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João 5:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você esta vivendo e como aplica-lo hoje

Traducao: Almeida Corrigida Fiel

" E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. "

João 5:17

O que significa João 5:17?

João 5:17 mostra que Deus está sempre agindo no mundo e que Jesus participa da mesma obra do Pai. Mesmo em dias difíceis, quando tudo parece parado, esse versículo ensina que Deus continua trabalhando em curas, portas abertas e direção nas decisões, como em crises familiares, desemprego ou enfermidade.

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menu_book Versículo no contexto

15

E aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara.

16

E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado.

17

E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

18

Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.

19

Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.

auto_stories Comentario Bible Guided

Aqui temos a resposta de Cristo depois de ser acusado de quebrar o sábado. Parece ser a sua defesa diante do Sinédrio, o conselho governante dos judeus, quando foi levado perante eles. Não está claro se isso aconteceu no mesmo dia ou alguns dias depois, mas é provável que tenha sido no mesmo dia.

Ele lhes respondeu, o que implica que eles o tinham acusado de algo, ou comentavam entre si que ele merecia ser morto (João 5:16). Sua resposta foi: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17). Em outros momentos, quando fizeram acusação semelhante, ele apontou para Davi comendo os pães da proposição no tabernáculo, para os sacerdotes servindo no templo, ou para as pessoas dando água ao gado no sábado. Mas aqui ele apresenta um motivo mais elevado. Ele apela para seu Pai e para sua própria autoridade divina. Ele deixa de lado todos os argumentos menores e se firma naquele que responde a todas as objeções. Já havia declarado: “O Filho do homem até do sábado é Senhor” (Mateus 12:8), e aqui ele desenvolve essa verdade.

Primeiro, ele mostra que é o Filho de Deus, o que está implícito quando chama Deus de seu Pai. Se isso é verdade, então sua santidade não pode ser questionada e sua autoridade não pode ser negada. Ele pode fazer o que quiser em relação à lei divina. Certamente eles deveriam honrar o Filho, o herdeiro de todas as coisas.

Segundo, ele mostra que trabalha em conjunto com Deus. “Meu Pai trabalha até agora” significa que o descanso de Deus no sétimo dia foi descanso da obra de criação, não de toda atividade. Deus continua trabalhando todos os dias, em dias comuns e em sábados, sustentando e governando todas as criaturas. Ele também executa sua sábia providência, isto é, seu cuidado e governo contínuos sobre a criação, para a sua própria glória. Assim, quando nos é ordenado descansar no sábado, não somos proibidos de fazer o que serve diretamente à glória de Deus, como no caso do homem que carregava a cama.

“Eu trabalho também” significa mais do que: “Portanto eu posso trabalhar, como ele, fazendo o bem no sábado.” Também significa: “Eu trabalho com ele.” Assim como Deus fez todas as coisas por meio de Cristo, também por meio dele sustenta e governa todas as coisas (Hebreus 1:3). Isso coloca tudo o que Jesus faz acima de qualquer objeção justa. Aquele que realiza obras tão grandiosas deve ser o governante legítimo sobre todas as coisas. Aquele que faz todas as coisas é Senhor de todas as coisas e, portanto, Senhor do sábado. Ele estava reivindicando agora essa parte de sua autoridade, porque em breve a mostraria ainda mais ao mudar o dia do sétimo para o primeiro.

Os judeus ficaram ainda mais decididos a matá-lo por causa dessa resposta (João 5:18). A defesa dele se tornou, na mente deles, mais uma ofensa, como se o fato de justificar-se agravasse a situação. Os que recusam aprender com as palavras de Cristo acabam se irritando com elas. Nada incomoda mais os inimigos de Cristo do que sua reivindicação de autoridade. “Por que se amotinam as nações?” (Salmo 2:3-5).

Eles queriam matá-lo, primeiro porque diziam que ele tinha quebrado o sábado. Independentemente do que dissesse em sua própria defesa, já tinham decidido considerá-lo culpado. Quando a maldade e a inveja se assentam na cadeira de juízo, a razão e a justiça às vezes nem chegam a ter voz.

Eles também queriam matá-lo porque ele disse que Deus era seu Pai. Agiam como se estivessem defendendo a honra de Deus, da mesma forma que alegavam defender o sábado. Acusaram Cristo do grave pecado de se fazer igual a Deus. E, se ele de fato não fosse igual a Deus, isso seria mesmo um pecado terrível. Foi o pecado de Lúcifer, que disse: “Serei semelhante ao Altíssimo.”

Essa acusação foi corretamente deduzida do que Jesus havia dito. Ele chamara Deus de seu Pai em um sentido especial, seu próprio Pai, seu Pai de modo único, não o Pai de outro. Também tinha dito que trabalhava com o Pai, na mesma autoridade e poder. Dessa forma, se fazia igual a Deus. Os judeus entenderam isso, ainda que os arianos, que negam a plena divindade de Cristo, não o façam.

No entanto, a acusação foi usada de forma errada contra ele, como se fosse um crime. Ele era, e ainda é, Deus, igual ao Pai (Filipenses 2:6). Por isso, ao responder a essa acusação, Cristo não nega o sentido das palavras, como se fosse uma interpretação forçada. Em vez disso, ele demonstra que de fato é igual a Deus em poder e glória.

As palavras de Cristo aqui seguem sem interrupção até o final do capítulo. Nelas, ele expõe e confirma sua comissão, isto é, sua função designada como mediador, aquele que está entre Deus e a humanidade para reconciliá-los. As honras concedidas a ele são grandes demais para que qualquer criatura as receba. A obra que lhe é confiada é grande demais para que qualquer criatura a cumpra. Portanto, ele é Deus, igual ao Pai.

De modo geral, ele é um com o Pai em tudo o que faz como mediador, e há perfeita concordância entre eles. Ele introduz isso com forte ênfase: “Na verdade, na verdade vos digo” (João 5:19). Isso indica que suas palavras são muito importantes e exigem plena atenção. São também absolutamente certas e devem ser cridas sem hesitação. E são verdades de revelação divina, coisas que Cristo nos declarou e que jamais poderíamos descobrir por conta própria.

Ele diz duas coisas gerais sobre a unidade do Filho com o Pai na obra. Primeiro, o Filho copia o Pai: “O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai” (João 5:19). Como mediador, o Senhor Jesus é perfeitamente obediente à vontade do Pai. Ele é tão plenamente obediente que não pode fazer nada por conta própria, no mesmo sentido em que Deus não pode mentir nem negar a si mesmo. Isso não indica fraqueza em Deus, mas perfeita fidelidade. Da mesma forma, Cristo estava tão inteiramente entregue à vontade do Pai que não podia agir à parte dela.

Segundo, ele observa e segue o conselho do Pai. Ele nada pode fazer senão aquilo que vê o Pai fazer. Ninguém pode conhecer plenamente a obra de Deus, a não ser o Filho unigênito, que está junto do Pai e conhece intimamente seus propósitos. Cristo tinha sempre diante de si o plano do Pai. Tudo o que ele fez em sua obra de mediador foi a cópia exata do que o Pai havia estabelecido em seu conselho eterno, o plano imutável da nossa redenção. Era como uma cópia feita a partir de um grande original. Cristo foi fiel, como Moisés foi, em fazer tudo conforme o modelo que lhe fora mostrado no monte.

Isso é dito no tempo presente, “o que vê o Pai fazer”, pela mesma razão que, quando Cristo estava na terra, se disse: “está no céu” (João 3:13) e “está no seio do Pai” (João 1:18). Mesmo então, por sua natureza divina, ele estava presente no céu, de modo que o que ali se fazia estava aberto ao seu conhecimento. O que o Pai fazia em seus sábios planos o Filho tinha sempre diante de si, e continuava a fixar ali seu olhar, como Davi, falando de Cristo, declara: “Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim” (Salmo 16:8).

Terceiro, Cristo é igual ao Pai em sua obra. “Porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.” Ele faz as mesmas obras, não apenas obras parecidas, mas as próprias obras, e as faz do mesmo modo, com a mesma autoridade, liberdade, sabedoria, poder e eficácia. O Pai estabelece, revoga ou altera leis? Governa a natureza e conhece os corações dos homens? Assim também o Filho. O poder do Mediador, daquele que está entre Deus e nós, é poder divino.

O Pai também compartilha coisas com o Filho, como em (João 5:20). Observe primeiro a razão disso: “O Pai ama o Filho.” Ele já havia declarado: “Este é o meu Filho amado.” O Pai não apenas aprovava a obra, mas tinha pleno prazer naquele que a realizava. Cristo foi odiado pelos homens, “aquele a quem a nação abomina” (Isaías 49:7), mas consolava-se com isto: seu Pai o amava.

Note também a maneira como o Pai demonstra esse amor. Ele mostra ao Filho tudo o que ele mesmo faz. O plano do Pai, ao criar e governar o mundo, é revelado ao Filho, para que o Filho use o mesmo plano ao edificar e governar a igreja. Essa obra deveria ser uma cópia da criação e da providência, e por isso é chamada de “o mundo vindouro”. Ele lhe mostra tudo quanto faz ou, conforme também pode ser entendido, tudo quanto o Filho faz é realizado sob a direção do Pai. Ele lhe mostra. E ainda lhe mostrará, isto é, ainda o designará e o guiará a fazer obras maiores do que estas.

Essas obras maiores incluem feitos de poder muito maior do que curar o coxo, porque Cristo ressuscitaria mortos e ele mesmo ressuscitaria dentre os mortos. Pelo poder natural e com o uso de meios, às vezes uma doença pode ser curada com o tempo. Mas a natureza nunca, por meio algum e em tempo algum, pode ressuscitar mortos. Essas obras incluem também atos de autoridade muito maiores do que permitir que o homem carregasse sua cama no dia de sábado. O povo achou isso ousado, mas o que era isso comparado com o que Cristo em breve faria, pondo de lado toda a lei cerimonial, a lei de sacrifícios e ritos externos, e estabelecendo novas ordenanças? “Para que vos maravilheis.” Naquele momento, olhavam para suas obras com desprezo e ira, mas em breve ele faria o que os deixaria espantados (Lucas 7:16). Muitos chegam a se maravilhar das obras de Cristo e a lhe dar honra, e ainda assim não chegam a crer e a receber o proveito delas.

Em particular, Cristo prova sua igualdade com o Pai mencionando algumas obras que pertencem somente a Deus. Isso é explicado com mais detalhes em (João 5:21-30). Ele faz, e fará, o que pertence ao governo e à autoridade exclusivos de Deus: julgar e executar juízo (João 5:22-24, 27). Essas duas verdades estão intimamente ligadas, por isso são repetidas e enfatizadas novamente. Juntas, provam que Cristo tinha razão quando afirmou ser igual a Deus.

Observe primeiro o que é dito sobre o poder do Mediador para ressuscitar mortos e dar vida. Ele tinha autoridade para isso, como em (João 5:21): assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem quer. Pertence somente a Deus ressuscitar mortos e dar vida. Ele primeiro soprou vida no homem e o fez alma vivente; veja também (Deuteronômio 32:39; 1 Samuel 2:6; Salmo 68:20; Romanos 4:17). Deus já havia mostrado isso por meio de Elias e Eliseu, confirmando assim o chamado deles. Ressurreição de mortos nunca fez parte da ordem comum da natureza e nunca entrou na mente daqueles que pensavam apenas em termos do poder natural. A regra básica deles contra isso era que aquilo que uma vez foi perdido não pode ser restaurado. Por isso, a ideia foi ridicularizada em Atenas como absurda (Atos 17:32). É obra puramente de poder divino, conhecida somente por revelação divina. Os próprios judeus admitiam isso.

Mas ao Mediador foi dado esse direito. Ele dá vida a quem quer, ressuscitando quem ele escolhe e quando ele escolhe. Ele não dá vida por necessidade natural, como o sol aquece por seus raios constantes. Ele age livremente, com seu poder totalmente sob seu próprio controle. Nunca é forçado, nem impedido, no uso desse poder. Assim como tem o poder, também tem a sabedoria e o governo de Deus. Ele tem a chave da morte e do inferno (Apocalipse 1:18), não como servo que abre e fecha apenas quando mandado, mas como aquele a quem pertence a chave de Davi, como senhor (Apocalipse 3:7). Este é o sinal de um governante absoluto: “a quem queria matava e a quem queria dava a vida” (Daniel 5:19). Isso é verdadeiro de Cristo sem exagero.

Ele pode fazer isso porque tem vida em si mesmo, assim como o Pai tem vida em si mesmo (João 5:26). É certo, primeiro, que o Pai tem vida em si mesmo. Ele não é apenas autoexistente, isto é, não depende de ninguém para o seu ser (Êxodo 3:14), mas é também o soberano doador da vida. Ele tem a vida em sua própria mão, e todo bem também, pois “vida” muitas vezes significa todas as coisas boas. Tudo procede dele e depende dele. Ele é a fonte de vida e de todo bem para suas criaturas, o doador do ser e do bem-estar delas, o Deus vivo e o Deus de todos os que vivem.

É igualmente certo que ele deu ao Filho ter vida em si mesmo. Assim como o Pai, como Criador, é a fonte de toda vida natural e todo bem, assim o Filho, como Redentor, é a fonte de toda vida espiritual e todo bem. Ele é para a igreja o que o Pai é para o mundo (1 Coríntios 8:6; Colossenses 1:19). O reino da graça, e toda vida nele, estão plena e completamente nas mãos do Redentor, assim como o reino da providência está nas mãos do Criador. E assim como Deus, que dá ser a todas as coisas, tem o ser em si mesmo, assim Cristo, que dá vida, ressuscitou a si mesmo pela sua própria autoridade (João 10:18).

Tendo vida em si mesmo e tendo autoridade para dar vida a quem quer, Cristo exerce essa autoridade e poder em duas ressurreições mencionadas aqui. Primeiro, uma ressurreição que acontece agora (João 5:25), um levantar-se da morte do pecado para a vida da justiça, pelo poder da graça de Cristo. “A hora vem, e agora é.” Essa ressurreição já havia começado e continuaria, quando os mortos ouvissem a voz do Filho de Deus. Isso é claramente diferente da ressurreição em (João 5:28), que fala da ressurreição no fim dos tempos.

Aqui não se fala de mortos sendo ressuscitados em suas virtudes, nem de todos os mortos saindo literalmente de seus túmulos. Alguns pensam que isso se cumpriu nas pessoas que Cristo ressuscitou fisicamente, como a filha de Jairo, o filho da viúva e Lázaro. Vale notar que Cristo falou diretamente com todos os que ressuscitou: “Menina, levanta-te”, “Jovem, eu te digo, levanta-te”, “Lázaro, vem para fora.” Em contraste, os que foram ressuscitados no Antigo Testamento não o foram por uma palavra dita, mas por outros meios (1 Reis 17:21; 2 Reis 4:34; 2 Reis 13:21).

Alguns entendem que isso se refere aos santos que ressurgiram com Cristo. Mas não lemos que o Filho de Deus os tenha chamado com a sua voz. Por isso, entendo que aqui se trata principalmente do poder do ensino de Cristo, que traz de volta à vida pessoas mortas em delitos e pecados, isto é, espiritualmente mortas e separadas de Deus (Efésios 2:1). O tempo estava chegando em que almas mortas seriam vivificadas pela pregação do evangelho, com o Espírito de vida da parte de Deus operando juntamente com essa pregação. De fato, isso já havia começado enquanto Cristo ainda estava na terra.

Isso pode apontar de modo especial para a vocação dos gentios, que é descrita como vida dentre os mortos. Alguns entendem que a visão de Ezequiel prefigurou isso (Ezequiel 37:1), e Isaías o anunciou: “Os teus mortos viverão” (Isaías 26:19). Mas a verdade vai além disso. Aplica-se a todo o grande progresso do evangelho entre judeus e gentios, uma hora que então já era presente e continua vindo até que todos os eleitos sejam eficazmente chamados. Os pecadores estão espiritualmente mortos. Não têm vida espiritual, nem senso de sua condição, nem força, nem poder para se moverem em direção a Deus. Estão mortos para Deus, miseráveis, e ainda assim incapazes de sentir sua miséria ou de se livrar dela.

Quando uma alma se volta para Deus, isso é uma ressurreição da morte para a vida. A pessoa começa de fato a viver quando começa a viver para Deus, a desejá-lo e a mover-se em sua direção. Isso acontece pela voz do Filho de Deus. Ele dá vida pelo seu poder, e esse poder é transmitido por meio de sua palavra. Os mortos ouvirão, isto é, serão levados a ouvir, a entender, a receber e a crer na voz do Filho de Deus como voz dele mesmo. Então o Espírito dá vida por meio dessa palavra, pois de outro modo a letra mata.

É necessário ouvir a voz de Cristo para viver por meio dela. Os que ouvem, e de fato prestam atenção ao que ouvem, viverão. “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá” (Isaías 55:3).

Há ainda uma ressurreição futura, descrita em (João 5:28-29). Jesus começa dizendo: “Não vos maravilheis disso”, isto é, não rejeitem o que eu disse sobre a primeira ressurreição como algo impossível ou tolo. No fim dos tempos vocês verão uma prova ainda mais clara e maravilhosa do poder e da autoridade do Filho do Homem. Assim como sua própria ressurreição foi a prova final de sua missão pessoal, assim a ressurreição de todos será prova semelhante de sua missão exercida por meio de seu Espírito.

Observe, primeiro, quando essa ressurreição acontecerá. “A hora vem.” Ela está fixada para um momento exato, tão precisa é essa grande nomeação. O juízo não foi adiado para um dia incerto. Deus estabeleceu um dia. A hora vem. Ainda não chegou, e não é a mesma hora mencionada antes, aquela que “vem, e agora é” (João 5:25). Alguns caíram em perigoso erro ao dizer que a ressurreição já havia acontecido (2 Timóteo 2:18). Mas ela certamente virá. Se aproxima a cada dia e está às portas. Não sabemos quão distante está, mas sabemos que foi firmemente decretada e não pode ser mudada.

Segundo, quem ressuscitará? “Todos os que estão nos sepulcros”, todos os que morreram desde o princípio do mundo e todos os que morrerem até o fim dos tempos. Daniel disse: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão” (Daniel 12:2), mas Cristo nos mostra que esses “muitos” serão todos. Todos devem comparecer diante do Juiz, e por isso todos devem ressuscitar. Cada pessoa, e a pessoa inteira, deve ressurgir. Cada alma retornará ao seu corpo, e cada osso ao seu osso.

A sepultura é como uma prisão dos corpos mortos, onde eles são retidos e também o lugar onde são consumidos (Jó 24:19). Mas, à luz da ressurreição, também podemos chamá-la de leito, onde dormem até serem despertados novamente, ou de tesouro, onde são guardados para serem usados outra vez. Mesmo aqueles que não foram sepultados em túmulos ressuscitarão, mas, como a maioria das pessoas é enterrada, Cristo usa essa linguagem: todos os que estão nos sepulcros. Os judeus usavam a palavra “sheol” para o lugar dos mortos, significando o estado dos mortos, e todos os que estão nesse estado ouvirão.

Em terceiro lugar, como serão ressuscitados? Somos informados de duas coisas. Eles ouvirão a sua voz. Isso significa que ele os fará ouvir, assim como Lázaro foi feito a ouvir as palavras: “Vem para fora”. O poder divino acompanhará a voz, dando vida e capacitando à obediência. Quando Cristo ressuscitou, nenhuma voz foi ouvida, porque ele ressurgiu pelo seu próprio poder. Mas, na ressurreição da humanidade, a Escritura fala de três sons (1 Tessalonicenses 4:16). O Senhor descerá com alarido, o brado de um rei, com voz de arcanjo, seja o próprio Cristo, príncipe sobre os anjos, seja o comandante-chefe debaixo dele, e com a trombeta de Deus. Essa trombeta é como a do soldado, que soa o alarme de guerra, ou a do juiz, convocando o povo ao tribunal.

O efeito será que sairão de seus sepulcros, como prisioneiros deixando a casa de cárcere. Levantar-se-ão do pó e o sacudirão de si (Isaías 52:1; Isaías 52:2; Isaías 52:11). Mas não é só isso. Também estarão em pé diante do tribunal de Cristo. Sairão como pessoas que estão sendo julgadas, aproximando-se do tribunal para receber publicamente a sua sentença.

Em quarto lugar, para que estado serão ressuscitados? Eles se levantarão para um estado diferente de felicidade ou de miséria, conforme o seu caráter, e para um estado de recompensa segundo o que fizeram no tempo de prova. Os que fizeram o bem ressuscitarão para a ressurreição da vida. Viverão de novo, e viverão para sempre. Qualquer que seja o nome que reclamem para si, ou quão atraente seja a profissão de fé que façam, o grande dia será favorável somente aos que fizeram o bem, isto é, aos que fizeram o que agrada a Deus e ajuda o próximo.

A ressurreição do corpo será uma ressurreição de vida para todos os que foram sinceros e constantes em fazer o bem. Eles não apenas serão publicamente absolvidos, como um condenado perdoado cuja vida é poupada, mas também serão conduzidos à presença de Deus, e isso é vida em si, melhor do que a própria vida terrena. Desfrutarão das consolações em plenitude. Viver é ser feliz, e eles serão elevados acima do temor da morte. Essa é a verdadeira vida, onde a morte é tragada para sempre.

Mas os que fizeram o mal ressuscitarão para a ressurreição da condenação. Viverão de novo apenas para continuarem morrendo para sempre. Os fariseus pensavam que a ressurreição pertencia somente aos justos, mas Cristo corrige esse engano aqui. Os malfeitores, qualquer que seja a profissão que apresentem, serão tratados como pessoas más no dia do juízo. Para aqueles que praticaram o mal e nunca se afastaram dele por meio do arrependimento, a ressurreição será uma ressurreição de condenação.

Sairão para serem abertamente convencidos de rebelião contra Deus e abertamente condenados a castigo eterno. Serão sentenciados e, em seguida, enviados imediatamente, sem demora ou possibilidade de alívio. Assim será a ressurreição.

Observe-se agora o que é dito sobre a autoridade do Mediador para executar o juízo (João 5:22-24, 27). Assim como Cristo tem todo o poder, também tem o direito de governar. Quem melhor se adapta a presidir os negócios da vida futura do que aquele que é o Pai e a fonte da vida?

Aqui está a comissão de Cristo, ou seu ofício oficial, para a função de juiz, declarada duas vezes: “O Pai a ninguém julga” (João 5:22) e, de novo, “Ele lhe deu autoridade” (João 5:27). Isso não quer dizer que o Pai tenha aberto mão de governar. Quer dizer que ele se agrada de reinar por meio de Jesus Cristo, para que as pessoas não sejam forçadas a lidar com Deus em terror imediato, mas possam vir a ele por meio de um Mediador, alguém que se coloca entre Deus e nós.

Como Deus nos fez, pode fazer de nós o que quiser, como o oleiro com o barro. No entanto, ele não usa esse direito com dureza. Ele nos atrai com cordas de amor humano. Também não decide o nosso destino final pelo pacto de inocência, aquele primeiro acordo sob o qual Adão estava. Ele não tira todo o proveito que tem contra nós por termos quebrado esse pacto. Como o Mediador se dispôs a oferecer um pagamento substitutivo pelo pecado, a questão foi entregue a ele, e Deus se mostra disposto a começar de novo sob um novo acordo, não sob a lei do Criador, mas sob a graça do Redentor. Pagamento substitutivo significa que Cristo tomou a pena em nosso lugar.

O Pai entregou todo o juízo ao Filho e o fez Senhor de todos (Atos 10:36; Romanos 14:9), como José foi feito governador no Egito (Gênesis 41:40). Isso foi predito nas Escrituras (Salmo 72:1; Isaías 11:3-4; Jeremias 23:5; Miqueias 5:1-4; Salmo 67:4; Salmo 96:13; Salmo 98:9). Todo o juízo é confiado ao nosso Senhor Jesus por vários motivos.

Primeiro, ele é encarregado do governo da providência, isto é, da ordenação de todos os acontecimentos. Ele é cabeça sobre todas as coisas (Efésios 1:11), cabeça de todo homem (1 Coríntios 11:3), e todas as coisas subsistem nele (Colossenses 1:17). Segundo, ele tem autoridade para dar leis que obrigam diretamente a consciência. “Eu vos digo” é agora a forma das leis do reino dos céus. É como se cada lei dissesse: “Seja decretado pelo Senhor Jesus, e por sua autoridade”. Todas as leis hoje em vigor trazem o seu selo real.

Terceiro, ele tem autorização para estabelecer e ordenar as condições da nova aliança, o novo acordo de paz entre Deus e o homem. É Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo. Foi-lhe dado poder para dar a vida eterna. O livro da vida é o livro do Cordeiro, e devemos estar firmes ou cair segundo o juízo dele. Quarto, ele é comissionado para levar adiante e concluir a guerra contra os poderes das trevas, expulsar e condenar o príncipe deste mundo (João 12:31). Ele é enviado não só para julgar, mas para guerrear (Apocalipse 19:11). Todos os que querem lutar por Deus contra Satanás precisam alistar-se debaixo da bandeira de Cristo.

Quinto, ele é estabelecido como único governante do juízo do grande dia. Os antigos escritores geralmente entenderam estas palavras como referindo-se ao juízo final e universal. Esse último tribunal é dado ao Filho do homem. O tribunal é dele, o tribunal de Cristo; os assistentes são seus poderosos anjos. Ele ouvirá as causas e proferirá a sentença (Atos 17:31).

Também lhe foi dada autoridade para executar o juízo (João 5:27). Isso significa mais do que poder para fazer leis e decidir causas. Inclui também o poder de colocar a sentença em prática. Aqui a expressão aponta especialmente para a condenação (Judas 1:15). Ele vai “fazer juízo contra todos”, o que é o mesmo que tomar vingança (2 Tessalonicenses 1:8). A ruína dos pecadores impenitentes vem da mão de Cristo. Aquele que executa o juízo sobre eles é o mesmo que lhes teria trazido salvação, e isso torna a sentença justa e incontestável. Não há escapatória da sentença do Redentor. A própria salvação não pode salvar aqueles a quem o Salvador condena, e isso torna a ruína final e sem remédio.

Essa autoridade vem do Pai, que a deu a ele. A autoridade de Cristo como Mediador é recebida, vem de outro. Ele age como o delegado do Pai, o Ungido do Senhor, o Cristo do Senhor. Tudo isso exalta grandemente a Cristo. Livra-o da acusação de blasfêmia por se fazer igual a Deus e traz grande consolo a todos os crentes, que podem entregar com segurança tudo em tais mãos.

Todo esse poder lhe foi dado por dois principais motivos. Primeiro, porque ele é o Filho do homem. Esse título aponta para três coisas. Mostra sua humildade e seu abaixamento voluntário. O homem é como um verme, e o filho do homem também, e, ainda assim, foi essa a natureza e o título que o Redentor assumiu em amor. Ele se abaixou a essa condição tão baixa e aceitou toda a vergonha que a acompanhava, porque essa era a vontade de seu Pai. Como recompensa por essa obediência extraordinária, Deus lhe deu essa honra. Porque se humilhou para ser o Filho do homem, seu Pai o fez Senhor de todos (Filipenses 2:8-9).

Esse título também indica sua afinidade conosco. O Pai colocou o governo dos filhos dos homens em suas mãos porque, como Filho do homem, ele compartilha a mesma natureza daqueles que governa. Isso o torna um juiz de quem é mais difícil reclamar e mais fácil aceitar. “O seu governador procederá dele mesmo” (Jeremias 30:21). A antiga lei apontava para essa verdade: “Porás sobre ti por rei aquele que o Senhor teu Deus escolher; dentre teus irmãos porás rei sobre ti” (Deuteronômio 17:15).

Por fim, isso aponta para o fato de ele ser o Messias prometido. Na grande visão de seu reino e de sua glória, ele é chamado de Filho do homem (Daniel 7:13-14), e também é assim em (Salmo 8:4-6): ali se diz que o Filho do homem foi colocado sobre as obras das mãos de Deus. Ele é o Messias, e por isso lhe é dada todo esse poder. Os judeus costumavam chamar o Cristo de Filho de Davi, mas Cristo geralmente chamava a si mesmo de Filho do homem. Esse é um título mais humilde e o mostra como príncipe e Salvador não apenas para a nação judaica, mas para toda a humanidade.

Em segundo lugar, “para que todos honrem o Filho” (João 5:23). Honrar Jesus Cristo é apresentado aqui como o grande propósito de Deus. O Filho veio para glorificar o Pai, e por isso o Pai também decidiu glorificar o Filho (João 12:32). Ao mesmo tempo, isso é mostrado como o grande dever dos homens em resposta a esse propósito. Se Deus quer que o Filho seja honrado, então todos os que o conhecem devem honrá-lo.

Devemos honrar o Filho. Devemos reconhecê-lo como alguém digno de honra, tanto por sua excelência infinitamente superior em si mesmo, quanto pela relação que ele tem conosco. Devemos buscar prestar-lhe a honra que lhe pertence. Devemos confessar que ele é o Senhor, adorá-lo e honrar aquele que foi desonrado por nós. E o grau dessa honra é este: devemos honrar o Filho assim como honramos o Pai. Isso pressupõe que é correto honrar o Pai. A religião revelada se apoia na religião natural e nos dirige a honrar o Filho com honra divina. Devemos honrar o Redentor com a mesma honra com que honramos o Criador.

Está tão longe de ser blasfêmia ele se fazer igual a Deus, que o maior erro é nós o fazermos algo menor do que isso. As verdades e mandamentos da fé cristã, na medida em que Deus os revelou, são tão santos e dignos de respeito quanto as verdades da religião natural. Merecem o mesmo acatamento. Estamos debaixo da mesma obrigação para com Cristo, por meio de quem viemos à existência, e dependemos da graça do Redentor tão verdadeiramente quanto dependemos do cuidado do Criador. Isso já basta para fundamentar este mandamento: honrar o Filho como honramos o Pai.

Para tornar esse mandamento ainda mais forte, acrescenta-se: quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. Há quem afirme respeitar o Criador e falar bem dele, mas trata o Redentor com indiferença ou desprezo. Que saibam que a honra e os interesses do Pai e do Filho estão tão estreitamente unidos, que o Pai nunca se considera honrado por quem desonra o Filho.

Observe-se aqui duas coisas. Primeiro, as ofensas contra o Senhor Jesus Cristo recaem sobre o próprio Deus e serão avaliadas assim no céu. O Filho tomou para si, de modo pleno, a honra do Pai, a ponto de levar sobre si os insultos dirigidos ao Pai (Romanos 15:3). Do mesmo modo, o Pai toma para si a honra do Filho e considera o insulto feito ao Filho como um ataque dirigido a si mesmo. Segundo, a razão disso é que o Filho foi enviado e recebeu autoridade do Pai. É o Pai quem o enviou. Insultar um embaixador é com justiça considerado um insulto ao príncipe que o enviou. Por essa regra, os que verdadeiramente honram o Filho também honram o Pai (Filipenses 2:11).

Aqui está a regra segundo a qual o Filho cumpre essa missão, e estas palavras parecem introduzi-la (João 5:24): quem ouve e crê tem a vida eterna. Nessas palavras temos o coração de todo o evangelho. As palavras iniciais exigem séria atenção a algo muito importante e plena concordância com algo absolutamente certo: “Em verdade, em verdade vos digo: eu, a quem foi dado todo o juízo, eu, em cuja boca há sentença divina, dou a vocês a marca do cristão e a promessa do cristão”.

Primeiro, a marca de um cristão: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou. Ser um verdadeiro cristão significa, em primeiro lugar, ouvir a palavra de Cristo. Não basta apenas estar perto dela. Devemos escutá-la com atenção, como alunos que escutam seu mestre, e com obediência, como servos que ouvem seu senhor. Devemos ouvir e obedecer, e manter o evangelho de Cristo como a regra fixa de nossa fé e de nossa conduta. Em segundo lugar, significa crer naquele que o enviou, porque o objetivo de Cristo é nos conduzir a Deus. Deus é a primeira fonte de toda graça e também o fim último de toda fé. Cristo é o caminho, Deus é o descanso. Devemos crer em Deus como aquele que enviou Jesus Cristo e se deu a conhecer à nossa fé e ao nosso amor ao fazer brilhar a sua glória na face de Jesus Cristo (2 Coríntios 4:6), como Pai dele e nosso Pai.

Em segundo lugar, vem a promessa do cristão, na qual todos os verdadeiros cristãos têm parte. Veja o que recebemos por meio de Cristo. Há uma promessa de perdão: não entrará em condenação. A graça do evangelho concede plena libertação da maldição da lei. O crente não apenas escapará da condenação eterna, mas nem mesmo está sob ela agora, nem perto do seu perigo (Romanos 8:1). Ele não virá a juízo, nem mesmo ficará de pé como acusado.

Há também uma promessa de privilégio: passou da morte para a vida. Ele recebe agora vida presente em sua alma, e lhe é prometida a vida eterna no porvir. A primeira aliança dizia: Faze isso e viverás, e: o homem que fizer essas coisas, por elas viverá. Isso mostra a igualdade de Cristo com o Pai, porque ele tem poder para oferecer a mesma bênção, vida, àqueles que ouvem a sua palavra, que a antiga lei prometia àqueles que a cumprissem. Ouve e vive, crê e vive é uma promessa na qual podemos depositar com segurança a nossa alma, quando somos incapazes de fazer e viver (João 17:2).

Aqui está a retidão de seus atos ao cumprir essa missão (João 5:30). Já que todo o juízo lhe foi entregue, naturalmente se pergunta como ele o exerce. Ele responde: o meu juízo é justo. Todos os juízos de Cristo são retos.

diversity_3 Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart Inteligencia emocional

Em João 5:17, a frase de Jesus soa como um sussurro forte no meio de muitos questionamentos: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” Há ali um cenário de conflito, acusações e incompreensão, e, mesmo assim, Jesus fala do cuidado constante de Deus. Não se trata de um Deus distante, que apenas observa; é um Deus em movimento, atento à dor, ao corpo adoecido, ao coração cansado e à história de cada pessoa. O “trabalho” do Pai e do Filho não é correria ansiosa, mas fidelidade silenciosa. Enquanto muita coisa parece parada, confusa ou sem saída, o texto revela um Deus que continua agindo, ainda que nem sempre de forma visível. Jesus associa o próprio ministério ao cuidado do Pai: curar, restaurar, levantar quem está prostrado faz parte desse trabalho sagrado. Para quem atravessa períodos de luto, desânimo ou sensação de abandono, o versículo abre uma pequena fresta de esperança: a história não está sendo conduzida no automático. Há um Pai que trabalha até agora, e um Filho que entra nos lugares de dor para tocar, ouvir e reconstruir, mesmo quando o coração não consegue perceber com clareza.

Mind
Mind Sabedoria teologica

O contexto imediato de João 5:17 é a cura do paralítico no sábado e a reação dos líderes judeus, que acusam Jesus de violar o descanso sabático. Nesse cenário, a resposta de Jesus é teologicamente explosiva. Ao dizer: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”, Jesus parte de uma observação bem conhecida no judaísmo: embora Deus tenha “descansado” no sétimo dia da criação, não deixou de sustentar o mundo, julgar, dar vida e governar a história. Esse “trabalho” contínuo de Deus não viola o sábado, mas o fundamenta. Quando Jesus se coloca lado a lado com esse “trabalho” do Pai, está reivindicando participar da mesma esfera de ação divina: dar vida, restaurar, julgar e manter a criação. A gramática simples do texto (“Meu Pai... e eu...”) sugere mais que mera imitação; indica sintonia de vontade e de obra. Por isso, o versículo seguinte mostra que os líderes entendem a gravidade: Jesus se faz igual a Deus. O versículo, assim, não apenas defende a cura no sábado, mas revela a identidade do Filho como cooperador pleno na obra contínua do Pai.

Life
Life Vida pratica

A frase de Jesus em João 5:17 revela um Deus que não é distante nem desligado da história. O Pai “trabalha até agora”: sustenta a criação, dirige a história, cuida dos pequenos detalhes da vida humana. Não se trata de ativismo divino, mas de cuidado perseverante. Nesse contexto, o “eu trabalho também” de Jesus não é um trabalho qualquer; é participação no agir do Pai, com o mesmo coração e propósito. Essa visão confronta tanto o cansaço de quem sente que tudo depende de esforço próprio quanto a passividade espiritual de quem espera que tudo se resolva sem responsabilidade. O texto mostra um Cristo em plena sintonia com o Pai, integrando fé, propósito e ação concreta no dia a dia. Sabedoria também aparece na rotina: o trabalho de Jesus envolve cura, restauração, confronto amoroso e obediência, inclusive quando isso contraria expectativas religiosas. O versículo aponta para uma vida em que atividade não é fuga, mas resposta fiel; em que descanso não é desistência, mas confiança. O Pai continua agindo com fidelidade, e o Filho encarna esse agir em atitudes visíveis, simples e transformadoras.

Soul
Soul Perspectiva eterna

Em João 5:17, o evangelho descortina algo profundo sobre o coração de Deus: o Pai não está inativo, distante, indiferente ao sofrimento e ao caos do mundo. “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” revela um Deus em movimento constante, sustentando a criação, conduzindo a história, curando de maneiras visíveis e silenciosas. Deus trabalha também no silêncio. O “trabalho” do Pai não é agitação, mas fidelidade: manter o universo, despertar arrependimento, consolar feridas invisíveis, preparar o cumprimento de suas promessas. O trabalho do Filho se alinha perfeitamente a esse movimento: Jesus cura, restaura, confronta estruturas religiosas estéreis e revela que o verdadeiro descanso não é ausência de ação, mas comunhão com a vontade do Pai. Há algo mais profundo sendo formado: a compreensão de que o tempo não está solto, mas nas mãos de um Deus que age sem cessar, inclusive quando nada parece mudar. A eternidade muda o peso do presente. Nesse versículo, o Evangelho apresenta a vida como palco do trabalho redentor do Pai e do Filho, que não abandonam o mundo à própria sorte.

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healing Aplicação restauradora e de saúde mental

Em João 5:17, Jesus afirma que o Pai continua trabalhando, e Ele também. Essa imagem de um Deus em ação constante pode oferecer base segura para quem enfrenta ansiedade, depressão ou efeitos de trauma. Não se trata de negar a dor, mas de reconhecer que, mesmo quando a pessoa se sente paralisada, o cuidado de Deus não entra em suspensão. Na linguagem da psicologia, essa percepção pode fortalecer o senso de “base segura” e favorecer a regulação emocional.

Clinicamente, é importante validar sentimentos de exaustão e desesperança, evitando a expectativa irreal de força contínua. O texto não exige produtividade espiritual ininterrupta; revela, antes, que o trabalho principal – o de sustentar, restaurar e conduzir ao crescimento – está nas mãos de Deus. Estratégias como atenção plena cristã (observar pensamentos e emoções diante de Deus, sem julgamento), respiração diafragmática associada à meditação em verdades bíblicas de cuidado, e a prática de rotinas pequenas e possíveis podem reduzir sintomas ansiosos.

A confiança de que Deus permanece atuando permite que a recuperação psíquica seja vista como processo gradual, em que recaídas, ambivalências e limites fazem parte da jornada terapêutica, sem perda de valor ou de amor diante de Deus.

info Maus usos comuns a evitar expand_more

Um uso problemático de João 5:17 aparece quando a ênfase no “trabalhar” de Deus e de Jesus é traduzida em exigência de produtividade infinita, autoexploração ou culpas extremas por descansar e adoecer. Também é preocupante quando o texto é usado para justificar suportar abusos, sobrecarga ou negligência de limites pessoais em nome de “continuar trabalhando para Deus”. Há risco de espiritualização de quadros de depressão, ansiedade, esgotamento ou ideação suicida, como se bastassem mais fé ou serviço religioso, favorecendo positividade tóxica e desqualificação do sofrimento. Sinais como perda de funcionamento diário, pensamentos autodestrutivos, crises de pânico, uso abusivo de substâncias ou incapacidade de cumprir responsabilidades indicam necessidade de avaliação por profissional de saúde mental qualificado, em conjunto, se desejado, com acompanhamento pastoral sensível e não punitivo.

Perguntas frequentes

Por que João 5:17 é um versículo importante na Bíblia?
João 5:17 é importante porque mostra Jesus se identificando de forma íntima com Deus Pai: Ele diz que o Pai trabalha até agora, e Ele também trabalha. Isso revela que Jesus participa da mesma obra divina de sustentar o mundo e salvar as pessoas. Além disso, esse versículo foi entendido pelos judeus como uma afirmação de igualdade com Deus, o que ajuda a entender quem Jesus realmente é: não apenas um profeta, mas o Filho de Deus.
Qual é o contexto de João 5:17 na história de Jesus?
O contexto de João 5:17 é a cura de um homem paralítico no tanque de Betesda, em Jerusalém, num dia de sábado. Os líderes religiosos ficaram indignados porque Jesus realizou a cura nesse dia, que para eles deveria ser de descanso absoluto. Em resposta às críticas, Jesus diz: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”. Ou seja, Ele mostra que a obra de Deus em favor da vida e da restauração não para, nem mesmo no sábado.
O que Jesus quer dizer com “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” em João 5:17?
Quando Jesus diz “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”, Ele está afirmando que Deus não abandona o mundo depois da criação. O Pai continua agindo, sustentando a vida e realizando sua obra de salvação. E Jesus participa dessa mesma obra, com a mesma autoridade. Isso indica a unidade entre Pai e Filho e mostra que as ações de Jesus, inclusive curar no sábado, estão totalmente de acordo com a vontade de Deus.
Como posso aplicar João 5:17 na minha vida diária?
Aplicar João 5:17 na vida diária significa lembrar que Deus está sempre agindo, mesmo quando não percebemos. Em momentos de cansaço, dúvida ou sofrimento, esse versículo encoraja você a confiar que o Pai e o Filho continuam trabalhando em seu favor. Ele também inspira a servir aos outros com amor, entendendo que a obra de Deus inclui cuidar, curar, acolher e fazer o bem, inclusive quando isso exige sair da rotina e romper tradições vazias.
O que João 5:17 nos ensina sobre o sábado e a lei de Deus?
João 5:17 mostra que o propósito do sábado não é impedir o bem, mas apontar para o descanso em Deus. Jesus revela que o trabalho de Deus em salvar, curar e sustentar a vida não para. Assim, o versículo ensina que a prioridade da lei é a misericórdia e a vida, não o legalismo. Em vez de usar regras para condenar, Jesus mostra que a verdadeira obediência é agir em sintonia com o coração amoroso do Pai.

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