Versículo em destaque
Jó 6:22 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Acaso disse eu: Dai-me ou oferecei-me presentes de vossos bens? "
Jó 6:22
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
20 Ficam envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem.
21 Agora sois semelhantes a eles; vistes o terror, e temestes.
22 Acaso disse eu: Dai-me ou oferecei-me presentes de vossos bens?
23 Ou livrai-me das mãos do opressor? Ou redimi-me das mãos dos tiranos?
24 Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.
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Jó, em sua profunda aflição, continua aqui repreendendo seus amigos pela falta de bondade e pela dureza com que o trataram. Ele apela a eles em vários pontos que, ao mesmo tempo, serviriam para defendê-lo e para condená-los. Se eles pensassem com justiça e falassem com sinceridade, teriam de admitir isso.
Primeiro, embora estivesse em necessidade, Jó não vivia pedindo ajuda nem sendo um peso para os amigos. Pessoas que estão sempre mendigando por causa de seus problemas costumam ser menos dignas de compaixão do que os pobres que sofrem em silêncio. Jó teria ficado contente em ver os amigos, mas não disse: “Trazei-me ajuda” (Jó 6:22) ou: “Livrai-me” (Jó 6:23). Ele não tentou fazê-los gastar com ele. Não pediu que fizessem uma coleta para restabelecê-lo neste mundo. Mesmo podendo dizer que suas perdas vieram da mão de Deus, e não de culpa ou tolice pessoal, que tinha sido totalmente arruinado e empobrecido, que antes vivera em boa condição e que fora generoso quando tinha recursos, ainda assim não disse: “Dai-me dos vossos bens”. Um homem de bem, quando está atribulado, toma cuidado para não se tornar ele mesmo uma tribulação para os amigos.
Ele também não pediu que eles mobilizassem a região em seu favor, para ajudá-lo a recuperar o gado tomado pelos sabeus e caldeus, nem que se vingassem deles. “Acaso vos mandei dizer que me livrásseis da mão dos poderosos?” Não, é isso que ele está dizendo. Ele nunca esperou que se colocassem em perigo ou fizessem grandes despesas por causa dele. Preferia suportar seu sofrimento e tirar o melhor proveito possível da situação a viver à custa dos amigos. Mais tarde, Paulo trabalharia com as próprias mãos para não ser pesado a ninguém.
O fato de Jó não ter pedido ajuda não isentava os amigos de oferecê-la, quando ele precisava e eles podiam dar. Mas isso tornava a falta de bondade deles ainda pior, porque ele não pedia mais que um olhar compassivo e uma boa palavra, e nem isso recebeu. Muitas vezes acontece que, dos homens, mesmo quando esperamos pouco, recebemos menos ainda. Mas de Deus, mesmo quando esperamos muito, recebemos mais (Efésios 3:20).
Em segundo lugar, embora Jó discordasse deles, não era teimoso. Estava pronto a ceder se conseguissem mostrar que ele estava errado. Estava disposto a baixar as velas diante da verdade assim que ela lhe fosse demonstrada (Jó 6:24, Jó 6:25). A ideia é: “Se, em vez de insinuações invejosas e palavras duras, vocês me dessem ensino claro e argumentos sólidos, que se comprovem por si mesmos, estou pronto a reconhecer meu erro e calar. Ensinai-me, e eu me calarei, porque muitas vezes vi, com prazer e admiração, quão poderosas são as palavras justas. Mas o modo como vocês argumentam não convence ninguém. O que é que realmente provam? A ideia de vocês é errada, seus palpites não têm base firme, o modo como tratam este caso é fraco, e a aplicação é severa e sem misericórdia.”
Um raciocínio justo tem força real, e não é de se estranhar quando as pessoas se deixam persuadir por ele. Mas palavras ríspidas e ofensivas são inúteis e insensatas; não admira que apenas provoquem mais ira e tornem as pessoas ainda mais firmes em suas opiniões. Um homem honesto deseja de fato ver seus erros corrigidos. Ele se alegra em compreender onde se enganou e reconhece que as palavras certas são poderosas e boas, mesmo quando vão contra o que ele inicialmente pensava.
Em terceiro lugar, ainda que Jó tivesse errado em algumas coisas, isso não justificava que o tratassem com tanta aspereza (Jó 6:26, Jó 6:27). Ele pergunta, em essência: “Vocês pretendem reprovar palavras com tanto rigor?”, isto é, esmiuçar algumas expressões apaixonadas ditas em meio ao desespero, como se fossem prova de que ele não teme a Deus e não tem fé? Um pouco de justiça e caridade teria relevado essas palavras e lhes dado um sentido melhor. Deve-se julgar a condição espiritual de um homem por algumas frases precipitadas arrancadas por uma aflição repentina? Isso é justo, bondoso ou correto? Gostariam de ser tratados assim?
Duas coisas tornavam o procedimento deles ainda pior. Primeiro, aproveitaram-se da fraqueza e do estado indefeso de Jó. “Oprimis o órfão” funciona como um provérbio para descrever conduta cruel e desumana. O órfão não pode se defender de insultos, então gente vil é tentada a pisar nele. Jó, embora não fosse órfão de fato, sentia-se tão exposto quanto uma criança desamparada (Salmo 127:5), e tinha bons motivos para se ofender quando o trataram desse modo. Os que oprimem pessoas em situação tão indefesa não apenas rejeitam a compaixão humana, mas também se colocam contra a misericórdia de Deus, que é e será Pai dos órfãos e ajudador dos desamparados.
Segundo, eles fingiam ser bondosos. “Cavais uma cova para o vosso amigo.” Não só foram duros com ele, que era amigo, como usaram a linguagem da amizade para armadilhá-lo. Quando vieram sentar-se com ele, Jó pensou que poderia falar livremente e que, quanto mais amargas fossem suas queixas, mais eles o consolariam. Isso o levou a abrir o coração mais do que talvez fizesse noutra ocasião. Davi, embora contivesse seus sentimentos na presença dos ímpios, provavelmente falaria com mais liberdade se tivesse apenas amigos ao redor (Salmo 39:1). Mas, alegando cuidado e interesse, eles o levaram a falar assim, e depois usaram suas palavras contra ele. Nesse sentido, cavaram-lhe uma cova. Quando o coração está em chamas dentro de nós, muitas vezes somos tentados a transformar o que é apenas ruim em algo que achamos que foi feito de propósito.
Em quarto lugar, embora Jó por vezes tivesse falado com paixão, ainda estava certo no ponto principal. Suas aflições, por mais estranhas que fossem, não provavam que ele fosse hipócrita ou ímpio. Ele ainda se apegava à sua integridade e não a largaria. Para demonstrar isso, apela primeiro ao que eles podiam ver nele (Jó 6:28): “Olhai para mim.” É como se dissesse: “Que veem em mim que mostre que sou louco ou perverso? Observem meu semblante, e poderão notar em tudo isso um espírito paciente e submisso. Deixem que minha aparência testemunhe em meu favor: embora tenha amaldiçoado o dia em que nasci, não amaldiçoei meu Deus.”
Ou, mais provavelmente, ele quer dizer: “Olhai para minhas chagas e úlceras, e por elas ficará claro que não minto.” Ou seja, ele não está se queixando sem motivo. Quer que usem os próprios olhos e vejam que sua condição é realmente miserável, e que não está exagerando sua dor apenas para contender com Deus.
Ele também apela ao que ouviram dele (Jó 6:30). A ideia é: “Vocês escutam o que digo. Há falsidade na minha língua, do tipo de mal que vocês me imputam? Amaldiçoei a Deus ou me desviei dele? Minhas palavras agora não são verdadeiras e justas? Pelo que digo, não percebem que sei distinguir ideias erradas das certas? Posso notar seus enganos e falsos argumentos e, se eu mesmo estivesse errado, também o perceberia. Pensem o que quiserem de mim, eu sei o que estou dizendo.”
Por fim, ele apela para um juízo mais calmo e ponderado deles (Jó 6:29). “Convertei-vos, vos rogo, não haja iniquidade”, ou seja: “Voltem atrás, reconsiderem isso sem preconceito ou parcialidade, e não deixem que o vosso juízo se torne injustiça. Então vereis a minha justiça nisso”, isto é: “Vocês verão que, neste ponto, estou certo. Mesmo que nem sempre domine meu temperamento como deveria, ainda preservo minha integridade. Nada do que disse, fiz ou sofri prova que eu seja outra coisa senão um homem sincero.” Uma causa justa não pede mais do que uma audiência justa e, se necessário, uma nova audiência.
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Deste capítulo
Jó 6:1
"Então Jó respondeu, dizendo:"
Jó 6:2
"Oh! se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!"
Jó 6:3
"Porque, na verdade, mais pesada seria, do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido engolidas."
Jó 6:4
"Porque as flechas do TodoPoderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim."
Jó 6:5
"Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?"
Jó 6:6
"Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo?"
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