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João 6:28 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você esta vivendo e como aplica-lo hoje

Traducao: Almeida Corrigida Fiel

" Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? "

João 6:28

O que significa João 6:28?

João 6:28 mostra pessoas querendo saber que ações específicas agradam a Deus. Jesus logo explica que a “obra de Deus” começa crendo nele. Em situações de pressão por desempenho, metas ou exigências religiosas, o versículo ensina que a prioridade não é fazer muito, mas confiar em Jesus e obedecer a partir dessa fé.

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26

Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

27

Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.

28

Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?

29

Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.

30

Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?

auto_stories Comentario Bible Guided

Se essa conversa foi com o povo de Cafarnaum, onde Cristo estava então na sinagoga, ou com os que tinham vindo do outro lado do mar, não é certo, e isso não é muito importante. O que aparece, porém, é a bondade de Cristo, pois ele lhes permitiu fazer perguntas e não se ofendeu com a interrupção, mesmo sendo ouvintes comuns, e não apenas seus seguidores mais próximos. Quem quer ensinar deve ser pronto para ouvir e cuidadoso ao responder. Mestres sábios sabem usar até perguntas descuidadas ou pouco proveitosas como oportunidade para dar uma resposta útil, de modo que a pergunta em si pode ser deixada de lado, mas o pedido não é rejeitado.

Depois de Cristo lhes ter dito que deviam “trabalhar” pelo alimento de que ele falava, eles perguntaram que obra deveriam fazer, e ele respondeu em (João 6:28, João 6:29). A pergunta deles era bastante adequada: “Que faremos para executarmos as obras de Deus?”. Alguns entendem isso como uma pergunta orgulhosa, como se quisessem dizer: “Que obras de Deus podemos fazer melhores do que as que Moisés exigiu?”. Mas parece mais uma pergunta humilde e séria. Mostra que, pelo menos naquele momento, estavam em uma boa disposição, desejando conhecer e cumprir o seu dever. Também é provável que os que fizeram esta pergunta, e depois perguntaram “Como?” e “Que sinal?” (João 6:30) e fizeram o pedido em (João 6:34), não fossem os mesmos que mais tarde murmuraram (João 6:41, João 6:42) e contenderam (João 6:52). Estes últimos são claramente chamados de “os judeus”, isto é, os judeus da Judeia que vinham para discutir, enquanto aqueles eram da Galileia e tinham vindo para aprender.

A pergunta deles mostra que entenderam algo importante. Quem deseja receber esse alimento que permanece precisa ter um alvo elevado. Se alguém espera pela glória de Deus, deve colocar metas altas e procurar fazer as obras de Deus, isto é, as obras que ele ordena e aceita, distintas das obras de quem corre atrás das coisas do mundo. Não basta falar as palavras de Deus, é preciso fazer as obras de Deus. Eles também mostram disposição de obedecer ao que Deus exigir: “Que faremos?”. É como dizer: “Senhor, estou pronto a fazer o que determinares, mesmo que seja difícil para a minha carne e sangue” (Atos 9:6).

A resposta de Cristo é bem clara em (João 6:29): “Esta é a obra de Deus: que creiais”. A obra da fé é obra de Deus. Eles tinham perguntado pelas “obras de Deus”, no plural, pensando em muitos deveres. Cristo os encaminha para uma única obra que inclui todas as demais, a única coisa realmente necessária: crer. Isso toma o lugar de todas as obras da lei cerimonial e é necessário para que qualquer outra obra seja aceita, pois sem fé é impossível agradar a Deus. É obra de Deus porque ele a realiza em nós, faz a alma ceder à sua ação sobre nós e dá vida à alma para que ela possa agir para ele.

Essa fé é obra de Deus porque vem a Cristo e nele descansa. É crer nele como aquele que Deus enviou, o mensageiro escolhido de Deus no grande assunto da paz entre Deus e os homens. Crer assim é repousar nele e entregar-se a ele (João 14:1).

Depois, tendo Cristo lhes dito que o Filho do Homem lhes daria esse alimento, eles perguntaram sobre ele, e ele respondeu. Eles pediram um sinal em (João 6:30): “Que sinal fazes tu?”. Até aí, havia algo de correto nisso. Já que ele pedia que confiassem nele, era justo que mostrasse suas credenciais e provasse por um milagre que vinha de Deus. Moisés havia confirmado sua missão com sinais; então era apropriado que Cristo, que vinha pôr de lado a lei cerimonial, confirmasse também sua missão dessa forma. Eles estavam perguntando, em outras palavras: “O que fazes? Qual é o teu objetivo? Que marcas duradouras de poder divino pretendes deixar ligadas ao teu ensino?”.

Mas eles se enganavam em duas coisas. Primeiro, desprezavam os muitos milagres que já tinham visto Jesus fazer, os quais eram prova suficiente de sua missão divina. Era hora de perguntar: “Que sinal fazes tu?”, especialmente em Cafarnaum, lugar repleto de milagres, onde ele fizera tantas obras poderosas, sinais que claramente mostravam seu ofício e missão? Ele não tinha acabado de alimentar, milagrosamente, aquelas mesmas pessoas? Não há cego pior do que o que se recusa a ver; esse pode até perguntar se é dia, mesmo com o sol brilhando em seu rosto.

Segundo, eles davam mais valor ao milagre do maná no deserto do que a todos os milagres de Cristo, como se vê em (João 6:31): “Nossos pais comeram o maná no deserto”. E, para reforçar essa objeção, citam a Escritura: “Deu-lhes a comer o pão do céu”, do (Salmo 78:24), isto é, deu-lhes cereal do céu. Esse relato poderia ter sido usado de forma correta, pois é uma demonstração impressionante do poder e da bondade de Deus, frequentemente mencionada para honrá-lo (Neemias 9:20, Neemias 9:21). Mas eles o deturparam e fizeram mau uso dele.

Cristo os tinha advertido a não porem o coração no alimento que perece, e eles respondem como se a grande bênção dada por Deus a seus antepassados no deserto tivesse sido apenas comida para o estômago. Como se dissessem: “Se Deus deu tanta importância a eles, por que não seguiríamos aqueles que tanto nos agradam?”. Cristo havia alimentado cinco mil homens com cinco pães, e isso era um sinal que provava que ele fora enviado por Deus. Porém, enquanto exaltavam Moisés, rebaixavam de forma velada o milagre de Cristo e buscavam escapar da sua força. Agiam como se Cristo tivesse alimentado apenas alguns milhares, uma única vez, e depois afastado o povo, falando de alimento espiritual. Moisés, diziam eles, sustentou seus seguidores por quarenta anos, e os milagres eram comuns para eles, como pão de cada dia. Cristo, diziam, dera pão da terra, pão de cevada, e peixe do mar. Moisés dera a Israel pão do céu, o “pão dos anjos”.

Era com esse orgulho que aqueles judeus falavam do maná que seus pais comeram. No entanto, seus pais também o tinham desprezado, tanto quanto eles agora desprezavam os pães de cevada, chamando-o de “pão vil” (Números 21:5). Somos muito inclinados a ignorar o poder e a graça de Deus em nossos dias, enquanto louvamos as maravilhas que nossos pais nos contaram. Mesmo que o milagre de Cristo tivesse sido menos impressionante do que o maná de Moisés, Cristo tinha muitos outros milagres ainda maiores. Além disso, todo verdadeiro milagre comprova uma mensagem divina, mesmo que, exteriormente, não pareça tão grandioso, porque sempre se ajusta à necessidade do momento. Assim como o maná era melhor do que pães de cevada, a doutrina de Cristo era infinitamente superior à lei de Moisés, e seus mandamentos celestiais eram muito mais elevados do que as ordenanças exteriores daquela antiga aliança.

Em (João 6:32, João 6:33), Cristo responde à objeção deles corrigindo o erro sobre o maná. Era verdade que seus pais comeram o maná no deserto.

Mas não foi Moisés quem lhes deu o maná, e eles não deviam isso a ele. Ele foi apenas um instrumento, de modo que eles deviam olhar além dele, para Deus. Nem mesmo lemos que Moisés tenha orado a Deus pedindo o maná. E ele falou mal quando disse: “Porventura tiraremos água desta rocha para vós?”; Moisés não lhes deu nem o pão nem a água.

E também não foi dado a eles, como imaginavam, do céu no sentido mais alto, mas apenas das nuvens. Assim, não era tão superior ao alimento terreno quanto supunham. Quando a Escritura diz: “Deu-lhes a comer o pão do céu”, isso não significa que fosse, em si mesmo, um alimento celestial, nem que fosse destinado a nutrir a alma. A leitura errada da linguagem bíblica é causa de muitos erros a respeito das coisas de Deus.

Jesus então lhes fala do verdadeiro maná, daquele para o qual o antigo maná apontava: “Meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu”. O maná era apenas sombra e figura desse pão melhor. Esse verdadeiro pão estava sendo dado não aos pais deles, que já tinham morrido, mas a eles, às pessoas daquela geração, porque coisas melhores estavam reservadas para eles. Deus agora lhes dava o pão do céu que merece esse nome em seu sentido mais pleno.

Assim como o trono de Deus está acima das nuvens, o pão espiritual do evangelho eterno é muito superior ao maná. Ao chamar Deus de “meu Pai”, Cristo mostra que é maior do que Moisés. Moisés foi fiel como servo, mas Cristo é fiel como Filho (Hebreus 3:5, Hebreus 3:6).

Cristo havia respondido à pergunta deles e, agora, usa a preocupação deles com o maná para falar mais sobre si mesmo como pão e sobre crer nele como comer e beber. Isso conduz a toda a continuação do discurso, incluindo suas palavras sobre comer sua carne e beber seu sangue, e também as reações daqueles que o ouviram.

Cristo havia falado de si mesmo como o grande dom de Deus e o verdadeiro pão (João 6:32), e agora ele explica e confirma essa verdade de forma mais completa, para que o conheçamos corretamente. Ele repete várias vezes que é o verdadeiro pão (João 6:33, João 6:35, João 6:48-51). Cristo é para a alma o que o pão é para o corpo. Ele nutre e sustenta a vida espiritual, assim como o pão sustenta a vida física. As verdades do evangelho a respeito de Cristo — que ele é o mediador, aquele que reconcilia Deus e as pessoas, que ele é a nossa paz, nossa justiça e nosso Redentor — são as realidades pelas quais as pessoas vivem. Nossos corpos poderiam sobreviver mais tempo sem alimento do que nossas almas sem Cristo.

O grão que vira pão é moído e triturado (Isaías 28:28), e Cristo também foi moído e afligido. Ele nasceu em Belém, cujo nome significa “casa do pão”, e o pão da proposição no tabernáculo apontava para ele. Ele é o pão de Deus, pão divino. Ele vem de Deus (João 6:46), é o pão que o Pai dá (João 6:32), o alimento que Deus designou para as nossas almas. Ele é o pão da família de Deus, o pão dos filhos. Os sacrifícios levíticos, isto é, os sacrifícios ligados à lei de Levi, são chamados de pão de Deus (Levítico 21:21, Levítico 21:22), e Cristo é o grande sacrifício. Em sua palavra e em suas ordenanças, os atos de culto que ele instituiu, Deus prepara um banquete nesse sacrifício.

Cristo também é o pão da vida (João 6:35, João 6:48), o pão que dá vida. Isso remete à árvore da vida no Éden, que era um sinal de que, se Adão obedecesse, viveria. Cristo é o pão da vida porque ele é, por assim dizer, o fruto daquela árvore da vida. Ele explica isso dizendo: “Eu sou o pão vivo” (João 6:51). O pão, por si só, é uma coisa morta, e só alimenta porque um corpo vivo o assimila. Mas Cristo é pão vivo em si mesmo e dá sustento pela sua própria força.

O maná era uma coisa morta. Se fosse guardado de um dia para o outro, estragava e criava bichos. Cristo, em contraste, é sempre pão vivo e eterno. Ele nunca se estraga, nunca apodrece, nunca envelhece. A doutrina de Cristo crucificado é hoje tão fortalecedora e consoladora para o crente quanto sempre foi, e sua mediação, sua obra como aquele que está entre Deus e os homens, continua com o mesmo valor e poder.

Ele também dá vida ao mundo (João 6:33), vida espiritual e eterna. É a vida da alma em união e comunhão com Deus agora, e em vê-lo e gozá-lo depois. É uma vida que inclui toda verdadeira felicidade. O maná apenas mantinha a vida e a sustentava por um tempo, mas não preservava a vida para sempre, nem a restaurava. Cristo dá vida aos que estavam mortos em pecados. O maná era somente para a vida de Israel, mas Cristo é dado para a vida do mundo. Ninguém é excluído desse pão, exceto aqueles que se excluem a si mesmos. Cristo veio para colocar vida na mente humana, infundindo princípios que levam à obediência aceitável.

Ele é o pão que desceu do céu, e isso é repetido muitas vezes aqui (João 6:33, João 6:50, João 6:51, João 6:58). Isso mostra, em primeiro lugar, a natureza divina da pessoa de Cristo. Sendo Deus, já existia no céu, e de lá veio para assumir a nossa natureza. “Desci do céu” fala de sua existência eterna, pois ele estava com Deus no princípio; fala de seu poder, porque o céu é o lugar do poder de Deus; e de sua autoridade, porque ele veio com uma comissão divina.

Em segundo lugar, isso mostra a origem divina de todo o bem que nos chega por meio dele. Ele não é apenas alguém que desceu, mas alguém que continua descendo, isto é, há um fluxo constante de luz, vida e amor de Deus para os crentes por meio de Cristo, assim como o maná descia cada dia. Todas as bênçãos vêm do alto (Efésios 1:3).

Ele é também o pão de que o maná era tipo e figura (João 6:58), aquele verdadeiro pão (João 6:32). Assim como a rocha da qual beberam era Cristo, o maná que comeram era pão espiritual (1 Coríntios 10:3, 1 Coríntios 10:4). O maná foi dado a Israel, e Cristo é dado ao Israel espiritual. Havia maná suficiente para todos eles, e em Cristo há plenitude de graça para todos os crentes. Quem ajunta muito desse maná não terá sobra inútil quando chegar a hora de usá-lo, e quem ajunta pouco não terá falta quando a graça for aperfeiçoada na glória.

O maná tinha de ser colhido de manhã, e os que hão de encontrar Cristo devem buscá-lo cedo. O maná era doce e, como diz o autor de Sabedoria, adequado a todo paladar (Sabedoria 16:20). Assim também Cristo é precioso para os que creem. Israel viveu de maná até chegar a Canaã, e Cristo é a nossa vida. Um memorial do maná foi guardado na arca, e do mesmo modo Cristo é lembrado na Ceia do Senhor como o alimento das almas.

Cristo então mostra qual era a sua obra e por que veio ao mundo. Deixando de lado a figura do pão, ele fala claramente, sem parábolas, e declara o que veio fazer (João 6:38-40). Em termos gerais, ele diz que veio do céu para fazer a vontade de seu Pai (João 6:38), não a sua própria vontade, mas a vontade daquele que o enviou.

Ele veio do céu. Isso mostra que ele era uma pessoa viva, ativa, sábia, que voluntariamente desceu a este mundo inferior. Foi uma longa jornada e um grande rebaixamento, se considerarmos a glória que deixou e a miséria em que entrou. Podemos, com espanto, perguntar o que o moveu a tal missão.

Ele responde que veio fazer, não a sua própria vontade, mas a vontade do Pai. Não quer dizer que a sua vontade fosse contrária à vontade do Pai, como se houvesse conflito entre eles. Ele quer dizer que os que o ouviam talvez suspeitassem de tal conflito, e ele desfaz essa suspeita. “Não”, ele diz, “minha própria vontade não é a fonte de onde procedo, nem a regra que sigo. Vim fazer a vontade daquele que me enviou.”

Isso significa, primeiro, que Cristo não veio ao mundo como uma pessoa privada, agindo apenas por conta própria. Veio com um encargo público, como um embaixador ou agente autorizado, enviado com plena autoridade. Veio como o grande agente de Deus e o grande médico do mundo. Não estava aqui em algum recado particular. Ele veio para ajustar as questões entre o grande Criador e toda a criação.

Em segundo lugar, enquanto Cristo esteve no mundo, não executou nenhum plano próprio ou interesse separado do de Deus. O alvo de toda a sua vida foi glorificar a Deus e fazer o bem às pessoas. Ele nunca colocou em primeiro lugar a própria facilidade, segurança ou conforto. Mesmo quando teve de dar a sua vida, e sua natureza humana recuou diante disso, ele venceu esse temor e subordinou sua vontade humana à vontade de Deus: não seja como eu quero, mas como tu queres.

Ele também declara, de modo especial, qual era a vontade do Pai que ele veio cumprir. Aqui ele expõe o plano, a comissão e as instruções que seguiu. Primeiro, havia as instruções “privadas” dadas a Cristo: que ele deveria, com certeza, salvar todo o remanescente escolhido. É a aliança da redenção, o acordo entre o Pai e o Filho (João 6:38). “Esta é a vontade do Pai que me enviou: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu.”

Observe-se aqui quatro coisas. Primeiro, há um certo número de seres humanos que o Pai entregou a Jesus Cristo para que ele cuidasse deles. Foram dados a ele para serem sua honra e alegria, sua herança e possessão. Cabe a ele fazer tudo o que o caso deles exige: ensiná-los, curá-los, pagar sua dívida, defender sua causa, prepará-los para a vida eterna e conservá-los para essa vida. O Pai podia ter feito com eles o que quisesse. Como criaturas, receberam a vida dele. Como pecadores, já tinham perdido o direito a essa vida diante dele. Ele poderia tê-los entregue à justiça, mas preferiu escolhê-los como objetos de misericórdia e entregá-los ao Salvador.

Segundo, Jesus Cristo prometeu que não perderia nenhum dos que lhe foram dados pelo Pai. Todos os muitos filhos que ele deve conduzir à glória serão conduzidos, e nenhum ficará faltando (Mateus 18:14). Nenhum deles se perderá porque a graça tenha sido fraca demais para torná-los santos. Como disse o filho de Jacó: “Se eu não o tornar a trazer-te, e não o puser perante a tua face, serei culpado para contigo para sempre” (Gênesis 43:9).

Terceiro, a promessa de Cristo em favor dos que lhe foram dados alcança até a ressurreição de seus corpos. “Eu o ressuscitarei no último dia.” Isso inclui tudo o que vem antes, mas conclui e coroa toda a obra. O corpo faz parte da pessoa e, portanto, faz parte da compra e do cuidado de Cristo. Ele está incluído nas promessas, logo não será perdido. A obra de Cristo não estará terminada até a ressurreição, quando as almas e os corpos dos crentes forem reunidos e ajuntados a Cristo, para que ele possa apresentá-los ao Pai: “Eis-me aqui, e os filhos que Deus me deu” (Hebreus 2:13; 2 Timóteo 1:12).

Em quarto lugar, a fonte de tudo isso é a vontade soberana de Deus, o plano sábio segundo o qual ele realiza todas as coisas. Foi esse o mandamento que ele deu a seu Filho quando o enviou ao mundo, e o Filho sempre manteve esse mandamento diante de si.

Em segundo lugar, há as instruções públicas dadas a todas as pessoas, mostrando como e em que termos podem receber a salvação por meio de Cristo. Isto é a aliança da graça, o acordo gracioso de Deus com pecadores. Não nos é dito quem são, especificamente, as pessoas que foram dadas a Cristo. “O Senhor conhece os que são seus.” Nós não sabemos, e não nos cabe saber. Mas, embora seus nomes estejam ocultos, seu caráter é revelado.

A oferta de vida e felicidade é feita em termos do evangelho, de modo que aqueles que foram dados a Cristo sejam trazidos a ele, e outros fiquem sem desculpa (João 6:40). “Esta é a vontade, a vontade revelada, daquele que me enviou, o modo ajustado de tratar com os seres humanos: que todo aquele, judeu ou gentio, que contempla o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei.” Isto é evangelho de verdade, verdadeiramente boas-novas.

Não é reconfortante ouvir isto? A vida eterna pode ser alcançada, se a culpa não for nossa. Quando o primeiro Adão pecou, o caminho para a árvore da vida foi fechado, mas, pela graça do segundo Adão, ele foi reaberto. A coroa de glória está colocada diante de nós como o prêmio da nossa vocação, e podemos correr por ela e recebê-la.

Qualquer pessoa pode ter essa vida. Este evangelho deve ser pregado, e esta oferta deve ser feita, a todos. Ninguém pode dizer: “Isto não é para mim” (Apocalipse 22:17). Essa vida eterna é certa para todos os que creem em Cristo, e somente para eles. Todo aquele que vê o Filho e crê nele será salvo.

Alguns entendem esse “ver” como significando que a vida eterna é oferecida apenas àqueles a quem foi dada uma revelação clara de Cristo e de sua graça. Nesse sentido, qualquer um que tem a oportunidade de conhecer a Cristo e usa bem essa oportunidade, crendo nele, terá a vida eterna. Assim, ninguém seria condenado por incredulidade, exceto aqueles que ouviram o evangelho e ainda assim se recusam a crer, como esses judeus aqui (João 6:36), que tinham visto Cristo, mas não creram, o conheciam, mas não confiaram nele.

Mas entendo “ver” aqui como significando o mesmo que crer. A palavra aponta mais para a visão da mente do que para a visão dos olhos. Não significa apenas olhar para Cristo com os olhos, mas considerá‑lo com o coração. Quem vê o Filho, isto é, crê nele, o vê com o olhar da fé. Pela fé passamos a conhecer corretamente o evangelho a seu respeito e a sentir o seu poder. É como olhar para a serpente de bronze quando os israelitas tinham sido mordidos. Cristo não exige uma fé cega, como se devêssemos fechar os olhos e segui‑lo sem razão. Ele nos pede que o vejamos e vejamos o fundamento sobre o qual nossa fé se apoia.

É correto quando a fé não se baseia apenas em ouvir dizer, como se a pessoa simplesmente cresse no que a igreja crê. A verdadeira fé vem de uma consideração atenta e de uma compreensão real das razões que sustentam a crença. Então a pessoa pode dizer: “Agora te vejo com meus próprios olhos. Nós mesmos o ouvimos.”

Os que creem em Jesus Cristo e recebem a vida eterna serão ressuscitados por seu poder no último dia. Ele já havia recebido isso como vontade de seu Pai (João 6:39) e aqui o assume solenemente como sua própria promessa: “Eu o ressuscitarei.” Isso significa mais do que o corpo voltar à vida. Significa trazer a pessoa inteira à plena posse da vida eterna prometida.

Cristo tinha falado de si mesmo como o pão da vida que desceu do céu, e devemos notar como seus ouvintes reagiram. Quando ouviram falar do pão de Deus que dá vida, pediram com insistência por ele (João 6:34): “Senhor, dá-nos sempre desse pão.” Não creio que tenham dito isso por zombaria ou desprezo, como muitos intérpretes pensam. Chamaram‑no de Senhor e desejaram uma parte do que ele dava, ainda que não entendessem totalmente o que ele queria dizer.

Ideias gerais e pouco claras sobre as coisas divinas podem despertar algum desejo por elas, mesmo em corações mundanos. Pessoas assim podem admirar o favor de Deus e achar que o céu é um lugar maravilhoso, mas não se importam com a santidade necessária para desfrutar de um e de outro. Nesse sentido, fazem oração sem palavras claras nem entendimento claro. Devemos, ao contrário, fazer disso o desejo de nossas almas. Se já provamos que o Senhor é bom e temos sido alimentados com a palavra de Deus e com Cristo nessa palavra, digamos: “Senhor, dá-nos sempre desse pão.” Que o pão da vida seja o nosso pão de cada dia, e o maná do céu, o nosso banquete constante.

Mas quando entenderam que o próprio Jesus era o pão da vida, desprezaram a ideia. Não é certo se eram as mesmas pessoas que haviam pedido o pão, ou outros na multidão. O texto os chama de judeus e diz que murmuravam contra ele. Isso veio logo após a declaração solene de Cristo sobre a vontade de Deus e sua própria obra de salvar pessoas (João 6:39, João 6:40). Foram, sem dúvida, das palavras mais graves e bondosas já pronunciadas por nosso Senhor Jesus, palavras muito dignas de fé e aceitação.

Seria de se esperar que se prostrassem e adorassem, como Israel fez quando Deus os visitou no Egito. Em vez disso, murmuraram. Discutiram interiormente o que Cristo havia dito. Não o negaram abertamente, mas cochicharam contra suas palavras e espalharam dúvidas entre si. Muitos não contradizem abertamente o ensino de Cristo, porque suas objeções são fracas e sem peso. Têm vergonha de dizê‑las, ou temem que sejam respondidas. Contudo, em seu coração continuam dizendo que não gostam daquilo.

O que os escandalizou foi a afirmação de Cristo de que viera do céu (João 6:41, João 6:42). Já tinham ouvido falar de anjos que desciam do céu, mas não de um homem. Ignoraram a prova que ele já havia dado de que era mais do que um homem comum. O que pensaram que os justificava foi conhecerem sua família terrena: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos?” Falaram de modo leviano do seu santo nome, Jesus. Supuseram que José era de fato seu pai, embora ele fosse apenas tido como tal.

Erros sobre a pessoa de Cristo, como se ele fosse apenas um mero homem nascido de modo comum, levam as pessoas a rejeitar seu ensino e sua obra. Se os homens o veem como apenas um igual a eles, cujo pai e mãe conhecem, não se surpreende que diminuam o valor da sua obra salvadora. Então, como esses judeus, vão murmurar diante de sua promessa de nos ressuscitar no último dia.

Cristo havia falado da fé como a grande obra que Deus requer (João 6:29) e agora explica essa obra detalhadamente, tanto para nos ensinar quanto para nos encorajar. Crer em Cristo é vir a Cristo. Aquele que vem a ele é o mesmo que crê nele (João 6:35), e outra vez (João 6:37): “O que vem a mim.” Assim também em (João 6:44, João 6:45). O arrependimento para com Deus é vir a ele (Jeremias 3:22), como nosso bem supremo e fim último. Do mesmo modo, a fé em nosso Senhor Jesus Cristo é vir a ele como nosso Príncipe e Salvador, e como nosso caminho para o Pai.

Esse “vir” significa o movimento da alma em direção a ele, com desejo e amor. Significa afastar‑se de tudo o que se opõe a ele ou compete com ele, e vir nos termos em que a vida e a salvação são oferecidas por meio dele. Quando Jesus esteve na terra, vir a ele significava mais do que simplesmente ir ao lugar onde ele estava. Assim também agora, é mais do que vir à sua palavra e às suas ordenanças.

Crer em Cristo é também alimentar‑se de Cristo (João 6:51): “Se alguém comer deste pão.” Vir a ele é aplicar‑nos a ele. Alimentar‑se dele é aplicá‑lo a nós mesmos, com fome e prazer, de modo que recebamos dele vida, força e consolo. É como os israelitas comendo o maná depois de deixarem a comida do Egito, já não dependendo do trabalho de suas próprias mãos, mas vivendo de pão dado do céu.

Cristo também mostra o que os crentes recebem ao crer nele. O que ele nos dará se formos a ele? O que recebemos se nos alimentarmos dele? Temeremos principalmente a falta e a morte. Se pudermos ter certeza do consolo da vida e de que essa vida continuará no meio desse consolo, teremos o bastante. Aqui ambas as coisas são prometidas aos verdadeiros crentes. Eles nunca terão falta, nunca terão fome, nunca terão sede (João 6:35). Têm desejos, e fortes, mas esses desejos são de tal maneira, tão adequadamente, tão oportunamente e tão plenamente satisfeitos, que não podem ser chamados de fome e sede no sentido doloroso.

Os que comeram o maná e beberam da água da rocha ainda assim tornaram a ter fome e sede depois. O maná os enjoou, e a água da rocha acabou.

Mas há em Cristo uma plenitude tão transbordante que nunca pode ser esgotada, e correntes de graça tão constantes que nunca podem ser interrompidas.

Eles nunca morrerão, isto é, não morrerão para sempre. Primeiro, quem crê em Cristo tem a vida eterna (João 6:47). Ele já tem a promessa dessa vida, a garantia dela e as primícias dela agora. União com Cristo e comunhão com Deus por meio de Cristo já são vida eterna começando no presente.

Segundo, ao contrário dos que comeram o maná e mesmo assim morreram, Cristo é o pão que alguém pode comer e nunca morrer (João 6:49-50). Considere a fraqueza do maná: “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.” Os túmulos de nossos pais nos ensinam muito, e seus monumentos lembram especialmente isto: nem a maior fartura do melhor alimento consegue prolongar a vida ou afastar a morte. Os que comeram o maná, comida do céu, morreram como todos os outros.

Nada na comida deles podia ser acusado de encurtar suas vidas, e as durezas da vida também não podiam ser culpadas, pois eles nem semeavam nem colhiam. Mesmo assim, morreram. Muitos morreram pelo juízo direto de Deus, por causa da sua incredulidade e murmuração. Embora tenham comido aquele alimento espiritual, Deus não se agradou da maior parte deles, e foram destruídos no deserto (1 Coríntios 10:3-5). Comer o maná não os protegeu da ira de Deus, como crer em Cristo nos protege.

O restante morreu no curso comum da natureza, e seus corpos caíram naquele mesmo deserto onde haviam comido o maná, debaixo da sentença de Deus. Naquele tempo em que os milagres eram pão de cada dia, a vida humana já estava reduzida ao curto espaço que tem agora (Salmo 90:10). Portanto, eles não deviam se gloriar tanto do maná.

Cristo, o verdadeiro maná, é plenamente suficiente. O maná era apenas uma figura dele. Cristo é o pão que desce do céu, alimento verdadeiramente divino e celestial, e quem come desse pão não morrerá. Isso significa que não cairá debaixo da ira de Deus, que mata a alma. Não morrerá a segunda morte, e não perecerá de forma final e definitiva nem mesmo na primeira morte. Não ficará sem a terra celestial, como Israel ficou sem a terra terrena por causa da incredulidade, apesar de ter maná.

Essa promessa é explicada nas palavras seguintes: “Se alguém comer deste pão, viverá para sempre” (João 6:51). Viver para sempre não significa apenas continuar existindo, pois os condenados no inferno também existirão para sempre. O ser humano foi feito para um estado sem fim. Viver para sempre significa ser feliz para sempre. E como o corpo tem de morrer e ser como água derramada na terra, Cristo também promete recolhê-lo novamente, como já havia dito: “Eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44). Até o corpo viverá para sempre.

Ele também mostra que razões temos para crer em Cristo. Já havia falado de alguns que o viram e mesmo assim não creram (João 6:36). Viram sua pessoa e seus milagres, ouviram sua pregação, e ainda assim não foram levados à fé. A fé nem sempre nasce do que se vê. Os soldados viram sua ressurreição e, em vez de crer nele, tentaram negá-la. Assim, é difícil levar as pessoas à fé em Cristo. Mesmo assim, pela obra do Espírito Santo, alguns que não viram creem.

Aqui nos são apresentadas duas coisas que animam a fé. Primeiro, o Filho receberá todos os que vierem a ele (João 6:37): “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” Quão bem-vinda essa palavra deveria ser à nossa alma, pois nos chama a Cristo com braços abertos. O “quem vem”, no singular, mostra bondade não apenas para os crentes em conjunto, mas para cada pessoa que vem a Cristo.

O dever aqui é um dever puramente evangélico: vir a Cristo para que, por meio dele, venhamos a Deus. Sua beleza e seu amor, as grandes coisas que nos atraem, devem nos conduzir a ele. O senso de necessidade e o temor do perigo devem nos impelir para ele. Tudo o que nos traz a Cristo é bem-vindo. A promessa é igualmente pura e graciosa: “de maneira nenhuma o lançarei fora” é expressa com grande ênfase, tornando a promessa especialmente forte.

diversity_3 Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart Inteligencia emocional

Em João 6:28, o coração daquela multidão está ansioso por uma resposta clara: “O que é que Deus quer, afinal, que se faça?” Há cansaço nessa pergunta, uma mistura de desejo sincero de agradar a Deus com medo de errar o caminho. É a pergunta de quem talvez já carregou muitos pesos religiosos, muitas regras, muitas tentativas de “dar conta” espiritualmente, e mesmo assim permanece com um vazio por dentro. No contexto, Jesus havia acabado de multiplicar pães. Havia um clima de expectativa, como se a solução estivesse em encontrar a “fórmula certa” para viver a fé: as obras corretas, o desempenho ideal. Esse versículo revela uma ânsia por controle: se for dito o que fazer, a alma tenta se garantir. Mas, na sequência, Jesus responde apontando não para uma lista de tarefas, e sim para uma relação: “A obra de Deus é esta: que creiam naquele que ele enviou.” Deus encontra também esse desejo confuso, meio ansioso, de acertar com Ele. E, em vez de aumentar o peso, Jesus o transforma em convite a confiar, passo a passo, mais na pessoa de Cristo do que na própria capacidade de performar espiritualmente.

Mind
Mind Sabedoria teologica

Em João 6:28, a pergunta da multidão revela uma mentalidade profundamente marcada por desempenho religioso: “Que faremos para executarmos as obras de Deus?”. Vamos observar o texto: depois da multiplicação dos pães, muitos seguem Jesus por causa do alimento material (João 6:26). Diante do chamado de Jesus para buscar “o alimento que permanece para a vida eterna” (v. 27), surge a questão: qual é a lista de tarefas que Deus exige? O contexto ajuda aqui. Essa pergunta ecoa uma teologia de méritos: a ideia de que a relação com Deus se organiza em termos de “obras” a cumprir. Em vez de perguntar quem é Jesus, perguntam o que precisam fazer. A gramática teológica está invertida: do “quem” para o “que”. A resposta de Jesus no versículo seguinte desloca o foco: a “obra” de Deus é crer naquele que Ele enviou. Ou seja, a obra central não é um conjunto de rituais ou performances morais, mas a confiança no Filho. Essa passagem expõe a tensão entre religião baseada em esforço humano e fé fundamentada na pessoa de Cristo. João 6:28 registra o coração humano inclinado a transformar graça em sistema de obras, preparando o terreno para a correção de Jesus.

Life
Life Vida pratica

A pergunta em João 6:28 nasce de um coração comum a qualquer discípulo sincero: o desejo de acertar diante de Deus, de “fazer direito”. O povo, impactado pelos sinais de Jesus, quer uma lista clara de tarefas espirituais, um roteiro de obras que assegure aprovação divina. No fundo, carrega uma lógica de desempenho: basta descobrir quais ações Deus exige e cumpri-las. Esse versículo expõe a tentação de transformar relacionamento em projeto, fé em cartilha, obediência em contabilidade religiosa. Em muitas áreas da vida – casamento, criação de filhos, trabalho, dinheiro – aparece a mesma ansiedade: qual fórmula garantiria bênção e resultado? O coração busca segurança nas “obras certas”, não na pessoa certa. A resposta de Jesus, no versículo seguinte, reorganiza tudo: a obra de Deus começa com crer naquele que Ele enviou. Antes de qualquer lista, vem confiança. Antes do muito fazer, vem vínculo. Dessa fé nascem escolhas diárias: fidelidade no trabalho simples, honestidade nas finanças pequenas, mansidão nos conflitos de casa. A prioridade não é multiplicar atividades religiosas, mas deixar que a confiança em Cristo oriente cada passo concreto da rotina.

Soul
Soul Perspectiva eterna

A pergunta em João 6:28 revela um anseio verdadeiro e, ao mesmo tempo, uma confusão profunda do coração humano. “Que faremos para executarmos as obras de Deus?” nasce do impulso de controlar a própria espiritualidade, como se a vida com Deus fosse um projeto a ser gerenciado por desempenho, esforço e mérito. Há sinceridade, mas também há cegueira: pressupõe-se que a vontade de Deus se cumpra, antes de tudo, pelas mãos, não pelo coração rendido. Nesse ponto do evangelho, Jesus acabara de multiplicar pães, e muitos viam as “obras de Deus” como algo espetacular, útil, produtivo. Porém, logo em seguida, Ele responde que a obra de Deus é crer naquele que Ele enviou. Ou seja, antes de qualquer ativismo, o chamado é a uma confiança radical e relacional. A eternidade desloca o foco da pergunta: menos “o que fazer para Deus”, mais “em quem repousar, a partir de Deus”. Esse versículo expõe a tensão entre religiosidade e fé viva. No fundo, Deus busca não mãos agitadas por ansiedade espiritual, mas um coração que, crendo no Filho, se torna lugar onde a obra divina continua, silenciosa e profunda. Deus trabalha também no silêncio.

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healing Aplicação restauradora e de saúde mental

Em João 6:28, surge a pergunta: “Que faremos para executarmos as obras de Deus?” Esse impulso de “o que fazer” lembra muito a dinâmica da ansiedade contemporânea: mente acelerada, cobrança interna intensa, medo de errar. Em muitos quadros de depressão, trauma ou burnout espiritual, aparece a mesma lógica: valor próprio condicionado a desempenho, perfeccionismo religioso, sensação de nunca ser suficiente.

A resposta de Jesus, no versículo seguinte, desloca o foco do fazer para o crer, isto é, para o relacionamento e a confiança. Em termos psicológicos, isso se aproxima de uma mudança de esquema cognitivo: em vez de um sistema baseado em mérito e autoexigência, emerge um sistema baseado em graça, aceitação e vínculo seguro. Essa mudança não elimina sintomas de ansiedade ou depressão, mas pode reduzir a autocrítica tóxica e a vergonha.

Na prática, processos terapêuticos podem incluir identificar pensamentos automáticos de “não faço o bastante para Deus”, questionar crenças disfuncionais e desenvolver autocuidado saudável: limites claros, descanso, pedir ajuda, reconhecer emoções sem culpa. A espiritualidade, integrada com a psicoterapia, pode favorecer uma autoimagem menos rígida, em que o valor da pessoa não depende exclusivamente da sua performance religiosa ou produtividade diária.

info Maus usos comuns a evitar expand_more

Um uso problemático de João 6:28 ocorre quando a pergunta sobre “executar as obras de Deus” é transformada em cobrança rígida de desempenho espiritual, alimentando culpa crônica, perfeccionismo religioso ou medo constante de punição. Pode surgir interpretação de que sofrimento emocional decorre sempre de “falta de fé”, o que silencia dor legítima e impede a busca de ajuda. Há risco de espiritualização de sintomas graves, como depressão, ideias suicidas, automutilação ou abuso, sendo vistos apenas como “ataques espirituais”. Nesses casos, o apoio profissional em saúde mental torna-se indispensável. Também é sinal de alerta quando líderes ou comunidades usam esse versículo para justificar obediência cega, exploração financeira ou submissão a relacionamentos violentos. A promoção de positividade tóxica, que manda “confiar mais em Deus” em vez de reconhecer traumas, viola princípios éticos de cuidado responsável.

Perguntas frequentes

Por que João 6:28 é um versículo importante para a vida cristã?
João 6:28 é importante porque revela uma dúvida muito humana: “o que eu preciso fazer para agradar a Deus?”. As pessoas perguntam a Jesus sobre as “obras de Deus”, mostrando a tendência de achar que tudo depende do nosso esforço religioso. Esse versículo prepara o terreno para Jesus ensinar que a obra principal é crer nele. Assim, ele confronta o legalismo e aponta para uma fé baseada na graça, não em merecimento.
Qual é o contexto de João 6:28 e o que estava acontecendo na passagem?
O contexto de João 6:28 é o discurso do Pão da Vida. Depois de Jesus multiplicar os pães e peixes, a multidão o segue em busca de mais milagres materiais. Jesus, porém, começa a falar sobre um pão que dá vida eterna. Confusas, as pessoas perguntam o que devem fazer para realizar as obras de Deus. Essa pergunta abre espaço para Jesus explicar que a verdadeira obra é crer nele como enviado do Pai, indo além de milagres e comida física.
O que Jesus quis ensinar quando as pessoas perguntaram em João 6:28: “Que faremos para executarmos as obras de Deus?”
Quando o povo pergunta em João 6:28 sobre as obras de Deus, Jesus responde no versículo seguinte que a obra de Deus é crer naquele que Ele enviou. Ou seja, Jesus muda o foco das obras humanas para a fé nele. Ele mostra que não se trata de uma lista de tarefas religiosas, mas de um relacionamento de confiança. O ensino principal é que a base da vida cristã é a fé em Cristo, e as obras vêm como resultado dessa fé.
Como posso aplicar João 6:28 no meu dia a dia com Deus?
Aplicar João 6:28 no dia a dia significa revisar nossas motivações e prioridades espirituais. Em vez de viver preocupado em “fazer o suficiente” para Deus, somos chamados a começar pela fé em Jesus, confiando nele como centro da nossa vida. Na prática, isso envolve buscar conhecer a Cristo na Bíblia, depender dele nas decisões, e deixar que as boas obras fluam como consequência da fé, e não como tentativa de ganhar o amor ou a aprovação de Deus.
João 6:28 fala de “obras de Deus”. Isso significa que preciso fazer muitas obras para ser salvo?
João 6:28 mostra a dúvida do povo, mas a resposta de Jesus corrige essa ideia. Ele deixa claro, no versículo 29, que a “obra de Deus” é crer em Jesus, não acumular méritos. A salvação não vem por fazer muitas obras, e sim pela fé no que Cristo já fez na cruz. As boas obras são importantes, mas como fruto da salvação, não como condição para conquistá-la. Primeiro cremos, depois vivemos de modo coerente com essa fé.

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