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Josué 7:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E transgrediram os filhos de Israel no anátema; porque Acã filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema, e a ira do SENHOR se acendeu contra os filhos de Israel. "
Josué 7:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E transgrediram os filhos de Israel no anátema; porque Acã filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema, e a ira do SENHOR se acendeu contra os filhos de Israel.
2 Enviando, pois, Josué, de Jericó, alguns homens a Ai, que está junto a Bete-Áven do lado do oriente de Betel, falou-lhes dizendo: Subi, e espiai a terra. Subiram, pois, aqueles homens, e espiaram a Ai.
3 E voltaram a Josué, e disseram-lhe: Não suba todo o povo; subam uns dois mil, ou três mil homens, a ferir a Ai; não fatigueis ali a todo o povo, porque poucos são.
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A narrativa deste capítulo começa com um “porém”. O Senhor estava com Josué, e a sua fama se espalhava por toda aquela terra; nada indicava que ele não seguiria adiante como começara, vencendo e continuando a vencer. Ele procedia corretamente e seguia as orientações de Deus em tudo. Porém, os filhos de Israel foram infiéis, e isso fez com que Deus se voltasse contra eles. A partir daí, nem o nome, nem a fama, nem a sabedoria, nem a coragem de Josué podiam ajudá‑los. Quando se perde o favor de Deus, perde‑se também o apoio verdadeiro dos amigos, que não podem nos socorrer se Deus não estiver conosco.
Acã pecou (Josué 7:1). Aqui o pecado é mencionado apenas de forma geral, e depois ouviremos uma descrição mais completa da própria boca de Acã. O pecado consistiu em tomar do que havia sido separado para destruição, em desobediência ao mandamento de Deus e em desafio ao seu aviso (Josué 6:18). Em Jericó, foi ordenado que não se poupasse vida alguma e que não se guardasse tesouro algum para si. Não lemos de qualquer quebra do primeiro mandamento, pois não houve a quem tivessem mostrado misericórdia; mas transgrediram o segundo. A misericórdia foi deixada de lado, cedendo lugar à lei de Deus, mas a cobiça foi admitida. O amor ao mundo é como uma raiz amarga, e é um dos pecados mais difíceis de arrancar.
Ainda assim, o relato de Acã sugere fortemente que ele, sozinho entre os milhares de Israel, foi culpado nesse ponto. Se muitos tivessem caído na mesma falta, certamente isso teria sido registrado. É até surpreendente que não houvesse mais culpados. A tentação era forte. Era fácil lamentar que tantas coisas valiosas fossem queimadas e perguntar: “Por que este desperdício?” Numa cidade tomada pela força, cada homem tende a achar que tem direito a tudo o que conseguir agarrar. Também era fácil alimentar a ilusão de segredo e impunidade. Contudo, pela graça de Deus, os israelitas haviam sido moldados pelos mandamentos divinos, como a circuncisão e a Páscoa, que tinham celebrado recentemente, e também pelos próprios caminhos de Deus com eles. Por isso temeram o mandamento e o juízo do Senhor, e negaram a si mesmos, obedecendo‑lhe de boa vontade.
Mesmo assim, embora uma só pessoa tenha pecado, diz‑se que os filhos de Israel transgrediram, porque um membro do corpo cometeu o ato, e ele ainda não havia sido excluído ou rejeitado por eles. Eles o fizeram no sentido de que a culpa de Acã trouxe problemas sobre toda a comunidade a que pertencia. Isso deve nos advertir a vigiar contra o pecado em nós mesmos, para não contaminarmos ou afligirmos a muitos (Hebreus 12:15). Também nos alerta a não nos unirmos a pecadores nem participarmos de seus planos, para que não venhamos a participar de sua culpa. Muitos empresários cuidadosos foram arruinados por um só sócio imprudente. E somos chamados a vigiar uns pelos outros para ajudar a conter o pecado, porque os pecados de outros também podem nos alcançar.
O arraial de Israel sofreu por causa desse pecado. A ira do Senhor se acendeu contra Israel. Deus viu a ofensa, ainda que eles não a tivessem percebido, e tomou providências para que a enxergassem. Mais cedo ou mais tarde, os pecados secretos serão trazidos à luz. Se os homens não os investigam, Deus o fará, e a busca de Deus despertará a deles. Muitas vezes uma comunidade inteira encontra‑se sob culpa e juízo sem saber, até que o fogo irrompe. Aqui isso aconteceu depressa.
Josué enviou um pequeno destacamento para tomar a próxima cidade no seu caminho, Ai. Mandou somente cerca de três mil homens, porque seus espias relataram que o lugar era pequeno e não exigia um exército maior (Josué 7:2, 3). Talvez isso revele uma confiança repreensível, ou antes uma falsa segurança, ao enviar tão poucos. Pode também ter vindo do desejo de poupar esforço, pois não queriam que todo o povo subisse. É possível ainda que o povo estivesse menos disposto a atacar porque lhes havia sido negado o despojo de Jericó, e os espias quisessem agradá‑los. Entretanto, quando Jericó foi tomada, ainda que Deus mesmo derrubasse os muros pelo seu poder, todo o povo precisou trabalhar, nem que fosse apenas marchando ao redor da cidade. Não era bom sinal que o Israel de Deus já pensasse tanto em evitar o trabalho. Continuamos chamados a desenvolver a nossa salvação com temor e tremor, embora seja Deus quem efetua em nós tanto o querer como o realizar.
Desprezar demais o inimigo costuma terminar mal. “São poucos”, disseram os espias, mas até aqueles poucos eram demais para Israel naquele momento. Lembrar que lutamos contra principados e potestades deveria nos tornar mais cuidadosos e diligentes em nossa batalha espiritual.
O destacamento enviado por Josué foi repelido logo no primeiro ataque, com alguma perda (Josué 7:4, 5). Fugiram diante dos homens de Ai, sentindo‑se estranhamente desanimados, enquanto seus inimigos saíam contra eles com mais força e coragem do que esperavam. Na retirada, cerca de trinta e seis homens foram mortos. Não era uma perda numericamente grande em meio a tantos, mas foi um choque terrível para homens que só esperavam uma vitória fácil, barata e certa. E, no fim, foi até melhor que apenas três mil tivessem sido enviados. Se todo o exército tivesse ido, não teriam maior capacidade de se manter firmes, porque estavam sob culpa e juízo. Para um contingente maior, a derrota teria sido ainda mais dolorosa e vergonhosa.
Mesmo assim, a derrota já foi suficientemente grave. Serviu, primeiro, para humilhar o povo de Deus e ensinar‑lhes a sempre se alegrar com temor. Quem se arma para a batalha não deve se gloriar como quem já a terminou. Segundo, fortaleceu o ânimo dos cananeus e os tornou mais confiantes, mesmo depois do temor que antes sentiam, de modo que sua ruína, quando viesse, seria ainda mais terrível. Terceiro, manifestou o desagrado de Deus contra Israel e os convocou a tirar o fermento velho, isto é, a remover o pecado oculto do meio deles. Este último foi o principal propósito daquela derrota.
A retirada desordenada lançou todo o acampamento de Israel em grande temor. O coração do povo se derreteu, não tanto pela perda numérica quanto pela decepção. Josué lhes havia assegurado que o Deus vivo expulsaria certamente os cananeus de diante deles (Josué 3:10). Como esse revés poderia se harmonizar com essa promessa? Para qualquer pessoa atenta entre eles, a derrota parecia mostrar o desagrado de Deus e apontar para algo ainda pior. Não é de admirar que ficassem tão abalados. Se Deus se volta contra eles e passa a lutar contra eles, que será deles? Os verdadeiros israelitas tremem quando Deus está irado.
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Deste capítulo
Josué 7:2
"Enviando, pois, Josué, de Jericó, alguns homens a Ai, que está junto a Bete-Áven do lado do oriente de Betel, falou-lhes dizendo: Subi, e espiai a terra. Subiram, pois, aqueles homens, e espiaram a Ai."
Josué 7:3
"E voltaram a Josué, e disseram-lhe: Não suba todo o povo; subam uns dois mil, ou três mil homens, a ferir a Ai; não fatigueis ali a todo o povo, porque poucos são."
Josué 7:4
"Assim, subiram lá, do povo, uns três mil homens, os quais fugiram diante dos homens de Ai."
Josué 7:5
"E os homens de Ai feriram deles uns trinta e seis, e os perseguiram desde a porta até Sebarim, e os feriram na descida; e o coração do povo se derreteu e se tornou como água."
Josué 7:6
"Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças."
Josué 7:7
"E disse Josué: Ah! Senhor Deus! Por que, com efeito, fizeste passar a este povo o Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus para nos fazerem perecer? Antes nos tivéssemos contentado em ficar além do Jordão!"
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