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Lamentações 2:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Como cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião! Derrubou do céu à terra a glória de Israel, e não se lembrou do escabelo de seus pés, no dia da sua ira. "

Lamentações 2:1

menu_book Versículo no contexto

1 Como cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião! Derrubou do céu à terra a glória de Israel, e não se lembrou do escabelo de seus pés, no dia da sua ira.

2 Devorou o Senhor todas as moradas de Jacó, e não se apiedou; derrubou no seu furor as fortalezas da filha de Judá, e abateu-as até à terra; profanou o reino e os seus príncipes.

3 No furor da sua ira cortou toda a força de Israel; retirou para trás a sua destra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que consome em redor.

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auto_stories Comentário Bible Guided

É um quadro muito triste da situação da igreja de Deus, de Jacó e Israel, de Sião e Jerusalém. Mas o peso desses versículos recai sobre a mão de Deus nas aflições que eles estavam sofrendo. A dor principal não é apenas que essas coisas aconteceram, mas que foi Deus quem as fez. Ele parece estar irado contra eles. É ele quem os disciplina, e o faz em ira e grande indignação. Ele se tornou como inimigo e peleja contra eles, e essa é a parte mais amarga de seu sofrimento.

Houve um tempo em que Deus se comprazia em sua igreja e se mostrava seu amigo. Ele se manifestava em favor dela e era claramente por ela. Mas agora o seu desagrado está contra ela. Ele está irado e parece agir como inimigo. Esse pensamento é repetido aqui várias vezes e é chorado profundamente. O que ele fez, fez em ira. É isso que torna este dia tão tenebroso: é o dia da sua ira (Lam 2:1), de novo é na sua ira (Lam 2:2), e na sua acesa ira (Lam 2:3) que ele derrubou e cortou, e no furor da sua ira (Lam 2:6). Para quem conhece o quanto o favor de Deus é precioso, nada é mais aterrador do que a sua ira. A correção amorosa é mais fácil de suportar, mas a repreensão amorosa pode ferir profundamente.

É a ira de Deus que queima contra Jacó como fogo abrasador (Lam 2:3), e é um fogo que destrói. Consome tudo ao redor, todas as suas honras e todos os seus consolos. Este é o furor derramado como fogo (Lam 2:4), como o fogo e enxofre que caíram sobre Sodoma e Gomorra. Mas foi o pecado deles que acendeu esse fogo. Deus é um Pai tão terno para com seus filhos que podemos ter certeza de que ele nunca se ira com eles sem que antes o provoquem e lhe deem motivo. E nunca se ira além do que é justo.

A aliança de Deus com seu povo dizia que, se eles obedecessem à sua voz, ele seria inimigo dos seus inimigos (Êxodo 23:22). Ele agiu assim em favor deles enquanto permaneceram perto dele. Mas agora ele é inimigo deles, ou pelo menos age como se fosse (Lam 2:5). Ele armou o seu arco como inimigo (Lam 2:4). Pôs-se com a destra estendida contra eles, com uma espada na mão, como adversário. Contudo, Deus não é de fato inimigo do seu povo, mesmo quando está irado e o corrige em ira. Podemos ficar profundamente desgostosos com nossos amigos mais chegados e familiares, sem nutrir ódio real contra eles. Ainda assim, às vezes ele parece inimigo do seu povo, quando todos os seus tratos para com eles parecem caminhar para a ruína, quando tudo parece estar contra eles e nada a favor. Porém, bendito seja Deus, Cristo é a nossa paz, o nosso pacificador, que desfez a inimizade. Nele podemos acertar as contas com aquele que nos é contrário, e é sábio fazê-lo, pois é inútil lutar contra ele. Ele nos oferece condições favoráveis de paz.

Houve também um tempo em que a igreja de Deus aparecia brilhante, honrada e respeitada entre as nações. Mas agora o Senhor cobriu a filha de Sião com uma nuvem (Lam 2:1), uma nuvem escura, terrível de se ver, que esconde o seu rosto dela. A palavra aponta para uma nuvem espessa e negra, que obscurece toda a sua glória e oculta sua formosura. Não é como a nuvem que os guiou pelo deserto, nem como a nuvem que encheu o templo quando Deus o tomou posse com a sua glória. Não, a nuvem agora voltada contra eles é o mesmo lado da nuvem que, no mar Vermelho, se voltou contra os egípcios.

A glória de Israel foi derrubada do céu à terra. Seus príncipes (2 Samuel 1:19), o culto, a beleza da santidade, tudo o que os tornava admirados pelos vizinhos e agradáveis de se ver, tudo o que os tinha elevado tão alto, secou e se foi, porque Deus o cobriu com uma nuvem. Ele cortou todo o “chifre” de Israel (Lam 2:3), isto é, toda a sua beleza e majestade (Salmo 132:17), toda a sua abundância e força, todo o seu poder e autoridade. Em seu orgulho, haviam erguido o chifre contra Deus, e agora Deus, com justiça, o corta. Ele os tornou incapazes de resistir aos inimigos. Recuou a sua destra, de modo que não podem desferir o golpe que intentavam, nem aparar o golpe que lhes é desferido. Que poderá fazer a destra deles contra o inimigo, se Deus a recolhe e a mirra, como fez com a mão de Jeroboão? Assim a glória de Israel foi lançada por terra, quando um povo conhecido pela coragem não pôde manter sua posição nem firmar o pé.

Houve também um tempo em que Jerusalém e as cidades de Judá eram fortes e bem fortificadas. O povo confiava nelas, e os inimigos as deixavam em paz, como se fossem impossíveis de conquistar. Mas agora o Senhor as tragou na sua ira. Desapareceram. Suas fortalezas e barreiras foram removidas, e os invasores não encontram resistência. Os grandes edifícios que eram sua força e formosura foram derrubados e devastados.

O Senhor tragou todas as moradas de Jacó na sua ira (Lam 2:2), tanto as casas da cidade quanto as casas do campo. Foram queimadas ou destruídas de modo tão completo que parecem ter sido engolidas, sem deixar vestígio. Ele tragou e não se compadeceu. Poder-se-ia achar razoável ter pena de casas tão bem construídas e bem mobiliadas, e compaixão dos pobres moradores expulsos e forçados a vaguear. Mas a compaixão habitual de Deus pareceu recolher-se. Ele tragou Israel como o leão traga a presa (Lam 2:5).

Ele tragou não apenas as casas comuns, mas também os palácios, todos os seus palácios, as moradas de seus príncipes e grandes homens (Lam 2:5). Eram os prédios mais imponentes, fortes, ricos e bem guardados. Quando os juízos de Deus vêm com a sua autoridade, nivelam palácios e cabanas com a mesma facilidade. Se palácios se mancham com o pecado, como os deles, devem esperar uma maldição que os consuma, juntamente com sua madeira e suas pedras (Zacarias 5:4).

Ele destruiu não só suas casas, mas também suas fortalezas, seus castelos, cidadelas e lugares de defesa. Derrubou-os na sua ira e lançou-os por terra, pois como poderiam resistir aos seus juízos ou retardar seu avanço? Não, que caiam como folhas de outono. Que sejam derrubados até os alicerces e lançados à terra (Lam 2:2). De novo, ele destruiu as suas fortalezas (Lam 2:5), pois que força poderiam ter diante de Deus? Assim aumentou o pranto e o choro na filha de Judá, porque não podiam deixar de se aterrorizar ao ver toda a sua defesa retirada.

Esse ponto é reforçado em Lamentações 2:7‑9. Para tragar seus palácios, ele entregou os muros de seus palácios ao inimigo. Aqueles muros eram sua proteção, e, uma vez derrubados, os próprios palácios logo foram arruinados.

Os muros dos palácios não podem proteger ninguém se o próprio Deus não for muro de fogo ao redor. Na sua ira, Deus trouxe essa ruína, mas o fez de propósito. Veio de um plano estabelecido e de uma providência sábia, pois o Senhor havia decidido destruir o muro da filha de Sião e trouxe o exército caldeu para executar esse juízo.

Qualquer ruína que Deus traga sobre a sua igreja vem de acordo com o seu próprio conselho. Ele faz o que nos está determinado, mesmo quando parece mais contrário a nós. Ainda assim, quando age, ele mede exatamente a obra. Estende um cordel, uma linha de medir, de modo que a destruição vá apenas até onde ele marcou. Não se corta nada além do que ele escolheu. Ou a linha pode ser uma “linha de confusão”, uma linha de nivelamento (Isaías 34:11). Nesse caso, a ideia é que ele prossegue na obra e não recolhe a mão de destruir, a mesma mão que estendeu contra o seu povo como inimigo (Lamentações 2:4). Até onde seu propósito alcança, sua ação alcançará também, e sua mão cumprirá plenamente o seu plano.

Assim ele fez com que o antemuro e o muro, em que o povo antes se alegrava, lamentassem. Os muros e baluartes caíram juntos e pareciam chorar a própria queda. Suas portas desapareceram num instante, como se tivessem afundado na terra sob o próprio peso. Ele destruiu e quebrou os ferrolhos, aquelas portas de Jerusalém que ele antes havia fortalecido (Salmo 147:13). Portas e ferrolhos não podem dar socorro algum quando Deus retirou a sua proteção.

Houve um tempo em que o governo de Judá era forte, seus príncipes eram honrados e seu reino se destacava entre as nações. Agora tudo foi invertido. Deus contaminou o reino e seus príncipes (Lamentações 2:2). Primeiro eles se contaminaram a si mesmos com a idolatria, e depois Deus os tratou como coisas impuras. Ele os lançou fora como lixo, que era o lugar certo para eles. Entregou a sua glória, a honra que o povo considerava sagrada, para ser pisada e envergonhada. Ninguém deveria se espantar que o rei e o sacerdote, antes tidos como intocáveis, sejam agora desprezados por todos, quando o próprio Deus, em sua ardente ira, desprezou o rei e o sacerdote (Lamentações 2:6). Ele os abandonou e os julgou indignos das honras ligadas à realeza e ao sacerdócio, pois haviam perdido o direito a ambas. Assim Zedequias, rei de Judá, foi tratado com desprezo, e Seraías, o sumo sacerdote, foi morto como um criminoso. A coroa caiu da cabeça deles, pois seu rei e seus príncipes agora estão espalhados entre as nações, prisioneiros no meio delas, zombados e tratados como a mais baixa das gentes (Lamentações 2:9). É justo que Deus humilhe aqueles que já se rebaixaram a si mesmos pelo pecado.

Também houve um tempo em que as ordenanças de Deus eram cumpridas entre eles com poder e pureza, e sua presença no meio do povo era manifestada por sinais sagrados. Agora esses sinais foram tirados, e uma parte da formosura de Israel se foi – na verdade, a melhor parte. A arca era o estrado dos pés de Deus, debaixo do propiciatório, entre os querubins. Era o sinal mais santo de sua presença, e Israel muitas vezes olhava para ela em busca de proteção e livramento. Mas agora ele não se lembrou de seu estrado. Parece que a própria arca foi entregue nas mãos dos caldeus. Na sua ira, Deus a rejeitou, como se já não fosse mais o seu escabelo, pois a terra inteira é que deve ser o seu trono e estrado dos pés, como já era antes que a arca fosse feita (Isaías 66:1). Os sinais da sua presença significam muito pouco quando a própria presença se retira. E não foi a primeira vez que Deus permitiu que sua arca fosse levada cativa (Salmo 78:61). Deus e o seu reino permanecem firmes sem aquele estrado.

Os que serviam nas coisas sagradas já foram, um dia, belos de se ver no tabernáculo da filha de Sião (Lamentações 2:4). Eram puros e resplandecentes, mais brancos do que a neve, mais alvos do que o leite (Lamentações 4:7). Quem amava a Deus não podia contemplá-los sem alegria. Mas agora foram mortos, e o sangue deles se misturou com seus sacrifícios. Assim o sacerdote foi desprezado junto com o rei. Quando aqueles que eram tão queridos no tabernáculo de Sião são mortos, é preciso reconhecer a mão de Deus nisso. Foi ele quem o fez, e o fogo que o próprio Senhor acendeu deve ser chorado por toda a casa de Israel, como no caso de Nadabe e Abiú (Levítico 10:6).

O templo era o tabernáculo de Deus, assim como o antigo tabernáculo também fora chamado de seu templo enquanto esteve de pé (Salmo 27:4). Agora ele o arrancou com violência (Lamentações 2:6). Arrancou suas estacas e cortou suas cordas. Não será mais um tabernáculo, muito menos o tabernáculo dele. Deus o removeu como o jardineiro desmonta uma cabana ou um abrigo quando já não precisa mais dele. Ele pode tirá-lo com a mesma facilidade e rapidez com que se retira uma choupana numa vinha ou um rancho numa plantação de pepinos (Isaías 1:8), ou como um abrigo provisório levantado no campo (Jó 27:18). Quando as pessoas profanam o tabernáculo de Deus, é justo que ele lhes tire esse tabernáculo. Ele, com justiça, recusou aceitar suas assembleias solenes (Amós 5:21). Eles o haviam expulsado, e não é de admirar que agora ele destrua os lugares onde se reuniam. De que serviriam esses lugares, uma vez que o próprio culto havia se tornado odioso?

Agora ele rejeitou o seu santuário (Lamentações 2:7). Estava contaminado pelo pecado, a única coisa que ele realmente odeia, e por causa disso ele passa a detestar até o seu próprio santuário, que antes amara e chamara de lugar de seu descanso para sempre (Salmo 132:14). Já tinha feito o mesmo com Siló. Agora os inimigos fazem tanto barulho de festa profana e blasfêmia na casa do Senhor quanto antes ali se fazia com cânticos e música do templo numa festa solene (Salmo 74:4). Alguns entendem os “lugares de assembleia” (Lamentações 2:6) não só como o templo, mas também as sinagogas e as escolas dos profetas, que o inimigo queimou (Salmo 74:8).

As festas solenes e os sábados eram antes cuidadosamente guardados na memória, e o povo era regularmente lembrado deles. Agora o Senhor fez com que fossem esquecidos, não só no interior, entre os que estavam longe, mas até mesmo em Sião. Não havia mais pessoas para se lembrarem deles, nem lugares onde tinham sido observados. Como Sião jazia em ruínas, já não se podia distinguir os dias de sábado dos demais dias. Cada dia se tornou dia de luto, e assim todas as festas solenes caíram no esquecimento.

É justo que Deus tire o consolo dos sábados e das festas sagradas de um povo que não os valorizava nem os guardava com cuidado, mas os tratava com desrespeito. Esse era um dos pecados pelos quais os judeus eram frequentemente acusados. Aqueles que viram os dias do Filho do Homem e os trataram com leveza podem depois desejar ver apenas um desses dias e não lhes será permitido (Lucas 17:22).

O altar que antes tornava aceitáveis suas ofertas agora é rejeitado, porque Deus já não quer aceitar seus dons nem honrar seus sacrifícios (Lamentações 2:7). O altar era como a mesa do Senhor, mas Deus não continuaria a habitar entre eles. Ele não os abençoaria mais com sua presença, nem teria comunhão com eles.

Eles haviam sido agraciados com profetas e mestres da lei, mas agora a lei lhes foi tirada (Lamentações 2:9). Já não é lida entre o povo nem explicada pelos escribas. As tábuas da lei se foram com a arca, e o livro da lei foi retirado e proibido ao povo. De que adiantaria possuir Bíblias, se não se fez melhor uso delas quando se teve essa oportunidade?

Seus profetas também já não recebem visão alguma do Senhor. Deus não lhes responde mais por meio de profetas nem por sonhos, situação triste semelhante à do rei Saul (1 Samuel 28:15). Eles haviam perseguido os profetas de Deus e desprezado as visões que vinham do Senhor. Por isso é justo que Deus diga que não terão mais profetas nem visões. Que recorram, então, aos profetas que os bajulavam e enganavam com seus próprios pensamentos, pois não terão nenhum enviado por Deus para consolá-los ou dizer-lhes até quando durará esse juízo. Os que abusam dos profetas de Deus, com justiça, acabam privados deles.

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