Versículo em destaque
Jó 3:11 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre, não expirei? "
Jó 3:11
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
9 Escureçam-se as estrelas do seu crepúsculo; que espere a luz, e não venha; e não veja as pálpebras da alva;
10 Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a canseira.
11 Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre, não expirei?
12 Por que me receberam os joelhos? E por que os peitos, para que mamasse?
13 Porque já agora jazeria e repousaria; dormiria, e então haveria repouso para mim.
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As Bem-Aventuranças (5 Dias)
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Jó parece voltar às próprias palavras, percebe a insensatez de desejar nunca ter nascido e tenta amenizar esse erro com outro desejo que não é muito melhor: o de ter morrido assim que nasceu. Ele desenvolve esse pensamento nestes versículos. Quando Jesus falou de um tempo de grande tragédia, usou palavras parecidas: bem-aventuradas as estéreis, os ventres que nunca geraram e os seios que nunca amamentaram (Lucas 23:29). Mas uma coisa é dizer que um ventre estéril é bem-aventurado em certa situação extrema, outra bem diferente é amaldiçoar um ventre que deu à luz.
É bom tirar o melhor proveito do sofrimento, mas é errado tirar o pior proveito dos dons de Deus. A nossa regra é: “Abençoai, e não amaldiçoeis”. Na linguagem comum, a vida muitas vezes representa tudo o que é bom, e a morte tudo o que é mau. Contudo, aqui Jó fala de modo muito errado, como se a vida e tudo o que a sustenta fossem maldição e peso, e como se a morte e a sepultura fossem o maior e mais desejável bem.
Satanás certamente avaliou mal Jó quando usou o provérbio: “Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida”. Ninguém parece ter dado menos valor à vida do que Jó faz aqui. Ele primeiro se queixa amargamente da própria vida e se irrita por ela não ter sido tirada dele tão logo lhe foi dada. “Por que não morri ao nascer?”, pergunta ele (Jó 3:11, Jó 3:12).
Isso mostra quão fracos e indefesos são os seres humanos ao entrar no mundo e quão frágil é a vida no seu início. Estamos quase prontos a morrer assim que começamos a respirar. Diferente de outras criaturas, nada podemos fazer por nós mesmos. Cairíamos na cova se nossos joelhos não nos sustentassem. A lamparina da vida, recém‑acesa, se apagaria sozinha se os seios, dados para nós mamarmos, não a alimentassem.
Isso também mostra o terno cuidado da providência de Deus quando viemos ao mundo. Não morremos ao nascer porque Deus nos conservou vivos. Por que não fomos exterminados ali mesmo? Não foi porque não merecêssemos. Ervas daninhas assim poderiam, com justiça, ter sido arrancadas logo que brotaram. Serpentes assim poderiam justamente ter sido esmagadas ainda no ovo. Também não foi porque pudéssemos nos proteger, pois nenhuma criatura entra no mundo mais indefesa do que o homem.
Não foi a nossa força que nos conservou, mas o poder e o cuidado de Deus. A sua compaixão e paciência pouparam vidas que já estavam, por assim dizer, perdidas. Foi o seu cuidado que nos impediu de morrer ainda no ventre. O afeto natural nos pais é colocado ali pelo Deus da natureza, e assim as bênçãos do seio seguem as bênçãos do ventre.
Isso mostra também quanta vaidade e aflição se prendem à vida humana. Se não tivéssemos um Deus a servir neste mundo e nenhuma melhor esperança no vindouro, então, considerando o nosso interior e as tribulações ao redor, poderíamos ser fortemente tentados a desejar ter morrido ao nascer. Isso teria poupado muitos pecados e muitas misérias. Quem nasce hoje e morre amanhã perde algumas horas de alegria, mas escapa de muitos meses de tristeza.
Mostra ainda o mal da impaciência, do irritar‑se e do descontentamento. Quando esses estados nos dominam, são irracionais, ímpios e ingratos. Ceder a eles é tratar a bondade de Deus como se significasse pouco. Por mais amarga que a vida se torne, ainda precisamos dizer: “Foi a misericórdia do Senhor que não morremos ao nascer, que não fomos destruídos”. O desprezo pela vida se opõe ao bom senso, ao sentimento comum das pessoas e ao que nós mesmos sentimos em qualquer outro momento.
Que os infelizes falem contra a vida quanto quiserem; quando chegar a hora, não vão querer largá‑la. Como o velho da fábula que, cansado do fardo, o jogou no chão e chamou a Morte, mas, quando ela veio, pediu apenas ajuda para pôr a carga novamente nos ombros, assim também muitas pessoas descobrem que, na verdade, não querem morrer.
Jó então fala com calor, e de forma errada, sobre a morte e a sepultura, como se estivesse enamorado delas. Anelar pela morte para estar com Cristo, livre do pecado e revestido da habitação celestial, é sinal de graça. Mas desejar a morte só porque traz silêncio na sepultura e alívio das tribulações desta vida é sinal de corrupção interior. O que Jó diz aqui pode nos ajudar a aceitar a morte quando ela chegar e a ficarmos serenos debaixo de sua mão. Mas não deve ser usado como motivo para ressentir a vida enquanto Deus ainda a concede, nem para ficar inquieto debaixo de seus pesos.
Tanto a sabedoria quanto o dever nos mandam fazer o melhor de qualquer estado em que estivermos, vivendo ou morrendo, e assim pertencer ao Senhor em ambos. Jó agora reclama que, se tivesse morrido ao nascer e sido levado direto do ventre à sepultura, sua condição teria sido tão boa quanto a dos melhores. “Eu teria estado”, diz ele, “com reis e conselheiros da terra” (Jó 3:14), cujo poder, riqueza e planos não podem livrá‑los da morte, nem da sepultura, nem tornar seu pó diferente do pó dos demais ali.
Nem mesmo príncipes, com ouro em abundância, puderam subornar a morte para que os poupasse quando chegou a sua ordem. Ainda que enchessem as casas de prata, tiveram que deixar tudo para trás e nunca mais voltar. Alguns entendem os “lugares desolados” que reis e conselheiros edificaram para si como seus túmulos ou monumentos, como Sebna, que lavrou para si um sepulcro (Isaías 22:16). Outros veem o ouro e a prata como tesouros colocados nos sepulcros dos grandes, costume que se diz ter sido comum.
As pessoas recorreram a esses meios para tentar manter a dignidade, se possível, para além da morte, e evitar ficar deitadas na mesma vala que os de posição mais baixa. Mas isso não funciona. A morte é e sempre será o grande nivelador. A morte mistura cetros com pás. Ricos e pobres se encontram juntos na sepultura, e ali um aborto, uma criança que nunca viu a luz ou que apenas lançou um olhar ao mundo e o deixou em seguida, jaz tão macia, tão segura e tão elevada quanto reis e conselheiros com seu ouro. O sentido de Jó é: “Eu preferiria ter me deitado no pó ali do que estar deitado aqui entre cinzas”.
Ele diz que sua condição teria sido bem melhor do que é agora (Jó 3:13). “Então eu teria me deitado e estaria quieto”, quer dizer, “mas agora não consigo. Viro‑me de um lado para outro e não acho descanso. Então eu teria dormido, mas agora o sono foge de meus olhos. Então eu estaria em paz, mas agora estou inquieto.”
Agora que o evangelho torna a vida e a imortalidade muito mais claras, os cristãos podem falar de modo mais completo sobre o ganho que há na morte. Podem dizer: “Então eu estaria com o Senhor. Então veria sua glória face a face, e não mais por meio de um espelho embaçado.” Mas Jó só conseguia pensar em descanso e sossego na sepultura, longe das más notícias e da dor das suas chagas.
“Se eu tivesse conservado meu espírito calmo”, Jó parece dizer, “o mesmo ânimo firme e pacífico que eu tinha nos dois últimos capítulos, inteiramente entregue à vontade santa de Deus, talvez ainda estivesse quieto agora.” Mesmo com o corpo aflito, a alma poderia ter permanecido serena e tranquila (Salmo 25:13). Note como ele descreve o descanso da sepultura. Se a alma também está em descanso em Deus, essa figura pode nos ajudar a ver a morte de forma menos assustadora.
Os que agora são atribulados lá estarão além de toda perturbação (Jó 3:17). “Ali os maus cessam de perturbar.” Quando os perseguidores morrem, já não podem perseguir. Seu ódio e inveja morrem com eles. Herodes, que havia perturbado a igreja, tornou‑se pasto de vermes e então cessou de causar problemas. Quando os perseguidos morrem, também ficam fora do alcance de novas dores. Se Jó estivesse descansando no túmulo, os sabeus, os caldeus e todos os seus inimigos já não o inquietariam.
Os que agora estão cansados ali verão o fim do seu esforço. “Ali repousam os cansados.” O céu é muito mais do que descanso para as almas dos crentes, mas a sepultura é descanso para seus corpos. A vida neste mundo é uma jornada cansativa. Eles se cansam do pecado e do mundo. Cansam‑se do seu serviço, do seu sofrimento e até da sua espera. Mas na sepultura descansam de todo o seu trabalho (Apocalipse 14:13; Isaías 57:2). Ali estão à vontade e não fazem queixa. Ali os crentes dormem em Jesus.
Os que aqui foram escravizados ali estarão livres. A morte é o alvará de soltura do prisioneiro, o alívio do oprimido e a liberdade do servo do jugo da escravidão (Jó 3:18). Ali os presos não andam soltos, mas repousam juntos e não são forçados ao trabalho na casa de detenção. Já não são insultados, pisados, ameaçados nem aterrorizados por feitores cruéis. “Não ouvem a voz do opressor.” Aqueles que foram forçados a um serviço vitalício e que não podiam chamar de seu nem mesmo o próprio corpo, ali já não estão sob ordem ou domínio. “Ali o servo está livre de seu senhor.” Isso deve lembrar os que têm poder a usá‑lo com cuidado, e os que estão debaixo de autoridade a suportá‑la com paciência, pois será só por mais um pouco.
Aqueles que em vida estavam tão distantes uns dos outros se encontram ali no mesmo nível (Jó 3:19). Pequenos e grandes estão juntos, iguais na morte, semelhantes entre os mortos. O cansativo espetáculo de honras e distinções que acompanha os grandes desaparece. Do mesmo modo, cessam as aflições ligadas à pobreza e à condição humilde. A morte e a sepultura não fazem distinção entre uns e outros.
Igualados pela morte, o conquistador e o escravo,
O sábio e o tolo, o covarde e o valente,
Jazem misturados e indistintos na sepultura. — Sir R. Blackmore
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Deste capítulo
Jó 3:1
"Depois disto abriu Jó a sua boca, e amaldiçoou o seu dia."
Jó 3:2
"E Jó, falando, disse:"
Jó 3:3
"Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!"
Jó 3:4
"Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz."
Jó 3:5
"Contaminem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; a escuridão do dia o espante!"
Jó 3:6
"Quanto àquela noite, dela se apodere a escuridão; e não se regozije ela entre os dias do ano; e não entre no número dos meses!"
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