Versículo em destaque
Jó 1:4 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. "
Jó 1:4
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
2 E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
3 E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente.
4 E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles.
5 Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.
6 E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.
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Aqui vemos mais da prosperidade de Jó e também mais da sua piedade. Seus filhos lhe traziam grande consolo, e isso fazia parte da sua bênção terrena. Nossas consolações externas muitas vezes vêm ligadas a outras pessoas, e sobem ou descem conforme a situação daqueles que nos cercam. O próprio Jó mais tarde afirmou que um dos maiores prazeres de sua vida feliz era ter seus filhos ao seu redor (Jó 29:5).
Eles faziam uma sequência de banquetes em tempos determinados, cada um em sua própria casa (Jó 1:4). Isso era um consolo para Jó por vários motivos. Primeiro, seus filhos já eram adultos e estavam estabelecidos na vida. Cada filho tinha sua própria casa, provavelmente sua própria família também, e Jó já lhes havia dado o suficiente para começarem bem. Aqueles que antes se assentavam como tenros brotos de oliveira em volta de sua mesa agora tinham as suas próprias mesas.
Segundo, ele os via prosperando. Eles tinham condições de receber uns aos outros, não apenas de se manterem. Bons pais desejam que seus filhos vão bem, trabalhem bem e desfrutem de um sucesso honesto, e se alegram nisso como se fosse sucesso próprio. Terceiro, ele os via com saúde. Qualquer enfermidade em uma das casas teria estragado os banquetes e transformado alegria em tristeza.
Acima de tudo, ele se alegrava em vê-los vivendo em paz e afeto. Não havia brigas, nem frieza, nem egoísmo, nem distância entre eles. Pareciam compartilhar a vida livremente, embora cada um tivesse o seu próprio lar. É algo belo e consolador quando os irmãos vivem unidos dessa maneira (Salmo 133:1).
Também confortava Jó o fato de que os irmãos eram tão atenciosos com as irmãs que as mandavam chamar para participar do banquete. As irmãs eram modestas o suficiente para não irem sem ser convidadas. Irmãos que ignoram suas irmãs e não se importam com a companhia nem com a alegria delas se comportam mal e não se parecem com os filhos de Jó. Os banquetes deles parecem ter sido sóbrios e decentes, pois as irmãs podiam participar sem motivo de vergonha.
Eles realizavam esses banquetes em suas próprias casas, não em lugares públicos, onde estariam expostos a mais tentações e dariam menos honra a Deus. Não nos é dito que Jó participasse com eles. Sem dúvida era convidado e seria bem-vindo à mesa de qualquer um. Mas ele já era idoso e não se sentia mais atraído por esse tipo de coisa, como Barzilai, que já não tinha idade para os prazeres da corte (2 Samuel 19:35). Provavelmente entendia que os jovens ficariam mais à vontade e alegres se estivessem entre eles. Mesmo assim, ele não lhes proibia aquilo que ele próprio já não desfrutava. Os jovens podem ter certa liberdade própria da idade, contanto que fujam das paixões da mocidade.
O cuidado de Jó por seus filhos também revela sua piedade. O verdadeiro caráter de uma pessoa aparece no modo como ela age em relação aos que lhe são mais próximos. Quem é realmente piedoso buscará o bem de seus filhos, sobretudo o bem de suas almas. Jó era cauteloso com relação ao estado espiritual deles. Ele sabia que até bons filhos podem pecar, especialmente em tempos de conforto e celebração.
Ele pensava: “Pode ser que meus filhos tenham pecado durante seus banquetes, mais do que em outras ocasiões. Talvez tenham se alegrado em excesso, tomado demasiada liberdade em comer e beber, e amaldiçoado a Deus em seu coração.” Isto é, podem ter nutrido pensamentos ímpios ou irreverentes, avaliando mal a Deus, sua providência e seu culto. Quando as pessoas estão cheias e confortáveis, facilmente se esquecem de Deus e pensam que a própria força lhes conquistou os bens (Provérbios 30:9; Deuteronômio 8:12). Nada afasta mais o coração de Deus do que entregar-se aos prazeres do corpo.
Assim que os dias de banquete terminavam, Jó chamava seus filhos para um culto solene. Ele não interrompia o banquete, pois há tempo certo para cada coisa. Mas, terminado o período de festa, ele os lembrava de que deviam saber parar, e de que não podiam esperar uma vida de prazer contínuo. Ainda que tivessem banqueteado uma semana inteira, não poderiam viver nisso o ano todo. Havia outros deveres a cumprir.
Ele também os convocava para se prepararem para o culto. Mandava que examinassem a si mesmos e se arrependessem de qualquer mal que pudessem ter cometido durante os banquetes. Deviam deixar de lado a vaidade e dispor o coração para as atividades religiosas. Assim, ele mantinha sua autoridade sobre eles para o bem deles, e eles se submetiam, embora tivessem suas próprias casas. Ele continuava a agir como sacerdote da família, e todos vinham ao seu altar, valorizando mais suas orações do que seus bens materiais. Os pais não podem transmitir graça a seus filhos, pois só Deus os torna santos, mas ainda assim devem usar advertências sábias e conselhos amorosos para guiá-los em direção à santidade. No batismo, as crianças são separadas para Deus, e deve ser nosso alvo que, na vida prática, de fato pertençam a ele.
Jó também oferecia sacrifícios por eles. Fazia isso para tratar de qualquer pecado que pudessem ter cometido durante os banquetes e para pedir a Deus misericórdia para perdoá-los e graça para que sua mente e conduta não fossem estragadas pela liberdade que haviam desfrutado. Ele desejava que a piedade e a pureza deles fossem preservadas. Como Abraão, tinha um altar para sua família e provavelmente oferecia sacrifícios diariamente. Mas nessa ocasião especial, ofereceu sacrifícios adicionais, um para cada filho, conforme o número deles. Os pais devem orar de modo especial e específico por cada filho, segundo o temperamento, os dons e a situação de cada um. As orações devem ser adequadas a cada filho, assim como os esforços também.
Quando esses sacrifícios seriam oferecidos, Jó se levantava de madrugada, desejoso de que seus filhos não permanecessem sob culpa por mais tempo do que o necessário, e mostrando que seu coração estava voltado para esse dever. Ele também exigia que os filhos estivessem presentes ao sacrifício, para que participassem das orações e fossem profundamente tocados pelo que viam. A morte do animal os humilharia, pois seus próprios pecados mereciam a morte, e a oferta sobre o altar os faria olhar para um Mediador, alguém que se colocaria entre Deus e os pecadores. Esse culto solene ajudaria a trazê-los de volta à sobriedade depois de seus dias de alegria.
Jó fazia isso continuamente, não apenas em situações especiais. Quem já foi lavado ainda precisa lavar os pés (João 13:10). Atos de arrependimento e fé precisam ser renovados com frequência, porque continuamos recaindo em pecado. Jó era constante em sua adoração. Diariamente oferecia seus sacrifícios, permanecia fiel em suas devoções e não deixava passar um dia sequer.
Atos ocasionais de religião não nos dispensam dos atos regulares. Quem serve a Deus com sinceridade o serve de modo contínuo.
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Deste capítulo
Jó 1:1
"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal."
Jó 1:2
"E nasceram-lhe sete filhos e três filhas."
Jó 1:3
"E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente."
Jó 1:5
"Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente."
Jó 1:6
"E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles."
Jó 1:7
"Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela."
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