Versículo em destaque
Jó 14:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. "
Jó 14:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles.
6 Desvia-te dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia.
7 Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos.
8 Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó,
9 Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta.
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Já vimos o que Jó diz sobre a vida. Agora vemos o que ele diz sobre a morte, que ocupava muito seus pensamentos porque ele estava doente e com dores. É apropriado pensar na morte enquanto estamos saudáveis, mas é descuido tratá-la como algo distante quando ela já está à porta. Jó já havia mostrado que a morte virá e que o seu tempo está determinado.
Aqui ele mostra, em primeiro lugar, que a morte tira a pessoa deste mundo para sempre. Ele já tinha dito isso antes (Jó 7:9, Jó 7:10) e volta a dizer, porque uma verdade assim precisa ser ouvida mais de uma vez. Não basta saber que é verdade; é preciso mantê-la em mente até que ela mude a forma como vivemos.
Uma pessoa abatida pela morte não se levanta outra vez como uma árvore cortada pode se renovar. Jó apresenta uma bela figura da árvore em (Jó 14:7-9). Se o tronco é cortado e só fica o toco, ele pode parecer morto e seco, mas volta a brotar, como se tivesse sido plantado de novo. A terra e a chuva parecem alcançá-lo e trazê-lo de volta à vida. Mas o corpo humano morto não responde assim.
No sonho de Nabucodonosor, sua perda de juízo foi representada por uma árvore cortada, e o seu restabelecimento foi sugerido pelo toco deixado na terra, preso com ferro e bronze e molhado pelo orvalho do céu (Daniel 4:15). Mas o ser humano não tem essa esperança natural de voltar à vida. A vida vegetal é simples e facilmente reavivada, e até certas formas de vida animal podem reagir ao calor e à luz do sol. Mas a alma racional, a alma que pensa, é algo grande demais para ser chamada de volta pela natureza. Ela está acima do sol e da chuva e só pode ser restaurada pelo poder direto de Deus.
Jó diz: “Morre o homem, e é consumido; sim, rende o homem o espírito, e onde está?” (Jó 14:10). Duas palavras para “homem” aparecem aqui. Uma indica o homem forte, e até o homem forte morre. A outra lembra o homem formado da terra, e esse homem terreno entrega o espírito. O ponto é claro: o homem é uma criatura mortal.
Jó descreve isso em três momentos. Antes da morte, a pessoa vai se consumindo, perdendo aos poucos a força, a beleza e o vigor. Na morte, a alma deixa o corpo e volta para Deus, o Pai dos espíritos. Depois da morte, Jó pergunta: “Onde está ele?” Ele já não está onde estava, e o seu lugar não o reconhece mais. Contudo, ele está em algum lugar, e é algo solene pensar onde os mortos estão e onde nós estaremos quando morrermos. A alma entrou no mundo dos espíritos, na eternidade, e não voltará a este mundo.
Ele também diz que aquele que é deitado na sepultura não se levantará novamente nesta vida presente (Jó 14:11, Jó 14:12). Todas as noites nos deitamos para dormir, e pela manhã acordamos e nos erguemos de novo. Mas na morte nos deitamos na sepultura, não para despertar outra vez para este mesmo mundo e este mesmo estado. Não ressuscitaremos até que os céus não existam mais, quando o próprio tempo chegar ao fim e for tragado pela eternidade.
Assim, a vida humana pode ser comparada às águas de uma enchente. Elas se espalham e causam grande impressão, mas são rasas. Uma vez cortadas do rio ou do mar que as alimenta, logo secam, e o lugar onde corriam já não as recorda. As águas da vida logo se vão. O corpo desce à terra, enquanto a alma é atraída para o mundo de cima.
Sir Richard Blackmore também percebeu essa diferença: mesmo quando rios secam no verão, voltam a correr no inverno; mas a vida humana não volta assim. Se os rios da sua vida se esvaírem do corpo, jamais serão novamente abastecidos pela natureza. A maré da vida não retorna.
Em segundo lugar, Jó mostra que ainda haverá um retorno à vida em outro mundo, no fim dos tempos, quando os céus deixarem de existir. Então os mortos despertarão e se levantarão do seu sono. A ressurreição dos mortos certamente fazia parte da fé de Jó, como se vê em (Jó 19:26), e ele parece ter essa esperança em vista aqui.
Com base nessa esperança, ele faz um humilde pedido por um esconderijo na sepultura (Jó 14:13). Isso não era apenas o clamor de um homem cansado de sofrer. Era também o pedido de alguém que confiava numa vida melhor e esperava, ao fim, ressuscitar. “Ah! Que me escondesses na sepultura”, ele diz. A sepultura não é apenas um lugar de descanso; é um esconderijo para o povo de Deus. Deus tem a chave da sepultura. Ele faz entrar ali, e na ressurreição fará sair.
Deus esconde o seu povo na sepultura como se esconde um tesouro em lugar seguro. Aquele que os esconde também os encontrará, e nada se perderá. Jó pede para ser escondido não só das tempestades e tribulações desta vida, mas também guardado para a alegria e glória da vida futura. Ele se contenta em ficar deitado na sepultura, separado para a imortalidade, oculto do mundo, mas não de Deus, não dos olhos que o viram quando foi formado em secreto (Salmo 139:15, Salmo 139:16).
Ali ele pede para ficar até que a ira de Deus tenha passado. Enquanto os corpos dos crentes permanecem no túmulo, alguns efeitos do pecado ainda se manifestam, porque continuam pertencendo à ordem da morte. Mas, quando o corpo for ressuscitado, essa ira terá passado por completo. A morte, o último inimigo, estará então totalmente destruída.
Ele também pede para ficar ali até o tempo determinado em que Deus se lembrará dele, assim como Deus se lembrou de Noé na arca (Gênesis 8:1). Deus escondeu Noé da destruição do velho mundo e o guardou para o início de um novo. Do mesmo modo, os corpos dos santos não serão esquecidos na sepultura. Há um tempo marcado em que Deus voltará a procurá-los.
Não podemos ter certeza de que veremos dias melhores ainda nesta vida, depois de nossos atuais sofrimentos. Mas, se ao menos chegarmos em segurança à sepultura, podemos olhar pela sua escuridão, pela fé, como Jó faz aqui, e enxergar dias melhores do outro lado, em um mundo melhor.
Jó fala aqui de uma santa decisão de esperar pacientemente pela vontade de Deus, tanto na morte quanto na ressurreição (Jó 14:14). Ele pergunta: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” e em seguida declara: “Todos os dias do meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança”. Como seus amigos se mostraram consoladores miseráveis, ele se faz, na medida do possível, seu próprio consolador. Sua condição presente era muito ruim, mas ele se agarra à esperança de uma mudança.
Isso não pode significar, ao que parece, que Jó esperasse recuperar sua prosperidade terrena. Seus amigos o animavam com essa expectativa, mas o próprio Jó já havia desistido dela. Consolos baseados em coisas incertas são consolos incertos; por isso, ele deve estar buscando algo mais firme. A mudança pela qual espera é ou a ressurreição, quando o corpo abatido será transformado em corpo glorioso (Filipenses 3:21), ou a mudança que vem na própria morte.
Se for a ressurreição, então a pergunta “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” é uma pergunta de assombro. O sentido seria: “Podem estes ossos secos viver?” Se assim for, então, por todo o período em que alma e corpo estiverem separados, a alma aguardará esse dia, em que será reunida ao corpo, e a carne repousará em esperança (Salmo 16:9). Se se refere à mudança da morte em si, o pensamento é este: “Se o homem morre, não viverá de novo nesta vida presente. Então esperarei pacientemente até que venha essa mudança que por fim põe termo às minhas angústias, em vez de desejá-la, com impaciência, antes do tempo de Deus.”
Devemos lembrar que morrer é algo muito sério. É uma obra à parte, uma verdadeira mudança. O corpo é claramente mudado, a aparência alterada e as ações cessadas; mas a alma é mudada ainda mais. Ela deixa o corpo, entra no mundo dos espíritos, encerra seu tempo de prova e entra no lugar onde suas obras são respondidas. Essa mudança virá com certeza, e será definitiva. Não é como a mudança dos elementos, que voltam ao que eram antes. Morremos uma só vez, e isso torna ainda mais importante estar preparado. Um erro aqui é mortal e não pode ser corrigido depois.
Como essa mudança virá, é nosso dever esperá-la todos os dias do tempo que nos foi determinado. A vida é um tempo marcado, e esses dias devem ser gastos em preparação para a nossa mudança. Devemos esperá-la, pensar nela com frequência e desejá-la, como quem anseia estar com Cristo. Devemos também estar dispostos a aguardar até o tempo de Deus, confiando que o tempo dele é o melhor. E precisamos trabalhar com diligência na preparação, para que, quando a mudança vier, seja uma bênção para nós.
Jó também olha adiante, com alegria, para o tempo em que estará plenamente em paz com Deus (Jó 14:15). “Então chamarás, e eu te responderei.” Neste momento ele está debaixo de uma nuvem tão escura que não pode, nem ousa, responder a Deus (Jó 9:15, Jó 9:35; Jó 13:22). Ainda assim, consola-se com o pensamento de que virá um tempo em que Deus chamará e ele responderá.
Isso pode apontar para a ressurreição, quando Deus o chamará para fora da sepultura pela voz do arcanjo, e ele responderá e sairá. O corpo é obra das mãos de Deus, e Deus não se esquecerá do que fez, especialmente porque preparou glória para esse corpo. Ou isso pode apontar para a morte, quando Deus chama o corpo para a sepultura e a alma para si mesmo. Então Jó responderá: “Pronto, Senhor, pronto, estou indo.” Almas agraciadas podem atender ao chamado da morte em paz. Seus espíritos não lhes são tomados à força, como em (Lucas 12:20), mas são entregues de bom grado. Sua tenda terrena não é arrancada com violência, mas é deposta com alegria.
Jó se apoia nessa certeza: “Terás saudade da obra de tuas mãos.” Deus tem misericórdia preparada para ele, não só porque foi feito pela providência de Deus, mas porque foi refeito pela graça de Deus. Se Deus não tivesse realizado essa nova obra de graça, não o salvaria. A graça na alma é obra das próprias mãos de Deus e, por isso, ele não a abandonará neste mundo (Salmo 138:8). Ele terá prazer nela, irá aperfeiçoá-la no mundo vindouro e a coroará com glória eterna.
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Deste capítulo
Jó 14:1
"O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação."
Jó 14:2
"Sai como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece."
Jó 14:3
"E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar no juízo contigo."
Jó 14:4
"Quem do imundo tirará o puro? Ninguém."
Jó 14:5
"Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles."
Jó 14:6
"Desvia-te dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia."
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