Versículo em destaque

Jó 39:13 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" A avestruz bate alegremente as suas asas, porém, são benignas as suas asas e penas? "

Jó 39:13

menu_book Versículo no contexto

11 Ou confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cargo o teu trabalho?

12 Ou fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolha na tua eira?

13 A avestruz bate alegremente as suas asas, porém, são benignas as suas asas e penas?

14 Ela deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó,

15 E se esquece de que algum pé os pode pisar, ou que os animais do campo os podem calcar.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O avestruz é uma ave impressionante: muito grande, mas que nunca voa. Alguns a chamam de “camelo alado”. Aqui, Deus a descreve e destaca vários aspectos a seu respeito.

Em primeiro lugar, o avestruz tem algo em comum com o pavão: belas penas (Jó 39:13). Muitos entendem o versículo no sentido de: “Acaso deste asas vistosas ao pavão?”. Penas finas muitas vezes fazem aves orgulhosas. O pavão há muito tempo é visto como símbolo de orgulho; quando ele se exibe e abre sua cauda, nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como ele. O avestruz também tem belas penas, mas é uma ave tola. Beleza nem sempre anda junto com sabedoria.

As outras aves não invejam o pavão nem o avestruz por suas cores vivas, e não reclamam por não as terem. Por que nós, então, deveríamos murmurar se outros se vestem melhor do que podemos pagar? Deus reparte seus dons de maneiras diferentes, e os dons que parecem mais impressionantes nem sempre são os mais valiosos. Quem não preferiria o canto do rouxinol à cauda do pavão, o olhar agudo e o voo nas alturas da águia, ou o cuidado natural da cegonha com seus filhotes, em vez das belas asas e penas do avestruz, que não conseguem erguer a ave acima do chão e não vêm acompanhadas daquele mesmo cuidado?

Em segundo lugar, o avestruz tem algo que lhe pertence de modo muito particular.

Ele é descuidado com seus filhotes, e é bom que isso seja verdadeiro apenas a respeito do avestruz, porque é um traço muito ruim. Observe como ele deixa seus ovos expostos. Não vai a um lugar escondido fazer ninho, como fazem os pardais e as andorinhas (Salmo 84:3). A maioria das aves, e muitos outros animais, seguem um forte instinto de proteger e sustentar seus filhotes. Mas o avestruz é tão estranho em sua natureza que larga seus ovos em qualquer lugar no chão e não se esforça para chocá‑los. Se a areia e o sol os fizerem chocar, tanto melhor; isso pode acontecer sem a sua ajuda, porque ele mesmo não os aquece (Jó 39:14). Nem sequer os guarda em segurança: o pé de um viajante pode esmagá‑los, e um animal selvagem pode quebrá‑los (Jó 39:15).

Mas então, como ainda nascem avestruzes e por que a espécie não desapareceu? Devemos entender que Deus, por uma providência especial, ou usa o calor do sol e da areia para chocar os ovos, como alguns acreditam, ou que o avestruz nem sempre age assim, embora frequentemente o faça.

Por que ele deixa seus ovos tão expostos? Primeiro, porque lhe falta afeto natural (Jó 39:16). Ele é endurecido contra seus filhotes. Isso é algo feio em qualquer criatura, e muito pior em um ser humano que se pretende humano. É especialmente grave ser duro com os pequeninos indefesos, que não podem se proteger e nada fizeram para merecer tratamento áspero. E é pior ainda quando alguém é endurecido contra os próprios filhos, como se não fossem seus, embora sejam realmente parte de si. Seu trabalho de pôr os ovos acaba sendo em vão, porque lhe falta a ternura e o cuidado que deveria ter por eles. Os que menos temem perder o fruto do seu trabalho costumam ser os que mais facilmente o perdem.

Segundo, falta‑lhe sabedoria (Jó 39:17). Deus o privou de sabedoria. Isso mostra que a habilidade que outros animais têm para cuidar de seus filhotes é um dom de Deus. Quando essa habilidade falta, é porque Deus a reteve. Assim, tanto pela insensatez do avestruz quanto pela sabedoria da formiga, somos chamados a aprender sabedoria.

Do mesmo modo que o avestruz abandona seus ovos, muitas pessoas abandonam suas próprias almas. Não providenciam um lugar seguro para elas e as deixam expostas a Satanás e às suas tentações. Isso comprova claramente que lhes falta sabedoria. Muitos pais também são descuidados com seus filhos. Alguns não cuidam nem do corpo deles, não se preocupam com a própria casa, com a própria carne, e assim se tornam piores do que os descrentes e tão maus quanto o avestruz. Mas muito mais gente é descuidada quanto à alma dos filhos. Não se importam com a formação deles e os lançam no mundo sem preparo e sem proteção, esquecendo quanto há de corrupção no mundo por causa da cobiça e do pecado, que certamente os esmagará. Assim, o esforço de criá‑los acaba em nada. Para a nação, seria melhor que tais filhos nunca tivessem nascido.

Muitos ministros também agem assim com as pessoas que lhes foram confiadas. Deveriam permanecer entre elas e velar por elas, mas em vez disso as deixam “sobre a terra” e esquecem quão ativo é Satanás em semear joio enquanto os homens dormem. Descuidam daqueles a quem deveriam supervisionar e, na prática, mostram‑se endurecidos para com eles.

Por outro lado, o avestruz é cuidadoso consigo mesmo. Deixa seus ovos em perigo, mas, se ele próprio corre perigo, nenhuma criatura se esforça mais para escapar. Quando o perigo vem, ergue as asas e as usa para correr, e não para enfeite; com a ajuda delas, corre tão depressa que nem mesmo um cavaleiro em velocidade máxima consegue alcançá‑lo. Ele zomba do cavalo e do seu cavaleiro (Jó 39:18). Aqueles que menos têm afeto natural muitas vezes são os que mais se empenham em salvar a própria pele. Que o cavaleiro não se glorie da velocidade de seu cavalo, quando uma criatura como o avestruz é capaz de superá‑lo na corrida.

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