Versículo em destaque
Lucas 11:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E estava ele expulsando um demônio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demônio, o mudo falou; e maravilhou-se a multidão. "
Lucas 11:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
13 Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?
14 E estava ele expulsando um demônio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demônio, o mudo falou; e maravilhou-se a multidão.
15 Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios.
16 E outros, tentando-o, pediam-lhe um sinal do céu.
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A essência destes versículos é a mesma que se encontra em Mateus 12:22 e seguintes. Aqui Cristo apresenta uma prova geral de que foi enviado por Deus, e o faz por meio de um sinal claro de seu poder sobre Satanás. Ao derrotar o diabo, ele mostrou o principal propósito de sua vinda ao mundo: destruir as obras do diabo. Esse milagre também deu uma amostra antecipada de como sua grande obra haveria de triunfar.
Cristo estava expulsando um demônio que tornara aquele homem mudo. Em Mateus é dito que o homem era cego e mudo. Quando o demônio foi obrigado a sair pela palavra de Cristo, o homem falou imediatamente. Sua fala restaurada respondeu à palavra de Cristo, e seus lábios, agora abertos, estavam prontos para louvar a Deus.
Alguns foram tocados por esse milagre. Admiraram‑se e reconheceram o poder de Deus, especialmente porque se manifestava por meio de alguém que lhes parecia tão comum. Não esperavam que a obra do Messias viesse por meio de alguém que tivesse tão pouca glória exterior, diferente das ideias que tinham formado.
Outros se escandalizaram. Para justificar sua incredulidade, afirmaram que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios, como diz (Lucas 11:15). Parece que, no reino do diabo, há governantes sobre outros espíritos, o que implica haver espíritos menores sujeitos a eles. Aqueles opositores queriam que o povo pensasse, ou pelo menos dissesse, que Cristo e o diabo haviam feito um acordo. No relato deles, o diabo perderia apenas em certos casos, conservando, porém, a vitória final.
Para sustentar essa acusação e resistir à evidência dos milagres de Cristo, pediram que lhes desse um sinal do céu (Lucas 11:16). Queriam algum sinal nas nuvens que comprovasse seu ensino, como o sinal no monte Sinai quando a lei foi dada. Como se um sinal vindo do céu não pudesse também ser imitado por um arranjo com o príncipe da potestade do ar, que opera com poder e sinais enganosos. De fato, um sinal desse tipo não prejudicaria os interesses de Satanás na medida em que este milagre os prejudicava. A incredulidade obstinada nunca fica sem desculpas, ainda que sejam fracas e tolas.
Cristo respondeu à objeção de forma plena e direta. Primeiro, mostrou que é impossível supor que Satanás, inimigo tão astuto, consentiria em ações que levassem diretamente à sua própria derrota e à ruína de seu reino (Lucas 11:17, 18). Eles não haviam dito isso em voz alta, mas Jesus conhecia seus pensamentos, embora tentassem escondê‑los. Ele lhes mostrou, na prática, que eles mesmos podiam ver o quanto era vazia e maldosa aquela acusação. Todos sabem que nenhum reino pode subsistir se estiver dividido contra si mesmo; o mesmo vale para uma casa ou família. Se um reino, casa ou família se divide contra si mesmo, não pode permanecer. Satanás estaria agindo contra si se estivesse ajudando a expulsar demônios, porque o próprio milagre, e ainda mais o ensino que o acompanhava, estava desfazendo o domínio que ele tinha sobre as pessoas, quebrando o poder do pecado e voltando‑as para Deus. Se Satanás estivesse assim dividido contra si, estaria preparando a própria queda. Nenhum inimigo tão cuidadoso em preservar seu poder escolheria esse caminho.
Em segundo lugar, Cristo mostrou quão injusta era a crítica deles. Condenavam nele o que elogiavam em outros de sua própria nação (Lucas 11:19). Em outras palavras, alguns de seu próprio povo, inclusive de seus seguidores entre os fariseus, afirmavam expulsar demônios em nome do Deus de Israel. No entanto, esses homens nunca foram acusados de fazer aliança infernal. É profunda hipocrisia condenar nos outros aquilo que desculpamos em pessoas que nos agradam.
Terceiro, ao resistirem à verdade desse milagre, na realidade estavam prejudicando a si mesmos e bloqueando o próprio caminho, porque estavam afastando de si o reino de Deus (Lucas 11:20). Cristo declarou, em essência: “Se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus.” O reino do Messias se oferecia a eles, com todas as suas bênçãos; se o rejeitassem, fariam isso por sua própria conta e risco. O Espírito é o braço poderoso do Senhor (Isaías 53:1). As maiores obras de Deus são realizadas por seu Espírito, mas chamá‑lo de dedo de Deus também ressalta quão facilmente Cristo podia derrotar Satanás. Ele não precisava estender todo o seu braço onipotente. Satanás, ainda que ruja como leão, pode ser esmagado com um simples toque de Deus. Isso também evoca as palavras dos magos de Faraó, quando tiveram de admitir: “Isto é o dedo de Deus” (Êxodo 8:19). Se o reino de Deus verdadeiramente chegara até eles, então seus insultos e mentiras apenas os colocavam em oposição a esse reino, que viria sobre eles com um poder irresistível.
Quarto, Cristo mostrou que sua expulsão de demônios era de fato a destruição do poder deles, porque sustentava um ensino que arruinava diretamente o reino de Satanás (Lucas 11:21, 22). Alguns poderiam ter expulsado demônios menores por um trato com Belzebu, o chefe deles, mas isso não feria de verdade o domínio de Satanás. O que ele perdia de um lado, ganhava de outro. O diabo e tais falsos exorcistas estavam, por assim dizer, representando uma cena combinada. Enquanto uma parte de seu exército se retirava, o restante permanecia firme, e seu poder sobre as pessoas não era enfraquecido. Mas quando Cristo expulsava demônios, não precisava de nenhum acordo com eles, porque era mais forte do que eles. Ele os expulsava pela força e o fazia de modo a quebrar o poder de Satanás e arruinar seu grande plano. O evangelho, com a graça que o acompanha, quebra o poder do pecado e coloca em fuga as principais forças de Satanás. Tira‑lhe a armadura e reparte seus despojos, coisa que nenhum demônio jamais fez a outro.
Isso se aplica às vitórias de Cristo sobre Satanás tanto no mundo como nos corações individuais, pelo poder que acompanhava e ainda acompanha a pregação do evangelho. A partir disso, vê‑se a condição miserável de quem ainda não foi transformado por Deus. Em um coração que deveria ser morada de Deus, o diabo estabelece o seu palácio. E todas as faculdades e dons da alma, por serem usados a serviço do pecado, tornam‑se posses dele.
Note‑se, em primeiro lugar, que o coração de todo pecador não convertido é o palácio do diabo. Ele habita ali e reina ali, pois opera nos filhos da desobediência. O coração foi planejado para ser uma habitação nobre, mas um coração não santificado, não separado para Deus, torna‑se palácio de Satanás. Sua vontade é obedecida, seus interesses são servidos e ele mantém ali seu exército. Ele ocupa o trono à força.
Em segundo lugar, o diabo, como um valente armado, guarda esse palácio. Faz tudo o que pode para retê‑lo e fortificá‑lo contra Cristo. Todo preconceito que endurece as pessoas contra a verdade e a santidade é como uma fortaleza que ele ergue para conservar seu palácio. Nesse sentido, a alma não convertida é sua guarnição.
Em terceiro lugar, há um certo tipo de paz na alma não convertida enquanto o diabo mantém esse controle. O pecador pensa bem de si mesmo, sente‑se seguro e muitas vezes alegre. Não tem dúvidas quanto ao bom estado de sua alma, nem teme o juízo que se aproxima. Lisonjeia seu próprio coração dizendo‑lhe “Paz”. Antes da vinda de Cristo, tudo estava em silêncio, porque tudo caminhava na mesma direção. Mas a pregação do evangelho perturbou a paz do palácio do diabo.
Isso mostra a mudança maravilhosa que ocorre na conversão, que é a vitória de Cristo sobre esse usurpador, que tomou uma autoridade que não lhe pertence. Satanás é um valente armado, mas nosso Senhor Jesus é mais forte do que ele, tanto como Deus quanto como Mediador, aquele que reconcilia Deus e os pecadores. Se falarmos de força, Cristo é forte, e mais são os que estão conosco do que os que estão contra nós.
Veja‑se como essa vitória acontece. Cristo vem de súbito contra Satanás, quando seus bens parecem estar em paz e ele imagina que tudo é seu para sempre. Então Cristo o vence. A conversão de uma alma a Deus é a vitória de Cristo sobre o diabo e sobre o poder dele naquela alma. Ela restaura a alma à liberdade e devolve a Cristo o governo que lhe é de direito.
Também podemos reconhecer os sinais dessa vitória. Primeiro, Cristo tira a armadura em que o diabo confiava. O diabo é um inimigo confiante, como Faraó que confiava na força de seus rios (Ezequiel 29:3). Mas Cristo o despoja de sua defesa. Quando o poder do pecado e da corrupção é quebrado, quando os erros são corrigidos, quando os olhos são abertos e o coração se torna humilde, transformado, sério e espiritual, então a armadura de Satanás é removida.
Segundo, Cristo reparte os despojos. Ele toma posse para si daquilo que foi conquistado. Todos os dons da mente e do corpo, juntamente com bens, posição e influência, que antes eram usados no pecado e a serviço de Satanás, agora são colocados a serviço de Cristo. E não é só isso: ele também compartilha a vitória com seus seguidores, e todos os crentes participam de seus benefícios.
A partir desse milagre, Cristo mostra que seu ensino e seus sinais tinham como alvo quebrar o poder do diabo, esse grande inimigo da humanidade. Por isso, é dever de todos unir-se a ele, seguir sua orientação, receber o seu evangelho e entrar de fato em seus interesses. Caso contrário, a pessoa é, com justiça, contada como aliada do inimigo (Lucas 11:23): “Quem não é comigo é contra mim”. Aqueles que rejeitavam o ensino de Cristo e desprezavam seus milagres eram tratados como inimigos de Cristo e aliados do diabo.
Há também grande diferença entre o diabo sair por vontade própria e ser expulso à força. Daqueles de quem Cristo o expulsou, ele nunca voltou, porque assim Cristo ordenou (Marcos 9:25). Mas, se saísse apenas quando quisesse, voltaria quando lhe agradasse, pois esse é o modo de agir do espírito imundo em (Lucas 11:24-26). O príncipe dos demônios pode até mandar suas forças recuarem por um tempo, ou simular uma retirada, para armar uma armadilha para a pobre alma enganada. Mas Cristo dá ao inimigo uma derrota total, e uma derrota final.
Nessa parte do argumento, Cristo também descreve pessoas que receberam claras ofertas da graça, nas quais Deus começou a quebrar o poder do diabo e a derrubar seu reino, mas que rejeitam o conselho de Deus e voltam a ficar sob o domínio de Satanás. Vemos aqui a condição do hipócrita formal, seu lado “claro” e seu lado escuro. O coração dele continua sendo casa do diabo. O maligno ainda o chama de seu, e mantém ali o seu interesse. E, no entanto, o espírito imundo saiu. Ele não foi expulso pela graça conversora, esse poder salvador que realmente transforma a pessoa. Não houve ali uma forte obra do céu. Ele apenas se retirou por um tempo, de modo que o homem pareceu não estar mais sob o domínio de Satanás como antes, nem tão perseguido pela tentação.
A casa foi varrida dos pecados comuns por uma confissão forçada, como a de Faraó, por um falso pesar pelo pecado, como o de Acabe, e por uma reforma parcial, como a de Herodes. Alguns escapam dos pecados exteriores do mundo e continuam debaixo do poder do deus deste século (2 Pedro 2:20). A casa é varrida, mas não é lavada. Cristo disse: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo”. A casa precisa ser lavada, ou não é dele. Varrer só remove a sujeira solta. Deixa intacto o pecado que mais se apega ao pecador, o pecado favorito. Pode ser limpa da imundície que todos veem, mas não é examinada quanto à imundície secreta (Mateus 23:25). Ela é varrida, mas a doença continua na parede e ficará ali até que algo mais profundo seja feito.
A casa também é adornada com dons comuns e graças exteriores. Não é cheia de graça verdadeira, mas enfeitada com aparência de graça. Simão, o mago, tinha aparência de fé; Balaão teve bons desejos; Herodes demonstrava respeito por João; e os fariseus tinham muitos atos religiosos externos. A casa é ornamentada, mas é como um caco de barro recoberto de escória de prata: tudo tinta e verniz, sem realidade e sem firmeza. A casa é decorada, mas a propriedade não mudou. Nunca foi entregue a Cristo, e o Espírito nunca habitou ali. Por isso, é preciso cuidado para não descansar em algo que alguém pode ter e, ainda assim, ficar aquém.
Aqui também está a condição do apóstata final, aquele que, ao fim, cai, e em quem o diabo volta a entrar depois de ter saído. Então ele vai e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele (Lucas 11:26). O número sete indica um conjunto completo, não apenas uma contagem fixa, como quando se diz que sete demônios foram expulsos de Maria Madalena. Esses sete espíritos malignos se opõem aos sete espíritos de Deus (Apocalipse 3:1). Eles são ditos piores do que o primeiro. Parece que nem todos os demônios são igualmente maus. Talvez seus graus de maldade agora correspondam aos graus de santidade que um dia tiveram, quando estavam firmes, antes da queda.
Quando o diabo quer causar o maior dano, ele usa aqueles que são ainda mais danosos do que ele. Esses espíritos entram sem dificuldade ou resistência. São bem recebidos, ali habitam, ali agem e ali reinam. Então o último estado desse homem se torna pior do que o primeiro. A hipocrisia é o principal caminho para a apostasia. Se o coração continua pertencendo ao pecado e a Satanás, aparências exteriores e sombras vazias não terão valor algum. Quem não ajusta o coração diante de Deus não permanecerá firme por muito tempo.
Quando pecados secretos são mantidos vivos sob uma profissão visível de religião, a consciência se corrompe. Deus então é provocado a retirar sua graça restritiva, aquele auxílio gracioso que impede as pessoas de irem mais longe no pecado. Com o tempo, o hipócrita oculto frequentemente se torna um apóstata declarado, alguém que abandona a fé.
O último estado de tal pessoa é pior do que o primeiro, tanto em pecado quanto em castigo. Apóstatas costumam ser dos piores entre os homens, porque se tornam vazios, imprudentes, ousados no mal e endurecidos contra qualquer convicção. A consciência deles fica cauterizada, já não sente a dor aguda da culpa como deveria, e seus pecados se tornam mais graves do que os dos outros.
Deus muitas vezes manifesta seu desagrado contra eles ainda neste mundo, e no mundo futuro eles enfrentarão maior condenação. Portanto, que se ouça, se tema e se mantenha firme a integridade.
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Deste capítulo
Lucas 11:1
"E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos."
Lucas 11:2
"E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu."
Lucas 11:3
"Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano;"
Lucas 11:4
"E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve, e não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal."
Lucas 11:5
"Disse-lhes também: Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,"
Lucas 11:6
"Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe;"
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