando somos chamados a um dever, inventarmos desculpas para não cumpri-lo. As desculpas geralmente revelam que a pessoa sabe o que é certo, mas não quer fazer. As coisas que eles usaram como desculpa eram assuntos pequenos. Teria sido melhor dizer: “Estou convidado para comer pão no reino de Deus, por isso preciso ser dispensado de ir ver meu campo ou meus bois.” Eram também coisas lícitas. Até mesmo coisas lícitas, quando o coração se apega demais a elas, viram barreiras mortais na religião. Todos nós lutamos para lidar com os negócios deste mundo de um modo que não nos afaste das coisas espirituais, e isso deveria ser nossa preocupação cuidadosa.

Aqui está outro homem que havia acabado de se casar e não podia deixar a esposa para ir à ceia, nem uma única vez: “Casei, e portanto não posso ir” (Lucas 14:20). Ele diz que não pode, quando a verdade é que não quer. Muitos procedem do mesmo modo em relação à religião. Alegam incapacidade para cumprir seu dever para com Deus, quando o que realmente há é aversão.

Ele havia se casado. É verdade que a lei, por um ano, isentava o recém-casado de ir à guerra (Deuteronômio 24:5). Mas isso o desculparia de ir às festas do Senhor, às quais todos os homens deviam comparecer anualmente? Certamente não o isentaria do banquete do evangelho, pois aquelas antigas festas eram apenas figura deste. Nosso amor a familiares muitas vezes se torna um impedimento à obediência a Deus. Adão disse: “A mulher que me deste me deu da árvore, e eu comi.” Este homem, em efeito, disse: “A mulher me impediu de comer.” Ele poderia ter levado a esposa com ele, e ambos teriam sido bem-vindos.

O servo então relatou ao senhor do banquete como seus convidados o haviam insultado (Lucas 14:21). Veio e contou tudo ao seu senhor, admirado de ver que ele provavelmente comeria sozinho. Os convidados haviam recebido aviso com antecedência suficiente para organizar seus assuntos e, ainda assim, estavam ocupados com outras coisas. Ele contou o fato exatamente como era, sem suavizar nem exagerar.

Os ministros terão de prestar contas de como o seu ministério foi recebido. Devem fazê-lo agora, junto ao trono da graça. Se veem fruto em seu trabalho, devem agradecer a Deus por isso. Se se cansam sem ver resultado, devem levar sua dor ao Senhor. E o farão também mais tarde, diante do tribunal de Cristo. Ali, se levantarão como testemunhas contra os que insistiram em recusar e se perderam na incredulidade, mostrando que foram de fato convidados. E se levantarão igualmente como testemunhas a favor dos que aceitaram o chamado: “Eis-me aqui, e os filhos que tu me deste.” O apóstolo apresenta isso como razão para ouvirmos a Palavra de Deus pregada por seus ministros, porque eles velam por nossas almas como quem há de prestar contas (Hebreus 13:17).

O senhor da parábola se irou, e com toda razão, por esse insulto (Lucas 14:21). A maneira ingrata como muitos tratam os convites do evangelho e o desprezo que demonstram pelo Deus do céu o ofendem profundamente. Misericórdia abusada se converte em juízo severo. Por isso ele declarou: “Nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.” Isso se assemelha à sentença dada por Deus ao Israel ingrato, quando desprezou a boa terra. Deus jurou em sua ira que não entrariam no seu descanso. Graça desprezada é graça perdida, como o direito de primogenitura de Esaú. Os que não querem Cristo quando podem tê‑lo, não o terão quando o desejarem. Mesmo aqueles que foram convidados primeiro, se rejeitam a oferta, serão excluídos. Quando a porta se fechar, nem mesmo as virgens loucas serão admitidas.

Em seguida, cuida‑se de encher a mesa, não só de comida, mas de convidados. O senhor diz aos servos: “Ide primeiro às ruas e becos da cidade, e trazei aqui os pobres, aleijados, coxos e cegos.” Não deviam esperar que mercadores, comerciantes e gente ocupada viessem. Todos iriam pedir desculpas, um porque precisa ir ao escritório, outro porque combinou de ir à taberna com um amigo. Que trouxessem aqueles que se alegrariam em vir, até mesmo os mendigos comuns.

Os servos não objetaram que isso envergonharia o seu senhor ou a sua casa. Conheciam o coração dele e logo reuniram muitos desses convidados. “Senhor, está feito como mandaste.” Muitos judeus foram trazidos, mas não os escribas e fariseus com quem Cristo estava à mesa naquele momento. Eles se julgavam justamente as pessoas mais certas para se sentar à mesa do Messias, mas foram os publicanos e pecadores que atenderam ao chamado. Estes são os pobres e aleijados. E ainda havia lugar para mais convidados, e comida suficiente para todos.

Então o senhor disse: “Ide pelos caminhos e pelos atalhos.” Era para ir ao campo e reunir os viajantes, ou os que voltavam do trabalho ao entardecer, da lavoura, das cercas e valas. “Obrigai‑os a entrar”, não com força, mas com argumentos fortes. Urgi‑os com insistência. Nesse caso seria necessário convencê‑los de que o convite era verdadeiro e não uma brincadeira. Eles seriam tímidos, desconfiados, quase sem conseguir crer que fossem realmente bem‑vindos, por isso os servos deveriam insistir até ganhá‑los.

Isso aponta para a vocação dos gentios, para os quais os apóstolos se voltariam quando os judeus recusassem a oferta. Assim a igreja foi enchida. Aqui convém notar duas coisas. Primeiro, a provisão do evangelho para as almas preciosas não será desperdiçada. Se alguns a rejeitam, outros a recebem com alegria. Cristo encontra consolação nisso: ainda que Israel não seja ajuntado, ele será glorificado como luz para os gentios (Isaías 49:5‑6). Deus terá uma igreja no mundo, ainda que muitos se recusem a fazer parte dela, pois a incredulidade humana não anula a promessa de Deus.

Segundo, os pobres e humildes deste mundo são tão bem‑vindos a Cristo quanto os ricos e poderosos. Aliás, o evangelho muitas vezes prospera mais entre os que sofrem fraquezas e carências neste mundo, entre os pobres, aleijados, coxos e cegos.

Cristo aqui retoma claramente o que acabara de dizer, que devemos convidar os pobres, aleijados, coxos e cegos para a nossa mesa (Lucas 14:13). Como o evangelho de Cristo honra os pobres, isso deve nos mover a ser generosos com eles. A bondade e a compaixão de Cristo para com os necessitados devem nos levar a demonstrar a mesma bondade.

Muitas vezes o evangelho tem maior êxito justamente entre aqueles que, à primeira vista, parecem menos propensos a se aproveitar dele e menos dispostos a se sujeitar a ele. Os publicanos e as meretrizes entraram no reino de Deus antes dos escribas e fariseus. Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros, últimos. Não devemos nos sentir excessivamente seguros com respeito aos que parecem mais promissores, nem desistir dos que parecem ter menos probabilidade de responder.

Os ministros de Cristo devem ser, ao mesmo tempo, diligentes e urgentes ao convidar as pessoas para o banquete do evangelho: “Saí depressa” (Lucas 14:21). Não se deve perder tempo, porque tudo já está preparado. Devem chamar as pessoas a virem hoje, enquanto se chama “hoje”, e “compeli‑las” a entrar tratando‑as com bondade e atraindo‑as com laços humanos e cordas de amor. É totalmente errado usar esse texto como justificativa para forçar a consciência das pessoas, ou forçá‑las contra a própria consciência em assuntos de religião. Nada disso está aqui em vista, como se se dissesse: “Você tem de participar da Ceia do Senhor, ou será multado, preso e arruinado.” Esse não é o tipo de constrangimento pretendido. As armas da nossa milícia não são carnais.

Embora muitos já tenham sido trazidos para desfrutar as bênçãos do evangelho, ainda há lugar para mais. As riquezas de Cristo são insondáveis e nunca se esgotam. Há o suficiente nele para todos, e o suficiente para cada um. O evangelho não exclui ninguém, exceto aqueles que se excluem a si mesmos.

A casa de Cristo, embora grande, ficará cheia no fim. Isso acontecerá quando se completar o número de todos os eleitos, escolhidos por Deus, e todos os que foram dados a Cristo forem finalmente conduzidos até ele.

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