Versículo em destaque
Lucas 12:22 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. "
Lucas 12:22
O que significa Lucas 12:22?
Lucas 12:22 ensina que Deus cuida das necessidades básicas, por isso a preocupação não deve dominar o coração. Em vez de ansiedade constante com contas, mercado ou roupas para os filhos, o foco passa a ser confiar em Deus, planejar com responsabilidade e descansar sabendo que Ele conhece cada necessidade diária.
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Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
20 Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
21 Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.
22 E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis.
23 Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes.
24 Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves?
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Jesus aqui está ensinando aos seus discípulos lições necessárias, que ele já havia ensinado antes e voltaria a enfatizar depois. Eles precisavam de instrução repetida, linha sobre linha, porque muitos são arruinados pela cobiça e por um amor egoísta às riquezas deste mundo. Por isso ele diz a eles, seus discípulos, que tomem cuidado com isso. Como Paulo mais tarde diria, “foge destas coisas”, tanto para o homem de Deus quanto para o homem do mundo (1 Timóteo 6:11).
Em primeiro lugar, ele lhes diz para não se consumirem com cuidados inquietos e ansiosos a respeito das necessidades da vida: “Não estejais apreensivos pela vossa vida” (Lucas 12:22). Na parábola anterior, ele havia advertido contra um tipo de cobiça, aquela à qual os ricos são mais tentados, um prazer profundo na abundância e no conforto. Mas os discípulos podiam pensar que estavam a salvo disso, pois tinham poucos bens materiais. Por isso ele os adverte contra outro tipo de cobiça, mais comum em quem tem pouco neste mundo: a preocupação ansiosa com comida e roupa, com o que vão comer e vestir.
É o mesmo alerta que ele deu de forma mais completa em Mateus 6:25 em diante, e os motivos são em grande parte os mesmos. Devemos lançar nossos cuidados sobre Deus, porque esse é o caminho para sermos livres deles. Deus já fez por nós a coisa maior: deu-nos a vida e o corpo sem qualquer ajuda nossa. Por isso podemos confiar que ele nos dará as coisas menores, o alimento para sustentar essa vida e a roupa para proteger esse corpo. Aquele que dá a vida certamente pode dar o que a vida precisa.
Devemos também confiar em Deus porque ele cuida das criaturas menores. Ele alimenta os corvos, que não semeiam nem colhem e não ajuntam mantimento em celeiros, e mesmo assim são sustentados (Lucas 12:24). Somos muito mais valiosos do que as aves. Ele veste os lírios, que não trabalham nem fiam, e no entanto são adornados com grande beleza (Lucas 12:27-28). Se Deus veste assim as flores, que são breves e passageiras, porventura não vestirá muito mais a você, com o que é adequado à sua natureza e à sua necessidade? Quando Deus sustentou Israel com maná no deserto, também cuidou de suas vestes. As roupas deles não envelheceram sobre eles (Deuteronômio 8:4). Assim também ele cuidará do seu Israel espiritual, mas eles não devem ser gente de pequena fé.
Nossos cuidados ansiosos muitas vezes nascem de uma fé fraca. Se realmente cressemos, de forma firme e prática, que Deus é plenamente capaz de suprir, que ele é nosso Pai e que suas promessas são seguras tanto para esta vida quanto para a vida futura, essas preocupações perderiam grande parte de sua força. A fé em Deus derruba a fortaleza dos pensamentos inquietos e perturbadores.
Em terceiro lugar, nossas preocupações são inúteis, vazias e tolas; por isso não devemos lhes dar espaço. Elas não podem nos dar o que desejamos, então não deveriam roubar a nossa paz. Jesus pergunta: “Qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura?” ou, conforme o sentido, um momento sequer à sua vida (Lucas 12:25). Se não podemos fazer nem mesmo essa coisa tão pequena, se não podemos mudar nossa própria altura ou o tempo de nossa vida, por que vamos nos inquietar com outros assuntos que são igualmente fora do nosso controle? Na condição em que estamos, assim como na estatura que temos, a sabedoria é aceitar o que Deus permitiu e tirar o melhor disso. Queixar-se e se agitar não vai melhorar a situação.
Em quarto lugar, esse tipo de corrida ansiosa atrás das coisas deste mundo, ainda que necessárias, não combina com os discípulos de Cristo (Lucas 12:29-30). Seja o que for que os outros façam, os seguidores de Cristo não devem ser consumidos com o que vão comer ou beber. Não devem se desgastar com esforços inquietos, nem correr de um lado para outro cheios de preocupação, como os inimigos de Davi que andavam à procura de comida (Salmo 59:15), ou como a águia que vasculha de longe em busca de presa (Jó 39:29). Em vez disso, os discípulos de Cristo devem pedir a Deus o pão de cada dia. Não devem ser pessoas de mente agitada e arrastada de um lado para o outro. Não devem viver num estado constante de suspense, lançados de um extremo a outro entre esperança e medo.
Esse tipo de preocupação faz os filhos de Deus se comportarem como os filhos deste mundo. As nações do mundo buscam essas coisas porque se importam apenas com o corpo e esta vida, e não têm um Deus todo-suficiente em quem confiar (Lucas 12:30). Mas não é adequado que aqueles que foram chamados para fora do mundo vivam como o mundo vive. Quando tais preocupações começam a governar o coração, devemos perguntar a nós mesmos: “Sou cristão ou pagão? Batizado ou não batizado? Se sou cristão, por que estou tomando o meu lugar entre os gentios e entrando nas mesmas buscas que eles?”
Também é desnecessário que os filhos de Deus se atormentem com as necessidades da vida, porque eles têm um Pai no céu que sabe de que precisam e lhes proverá. Ele vê as suas necessidades e as suprirá segundo as suas riquezas em glória. Ele é o Pai deles, aquele que os colocou nessas circunstâncias, e sua compaixão é adequada à condição em que se encontram. Ele os sustenta, os disciplina e prepara para eles uma herança; por isso não permitirá que lhes falte nada que seja realmente bom.
Eles também têm algo melhor a buscar. “Buscai o reino de Deus” (Lucas 12:31). Isso vale especialmente para os discípulos de Cristo, que deveriam pregar esse reino. O coração deles deveria estar voltado para essa obra, para como realizá-la bem. Isso também os preservaria de uma preocupação ansiosa com as coisas deste mundo. E todos os que têm uma alma a ser salva devem buscar o reino de Deus, pois somente ali podem estar em segurança.
Busquem a entrada no reino da graça e busquem crescer nele. Busquem o reino da glória, onde serão príncipes, e então todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Cuidem com atenção das coisas de sua alma e confiem em Deus quanto a todas as outras preocupações.
Cristo também dá um motivo ainda melhor para deixar de lado o medo ansioso: “Não temas, ó pequeno rebanho” (Lucas 12:32). Para cessar a preocupação, o próprio medo precisa ser contido. Quando nos apavoramos com males imaginários, nós mesmos nos empurramos para um estado de pânico sobre como escapar deles, mesmo quando talvez nunca venham a acontecer. Por isso Cristo diz: “Não temas, ó pequeno rebanho”, antes espera até o fim, pois foi do agrado do Pai dar-vos o reino.
Essa palavra de consolo não aparece em Mateus. O rebanho de Cristo neste mundo é um pequeno rebanho, pouco numeroso e fraco em força. A igreja é como uma vinha ou um jardim, um pequeno pedaço de terra em comparação com o deserto deste mundo. Israel também foi assim, como dois pequenos rebanhos de cabras quando os sírios enchiam o país (1 Reis 20:27).
Ainda que seja um pequeno rebanho, em menor número e em perigo por causa dos inimigos, Cristo não quer que tenham medo. Ele manda que se vejam seguros sob o cuidado e a orientação do grande e bom Pastor e que descansem tranquilos. Deus tem um reino preparado para todos os que pertencem ao pequeno rebanho de Cristo, uma coroa de glória (1 Pedro 5:4), um trono de poder (Apocalipse 3:21) e riquezas incalculáveis, muito maiores do que os tesouros escondidos de reis e províncias. As ovelhas à direita são chamadas para virem e herdarem o reino. Ele é delas para sempre, um reino para cada uma.
Esse reino é dado segundo o beneplácito do Pai. É do agrado de vosso Pai. É dado não como salário merecido, mas por graça, graça gratuita, graça soberana, o direito de Deus de dar como lhe apraz. “Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” O reino é dele, e ele pode fazer o que quiser com o que é seu. A esperança desse reino deveria silenciar os temores do pequeno rebanho de Cristo neste mundo. Não tema as aflições; ainda que venham, não virão entre você e o reino. Esse reino é certo e está próximo. Não tema perder nada que seja realmente bom, porque, se agradou ao Pai dar-lhe o reino, ele também levará consigo suas necessidades até lá.
Em seguida, Cristo lhes ordenou que assegurassem o bem de suas almas ajuntando tesouros no céu (Lucas 12:33-34). Quem faz isso pode permanecer calmo diante de todas as mudanças desta vida. Eles precisam apegar-se pouco a este mundo e a tudo o que possuem nele. “Vendei o que tendes e dai esmolas”, isto é, em vez de ficar sem meios para socorrer os que estão em necessidade real, vendam o que é supérfluo, tudo o que puderem poupar depois de suprir a si mesmos e suas famílias, e deem aos pobres. Vendam o que têm se isso atrapalhar o serviço a Cristo. Não pensem que estão arruinados se, por causa de multas, prisão ou exílio por amor a Jesus, forem obrigados a vender seus bens, ainda que sejam herança dos pais.
Não vendam apenas para acumular dinheiro, ou porque podem lucrar mais emprestando. Antes, vendam e deem esmolas, porque o que é dado com misericórdia, do modo certo, é aplicado ao melhor uso e colocado sob a melhor garantia. Eles também devem voltar seu coração para o mundo vindouro e colocar ali a sua esperança. Devem prover bolsas que não se envelhecem nem se esvaziam, não feitas de ouro, mas de graça no coração e boas obras na vida. Essas são as bolsas que permanecem.
A graça seguirá conosco para o mundo vindouro, porque está entrelaçada à própria alma. As boas obras também nos seguirão, pois Deus não é injusto para se esquecer delas. Esses são tesouros no céu que nos enriquecerão para sempre. Nunca se esgotarão, de modo que podemos “gastar” deles eternamente sem diminuí-los. Nenhum ladrão pode alcançá-los, porque o que é guardado no céu está fora do alcance dos inimigos. Não se estragam com o tempo, nem se desgastam com o uso. A traça não os consome, como consome as nossas roupas.
Sabemos que temos ajuntado tesouros no céu quando o nosso coração está lá, mesmo enquanto ainda estamos aqui (Lucas 12:34). Mostramos isso pensando muitas vezes no céu, mantendo nossos olhos voltados para lá, fortalecendo-nos com essa esperança e refreando-nos com o temor de perdê-lo. Mas se o nosso coração está preso à terra e às coisas dela, é provável que ali também esteja o nosso tesouro e a nossa porção, e que fiquemos perdidos quando tivermos de deixá-las.
Cristo também ordenou que estivessem prontos, e permanecessem prontos, para a sua vinda, quando todos os que ajuntaram tesouros no céu entrarão em sua plena fruição (Lucas 12:35 e seguintes). Cristo é o nosso Senhor, e nós somos seus servos, não apenas servos que trabalham, mas servos que esperam, servos que devem honrá-lo servindo-o e vigiando seus movimentos. “Se alguém me serve, siga-me.” Seguimos o Cordeiro para onde quer que ele vá. Mas não é só isso. Devemos honrá-lo também esperando por ele e aguardando o seu retorno. Devemos ser como pessoas que aguardam seu senhor, ficando acordadas até tarde, embora ele demore, prontas para recebê-lo.
Cristo, nosso Senhor, embora agora ausente de nós, voltará. Voltará do casamento, de celebrar a festa de núpcias fora de casa, para completá-la em casa. Seus servos estão agora em tempo de espera, olhando para a sua gloriosa manifestação e fazendo tudo com essa perspectiva. Ele virá examinar os seus servos, e esse será um dia solene. Naquele dia, cada um permanecerá com ele ou será lançado fora, conforme for encontrado. O tempo de sua volta é incerto. Será de noite, bem tarde da noite, depois de demorar bastante e muitos terem deixado de esperá-lo, na segunda vigília, pouco antes da meia-noite, ou na terceira, depois da meia-noite (Lucas 12:38). A sua vinda para cada um de nós, na morte, também é incerta e, para muitos, será uma grande surpresa, pois o Filho do Homem virá à hora em que não o pensais (Lucas 12:40), sem aviso prévio. Isso mostra não só que o tempo é incerto, mas também que a maioria está descuidada e não atenta às advertências que lhe são dadas. Assim, quando quer que ele venha, será em hora que não esperam.
O que Jesus espera de seus servos é que estejam prontos para abrir-lhe imediatamente, quando ele vier (Lucas 12:36). Isso quer dizer que devem estar na condição correta para recebê-lo, ou melhor, para serem recebidos por ele. Devem ser achados agindo como seus servos, na postura que lhes convém, com os lombos cingidos e as candeias acesas. Essa figura vem de servos prontos para ir aonde o senhor os enviar e fazer o que ele mandar, com as vestes presas à cintura para que não atrapalhem. As lâmpadas acesas também indicam prontidão para receber o senhor em casa e conduzi-lo ao seu aposento.
Felizes serão aqueles servos que forem encontrados prontos e em boa disposição de coração quando o Senhor vier (Lucas 12:37). Bem-aventurados os servos que continuam esperando pacientemente, mesmo depois de longa demora, e permanecem acordados ao primeiro sinal de sua aproximação, ao primeiro bater à porta. Bem-aventurados esses servos, porque esse será o tempo de sua recompensa e honra (Lucas 12:38). Trata-se de uma honra rara entre os homens: ele os fará assentar à mesa, e ele mesmo os servirá. É comum o noivo servir a noiva à mesa, mas não é costume entre os homens um senhor servir aos servos. No entanto, Jesus Cristo esteve entre os discípulos como aquele que serve, e certa vez, para mostrar seu humilde cuidado, cingiu-se e lhes lavou os pés (João 13:4–5). Isso aponta para a alegria com que os crentes serão recebidos no mundo vindouro pelo Senhor Jesus, que foi adiante para preparar-lhes lugar e que disse que seu Pai os honraria (João 12:26).
Somos impedidos de conhecer o tempo exato de sua vinda para que estejamos sempre preparados. Ninguém merece elogio por estar pronto para um ataque quando já sabe a hora em que ele ocorrerá. O dono de uma casa, se soubesse a que hora viria o ladrão, teria vigiado, ainda que fosse um homem descuidado, e teria impedido o ladrão (Lucas 12:39). Mas nós não sabemos quando soará o alarme, por isso devemos vigiar em todo tempo e nunca baixar a guarda. Isso também torna evidente a triste condição dos descuidados e incrédulos neste grande assunto. Se o dono de uma casa soubesse que um ladrão viria em determinada noite, ficaria acordado e salvaria sua casa; no entanto, fomos avisados de que o Senhor virá como ladrão de noite, trazendo vergonha e ruína sobre todos os que vivem em falsa paz, e mesmo assim não vigiamos. Se as pessoas são capazes de tanto cuidado para proteger suas casas, devemos ser ainda mais sensatos em relação às nossas almas. Portanto, estejamos também prontos, tão prontos quanto estaria um dono de casa se soubesse a que hora o ladrão viria.
Perspectivas da IA cristã
Em Lucas 12:22, Jesus fala com discípulos que conhecem bem o peso das preocupações simples e urgentes: comida na mesa, roupa no corpo, futuro incerto. Não se trata de uma bronca contra quem sente ansiedade, … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Em Lucas 12:22, Jesus fala com discípulos que conhecem bem o peso das preocupações simples e urgentes: comida na mesa, roupa no corpo, futuro incerto. Não se trata de uma bronca contra quem sente ansiedade, mas de um cuidado de quem enxerga o coração apertado por dentro. O verbo “não estejais apreensivos” ecoa mais como um colo que tenta afrouxar o nó do medo do que como uma ordem fria para “parar de se preocupar”. Essa palavra nasce no chão da vida, onde contas não fecham, portas parecem trancadas e o corpo carrega tensão. Jesus não promete que problemas somem, mas revela um Pai atento, que conhece necessidades concretas. É um chamado a lembrar que a vida vale mais que o que falta na dispensa ou no guarda-roupa. Quando a ansiedade inunda, este versículo sussurra que Deus não abandona no meio dos cálculos, da insônia, das preocupações com o amanhã. Um passo pequeno ainda é cuidado: respirar, lamentar diante de Deus, reconhecer o medo e, aos poucos, deixar o coração se apoiar em um cuidado maior do que qualquer incerteza.
Lucas 12:22 aparece logo após a parábola do rico insensato, que acumula bens e morre naquela mesma noite. O “portanto” conecta o ensino: em contraste com o personagem obcecado por reservas materiais, Jesus orienta os … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Lucas 12:22 aparece logo após a parábola do rico insensato, que acumula bens e morre naquela mesma noite. O “portanto” conecta o ensino: em contraste com o personagem obcecado por reservas materiais, Jesus orienta os discípulos a não viverem em estado de ansiedade em relação ao básico da sobrevivência: comida e roupa. A ênfase não é irresponsabilidade, mas prioridade. A vida, no texto, não é apenas “estar vivo”, mas a existência inteira diante de Deus. O corpo não é só biologia, mas a pessoa concreta, situada, chamada a confiar. A ordem contra a apreensão atinge uma preocupação que ocupa o coração, não o simples planejamento sensato. O contexto ajuda aqui: Jesus fala a discípulos que, ao segui-lo, podem enfrentar perda de segurança econômica. A providência de Deus, desenvolvida nos versículos seguintes (aves, lírios), fundamenta o chamado a uma confiança prática. Uma leitura cuidadosa sugere que a verdadeira ameaça não é a falta de recursos, mas a submissão do coração à lógica da escassez. O ensino desloca o eixo: em vez de a vida girar em torno da manutenção do corpo, o corpo e seus cuidados passam a estar a serviço do Reino e da confiança no Pai.
Em Lucas 12:22, Jesus fala com gente que conhecia de perto o peso da despensa vazia e da roupa gasta. A ordem para não ficar apreensivo não nasce de um otimismo ingênuo, mas de um … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Em Lucas 12:22, Jesus fala com gente que conhecia de perto o peso da despensa vazia e da roupa gasta. A ordem para não ficar apreensivo não nasce de um otimismo ingênuo, mas de um novo centro de confiança: a vida não é sustentada, em última instância, pelo esforço humano, mas pelo cuidado do Pai. A preocupação com comida e vestes representa todo o conjunto das ansiedades básicas: contas, trabalho, futuro dos filhos, aparência diante dos outros. Jesus não despreza essas necessidades; ele as recoloca na ordem certa. Primeiro o cuidado de Deus, depois o resto. Sabedoria também aparece na rotina: planejar, trabalhar, economizar, mas sem transformar essas coisas em senhores do coração. Esse versículo desloca o eixo da segurança: em vez de controle total sobre circunstâncias, confiança constante no caráter de Deus. Não é convite à irresponsabilidade, mas à liberdade interior no meio das responsabilidades. O ensino de Jesus chama a uma vida em que planejamento e esforço caminham de mãos dadas com descanso em Deus, rompendo o círculo vicioso da ansiedade que consome energia, rouba presença no hoje e não acrescenta um dia sequer à existência.
Em Lucas 12:22, Jesus toca uma raiz profunda da ansiedade humana: a tentativa de garantir a própria vida pelos meios visíveis. Quando ordena que não se esteja apreensivo com comida e vestes, não banaliza necessidades … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Em Lucas 12:22, Jesus toca uma raiz profunda da ansiedade humana: a tentativa de garantir a própria vida pelos meios visíveis. Quando ordena que não se esteja apreensivo com comida e vestes, não banaliza necessidades reais, mas desloca o centro da confiança: da própria capacidade para o cuidado do Pai. Nesse verso, a vida é apresentada como algo maior que sobrevivência e consumo. Há um chamado silencioso à libertação da tirania do “e se…?”, que ocupa a mente com cenários de falta e impede de perceber o que Deus já está sustentando agora. Fique um momento com essa pergunta: se o Pai conhece o corpo e o alimento, quanto mais conhece o propósito eterno de cada existência. A preocupação excessiva com o amanhã revela, muitas vezes, uma visão curta da história: enxerga-se apenas esta fase provisória, e não a eternidade que já começou em Cristo. A eternidade muda o peso do presente. Nesse versículo, a voz de Jesus conduz a um descanso ativo: trabalhar, planejar, cuidar das necessidades, mas sem que o medo se torne senhor. Por baixo do chamado a não andar ansioso, há um convite a viver como alguém já guardado nas mãos de Deus.
Aplicação para a restauração da saúde
Em Lucas 12:22, Jesus não minimiza a realidade das preocupações, mas confronta o estado de apreensão constante, semelhante ao que hoje é chamado de ansiedade antecipatória. A orientação para não viver apreensivo não significa “simplesmente parar de sentir”, e sim deslocar o foco do controle absoluto para a confiança em um cuidado maior. Em saúde mental, isso se aproxima de intervenções que trabalham regulação emocional e tolerância à incerteza.
Diante de ansiedade, depressão ou efeitos de trauma, essa passagem inspira a prática de pequenos passos de entrega: respirar de forma consciente, reconhecer pensamentos catastróficos e reestruturá-los, nomear emoções em vez de lutar contra elas. A fé aqui funciona como base segura, semelhante ao conceito de “figura de apego” na psicologia: a percepção de um Deus que sustenta necessidades básicas reduz a sensação de abandono interno.
A aplicação saudável desse texto evita culpar quem sofre. Em muitos casos, ansiedade e depressão exigem psicoterapia, suporte medicamentoso e rede de apoio. A confiança ensinada por Jesus pode caminhar junto com tratamento clínico, oferecendo sentido, alívio gradual da hiperpreocupação e um fundamento mais estável para lidar com os limites da própria existência.
Maus usos comuns a evitar
Um uso problemático de Lucas 12:22 ocorre quando a exortação a “não estar apreensivo” é usada para minimizar quadros de ansiedade, depressão ou transtornos alimentares, sugerindo que fé verdadeira eliminaria qualquer sofrimento psíquico. Também pode surgir a ideia de que planejar finanças, cuidados com o corpo ou buscar estabilidade material demonstraria falta de confiança em Deus, gerando culpa e descuido com necessidades básicas. A frase pode ser distorcida em forma de positividade tóxica, pressionando a silenciar emoções legítimas, perdas e medos concretos. Quando há insônia persistente, ataques de pânico, pensamentos suicidas, uso abusivo de substâncias ou prejuízo significativo em trabalho, estudo e relações, a interpretação responsável inclui a busca imediata de apoio profissional em saúde mental, sem substituí-lo por práticas exclusivamente espirituais.
Perguntas frequentes
Por que Lucas 12:22 é um versículo importante para os cristãos hoje?
Como posso aplicar Lucas 12:22 na minha vida diária?
Qual é o contexto de Lucas 12:22 na Bíblia?
O que Jesus quer dizer com ‘não estejais apreensivos’ em Lucas 12:22?
O que Lucas 12:22 nos ensina sobre ansiedade e fé em Deus?
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Deste capítulo
Lucas 12:1
"Ajuntando-se entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia."
Lucas 12:2
"Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido."
Lucas 12:3
"Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado."
Lucas 12:4
"E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer."
Lucas 12:5
"Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei."
Lucas 12:6
"Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum deles está esquecido diante de Deus."
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