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Jó 31:33 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio; "

Jó 31:33

menu_book Versículo no contexto

31 Se a gente da minha tenda não disse: Ah! quem nos dará da sua carne? Nunca nos fartaríamos dela.

32 O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante.

33 Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio;

34 Porque eu temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, e eu me calei, e não saí da porta;

35 Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu desejo é que o Todo-Poderoso me responda, e que o meu adversário escreva um livro.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui Jó protesta contra mais três pecados e então faz seu apelo final ao tribunal de Deus, pedindo ser ouvido ali. Parece que isso foi pensado para encerrar seu discurso, e assim deve ser tratado, embora ele ainda se absolva de mais uma acusação. Ele responde à acusação de falsa religião, de temor de pessoas e de opressão aos pobres. Em cada caso, ele fala como alguém que deseja mais o juízo de Deus do que a opinião humana.

Primeiro, ele nega a dissimulação e a hipocrisia. Seus amigos haviam dito que, embora ele parecesse religioso, na verdade vivia em pecado às escondidas e só sabia ocultá-lo. Zofar havia insinuado que Jó guardava o pecado debaixo da língua (Jó 20:12). Jó responde: ele nunca encobriu sua transgressão como Adão (Jó 31:33). Isto é, ele nunca procurou desculpar o pecado com pretextos vazios, nem tentou cobrir a vergonha da mesma forma que Adão fez com folhas de figueira.

Isso é algo natural a nós, porque todos descendemos de Adão. Não gostamos de confessar nossas falhas. Procuramos diminuí-las, preservar nossa própria imagem e lançar a culpa sobre outros, como Adão culpou a esposa e, no fundo, falou contra o próprio Deus. Mas quem encobre suas transgressões não prosperará (Provérbios 28:13). As palavras de Jó mostram duas coisas sobre sua integridade. Ele não mantinha escondido algum mal grave e secreto e, quando pecava, estava disposto a admitir, arrepender-se, confessar a Deus e às pessoas, e abandonar o erro.

Em segundo lugar, ele se livra da acusação de covardia e medo vil. Ele diz: “Teria eu temido a grande multidão, ou teria o desprezo das famílias me atemorizado, a ponto de me calar?” (Jó 31:34, em sentido). Todos que conheciam Jó sabiam que ele era ousado em favor do que é justo. Ele falava e agia em favor da verdadeira religião e da justiça, e não deixava o temor humano impedi-lo. Firmava o rosto como pedra. Ele cria que o silêncio pode ser, em si, pecado, quando Deus chama alguém a falar.

Jó tinha forte senso de dever como magistrado, ou ao menos como homem respeitado em sua comunidade. Não ousava calar quando devia falar a favor da verdade, nem ficar em casa quando devia sair para fazer o bem. Às vezes, é errado permanecer calado ou retraído. Isso é verdade quando somos chamados a repreender o pecado, defender a verdade e os caminhos de Deus, socorrer o oprimido ou servir ao bem público de modo que honre ao Senhor. Ele também fazia pouco caso da pressão que enfrentava. Não temia multidões, nem se deixava dominar por ameaças de poderosos, insultos ou desprezo de famílias influentes.

Em terceiro lugar, ele nega qualquer opressão ou violência contra seus vizinhos pobres. Ele afirma que o patrimônio que possuía fora adquirido e usado de modo honesto, de forma que sua terra não poderia clamar contra ele, nem os sulcos do campo poderiam se queixar (Jó 31:38). Na Escritura, o ganho injusto muitas vezes é descrito como clamando contra quem o obteve (Habacuque 2:9-11). Jó declara que, se tivesse enriquecido por meio de injustiça, até a própria terra se levantaria como testemunha contra ele.

Ele acrescenta duas coisas sobre seus bens. Nunca comeu do fruto deles sem pagar por isso (Jó 31:39). Se comprava algo, pagava o preço devido, como Abraão ao adquirir um campo (Gênesis 23:16), ou Davi ao comprar a eira (2 Samuel 24:24). Se utilizava terras arrendadas, pagava com justiça aos rendeiros ou lhes dava o devido crédito no valor do aluguel. Ele também diz que nunca fez com que os verdadeiros donos da terra perdessem a vida. Nunca tomou uma propriedade como Acabe tomou a vinha de Nabote, matando o herdeiro para ficar com a herança.

Então Jó confirma sua declaração com uma solene maldição contra si mesmo, caso esteja mentindo: “Se adquiri meu patrimônio injustamente, que em vez de trigo nasça cardo” (Jó 31:40, em sentido). Em outras palavras, que seus campos fracassem e deem mato em lugar de cereal. Aqueles que enriquecem por meio de injustiça são, com razão, privados de qualquer verdadeira alegria em suas posses. Eles semeiam a terra, mas não sabem no que a colheita se tornará. Se Deus dá ao fruto um corpo, o que foi semeado como trigo pode se transformar em espinhos. O que não é adquirido honestamente nunca trará verdadeiro benefício.

Ao encerrar essa longa defesa, Jó mais uma vez apela ao juízo de Deus. “Ah! Quem me dera que o Todo-Poderoso me respondesse!” (Jó 31:35-37, em sentido). Essa era a resposta que ele ansiava há muito e que tantas vezes lamentara não receber. Agora que apresentou toda a sua defesa, deixa tudo registrado, pronto para ser julgado quando o caso for chamado. Ele pede qualquer juiz justo que o ouça, pois está certo de que sua causa é reta. Mas, acima de tudo, deseja que o próprio Todo-Poderoso decida. Um coração honesto não teme exame. Uma pessoa sincera se dispõe a que cada pensamento seja conhecido e deseja, sobretudo, o veredito de Deus, porque Deus julga segundo a verdade.

Essa também foi a oração de Davi: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração”, e foi o consolo de Paulo saber que “o Senhor é quem o julga”.

Em seguida, a figura do acusador é chamada, e Jó pede que seu caso seja posto por escrito. Quer que o adversário apresente claramente a acusação, para que a questão possa ser examinada com justiça. Ele declara que ficaria muito contente em ver essa queixa por escrito, uma cópia da acusação formal, pois assim poderia lidar com ela abertamente.

Ele não esconderia tal acusação debaixo do braço. Ele a carregaria sobre o ombro, deixando que todos a vissem, e até a tomaria como uma coroa. Se esse documento revelasse algum pecado que ele ainda não tivesse percebido, ele ficaria grato por conhecê-lo, para então se arrepender e obter perdão. Uma pessoa verdadeiramente boa está disposta a saber o pior sobre si mesma e agradece a quem fala com honestidade acerca de suas falhas.

Se a acusação fosse falsa, Jó não tinha dúvida de que poderia refutá-la. Então sua inocência brilharia como a luz, e ele sairia ainda com mais honra. Ele também cria que, uma vez obrigados a organizar suas queixas cuidadosamente por escrito, seus inimigos acabariam expondo acusações pequenas e fracas. Quem as lesse perceberia que era vergonhoso terem causado tanto sofrimento por tão pouca coisa.

Jó também se declara pronto a comparecer ao tribunal e dar a seus acusadores toda oportunidade justa. Ele diz que declararia o número de seus passos, isto é, abriria toda a história de sua vida. Mostraria cada etapa e cada parte de sua conduta, tanto o que pudesse pesar contra ele como o que o apoiasse. Está tão seguro de sua integridade que se aproximaria do acusador e do juiz como um príncipe prestes a ser coroado, e não como um réu aterrorizado no banco dos acusados.

Por isso sua consciência era sua alegria. O antigo dito se aplica bem: que essa seja sua muralha de bronze, manter uma consciência limpa. Aqueles que se conservaram incontaminados do mundo, como Jó, podem levantar o rosto diante de Deus sem vergonha. Também podem se consolar quando são julgados injustamente pelos homens, porque, se o coração não nos condena, temos confiança diante de Deus.

Assim se concluem aqui as palavras de Jó. Isso significa que ele terminou tudo o que pretendia dizer em resposta aos seus amigos. Mais tarde, falará de modo mais humilde, repreendendo a si mesmo e submetendo-se a Deus (Jó 40:4, Jó 40:5, Jó 42:2, etc.), mas aqui termina sua autodefesa e reivindicação de integridade. Se isso não bastar, ele não acrescentará mais nada. Sabe quando disse o suficiente e se dispõe a aceitar a sentença do tribunal.

Alguns entendem que a forma como isso é declarado mostra que Jó encerra com confiança e até com certo senso de vitória. Ele permanece firme no campo e não duvida de que será vencedor. Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.

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