Versículo em destaque
Juízes 12:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Então se convocaram os homens de Efraim, e passaram para o norte, e disseram a Jefté: Por que passaste a combater contra os filhos de Amom, e não nos chamaste para ir contigo? Queimaremos a fogo a tua casa contigo. "
Juízes 12:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Então se convocaram os homens de Efraim, e passaram para o norte, e disseram a Jefté: Por que passaste a combater contra os filhos de Amom, e não nos chamaste para ir contigo? Queimaremos a fogo a tua casa contigo.
2 E Jefté lhes disse: Eu e o meu povo tivemos grande contenda com os filhos de Amom; e chamei-vos, e não me livrastes da sua mão;
3 E, vendo eu que não me livráveis, arrisquei a minha vida, e passei contra os filhos de Amom, e o Senhor mos entregou nas mãos; por que, pois, subistes vós hoje, para combater contra mim?
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Aqui vemos, em primeiro lugar, a ira injusta dos homens de Efraim contra Jefté porque ele não os havia chamado para ajudá-lo a combater os amonitas, para que pudessem participar da vitória e da divisão dos despojos (Juízes 12:1). O orgulho estava na raiz dessa contenda. O orgulho muitas vezes dá início a conflitos, porque o orgulhoso acha que toda honra dada a outro foi tirada dele.
Os efraimitas já haviam reclamado da mesma maneira com Gideão (Juízes 8:1), que era de Manassés, do lado deles do Jordão, assim como Jefté era de Manassés no outro lado. Efraim e Manassés eram parentes mais próximos do que qualquer outra combinação de tribos, pois ambos eram filhos de José. No entanto, eram mais ciumentos entre si do que em relação às outras tribos. Jacó havia cruzado as mãos e dado a Efraim a bênção maior, antecipando o reino das dez tribos, do qual Efraim depois se tornou cabeça, após a separação da casa de Davi. Mas essa tribo não se contentou com a honra prometida, e se ressentia sempre que Manassés recebia alguma honra no período de espera.
É triste quando laços de família, que deveriam produzir amor e paz, tornam-se motivo de contenda. Um irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte, e as brigas entre irmãos são como ferrolhos de um castelo. A ira dos efraimitas contra Jefté foi, em primeiro lugar, sem motivo e injusta. Eles disseram: “Por que passaste a combater contra os filhos de Amom, e não nos chamaste para ir contigo?”. Mas Jefté não tinha autoridade para isso, pois quem o havia constituído chefe foram os homens de Gileade, não os de Efraim. Se o empreendimento tivesse fracassado por falta da ajuda deles, poderiam culpá-lo por não ter pedido auxílio. Mas, concluída a obra e bem-sucedida, com os amonitas derrotados e Israel liberto, nenhum mal lhes havia sido causado pelo fato de suas mãos não terem participado.
A ira deles também foi cruel e desenfreada. Reuniram-se como um bando, atravessaram o Jordão até Mispa de Gileade, onde Jefté morava, e nada menos do que queimar a casa dele, com ele dentro, lhes parecia satisfatório. Maldita é uma ira assim, pois é feroz. As queixas com menos razão frequentemente são as que vêm acompanhadas de mais fúria. Jefté havia acabado de vencer os inimigos comuns de Israel; deveriam ter vindo honrá-lo e agradecer-lhe pelo serviço prestado. Em vez disso, não devemos nos surpreender se recebemos mal daqueles a quem fizemos bem. Jefté também estava sofrendo por causa da aflição em sua própria família por causa de sua filha, e deveriam ter vindo consolá-lo. Mas gente cruel costuma ter prazer em acrescentar dor aos que já estão sofrendo. Neste mundo, muitas vezes um problema só termina para outro começar. Não devemos nos gabar como se nossas aflições já estivessem definitivamente no passado.
Em segundo lugar, Jefté defendeu-se firmemente. Ele não tentou aplacá-los como Gideão havia feito em situação semelhante. Os efraimitas agora estavam mais violentos, e Jefté não tinha um espírito tão manso e brando quanto o de Gideão. Dessem ou não ouvidos, Jefté cuidou de apresentar sua defesa.
Ele mostrou claramente que eles não tinham motivo para contender com ele (Juízes 12:2, 3). Não entrara em guerra por busca de fama, mas para defender seu povo, oprimido pelos amonitas. Havia convidado os efraimitas para se unirem a ele, embora não precisasse deles e não estivesse obrigado a lhes dar atenção especial. Mas eles se recusaram: “Eu vos chamei, porém não me livrastes das suas mãos.” Ainda que a acusação tivesse sido verdadeira, não seria motivo justo para tamanha ira. Mas parece que era falsa, e os fatos mostram que Jefté tinha mais razão para culpá-los por terem abandonado Israel em momento de necessidade.
Não é novidade que justamente os mais culpados sejam muitas vezes os que falam mais alto para acusar os inocentes. Jefté também os lembrou de quão perigosa havia sido a batalha: “pus a minha vida na minha mão”. Ou seja, expôs-se a grande perigo com um exército tão pequeno. A honra que eles invejavam tinha sido comprada a alto preço, e não havia razão para que a cobiçassem. Poucos dentre eles teriam ousado fazer o que ele fez. Jefté não reivindicou o sucesso para si, o que seria ofensivo. Deu a glória a Deus: “O SENHOR os entregou nas minhas mãos.” Se Deus resolveu usá-lo para sua própria glória, por que deveriam irritar-se? Lutar contra ele era, na prática, lutar contra Deus, pois Jefté não passava de um instrumento indigno na mão do Senhor.
Quando essa resposta justa não lhes apaziguou a ira, Jefté também se defendeu de sua violência e puniu sua arrogância com a espada, agindo como juiz de Israel. Os efraimitas não apenas contenderam com Jefté, mas, quando seus vizinhos e amigos o apoiaram, também os insultaram e falaram asperamente contra eles. Eles os zombaram como se dissessem: “Vós gileaditas, que habitais da banda do Jordão, não passais de fugitivos de Efraim, a escória das tribos de José, das quais Efraim é o principal.” Trataram-nos como excluídos, como se todos soubessem que não eram nada além de fugitivos e errantes, arrancados do meio de seus irmãos e empurrados para um canto.
Mas os gileaditas eram israelitas verdadeiros como os demais. E, nesse momento, já haviam mostrado seu valor, tanto na escolha de Jefté quanto na guerra contra Amom. Ainda assim, foram chamados fugitivos de maneira extremamente vergonhosa e injusta. É algo mau atribuir nomes insultuosos ou rótulos ofensivos a pessoas ou lugares, especialmente àqueles que já têm desvantagens visíveis. Isso com frequência inicia contendas que terminam mal, como aconteceu aqui. Uma língua abusiva é algo perigoso. Ela põe apelidos feios, fala com desprezo e pode incendiar todo o curso da vida, porque ela mesma é inflamada pelo inferno (Tiago 3:6). Muitas vezes traz ruína sobre quem a usa, como se deu aqui (Salmo 64:8). Se os efraimitas tivessem se negado o pequeno prazer de chamar os gileaditas de fugitivos, poderiam ter evitado muito derramamento de sangue. Palavras duras despertam a ira, e ninguém sabe que grande incêndio pode surgir de uma pequena faísca.
Esse insulto inflamou a ira dos gileaditas, e o dano causado a eles, assim como a seu líder, precisava de resposta. Eles derrotaram Efraim na batalha (Juízes 12:4). Efraim não passava de uma multidão desordenada, sem liderança; por isso os gileaditas os atacaram e puseram em fuga. Em seguida, cortaram sua retirada e completaram a derrota (Juízes 12:5, 6).
Os gileaditas, que provavelmente conheciam melhor do que os efraimitas as passagens do Jordão, vigiaram-nas de perto. Receberam a ordem de matar qualquer efraimita que tentasse atravessar o rio. Havia crueldade nesse juízo, pois os efraimitas já tinham sido derrotados em batalha, e essa matança adicional foi severa. O castigo já era pleno, não havia necessidade de exterminar todos os que escapavam. Será que a violência nunca deve ter fim? É difícil dizer se Jefté deve ser elogiado por isso. Talvez ele o tenha considerado justiça necessária.
Houve também astúcia na forma de identificar os efraimitas. Eles falavam a mesma língua que os outros israelitas, mas tinham o costume regional de pronunciar uma determinada consoante de modo diferente. Usavam essa pronúncia há tanto tempo que não conseguiam mudá-la, nem mesmo para salvar a própria vida. As pessoas aprendem a falar por imitação. Assim, um homem podia ser reconhecido pelo sotaque, como se distingue a região de alguém pela maneira de falar. Foi assim que os efraimitas foram desmascarados. Se alguém era suspeito de ser efraimita e negava, mandavam-no dizer uma certa palavra. Mas ele não conseguia pronunciá-la corretamente, ou não conseguia formar a palavra de modo exato, e a deformava ao falar. Então sabiam que era efraimita e o matavam imediatamente. O significado dessa palavra se relacionava a rio ou corrente de água, de modo que o teste equivalia a dizer: “Pede licença para atravessar o ribeiro.” Os mortos dessa maneira, somados aos outros, fizeram chegar a quarenta e dois mil o número de efraimitas mortos (Juízes 12:6). Assim, outra rebelião daquela tribo irada foi contida.
Devemos notar também como a justiça de Deus correspondeu ao pecado deles em vários aspectos. Esses efraimitas orgulhosos e irados se vangloriavam de pertencer à tribo de Efraim e se gloriavam nesse nome. Mas, logo depois, ficaram envergonhados, ou com medo, de confessar sua origem. Haviam atravessado o Jordão em fúria para queimar a casa de Jefté, mas agora voltavam cheios de temor e foram impedidos de retornar ao lar. Tinham zombado dos gileaditas por viverem em um lugar remoto e menos favorecido, e agora sofreram por uma fraqueza ligada à própria região, já que não conseguiam falar corretamente a palavra exigida. Haviam chamado injustamente os gileaditas de fugitivos, e agora verdadeiramente se tornaram fugitivos. A mesma palavra usada para descrever os efraimitas que escaparam é a que eles haviam usado como insulto contra os gileaditas. Quem lança vergonha injustamente sobre outro deve esperar que essa mesma vergonha volte sobre si.
Este versículo marca também o encerramento do período de liderança de Jefté. Ele julgou Israel por apenas seis anos, e então morreu (Juízes 12:7). É possível que a morte de sua filha tenha pesado tanto sobre ele que jamais tenha se recuperado plenamente. Isso pode ter abreviado sua vida, de modo que desceu à sepultura carregando profunda tristeza.
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Deste capítulo
Juízes 12:2
"E Jefté lhes disse: Eu e o meu povo tivemos grande contenda com os filhos de Amom; e chamei-vos, e não me livrastes da sua mão;"
Juízes 12:3
"E, vendo eu que não me livráveis, arrisquei a minha vida, e passei contra os filhos de Amom, e o Senhor mos entregou nas mãos; por que, pois, subistes vós hoje, para combater contra mim?"
Juízes 12:4
"E ajuntou Jefté a todos os homens de Gileade, e combateu contra Efraim; e os homens de Gileade feriram a Efraim; porque este dissera-lhe: Fugitivos sois de Efraim, vós gileaditas que habitais entre Efraim e Manassés,"
Juízes 12:5
"Porque tomaram os gileaditas aos efraimitas os vaus do Jordão; e sucedeu que, quando algum dos fugitivos de Efraim dizia: Deixai-me passar; então os gileaditas perguntavam: És tu efraimita? E dizendo ele: Não,"
Juízes 12:6
"Então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete; porque não o podia pronunciar bem; então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão; e caíram de Efraim naquele tempo quarenta e dois mil."
Juízes 12:7
"E Jefté julgou a Israel seis anos; e Jefté, o gileadita, faleceu, e foi sepultado numa das cidades de Gileade."
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