Versículo em destaque
Jó 13:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Eis que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. "
Jó 13:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Eis que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.
2 Como vós o sabeis, também eu o sei; não vos sou inferior.
3 Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me perante Deus.
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Aqui Jó expressa com calor o quanto sente a falta de bondade de seus amigos.
Primeiro ele afirma que entende o assunto tão bem quanto eles e que não precisa ser instruído por eles (Jó 13:1, Jó 13:2). Eles o forçaram, como os coríntios forçaram Paulo, a falar em causa própria e defender o seu próprio conhecimento. Ainda assim, ele não está se gabando, apenas se justificando. Ele tinha visto com seus próprios olhos, ouvido de muitas testemunhas e compreendia bem o que estava dizendo. Felizes são aqueles que não apenas veem e ouvem, mas realmente entendem a grandeza, a glória e o governo de Deus. Jó entende que isso devia confirmar o que já havia dito (Jó 12:3), por isso repete aqui: o que eles sabiam, ele também sabia; não precisava ir a eles para ser ensinado, pois não era menos sábio que eles. Quem entra em debate é tentado a elogiar a si mesmo e rebaixar os outros além da medida, por isso é preciso vigiar e orar contra o orgulho.
Em seguida Jó se volta deles para Deus (Jó 13:3). Ele diz, em essência, que não pode esperar consolo algum ao conversar com eles. Preferiria falar com o Todo-Poderoso e expor a causa diretamente a Deus, certo de que Deus não seria tão duro com ele quanto eles estavam sendo. Um príncipe às vezes ouve um suplicante pobre com mais calma e bondade do que seus servos. Jó preferia defender sua causa diante de Deus do que diante de seus amigos.
Aqui vemos, primeiro, a confiança que uma pessoa pode ter diante de Deus quando o coração não a acusa de profunda hipocrisia. Ela pode chegar à sua presença com humilde ousadia e apelar para ele. Em segundo lugar, vemos o consolo daqueles que são injustamente condenados pelos seus semelhantes. Se não podem falar com as pessoas na expectativa de um tratamento justo, ainda podem falar com o Todo-Poderoso. Ele lhes dá livre acesso e os recebe.
Depois Jó condena o tratamento injusto e cruel que recebeu deles (Jó 13:4). Eles o acusaram falsamente, o que foi uma grande injustiça. Ele os chama de “forjadores de mentiras”. Eles haviam construído uma ideia falsa da providência de Deus, isto é, do seu governo sábio sobre o mundo, como se Deus nunca afligisse gravemente, nesta vida, senão os ímpios. A partir dessa ideia errada, tiraram uma conclusão falsa a respeito de Jó, declarando que ele só podia ser um hipócrita. Por esse grave erro, tanto na doutrina quanto na aplicação ao caso de Jó, ele os trata como homens que forjaram mentiras. Falar mentiras já é mal, ainda que por engano; inventá‑las deliberadamente é pior. No entanto, nem a inocência nem a excelência de uma pessoa conseguem sempre preservá‑la desse tipo de injustiça.
Além disso, eles o enganaram de modo baixo e doloroso. Tinham se oferecido para ajudá‑lo e se apresentado como seus médicos, mas eram médicos de nenhum valor. Eram médicos inúteis, que não entendiam a sua condição e não sabiam como socorrê‑lo. Pareciam curadores incompetentes que prometem muito, mas não acrescentam nada de proveitoso em suas conversas. De tudo o que disseram, ele não saiu mais esclarecido. Da mesma maneira, corações quebrantados e consciências feridas descobrem que todo auxiliador sem Cristo é um médico inútil. A pessoa pode gastar tudo o que tem e terminar não melhor, mas pior (Marcos 5:26).
Jó então pede que eles se calem e o escutem com paciência (Jó 13:5, Jó 13:6). Ele entende que seria melhor para a própria reputação deles se parassem de falar, pois já tinham falado demais. “Calai‑vos, e isso será a vossa sabedoria”, pois assim ficaria menos evidente a ignorância e o mau espírito deles. Eles tinham argumentado que não podiam ficar em silêncio (Jó 4:2; Jó 11:2, Jó 11:3), mas Jó diz que teriam preservado melhor o próprio nome se se houvessem calado. É melhor não dizer nada do que dizer o que foge ao assunto ou o que desonra a Deus e entristece os irmãos. Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio, porque nada aparece para provar o contrário (Provérbios 17:28). O silêncio muitas vezes revela sabedoria e também a produz, pois dá tempo para pensar e ouvir.
Ele acrescenta que seria justo que o ouvissem: “Ouvi agora a minha razão”. Talvez não o interrompessem, mas também não lhe davam verdadeira atenção. Por isso ele pede que não apenas ouçam, mas que escutem com atenção. Devemos estar dispostos a ouvir aqueles de quem somos tentados a pensar mal. Muitos seriam absolvidos até na consciência de seus críticos, se apenas fossem ouvidos com justiça.
Jó passa então a mostrar o mal que eles estavam fazendo à honra de Deus enquanto diziam falar em seu nome (Jó 13:7, Jó 13:8). Eles se orgulhavam de falar por Deus, de defender a sua justiça e os seus tratos com Jó. Aos próprios olhos, estavam do lado do governante, e por isso esperavam que o “tribunal” lhes desse razão. Mas Jó lhes declara claramente que Deus e a sua causa não precisam de tais defensores. “Falareis injustamente por Deus, como se a sua justiça fosse duvidosa e necessitasse da sua defesa? Vós, fracos e passionais como sois, pretendereis falar por ele?” Obras boas não devem ser colocadas em mãos más. “Tomareis o partido de Deus?”, isto é, mostrareis parcialidade porque imaginais estar servindo a Deus? Quando alguém vence uma causa sem ter razão, isso costuma acontecer porque o juiz favoreceu a sua pessoa. Mas a causa de Deus é tão justa que não precisa de ajuda injusta. Ele é Deus e pode pleitear por si mesmo (Juízes 6:31). Ainda que as bocas humanas se calassem para sempre, os céus continuariam proclamando a sua justiça.
Jó diz também que a maneira como eles tratavam o assunto prejudicava a causa de Deus. Sob o pretexto de defender Deus ao explicar as aflições de Jó, ousaram condená‑lo como hipócrita e homem mau. “Isto”, diz Jó, “é falar perversamente.” A falta de bondade e o juízo severo são perversidade, e grande perversidade. Ofende a Deus fazer injustiça aos irmãos. Ele chama isso também de fala enganosa, porque condenavam um homem que suas próprias consciências não podiam condenar plenamente. Seus princípios eram falsos, e seu raciocínio, falho. Seria desculpa dizer: “Estamos fazendo isso por Deus”? Não, pois um bom objetivo não torna boa uma palavra ou ação má. A verdade de Deus não precisa de nossas mentiras, nem a sua causa precisa de astúcia pecaminosa ou de ira pecaminosa. A ira humana não produz a justiça de Deus, e não nos é lícito fazer o mal para que venha o bem (Romanos 3:7, Romanos 3:8). As chamadas “fraudes piedosas” são na verdade enganos ímpios, e a perseguição religiosa é um terrível insulto ao nome de Deus, como nas atitudes daqueles que odiaram seus irmãos, expulsaram‑nos e ainda disseram: “Glorifique‑se o Senhor” (Isaías 66:5; João 16:2).
Depois ele procura levá‑los ao temor do juízo de Deus, para que assumam uma postura melhor.
Que não pensem poder tratar com Deus do mesmo modo que tratam com um homem semelhante a eles. Não devem imaginar que obterão o favor de Deus em seus erros, fingindo zelo por ele e por sua honra. “Poderíeis enganá‑lo como se adulais um homem?” A ideia de Jó é clara: quem tenta enganar a Deus acaba apenas enganando a si mesmo. “Não vos enganeis: de Deus não se zomba.” Para impedi‑los de brincar com Deus e afrontá‑lo, Jó quer que pensem seriamente em Deus e em si mesmos. Fazendo isso, verão que não podem permanecer de pé quando ele os chamar a juízo.
Primeiro, que pensem em que tipo de Deus estão tratando, pois alegavam servi‑lo, mas na prática o desonravam. Que perguntem se podem dar‑lhe boa razão do que estão fazendo. Que considerem o rigor da sua investigação e o modo como ele examina as pessoas (Jó 13:9). “Será bom que ele vos esquadrinhe?” Jó quer dizer: podereis suportar que os motivos de vossos juízos sejam postos à luz e que a verdade do caso seja exposta? Todos precisamos perguntar se nos será para bem ou para mal quando Deus examinar o coração. Para a pessoa sincera, que busca fazer o bem, isso é bom, pois ela pode orar: “Sonda‑me, ó Deus, e conhece o meu coração.” O olhar onisciente de Deus confirma a sua integridade. Mas é perigoso para quem age de um modo e pensa de outro, porque Deus o porá a descoberto e o envergonhará.
Eles também deviam considerar a severidade da repreensão e da ira de Deus contra eles (Jó 13:10). “Se de alguma forma fizerdes acepção de pessoas, ele certamente vos repreenderá.” Deus não se agradará dos ataques deles a Jó, ainda que esses ataques venham sob o pretexto de defendê‑lo. Ele tratará essa conduta como grave ofensa, assim como um governante se indignaria se um ato vergonhoso fosse praticado em seu nome e sob a alegação de servir à sua causa. Tudo o que fazemos de errado certamente será repreendido, mais cedo ou mais tarde, ainda que seja feito em segredo.
Eles também deveriam considerar o temor que convém à majestade de Deus, um temor que deveria impedi-los de se tornarem culpados diante de sua ira (Jó 13:11). “A sua grandeza não vos espantará?” Jó está falando com homens que sabem muito sobre Deus e afirmam ser religiosos; como, então, podem falar com tanta ousadia e dar a si mesmos tanta liberdade em suas palavras? Não deveriam andar e falar no temor de Deus (Neemias 5:9)? Não deveria um santo temor conter suas paixões? Jó fala como alguém que conhece o temor do Senhor e vive debaixo dele, ainda que seus amigos digam o contrário.
Há em Deus uma grandeza terrível. Ele é o Ser mais excelente, e toda excelência pertence a ele em plenitude perfeita. Sua beleza é amável em si mesma, mas, por causa da nossa distância natural de Deus e porque o pecado nos tornou caídos e distorcidos, essa excelência também se torna assustadora para nós. Seu poder, sua santidade, sua justiça e até mesmo sua bondade são impressionantes e inspiram temor. “Temerão ao Senhor e à sua bondade.”
Esse santo temor deve vir sobre nós e nos tornar cuidadosos. Deve despertar os pecadores teimosos e levá-los ao arrependimento. Deve também tornar todos mais desejosos de agradar a Deus e mais receosos de ofendê-lo.
Em segundo lugar, que pensem em si mesmos e em quão mal preparados estão para entrar em conflito com esse grande Deus (Jó 13:12). “As vossas memórias”, isto é, tudo aquilo em que vocês confiam para permanecer lembrados depois que se forem, “são como cinza”. São coisas sem valor, fracas, fáceis de serem pisadas ou levadas pelo vento. “Os vossos corpos são corpos de barro”, frágeis, que se gastam e voltam ao pó. Vocês pensam que sua reputação sobreviverá aos seus corpos, mas ela é tão frágil quanto as cinzas que serão ajuntadas junto com o seu pó. O pensamento sobre nossa própria fraqueza e mortalidade deveria nos impedir de ofender a Deus e é um forte motivo para não desprezar nem esmagar nossos semelhantes.
O bispo Patrick oferece outro sentido para este versículo: as defesas que eles levantam em nome de Deus não passam de pó, e os argumentos que acumulam não passam de montes de terra.
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Deste capítulo
Jó 13:2
"Como vós o sabeis, também eu o sei; não vos sou inferior."
Jó 13:3
"Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me perante Deus."
Jó 13:4
"Vós, porém, sois inventores de mentiras, e vós todos médicos que não valem nada."
Jó 13:5
"Quem dera que vos calásseis de todo, pois isso seria a vossa sabedoria."
Jó 13:6
"Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos meus lábios."
Jó 13:7
"Porventura por Deus falareis perversidade e por ele falareis mentiras?"
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