Versículo em destaque

Jó 34:31 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não ofenderei mais. "

Jó 34:31

menu_book Versículo no contexto

29 Se ele aquietar, quem então inquietará? Se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar? Seja isto para com um povo, seja para com um homem só,

30 Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços no povo.

31 Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não ofenderei mais.

32 O que não vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?

33 Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a rejeites? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; fala logo o que sabes.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesses versículos, Eliú diz a Jó o que ele deveria ter dito em meio ao sofrimento (Jó 34:31, 32). Depois de repreender Jó por suas palavras iradas e amargas, ele agora coloca palavras melhores em sua boca. Quando corrigimos o que está errado, também devemos apontar o que é certo, para que a correção se torne ensino, como diz (Provérbios 6:23).

Eliú não força essas palavras sobre Jó; ele as apresenta como o que é correto dizer. De modo geral, ele deseja que Jó se arrependa de seu mau comportamento e das coisas vergonhosas que disse durante a aflição. Os outros amigos queriam que Jó confessasse ser um homem ímpio e, indo longe demais, estragaram o argumento. Eliú apenas quer que Jó admita que, nessa discussão, falou sem refletir. Devemos lembrar disso quando corrigimos alguém: não devemos tornar a questão pior do que ela é, pois esticar demais a acusação pode arruinar todo o caso.

Eliú caminha pela via certa e obtém fruto. Primeiro, ele diz que Jó deveria humilhar-se diante de Deus por seus pecados e aceitar o castigo: “Suportei castigo”. Em outras palavras: “O que sofro é justo, portanto o suportarei. Não apenas direi que Deus tem razão, mas também reconhecerei a sua bondade”. Muitos são corrigidos, mas não suportam a correção: resistem, murmuram e, na prática, não a suportam. Se o arrependimento é sincero, a pessoa aceitará tudo o que Deus faz como bom e receberá a disciplina como remédio destinado ao seu bem.

Em segundo lugar, Eliú diz que Jó deveria orar para que Deus lhe mostrasse seus pecados (Jó 34:32): “O que não vejo, ensina-me”. A pessoa piedosa está disposta a conhecer o pior sobre si mesma. Em meio à aflição, ela quer saber por que Deus está contendendo com ela e o que ele quer corrigir em sua vida. Jó podia enxergar muitas falhas em si, mas também deveria temer que houvesse ainda mais coisas erradas que ele não via. Ignorância, autoengano e benevolência para consigo mesmo podem encobrir faltas graves. Por isso, ele deveria pedir que Deus abrisse seus olhos e deixasse a consciência agir com sinceridade.

Em terceiro lugar, Eliú orienta Jó a prometer mudança: “Não ofenderei mais” (Jó 34:31). Isto é: “Se tenho feito o mal, não o farei de novo. Tudo o que me mostrares ser mal, pela tua graça abandonarei”. Isso inclui reconhecer que pecamos, sentir verdadeira tristeza por isso e aceitar humildemente o propósito de Deus na aflição, que é separar-nos dos nossos pecados. Esse é o arrependimento completo. Não basta sentir tristeza pelo pecado; é preciso também deixar de praticá-lo e, como aqui, firmar o propósito decidido de não voltar à loucura. Isso é o que convém dizer como propósito firmado e também o que convém dizer a Deus em solene compromisso.

Em seguida, Eliú discute com Jó a respeito de sua insatisfação e inquietação debaixo da aflição (Jó 34:33). Muitas vezes achamos que tudo em nossa vida deveria acontecer exatamente como desejamos. Eliú mostra por que isso é absurdo. É justo que tudo seja conforme a tua mente? Certamente não. É muito melhor que tudo seja conforme a mente de Deus. Ele fala com reverência pela sabedoria divina e com desprezo pelos orgulhosos que querem ser seus próprios senhores.

Devemos sempre receber tudo o que desejamos de bom? Se fosse assim, muitas vezes prejudicaríamos o próximo e nos meteríamos em armadilhas tolas. Devemos nunca ser afligidos só porque não queremos dor? Pecadores não deveriam sentir angústia alguma? Alunos não deveriam ter disciplina? E, se é preciso sermos corrigidos, é razoável que nós escolhamos o tipo de vara? Não. É justo que tudo seja conforme a mente de Deus, não a nossa. Ele é o Criador, nós somos criaturas. Ele é infinitamente sábio e conhece todas as coisas; nós somos insensatos e míopes. Ele é de um só parecer, firme; nós somos divididos e inconstantes.

Também é inútil esperar que seja diferente. “Assim pagará ele o que é devido, se tu recusares, ou se tu aceitares” (Jó 34:33, na ideia). Deus seguirá o seu próprio caminho e cumprirá o seu próprio plano. Ele agirá segundo a sentença de sua justiça, gostemos ou não. Ele não pede nossa permissão nem nosso conselho. Faz o que lhe apraz. Portanto, nossa sabedoria é aquietar-nos e aceitar o que não pode ser mudado. Devemos tirar o melhor do que é, porque não podemos fazer com que seja de outro modo.

Depois, Eliú conclama todos os que são retos de entendimento a julgarem se Jó não falou com grande pecado e loucura. Ele quer que a questão seja bem examinada e levada a uma decisão final (Jó 34:36). Se alguém puder defender as palavras de Jó, que o faça; se não, que todos concordem em testemunhar contra aquilo que ele disse. Alguns entendem isso como um desejo de que as provações de Jó continuassem até que ele fosse plenamente humilhado, reconhecesse seu erro e retirasse o que dissera com tanta ousadia contra Deus e sua providência. Então o teste teria alcançado o fim pretendido.

Eliú apela tanto a Deus quanto às pessoas ao redor. Alguns leem (Jó 34:36) como um clamor a Deus: “Meu Pai, prova Jó”. A mesma palavra pode significar “meu desejo” ou “meu pai”, e alguns entendem que Eliú ergueu os olhos ao dizer isso. Nesse sentido, seria: “Ó meu Pai do céu, deixa que Jó seja provado até ser abatido”. Quando pedimos que as aflições façam bem a nós ou a outros, devemos olhar para Deus como Pai, pois são correções paternas e parte da disciplina de filhos (Hebreus 12:7).

Ele também apela aos que assistiam (Jó 34:34). “Que os homens de entendimento me digam se é possível explicar as palavras de Jó de forma mais branda do que eu as expliquei, e se ele não falou muito mal, de modo que não deva confessar: ‘Pequei’”. Eliú entende que as palavras de Jó mostram, primeiro, que ele não se entendeu bem a si mesmo, mas falou tolamente (Jó 34:35). Ele não diz que Jó não tivesse conhecimento algum, mas que, nesse ponto, falou sem conhecimento. O que quer que estivesse em seu coração, suas palavras não foram sábias. O que Jó disse à sua esposa pode ser aplicado a ele mesmo: “Falas como qualquer doida”. A mesma lição vale aqui, como em (Jó 2:10): “Receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal?” Às vezes precisamos das mesmas repreensões que demos a outros. Quem ataca a sabedoria de Deus, na verdade, ataca a si mesmo.

Em segundo lugar, Eliú entende que Jó não mostrou o devido respeito a Deus, mas falou perversamente.

Se as palavras de Jó forem levadas ao extremo e interpretadas da forma mais dura, parecerão significar três coisas graves.

Primeiro, que ele tomou o partido dos inimigos de Deus. Suas respostas pareciam favorecer os ímpios, porque ele levou longe demais o argumento sobre a prosperidade deles. Os ímpios podem se defender se quiserem, como Baal, o falso deus que não podia responder a seus adoradores; mas nós nunca devemos falar em favor deles nem dizer nada que lhes dê razão.

Segundo, que ele insultou os amigos de Deus e falou por cima deles com arrogância. “Bate palmas entre nós” dá a ideia de que, se Jó não fosse bem examinado e humilhado, continuaria mais altivo e dominador, como se tivesse vencido a discussão e calado a todos. Falar mal já é errado; pior ainda é bater palmas e triunfar depois de falar, como se o erro e a paixão tivessem vencido.

Terceiro, que ele falou contra o próprio Deus e, ao sustentar suas palavras, acrescentou rebelião ao pecado. Uma única palavra contra Deus, aquele por quem falamos e para quem deveríamos falar, já é gravíssimo pecado. Quanto pior é acumular palavras contra ele, como se pudéssemos vencê-lo na discussão? E pior ainda repetir e insistir nelas, em vez de retratá-las. Aqueles que pecam e, sendo chamados ao arrependimento, continuam obstinados, acrescentam rebelião ao pecado e o tornam extremamente grave. Posso cair em erro, mas não quero cair em heresia, isto é, em um erro sustentado com teimosia.

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