Versículo em destaque
Juízes 6:25 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E aconteceu naquela mesma noite, que o Senhor lhe disse: Toma o boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derruba o altar de Baal, que é de teu pai; e corta o bosque que está ao pé dele. "
Juízes 6:25
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
23 Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo; não temas; não morrerás.
24 Então Gideão edificou ali um altar ao SENHOR, e chamou-lhe: O SENHOR É PAZ; e ainda até o dia de hoje está em Ofra dos abiezritas.
25 E aconteceu naquela mesma noite, que o Senhor lhe disse: Toma o boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derruba o altar de Baal, que é de teu pai; e corta o bosque que está ao pé dele.
26 E edifica ao Senhor teu Deus um altar no cume deste lugar forte, num lugar conveniente; e toma o segundo boi, e o oferecerás em holocausto com a lenha que cortares do bosque.
27 Então Gideão tomou dez homens dentre os seus servos, e fez como o Senhor lhe dissera; e sucedeu que, temendo ele a casa de seu pai, e os homens daquela cidade, não o fez de dia, mas fê-lo de noite.
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Aqui, Deus dá a Gideão instruções para começar o seu governo reformando primeiro a casa de seu pai (Juízes 6:25, Juízes 6:26). Depois que o Anjo lhe apareceu, Deus falou de novo, naquela mesma noite, em sonho. Isso mostra que, quando as visitas de Deus são recebidas com gratidão, Ele costuma voltar com mais graça. Quando Deus é bem‑vindo, Ele vem outra vez.
Gideão é orientado, primeiro, a derrubar o altar de Baal, que parece pertencer a seu pai, seja para uso da própria família, seja para toda a cidade. Isso mostra tanto o poder da graça de Deus, que pode suscitar um reformador dentro de uma família idólatra, quanto a bondade de Deus, que pode levantar um libertador de uma linhagem assim. Gideão não devia apenas deixar de adorar ali, se é que alguma vez o fizera; ele devia destruir o altar completamente, porque Deus primeiro remove os sinais do falso culto e depois chama ao seu próprio serviço.
Ele também devia cortar o bosque ao lado, provavelmente um conjunto de árvores novas que tornava o lugar atraente. Alguns, como o bispo Patrick, entendem que “bosque” pode se referir também a uma imagem de ídolo ali, possivelmente uma imagem de Astarote, já que a palavra usada é aparentada com esse nome. Depois disso, Gideão devia edificar um altar ao Senhor, seu Deus, provavelmente com alguma inscrição que indicasse ser para o Senhor, Deus de Gideão, ou Deus de Israel. Em circunstâncias normais, não seria apropriado que ele construísse um altar para sacrifícios, pois isso poderia parecer desonrar o altar que estava em Siló; mas Deus, que não está preso às suas próprias leis da mesma forma que nós estamos, mandou que assim fosse, nesse caso.
Deus indica a Gideão exatamente onde levantar o altar: sobre a rocha, provavelmente o mesmo lugar onde o Anjo lhe aparecera, perto do altar que ele já havia feito. Ele não devia fazê‑lo de qualquer maneira, mas com ordem e cuidado, como convém a um ato santo. A rocha talvez fosse um ponto fortificado, que o povo considerava um refúgio contra os midianitas. Se assim fosse, na verdade não oferecia proteção alguma enquanto o altar de Baal permanecesse ao lado, mas tornou‑se realmente forte quando um altar ao Senhor foi erguido ali. Esse é o melhor tipo de defesa para tudo aquilo que se estima.
Sobre esse altar, Gideão devia oferecer sacrifício. Ele devia tomar dois bois: o boi novo de seu pai e o segundo boi, de sete anos. O primeiro podia ser por ele mesmo, e o segundo, pelos pecados do povo que ele iria livrar. Era necessário fazer paz com Deus antes de entrar em guerra contra Midiã. Enquanto o pecado não é perdoado por meio do grande sacrifício, não se pode esperar bom êxito. Esses bois provavelmente estavam destinados a sacrifícios no altar de Baal, mas agora seriam empregados para um uso muito melhor. Quando o valente é vencido e despojado de seus bens, o mais forte toma o despojo.
O bosque de Baal, a imagem ou o que quer que desse àquele altar sua aparência de beleza ou santidade, não só devia ser queimado, mas servir de lenha para o altar de Deus. Isso mostrava que tudo o que se levanta contra Deus será destruído e que a justiça de Deus será honrada nessa destruição. Deus mandou que Gideão fizesse isso para provar o seu zelo pela verdadeira religião antes que ele fosse para a batalha, pois era preciso demonstrar devoção antes de demonstrar coragem. Era também o primeiro passo para a reforma de Israel, que devia anteceder a libertação. A causa, o pecado, precisava ser removida, se o problema, que era apenas o resultado, havia de cessar. E o exemplo de Gideão, um homem que em breve se tornaria grande, poderia levar outros, nas cidades e tribos, a fazer o mesmo.
Gideão obedeceu à visão celestial (Juízes 6:27). Aquele que iria governar Israel precisava primeiro submeter‑se ao Deus de Israel, sem discutir. E, como figura de Cristo, ele devia salvar seu povo dos pecados antes de salvá‑lo dos inimigos. Ele tinha servos em quem confiava, e podemos supor que também fossem fiéis a Deus e não tivessem se curvado a Baal, por isso se dispuseram a ajudá‑lo a destruir o altar. Gideão não hesitou em tomar o boi de seu pai e oferecê‑lo a Deus sem o consentimento dele, porque Deus havia ordenado isso e tinha melhor direito ao animal do que seu pai. Na verdade, foi o maior bem que ele poderia fazer a seu pai, pois o livraria do pecado.
Gideão sabia que isso provocaria a ira da casa de seu pai e dos seus vizinhos, mas fez assim mesmo. Ele se lembrou do elogio dado a Levi, que, pela causa de Deus, não poupou nem pai nem mãe (Deuteronômio 33:9). Estando certo do favor de Deus, não temeu a ira dos homens. Aquele que lhe mandara fazer aquilo o sustentaria. Ainda assim, embora não temesse a hostilidade depois do ato, prudentemente o fez de noite, para evitar resistência enquanto trabalhava. Alguns entendem que foi na própria noite em que Deus lhe falou, de modo que ele começou logo em seguida e terminou antes do amanhecer.
Logo ele correu risco de perder a vida por aquilo que havia feito (Juízes 6:28-30). Primeiro, o fato foi descoberto rapidamente. Gideão não tentou escondê‑lo, e, de qualquer forma, não poderia ser ocultado, pois os homens da cidade se levantaram de madrugada, ao que tudo indica, para orar junto ao altar de Baal e começar o dia com o seu deus. Que vergonha para aqueles que dizem ter o verdadeiro Deus, mas não elevam o coração a Ele de manhã. Em seguida, logo se soube quem tinha feito aquilo. Fizeram uma investigação cuidadosa, e Gideão já era conhecido como alguém contrário ao culto a Baal, então a suspeita recaiu imediatamente sobre ele. O povo teve certeza: “Gideão fez isto”.
Gideão foi considerado culpado, e esses israelitas haviam caído tão fundo no pecado que acharam que ele devia morrer por isso. Chegaram a exigir que o próprio pai dele, que tinha colaborado com a idolatria e lhes dera motivo para pensar que concordaria, o entregasse: “Tira para fora teu filho, para que morra”. Céus, espantai‑vos, e estremeça a terra diante disso. A lei de Deus determinava a morte dos adoradores de Baal, mas esses homens perversos inverteram cruelmente a pena contra os adoradores do Deus de Israel. Que amor desenfreado tinham por seus ídolos! Não bastava dar a Baal o melhor dos seus bois, queriam ainda que o mais forte jovem da cidade morresse como sacrifício àquele imundo falso deus, supostamente irado.
Como os idólatras se tornam depressa perseguidores. Gideão é livrado de seus inimigos pelo próprio pai, em Juízes 6:31. Alguns se colocaram contra Gideão, e não apenas fizeram uma exigência inicial, mas insistiram e queriam vê‑lo morto. Embora já estivessem sob pesados juízos por causa da idolatria, ainda assim odiavam a correção e agiam contra Deus mesmo enquanto Ele agia contra eles. Então Joás se levantou em defesa de Gideão. Ele era um dos principais da cidade. Pessoas em posição de autoridade podem fazer muito para proteger um homem honesto e uma causa justa, e, quando usam bem esse poder, servem a Deus para o bem.
Joás, que antes sustentara o altar de Baal, agora protege aquele que o havia destruído. Pode ter agido por amor natural ao filho e, talvez, também por respeitar Gideão como um jovem corajoso e digno, ainda que ele tivesse se recusado a participar do culto a Baal. Muitos não têm coragem de permanecer fiéis, mas ainda conservam consciência suficiente para admirar quem permanece. Se Joás ainda sentia algum afeto por Baal, sentia maior afeto pelo filho. Ou talvez tenha agido para manter a paz. A multidão estava se tornando violenta, e ele temeu que piorasse. Assim, pode ter se adiantado para conter o tumulto, como se dissesse: “Deixem isso para os juízes. Não cabe a vocês sentenciar ninguém”. Quem trouxer essa acusação é que deveria morrer, não como idólatra, mas como perturbador da ordem e fomentador de rebelião. Paulo, o apóstolo, foi livrado em Éfeso de modo semelhante, de homens tão zelosos por Diana, a falsa deusa, quanto estes o eram por Baal (Atos 19:40). Ou talvez Joás estivesse convencido de que Gideão agira corretamente. Pode ser que o filho tivesse argumentado com ele, ou que Deus, que tem em suas mãos todos os corações, o tivesse inclinado, silenciosamente, a se opor aos defensores de Baal, embora ele próprio já tivesse participado desse culto.
Isso é uma boa lição. Devemos tomar partido por Deus quando o dever assim exige, ainda que poucos ou ninguém estejam ao nosso lado, porque Deus pode inclinar o coração de pessoas de quem jamais esperaríamos ajuda. Cumpramos o nosso dever e confiemos a Deus a nossa segurança.
Joás então dá duas respostas. Primeiro, mostra que é loucura eles defenderem Baal. “Vocês, israelitas, adoram o único Deus vivo e verdadeiro. Por que estão defendendo Baal, um deus falso? Como podem ser tão insensatos? Gente cujos pais sempre adoraram Baal e que nunca aprenderam outra coisa é mais desculpável do que vocês. Vocês estão em aliança com o Senhor, Jeová, e foram ensinados a conhecê‑lo. Já sofreram tanto por causa da adoração a Baal e trouxeram todos esses males sobre si mesmos por causa disso. Vão ainda pleitear por Baal?” É ruim o bastante cometer o pecado, mas é muito pior defendê‑lo, especialmente defender Baal, ou qualquer ídolo que ocupe no coração o lugar que pertence somente a Deus.
Em segundo lugar, era desnecessário que eles defendessem Baal. Se Baal não era um deus, como afirmavam, então não havia nada que pudessem dizer em favor dele. Se ele fosse de fato um deus, poderia defender a si mesmo, assim como o Deus de Israel tantas vezes fizera, enviando fogo do céu ou outros juízos contra os que o desonravam. Era um desafio justo a Baal, para que fizesse bem ou mal, e o resultado mostrou quão insensatos eram seus adoradores por orar a alguém que nem sequer podia vingar a própria honra. Depois disso, Gideão prosperou muito, e isso mostrou claramente quão impotente era Baal para defender a sua própria causa.
Então o pai de Gideão lhe deu um novo nome, em (Juízes 6:32). Chamou-o Jerubaal, que significa: “Que Baal contenda. Que ele contenda contra ele, se puder. Se Baal tem algo a dizer contra aquele que destruiu o seu altar, que o diga.” Esse nome tornou-se um desafio permanente a Baal: “Agora que Gideão está se armando contra os midianitas que adoram Baal, que Baal defenda seus adoradores, se puder.” Ao mesmo tempo, era uma honra para Gideão, porque ele havia lutado abertamente contra aquela grande falsa pretensão de poder e saíra vitorioso. Isso também encorajava seus soldados, pois combatiam sob a liderança de alguém que batalhava por Deus contra esse forte rival do trono divino. Alguns estudiosos conjecturam que a menção de Jerombalo, um sacerdote do deus Jao, nos escritos antigos de Sanchoniathon, possa se referir a esse Jerubaal. Ele também é chamado Jerubesete em (2 Samuel 11:21), onde o termo Baal, que significa “senhor”, é corretamente substituído por Besete, que significa “vergonha”.
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Deste capítulo
Juízes 6:1
"Porém os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR; e o SENHOR os deu nas mãos dos midianitas por sete anos."
Juízes 6:2
"E, prevalecendo a mão dos midianitas sobre Israel, fizeram os filhos de Israel para si, por causa dos midianitas, as covas que estão nos montes, as cavernas e as fortificações."
Juízes 6:3
"Porque sucedia que, semeando Israel, os midianitas e os amalequitas, e também os do oriente, contra ele subiam."
Juízes 6:4
"E punham-se contra ele em campo, e destruíam os frutos da terra, até chegarem a Gaza; e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos."
Juízes 6:5
"Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos, em grande multidão que não se podia contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra, para a destruir."
Juízes 6:6
"Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor."
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