Versículo em destaque
Jó 4:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? "
Jó 4:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Mas agora, que se trata de ti, te enfadas; e tocando-te a ti, te perturbas.
6 Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a integridade dos teus caminhos?
7 Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos?
8 Segundo eu tenho visto, os que lavram iniqüidade, e semeiam mal, segam o mesmo.
9 Com o hálito de Deus perecem; e com o sopro da sua ira se consomem.
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Elifaz acrescenta agora outro argumento para sustentar a acusação de que Jó é hipócrita. Ele afirma que a impaciência de Jó no sofrimento é uma prova contra ele, e que os próprios sofrimentos são outra, por serem tão grandes e extraordinários, sem sinal de alívio. Para sustentar isso, ele apresenta dois princípios que, à primeira vista, parecem razoáveis.
Primeiro, ele diz que pessoas boas nunca foram arruinadas desse jeito. Para “provar”, manda Jó lembrar de tudo o que já viu, ouviu ou leu, e citar um só inocente e justo que tenha perecido assim e sido exterminado (Jó 4:7). Se ele estiver falando de perdição final e eterna, a afirmação é verdadeira. Ninguém verdadeiramente inocente e justo se perde para sempre; só o homem do pecado, o filho da perdição (2 Tessalonicenses 2:3). Mas isso não se aplica a Jó, porque Jó não tinha perecido nesse sentido, nem fora cortado de vez. Um homem só está verdadeiramente perdido quando está no inferno.
Se Elifaz estiver falando de qualquer tipo de aflição nesta vida, então sua afirmação não é verdadeira. Os justos morrem (Isaías 57:1), e os mesmos acontecimentos alcançam tanto justos quanto ímpios, na vida e na morte (Eclesiastes 9:2). A diferença grande e certa vem depois da morte. Mesmo antes do tempo de Jó, já havia exemplos suficientes para desmentir Elifaz. Acaso o justo Abel não pereceu, embora inocente? Não foi cortado ainda no começo da vida? O justo Ló não foi expulso de casa e forçado a viver num abrigo solitário numa caverna? O justo Jacó, o arameu prestes a perecer, não passou por esse risco? (Deuteronômio 26:5). Sem dúvida houve outros casos semelhantes que não ficaram registrados.
Em seguida, Elifaz afirma que pessoas ímpias, essas sim, com frequência são arruinadas dessa maneira. Ele apela para o que diz ter visto: os que lavram a iniquidade e semeiam o mal colhem exatamente isso como colheita. Pelo sopro de Deus perecem (Jó 4:8-9). Ele considera que isso acontece com tanta frequência que o sofrimento de Jó só pode significar que Jó fez o mesmo. Em outras palavras: “Do jeito que vi em outros, vejo em você.”
Ele fala primeiro dos pecadores em geral, pecadores ativos, diligentes no pecado, como um lavrador que ara a terra esperando colheita. Mas o que recebem? Colhem da mesma espécie de coisa que semearam. Vão colher da carne corrupção e ruína (Gálatas 6:7-8). A colheita deles será um montão de desgostos e tristeza sem esperança (Isaías 17:11). Colhem o resultado adequado da própria semente. O pecador semeia o que acredita que lhe trará proveito, mas Deus dá a essa semente um corpo: o corpo da morte, o fim que decorre daquelas obras (Romanos 6:21).
Alguns entendem a “iniquidade” e a “maldade” aqui como injustiças cometidas contra o próximo. Os que lavram e semeiam esse tipo de mal colherão o mesmo, ou seja, serão pagos na mesma moeda. Os que causam tribulação serão atribulados (2 Tessalonicenses 1:6; Josué 7:25). Os que despojam serão despojados (Isaías 33:1), e os que levaram cativos irão para o cativeiro (Apocalipse 13:10).
Elifaz então descreve a ruína deles. Pelo sopro de Deus perecem. Os planos em que tanto se esforçaram são frustrados. Deus corta as cordas dos que lavram a iniquidade (Salmo 129:3-4). Eles mesmos são destruídos, e isso é o justo castigo pelo seu pecado. Perecem, isto é, são arruinados por completo, e são consumidos, isto é, a ruína vem pouco a pouco. Isso acontece pelo sopro e pelo hálito de Deus, isto é, por sua ira e por sua palavra. Sua indignação derruba os pecadores, e seu sopro é dito acender o fogo do juízo (Isaías 30:33). Quem pode conhecer o poder da sua ira? (Salmo 90:11). Ele fala, e está feito, de maneira fácil e plena. O Espírito de Deus, atuando por meio da sua palavra, destrói os pecadores. Com ela os põe à morte (Oséias 6:5). Em Deus, falar e fazer não são duas coisas separadas. Diz-se que o homem do pecado será destruído pelo sopro da boca de Cristo (2 Tessalonicenses 2:8; compare Isaías 11:4; Apocalipse 19:21).
Alguns entendem que Elifaz também está aludindo ao vento que derrubou a casa em que estavam os filhos de Jó, como se eles fossem maiores pecadores do que os outros por terem sofrido daquela maneira (Lucas 13:2). Se for isso, ele tirou uma conclusão cruel e injusta.
Elifaz fala de modo especial também sobre tiranos e cruéis opressores, usando leões como figura (Jó 4:10-11). A língua hebraica tem várias palavras para leão, e todas são usadas aqui para destacar o poder feroz de rasgar dos orgulhosos opressores. Eles rugem, rasgam e fazem presa de todos ao redor, e ensinam seus filhotes a fazer o mesmo (Ezequiel 19:3). O diabo é um leão que ruge, e tais pessoas partilham de sua natureza e fazem a sua vontade. São fortes como leões e astutas como leões (Salmo 10:9; Salmo 17:12), e onde reinam, deixam rastro de destruição.
Ele também descreve a queda deles, tanto em poder quanto em pessoa. Serão impedidos de fazer mais mal e chamados a prestar contas pelo mal que já fizeram. Deus tomará medidas eficazes para que não continuem aterrorizando os outros. A voz do seu rugido será calada. Não poderão mais rasgar e destruir, porque Deus lhes tirará a força de ferir. Os seus dentes serão quebrados, como no Salmo 3:7. Assim, o restante da ira será contido.
Serão ainda impedidos de se enriquecer por meio de roubo. Até o leão velho passará fome e morrerá por falta de presa. Os que viveram de rapina e violência podem acabar tão pobres que morrem de fome. Não deixarão, como esperavam, uma linhagem forte. Seus filhotes serão dispersos, obrigados a sair em busca de alimento por conta própria, em vez de serem sustentados pelo leão velho (Naum 2:12). O leão rasgava a presa para os filhotes, mas agora os filhotes precisam se virar sozinhos.
É possível que Elifaz tenha dito tudo isso como um ataque velado contra Jó, como se Jó, o maior de todos os do Oriente, tivesse ajuntado sua riqueza por meio de saques e usado seu poder para oprimir os vizinhos. Se foi isso, tratou-se de um abuso vergonhoso contra um homem a quem o próprio Deus havia elogiado.
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Deste capítulo
Jó 4:1
"Então respondeu Elifaz o temanita, e disse:"
Jó 4:2
"Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderia conter as palavras?"
Jó 4:3
"Eis que ensinaste a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas."
Jó 4:4
"As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido."
Jó 4:5
"Mas agora, que se trata de ti, te enfadas; e tocando-te a ti, te perturbas."
Jó 4:6
"Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a integridade dos teus caminhos?"
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