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Jeremias 22:20 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Sobe ao Líbano, e clama, e levanta a tua voz em Basã, e clama desde Abarim; porque estão destruídos todos os teus namorados. "

Jeremias 22:20

menu_book Versículo no contexto

18 Portanto assim diz o SENHOR acerca de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não o lamentarão, dizendo: Ai, meu irmão, ou ai, minha irmã! Nem o lamentarão, dizendo: Ai, senhor, ou, ai, sua glória!

19 Em sepultura de jumento será sepultado, sendo arrastado e lançado para bem longe, fora das portas de Jerusalém.

20 Sobe ao Líbano, e clama, e levanta a tua voz em Basã, e clama desde Abarim; porque estão destruídos todos os teus namorados.

21 Falei contigo na tua prosperidade, mas tu disseste: Não ouvirei. Este tem sido o teu caminho, desde a tua mocidade, pois nunca deste ouvidos à minha voz.

22 O vento apascentará a todos os teus pastores, e os teus namorados irão para o cativeiro; certamente então te confundirás, e te envergonharás por causa de toda a tua maldade.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta profecia parece dirigida a Jeconias, também chamado Joaquin, filho de Jeoaquim. Ele sucedeu o pai no trono, reinou apenas três meses e foi levado cativo para a Babilônia, onde viveu muitos anos (Jeremias 52:31). Nestes versículos, Jeremias anuncia a ruína do reino e a humilhação do rei.

Jerusalém e Judá são tratados como se fossem uma única pessoa. Primeiro, aparecem como orgulhosos em tempo de segurança (Jeremias 22:21). Deus lhes havia falado por meio dos seus servos, os profetas, com advertências, repreensões e conselhos, mas eles se recusaram a ouvir. Isso é comum entre os que vivem com conforto: tornam-se descuidados em relação à palavra de Deus. Isso torna o pecado ainda mais grave, pois essa recusa teimosa já era, há muito, o modo de vida deles.

Em seguida, aparecem apavorados quando chega a angústia (Jeremias 22:20). Quando virem todos os seus aliados destruídos e perceberem que seus falsos deuses não podem ajudá-los, clamarão de medo desde o Líbano, desde Basã e pelos caminhos, como gente completamente arruinada. Esses lugares elevados sugerem clamores desesperados lançados de todos os lados, na esperança de que alguém ouça. Mas será inútil, porque o vento levará embora os seus pastores, isto é, os seus governantes, que deveriam tê-los protegido e guiado (Jeremias 22:22). Seus amantes, as nações em que confiaram e que tanto estimaram, irão para o cativeiro e nem a si mesmas conseguirão salvar.

Depois, são mostrados humilhados debaixo de um sofrimento longo e pesado. Quando não vier socorro algum de seus aliados, e até mesmo seus próprios sacerdotes se revelarem impotentes, ficarão envergonhados por causa de toda a sua maldade (Jeremias 22:22). Muitos só sentem vergonha do pecado quando são empurrados até o fim de suas forças. É uma misericórdia quando as aflições nos levam a esse ponto, em que finalmente enxergamos com clareza os nossos pecados.

O estado judeu é chamado também de morador do Líbano, porque a região florestal do Líbano ficava dentro de seus limites, e sua terra parecia forte e segura como aquela região montanhosa (Jeremias 22:23). Eles eram orgulhosos e confiantes, como se tivessem feito o ninho entre os cedros e estivessem fora de perigo. No entanto, quando a dor vier, ficarão profundamente abalados. Então se humilharão e farão promessas de mudar, e ficarão contentes em ouvir palavras que antes haviam rejeitado (Salmo 141:6). Mas angústias desse tipo muitas vezes revelam uma religiosidade rasa. Alguns parecem cheios de devoção na dor, porém, passada a dor, a devoção desaparece. Outros entendem o versículo assim: toda a sua riqueza e poder serão inúteis quando a tristeza chegar, do mesmo modo que uma mulher em trabalho de parto não consegue desfrutar de seus enfeites enquanto sofre as dores.

A profecia então se volta para a desgraça do rei. Seu nome era Jeconias, mas aqui é chamado Conias, uma forma abreviada usada com desprezo. Esse apelido sugere que sua honra seria encurtada, e seu reinado acabaria de forma repentina. Dois sinais de vergonha são colocados sobre ele: será levado cativo e morrerá em cativeiro.

Primeiro, Deus declara que o rejeitará, e o Senhor confirma isso com um juramento (Jeremias 22:24). Mesmo que ele fosse como um anel de selar na mão direita de Deus, seria arrancado. Os reis piedosos de Judá haviam sido preciosos para Deus, como um selo que Ele usava junto de si no exercício de seu governo. Mas Conias se tornou indigno dessa honra, de modo que sua origem real não o protegeria. Este aviso aparece ao lado da promessa posterior feita a Zorobabel, quando ele conduzia o povo de volta do exílio: “Tomar-te-ei, servo meu, Zorobabel, e te farei como um anel de selar” (Ageu 2:23). Aqueles que se julgam firmes no favor de Deus precisam permanecer vigilantes, para não serem removidos.

Depois, o rei da Babilônia o tomará (Jeremias 22:25). Quem se coloca fora da proteção de Deus fica exposto a todo inimigo. Os caldeus, os babilônios, são descritos como inimigos que desejavam a morte de Conias. Ele os temia, e o rosto deles enchia o seu coração de pavor. Isso tornou sua queda ainda pior, sobretudo porque foi o próprio Deus quem o entregou em suas mãos. Se Deus entrega alguém nas mãos do inimigo, ninguém pode livrá-lo.

Ele e sua família serão levados para Babilônia, onde passarão muitos anos longos e miseráveis em cativeiro, inclusive sua mãe e seus descendentes (Jeremias 22:26, 28). Ele e a linhagem real serão lançados em terra estranha, onde não nasceram e onde não conhecem ninguém. Viverão entre desconhecidos, sem qualquer lugar ou rosto familiar que lhes traga consolo.

Seriam conduzidos para fora da terra em que antes tinham poder para uma terra onde seriam obrigados a servir. Mas poderiam ainda alimentar esperança de rever o próprio país? Não. “À terra para onde eles almejam voltar, não voltarão” (Jeremias 22:27). Tinham vivido mal naquela terra, de modo que nunca mais a veriam.

Jeoacaz foi levado para o Egito, a terra do sul, e Jeconias para Babilônia, a terra do norte. Foram conduzidos em direções opostas, muito distantes, e dificilmente se encontrariam outra vez ou respirariam de novo o ar da pátria. Aqueles que abusaram da autoridade que tinham sobre outros foram justamente colocados debaixo da autoridade de outros. Os que sustentaram seus desejos pecaminosos por meio de opressão, luxo e crueldade foram com justiça privados até mesmo do desejo inocente de ver a própria terra natal.

Há algo de muito forte nessa advertência: “Na terra em que não nasceste, ali morrerás” (Jeremias 22:26). Assim como há um tempo de nascer e um tempo de morrer, há também um lugar para nascer e um lugar para morrer. Sabemos onde nascemos, mas não sabemos onde morreremos. Basta que Deus saiba. O essencial é que alguém morra em Cristo, e então lhe irá bem, aconteça onde acontecer, ainda que seja em terra distante.

Isso também faria com que ele parecesse pequeno e desprezível aos olhos de seus vizinhos. Eles estariam prontos a dizer: “É este o Conias, este ídolo desprezado e quebrado?” Sim, seria ele, muito rebaixado em comparação ao que já foi (Jeremias 22:28). Houve tempo em que foi honrado, quase tratado como divino. O povo, que havia visto seu pai ser tirado do trono, estava pronto para quase adorá-lo quando o viu assentado nele. Mas agora ele é como um ídolo quebrado: antes era adorado enquanto inteiro, depois é jogado fora e desprezado quando está quebrado e podre. Aquilo que é idolatrado mais cedo ou mais tarde será desprezado e quebrado. O que é honrado de forma indevida será justamente alvo de escárnio, e os que disputam com Deus pela honra se tornarão a vergonha dos homens.

Outrora ele era motivo de alegria, mas agora é como um vaso em que não há prazer, um pote ou jarro que ninguém deseja, seja porque saiu de uso, seja porque está rachado e sujo, sem utilidade. Aqueles em quem Deus não tem prazer se tornarão, com o tempo, pessoas em quem os outros também não encontram prazer.

Ele não deixaria descendente que herdasse a sua honra. Essa advertência começa com uma solene convocação: “Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor” (Jeremias 22:29). Todos os povos do mundo devem atentar para os juízos de Deus sobre uma nação e uma família que antes lhe eram tão próximas, e aprender que Deus julga com justiça e sem parcialidade.

Pode ser também um apelo à própria terra, já que as pessoas sobre a terra costumam ser surdas e descuidadas. Lembra o chamado: “Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra” (Isaías 1:2). A palavra de Deus, por mais que alguns a tratem com leveza, será ouvida. Até a própria terra será levada a ouvi-la e a submeter-se a ela, quando ela e tudo o que nela há forem queimados.

Ou é um apelo às pessoas que só pensam nas coisas terrenas e estão absorvidas por elas. Tais pessoas precisam ser chamadas repetidas vezes, até uma terceira vez, a ouvir a palavra do Senhor. Ou é um chamado aos seres humanos como criaturas mortais, feitas da terra e que à terra retornam. Isso é verdade para todos nós. Somos pó, e por isso devemos ouvir atentamente a palavra do Senhor, para que, embora sejamos terrenos, sejamos achados entre aqueles cujos nomes estão escritos nos céus.

O ponto principal aqui é que Jeconias está escrito como se fosse sem filhos (Jeremias 22:30). Isso significa, como o próprio versículo explica, que nenhum homem de sua descendência prosperaria sentado no trono de Davi. Nele, a linha real de Davi chegou ao fim. Alguns pensam que ele teve filhos nascidos na Babilônia, pois seus descendentes são mencionados ali, e que morreram antes dele. Na genealogia aparecem sete filhos de Jeconias, o cativo, sendo Salatiel citado em primeiro lugar (1 Crônicas 3:17). Outros entendem que eram filhos adotivos, e que, quando se diz que Jeconias gerou Salatiel (Mateus 1:12), isso significa apenas que lhe transmitiu o direito que ainda tinha ao trono. Esse entendimento é apoiado pelo fato de Salatiel ser chamado filho de Neri, da linhagem de Natã (Lucas 3:27, Lucas 3:31).

Quer tenha tido filhos de sangue ou por adoção, ele era “sem filhos” neste sentido, porque nenhum de seus descendentes reinou como rei em Judá. Ele foi como o “último imperador” daquele reino, aquele em quem tudo chegou ao fim. Quando alguém fica sem filhos, é Deus quem escreve assim a sua história.

E aqueles que não se importam em praticar o bem em seus dias não podem esperar prosperar em seus dias. Quem despreza a justiça, a fidelidade e o temor do Senhor não deve esperar que seu caminho seja bem-sucedido ou duradouro.

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