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Jó 34:16 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra. "

Jó 34:16

menu_book Versículo no contexto

14 Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego,

15 Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.

16 Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra.

17 Porventura o que odiasse o direito se firmaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso?

18 Ou dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! ímpios?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Eliú agora se dirige mais diretamente a Jó. Ele havia falado aos outros como homens entendidos, mas agora diz a Jó que, se ele tem entendimento, deve ouvir com atenção e dar ouvidos às suas palavras (Jó 34:16). Ele começa afirmando que Deus não deve ser culpado por nada do que faz. Acusar e condenar os caminhos de Deus, como Jó havia feito em meio à sua angústia, é ousado e errado.

Eliú diz que isso é tão absurdo quanto colocar um inimigo declarado da justiça para governar: alguém que odeia o que é direito poderia governar? (Jó 34:17). Deus ama de tal maneira o que é justo que, em comparação com ele, até um homem bom como Jó poderia parecer “odiar o direito”. Como, então, qualquer criatura poderia dizer a Deus como Ele deve governar ou corrigir o que Ele faz? Quando lembramos o quanto o pecado distorce a natureza humana, fica evidente quão sem vergonha é pretender dizer a Deus o que é justo.

Ele apresenta outra imagem. Seria igualmente irracional levar um homem totalmente inocente a um tribunal e condená-lo depois de constatada sua plena justiça. O ponto de Eliú é que Deus é justo em todos os seus caminhos e não pode ser diferente disso. Portanto, é absurdo falar contra os seus juízos como se Ele tivesse procedido mal.

Eliú acrescenta que isso seria ainda mais ofensivo do que dizer a um rei: “Tu és ímpio”, ou a juízes: “Sois perversos” (Jó 34:18). Palavras assim seriam vistas como grave insulto à autoridade. Mesmo que alguém, em particular, duvide de uma decisão de um governante, não deve falar de forma tão ousada e insultuosa. Natã de fato repreendeu Davi, mas o fez por meio de uma parábola. Pessoas comuns não têm o direito de falar com Deus como se Ele tivesse de prestar contas a elas.

Quanto pior, então, é acusar Deus de injustiça, já que Ele não faz acepção de pessoas e não pode ser tentado a fazer o mal. “Ele não faz acepção dos príncipes, nem respeita mais ao rico do que ao pobre” (Jó 34:19). Ricos e pobres estão no mesmo nível diante de Deus. A riqueza não compra favor especial, e a pobreza não faz com que Deus trate alguém com injustiça. Jó, mesmo em sua pobreza, deveria saber que Deus ainda o vê como uma de suas criaturas, assim como quando ele era rico. O pobre e o rico foram feitos pela mesma mão.

Eliú afirma em seguida que Deus deve ser reconhecido e obedecido em tudo o que faz. Para ajudar Jó a perceber isso, ele aponta para o poder de Deus. Deus é todo-poderoso e, quando julga, pode abater até os mais fortes. Uma nação inteira pode ser sacudida por Ele, e um governante poderoso pode ser removido do trono, tirado até mesmo da terra dos viventes (Jó 34:20). Ele pode fazer isso de repente, em um momento. Seus juízos não precisam de longa preparação, e Ele não deve aviso prévio a ninguém.

Eliú também diz que Deus pode ferir à meia-noite, quando as pessoas se sentem seguras e incapazes de se defender. Desse modo, pode removê-las de maneira silenciosa e secreta, sem auxílio humano. Ele não precisa de nenhuma outra mão para realizar sua obra. Pode humilhar sozinho o maior tirano. Pode ainda quebrar muitos homens poderosos de uma só vez, porque força alguma, mesmo somada, pode resistir ao seu poder (Jó 34:24).

No entanto, quando Deus derruba governantes maus, Ele não está com isso promovendo a desordem. Se remove um governante mau, isso não significa que o povo deva ficar sem governo algum. Ele pode levantar outros em seu lugar e, se estes também governarem mal, pode abatê-los igualmente, até mesmo de noite (Jó 34:25). Belsazar, o rei da Babilônia, é um exemplo claro disso. Ou, se Deus lhes dá tempo para se arrepender, pode não destruí-los logo de início, mas atingi-los como homens ímpios, trazendo juízos dolorosos e humilhantes sobre eles (Jó 34:26). Ele faz isso abertamente, como advertência para outros. O ponto é que, se reis não podem resistir a Ele, tampouco nós podemos.

Eliú então volta-se para o conhecimento perfeito de Deus. Se ninguém pode resistir ao seu poder, ninguém pode escapar ao seu olhar. Portanto, se algumas pessoas são punidas mais ou menos do que achamos que deveriam, não devemos acusar Deus. Devemos supor que há algum motivo oculto, conhecido somente por Ele. “Os seus olhos estão sobre os caminhos do homem” (Jó 34:21). Deus não apenas tem a capacidade de ver nossos caminhos, Ele de fato os observa ativamente. Por onde quer que andemos, estamos debaixo do seu olhar. Cada ação é observada, registrada e guardada para o juízo, quando os livros forem abertos.

Nada pode ser escondido dEle, nem mesmo o lugar mais escuro. “Não há trevas nem sombra de morte onde se escondam os que praticam a iniquidade” do olhar e do juízo de Deus (Jó 34:22). Os que fazem o mal podem tentar esconder-se de outras pessoas por vergonha, e de Deus por medo, como Adão se escondeu entre as árvores do jardim. Um dia, os poderosos e orgulhosos clamarão às rochas e aos montes que os escondam.

Eles ficariam satisfeitos em se ocultar até mesmo na sombra da morte, permanecer para sempre no sepulcro, a fim de não terem de comparecer diante do tribunal de Cristo. É inútil pensar que podemos escapar da justiça de Deus ou nos esconder quando a sua ira nos persegue. Os que praticam o mal podem encontrar meios de se esconder dos homens, mas não de Deus. Ele conhece as suas obras, tanto o que fazem quanto o que planejam fazer (Jó 34:25).

Deus é justo, e tudo o que Ele faz segue o que é reto. Mesmo quando derruba líderes poderosos e os esmaga, Ele não faz injustiça nem ultrapassa o que é correto (Jó 34:23). Ele não castigará o inocente, e não exigirá do culpado mais do que seus pecados merecem. Só a sabedoria perfeita de Deus pode julgar exatamente a proporção entre o pecado e o castigo. Ninguém pode, com justiça, acusá-lo de tratá-lo com dureza, e ninguém pode abrir contra Ele um processo e vencer. Se alguém tentar, Deus será reconhecido como justo em suas palavras e limpo em seus juízos.

Assim, Jó errou ao se queixar de Deus. Eliú, na verdade, está dizendo a ele que abandone sua causa, porque certamente perderia. É loucura qualquer pessoa planejar entrar em juízo com o Todo-Poderoso. Jó frequentemente desejara apresentar seu caso diante de Deus, mas Eliú pergunta, em essência, qual seria a utilidade disso. A sentença já proferida contra Jó permaneceria, porque nela não há erros a serem apontados nem objeções que a possam derrubar. Tudo o que Deus faz é justo, e assim será reconhecido no fim.

Para mostrar que Deus não castiga os poderosos além do que merecem, Eliú aponta para a impiedade deles (Jó 34:27, 28). Que qualquer um compare os seus pecados com o seu sofrimento, e então avalie se não receberam menos do que mereciam. Esses governantes injustos, que Deus justamente julga, não temiam a Deus nem respeitavam os homens (Lucas 18:2). Desviaram-se de Deus, lançaram fora o temor dEle e deixaram de pensar nEle. Não quiseram considerar os seus caminhos, isto é, nem seus mandamentos nem seus atos de providência. Viviam como se Deus não tivesse direito algum sobre suas vidas.

Na raiz de toda impiedade está esse desviar-se de Deus. As pessoas não pecam porque não podem entender; pecam porque não querem considerar. Quando deixam de prestar atenção em Deus, tornam-se ímpias, e disso procedem todos os tipos de mal. Esses governantes também eram cruéis com os outros (Jó 34:28). Não clamavam a Deus por si mesmos, mas faziam os pobres clamarem a Ele, e esse clamor se levantou contra eles. Feriram os pobres, esmagaram-nos, empobreceram ainda mais os que já eram pobres e acrescentaram dor aos que já sofriam.

Os pobres clamaram a Deus, e Ele os ouviu e assumiu a causa deles. Quem tem contra si as orações e lágrimas dos pobres está em situação perigosa. O clamor do oprimido, mais cedo ou mais tarde, trará juízo sobre aqueles que o oprimem, e ninguém pode dizer que isso seja injusto (Êxodo 22:23).

Deus também tem domínio completo sobre tudo na vida humana. Ele dirige tanto as nações quanto pessoas individuais, de modo que o que Ele planeja não pode ser impedido e o que Ele faz não pode ser mudado (Jó 34:29). Se Deus dá paz, quem poderá causar perturbação? O mundo todo, incluindo todos os poderes do inferno e da terra, não pode abalar aqueles a quem Deus concedeu paz. Se Ele dá paz externa a uma nação, pode preservá-la em segurança. Se Ele dá paz interior a uma pessoa, aquela tranquila certeza que vem da justiça não pode ser abalada pelas acusações de Satanás, pelos sofrimentos presentes ou mesmo pela morte (Filipenses 4:7).

Por outro lado, se Deus está descontente e esconde o seu rosto, ninguém pode trazer consolo verdadeiro. Quem pode olhar para Deus ofendido e oculto, suportar a sua ira ou afastá-la? Quem pode forçar Deus a mostrar favor quando Ele decidiu retê-lo? E quem pode dar alívio real a um pecador atribulado quando o próprio Deus está contra ele? Ninguém pode remover as aflições exteriores da vida sem a ajuda de Deus. Se o Senhor não ajudar, de onde virá o socorro? (2 Reis 6:27). Ninguém pode acalmar uma consciência culpada quando a ira de Deus pesa sobre ela. O consolo humano é impotente nesse ponto. A mesma regra vale para nações e indivíduos. As obras de Deus não podem ser controladas, quer Ele esteja agindo contra uma nação em público, quer contra uma única pessoa em particular.

Deus também é sábio e zela pelo bem do povo. Por isso, ele não permite que o hipócrita continue governando, para que o povo não fique enredado (Jó 34:30). Os hipócritas muitas vezes desejam poder e o louvor das pessoas. Tirano algum hesita em usar a religião como disfarce para sua ambição, podendo chegar ao trono por meio de uma piedade falsa. Quando esse tipo de gente governa, o povo corre o risco de ficar preso no pecado, na aflição, ou em ambos. O poder nas mãos de fingidos costuma destruir direitos e liberdades, que muitas vezes são mais facilmente seduzidos e arrancados do que tomados pela força. Muito dano também já foi feito à verdadeira piedade sob a capa de uma mera aparência de devoção.

O cuidado de Deus pelo povo se vê nisto: o hipócrita não reina, ou não reina por muito tempo. Se Deus tem misericórdia reservada para um povo, ele ou impedirá que tais governantes se levantem, ou apressará sua queda.

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