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Jó 20:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então respondeu Zofar, o naamatita, e disse: "

Jó 20:1

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1 Então respondeu Zofar, o naamatita, e disse:

2 Visto que os meus pensamentos me fazem responder, eu me apresso.

3 Eu ouvi a repreensão, que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Zofar fala aqui com um sentimento muito forte. Ele está claramente irritado com o que Jó disse. Como já havia decidido em seu coração que Jó era um homem perverso, sente-se ofendido por Jó falar como alguém inocente. Por isso ele interrompe de modo brusco e afirma que seus próprios pensamentos o obrigam a responder (Jó 20:2).

Ele ignora o apelo de Jó por compaixão e sua declaração de honestidade. Em vez disso, agarra-se ao alerta que Jó lhes deu no final de seu discurso e o toma como um insulto pessoal. Jó os havia advertido a temer a espada, e Zofar parece determinado a não demonstrar nenhum temor. Muitas vezes, as pessoas rejeitam ainda mais um bom conselho quando ele vem de alguém que consideram um adversário.

Zofar foi rápido demais para falar, se quisesse agir como um homem sábio, mas tenta defender essa pressa de duas maneiras. Primeiro, ele diz que Jó o ofendeu profundamente: ouviu uma repreensão que o envergonhou, e por isso não consegue ficar calado (Jó 20:3). Jó parece ter amigos orgulhosos demais para tratarem com mansidão um homem em tanta dor. Pessoas orgulhosas não gostam de ser corrigidas e muitas vezes chamam a correção de insulto.

Em segundo lugar, Zofar diz que seus próprios pensamentos o impeliram a responder. Em certo sentido, isso é verdade, porque a boca fala do que está cheio o coração. Mas ele afirma que isso veio do “espírito do seu entendimento” (Jó 20:3), como se fosse a própria razão que o obrigasse a falar. É necessário refletir bem antes de falar, e então responder com bom senso. No caso de Zofar, porém, é justo perguntar se a paixão não estava falando mais alto do que a sabedoria. As pessoas frequentemente confundem raiva com pensamento equilibrado.

Zofar então se propõe a provar a ruína dos ímpios, insinuando, de forma velada, que o sofrimento de Jó prova que ele é perverso e hipócrita. Ele começa apelando para o próprio conhecimento de Jó: “Acaso não sabes isso?”, pergunta (Jó 20:4). Em outras palavras, será que Jó pode realmente ignorar algo tão evidente, ou duvidar daquilo em que todos, desde muito tempo, concordam? Quem não sabe que o pecado conduz à morte sabe muito pouco.

Zofar também apela para a experiência de todas as épocas. Essa verdade é conhecida desde que o homem foi colocado sobre a terra. Desde o princípio, se vê que o pecado traz castigo. Adão foi expulso, e Caim recebeu uma marca e uma maldição. Uma vez que o pecado entrou no mundo, a morte entrou com ele. Todos podem observar que problemas acompanham os pecadores e que o juízo não os deixa impunes (Atos 28:4; Isaías 3:11).

Zofar formula a regra de maneira muito incisiva: “o triunfo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas dura apenas um momento” (Jó 20:5). Ele não fala apenas dos abertamente perversos, mas também dos hipócritas, que escondem o pecado sob uma aparência de religião. E ele pressupõe que Jó está nesse grupo. Uma forma de religião usada como cobertura para o mal só torna a culpa ainda maior. Santidade fingida é um duplo pecado, e seu castigo será severo.

Mesmo assim, Zofar reconhece que os ímpios podem prosperar por algum tempo. Podem parecer seguros, tranquilos e cheios de alegria. Podem se alegrar em riqueza, poder e sucesso e ainda oprimir seus vizinhos honestos sem sentir nenhum perigo. Os amigos de Jó antes relutavam em admitir que os ímpios pudessem prosperar, mas Jó insistiu tanto nesse ponto que eles não conseguiram mais negá-lo. Zofar acaba cedendo nisso, mas apenas para acrescentar que os dias bons deles não durarão.

Segundo ele, a alegria dos ímpios é apenas por um momento. Logo terminará em tristeza duradoura. Por mais grandioso, rico e animado que um pecador pareça, o hipócrita será abatido, humilhado e lançado à miséria.

Zofar então descreve esse pecador no auge máximo do sucesso. Ele não pensa em sabedoria ou bondade, mas em riqueza e poder deste mundo. Imagina um homem cuja prosperidade chega até os céus, cuja cabeça toca as nuvens, que parece exaltado em tudo. O mundo já fez por ele tudo o que podia. Ele olha os outros de cima, com desprezo, enquanto é visto com inveja, medo ou admiração. Pode até parecer apto para governar muitas nações. E, ainda que tenha feito muitos inimigos na sua ascensão, sente-se tão seguro como se estivesse fora de qualquer perigo.

Mas Zofar afirma que esse homem cairá de maneira terrível: “perecerá para sempre” (Jó 20:7). Seu orgulho e sua falsa segurança são sinais claros de ruína próxima. Isso é certamente verdade para todos os pecadores impenitentes quanto à vida futura, pois se perderão para sempre. Zofar, porém, está falando principalmente desta vida e afirma que, mesmo aqui, alguns pecadores notórios são de repente cortados pelo juízo.

Ele descreve essa destruição de várias formas. Será vergonhosa, como lixo lançado fora e esquecido. O mundo se alegrará por se ver livre dele (Salmo 119:119; Isaías 66:24). Também será repentina: ele será arruinado num instante, e aqueles que o viam pouco antes perguntarão: “Onde está ele?” (Salmo 73:19). Como alguém tão poderoso pode desaparecer tão depressa?

Sua destruição será veloz. Ele fugirá, empurrado pelos próprios terrores, perseguido pelas maldições daqueles ao seu redor, que se alegram em vê-lo partir (Jó 20:8). E será completa. Ele desaparecerá como um sonho, como uma visão da noite, algo que pareceu real por um momento, mas não deixa nada de sólido para trás. Tudo o que antes agradava à mente terá sumido, restando apenas a lembrança de sua loucura.

Por fim, Zofar diz que a ruína será definitiva: “o olho que o viu jamais o verá de novo” (Jó 20:9). O lugar onde ele esteve não o verá mais. Ele terá partido para sempre, como alguém que recebeu uma despedida eterna ao ir para o seu próprio lugar, como Judas Iscariotes (Atos 1:25).

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