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Isaías 47:7 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E disseste: Eu serei senhora para sempre; até agora não te importaste com estas coisas, nem te lembraste do fim delas. "

Isaías 47:7

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5 Assenta-te calada, e entra nas trevas, ó filha dos caldeus, porque nunca mais serás chamada senhora de reinos.

6 Muito me agastei contra o meu povo, profanei a minha herança, e os entreguei na tua mão; porém não usaste com eles de misericórdia, e até sobre os velhos fizeste muito pesado o teu jugo.

7 E disseste: Eu serei senhora para sempre; até agora não te importaste com estas coisas, nem te lembraste do fim delas.

8 Agora, pois, ouve isto, tu que és dada a prazeres, que habitas tão segura, que dizes no teu coração: Eu o sou, e fora de mim não há outra; não ficarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos.

9 Porém ambas estas coisas virão sobre ti num momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez; em toda a sua plenitude virão sobre ti, por causa da multidão das tuas feitiçarias, e da grande abundância dos teus muitos encantamentos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Babilônia, agora destinada à ruína, é justamente repreendida por seu orgulho, luxo e falsa sensação de segurança nos dias do seu sucesso. Ela também confiava na própria sabedoria e nos próprios planos, especialmente nas adivinhações e conselhos dos astrólogos. Esses pecados são citados tanto para mostrar que Deus é justo ao julgá-la, quanto para humilhá-la debaixo desse juízo. Quando Deus vem para punir, a glória pertence a ele, e a vergonha pertence ao pecador.

Em primeiro lugar, os babilônios são repreendidos por seu orgulho e arrogância. Por causa de suas riquezas, poder e domínio extenso, tinham uma opinião altíssima sobre si mesmos. Essa era a linguagem tanto de seus governantes quanto de seu povo: no coração diziam: “Eu sou, e fora de mim não há outra” (Isaías 47:8, Isaías 47:10). Deus, que vê todo coração, pode repetir aos homens aquilo que eles dizem no íntimo, mesmo quando nunca o pronunciam em voz alta. Essa é uma linguagem que Deus frequentemente usa sobre si mesmo, pois somente ele é autoexistente, perfeito e supremo. Babilônia reivindicava para si o que pertence somente a Deus, e isso era uma presunção atrevida.

Eles também são repreendidos por seu amor ao prazer e à facilidade (Isaías 47:8). Eram entregues ao luxo, viviam em função do conforto e evitavam tudo o que pudesse perturbá-los. Grande riqueza e abundância frequentemente levam à autossatisfação, e onde há fartura de comida, muitas vezes segue-se a ociosidade. Mas, se aqueles que vivem para o prazer se lembrassem de que Deus julgará todas essas coisas, sua alegria seria tornada mais sóbria e teriam algo real com que se preocupar.

Também são repreendidos por sua segurança descuidada e por sua falsa confiança de que o luxo duraria para sempre. Sentiam-se seguros, não porque refletissem seriamente sobre a incerteza das coisas terrenas, mas porque se recusavam a levar essa verdade a sério. “Ninavam-se” no conforto e no prazer e esperavam que o amanhã fosse ainda melhor do que o hoje. Não se lembravam do fim de sua prosperidade, que murcha como a flor, nem do fim da sua perversidade, que terminaria em amargura e juízo. Jerusalém caiu terrivelmente porque não se lembrou do seu fim (Lamentações 1:9), e Babilônia cairia da mesma forma. As pessoas só permanecem tranquilas em caminhos pecaminosos porque não pensam na morte, no juízo e no que vem depois desta vida.

A segurança deles se apoiava em duas coisas: na maldade e na sabedoria própria (Isaías 47:10). Primeiro, confiavam na maldade, como Doegue, o edomita que usou o mal para seu próprio proveito (Salmo 52:7). Muitos endureceram tanto a consciência que não param diante de nada. Pensam que podem vencer qualquer obstáculo porque estão dispostos a mentir, matar, quebrar promessas e fazer qualquer coisa em benefício próprio. Mas a própria coisa em que confiam será a sua destruição. Em segundo lugar, confiavam no que chamavam de sabedoria, isto é, astúcia e política. Julgavam que podiam ser mais espertos do que todos e, assim, desafiar todos os inimigos. Mas a sabedoria e o conhecimento deles os desviaram, fizeram-nos esquecer de si mesmos e os impediram de se preparar para o futuro.

A sua monarquia orgulhosa dizia três coisas na sua falsa segurança. Primeiro: “Eu serei senhora para sempre” (Isaías 47:7). Imaginavam que sua honra duraria para sempre, não apenas por um tempo sob o governo de Deus, mas de forma permanente para si e para seus descendentes. Não apenas se orgulhavam de ser senhora, mas tinham certeza de que permaneceriam assim para sempre. Do mesmo modo, a Babilônia do Novo Testamento diz: “Estou assentada como rainha, e não verei o pranto” (Apocalipse 18:7). As pessoas cometem um erro grave quando pensam que seu status durará para sempre, pois a morte logo lança essa honra no pó. O povo de Deus será santo para sempre, mas senhores e senhoras desta terra não permanecerão assim para sempre.

Em segundo lugar, diziam: “Não me sentarei como viúva”, isto é, acreditavam que nunca perderiam suas riquezas, seu poder ou seu protetor. Imaginavam que o Estado jamais ficaria sem um governante que o guiasse e defendesse, e que nunca seriam privados de filhos ou de povo. Estavam igualmente certos de que a honra de seu príncipe e a multidão do seu povo continuariam. Aqueles que estão no auge da prosperidade frequentemente imaginam que a aflição não pode atingi-los.

Em terceiro lugar, diziam: “Ninguém me vê quando faço o mal”, e por isso pensavam que ninguém os chamaria a prestar contas (Isaías 47:10). Pecadores com frequência prometem a si mesmos impunidade porque imaginam que seu mal pode permanecer oculto. Confiam em seus artifícios e planos para protegê-los, porque pensam que os executaram com tanta habilidade que ninguém poderá perceber o engano.

Essa falsa segurança se tornaria a sua ruína. O castigo seria completo e atingiria justamente as coisas em que confiavam. “Estas duas coisas virão sobre ti”, a perda de filhos e a viuvez, “em um mesmo dia” (Isaías 47:9).

Tanto seus príncipes quanto seu povo seriam eliminados, de modo que deixaria de ser governo e nação. Deus muitas vezes traz sobre pecadores cheios de autoconfiança exatamente os males que eles menos temiam e julgavam menos prováveis. Esses males vêm sobre eles em toda a sua força, com todos os detalhes amargos, sem nada que os suavize.

As aflições dos filhos de Deus não vêm dessa forma plena e esmagadora. A viuvez não é ruína total para eles, porque o seu Criador é o seu marido. A perda de filhos também não é destruição completa, porque ele é melhor do que dez filhos. Mas os inimigos de Deus enfrentam essas perdas em toda a sua extensão. Viuvez e esterilidade são, cada uma, dores profundas, e juntas são ainda piores. Noemi, sogra de Rute, pensou ter direito de ser chamada Mara, isto é, “amarga”, quando perdeu o marido e os filhos (Rute 1:5). Ainda assim, nem mesmo então sua dor foi completa, porque suas duas noras ainda estavam com ela para consolá-la. Babilônia, porém, não teria nenhum consolo semelhante.

A ruína também seria súbita e chocante. A calamidade viria em um só dia, em um momento, o que a tornava muito mais terrível, especialmente para quem se sentia tão seguro. O mal viria sobre eles sem tempo nem oportunidade de se prepararem. Não saberiam de onde ele viria e, por isso, não saberiam onde se colocar em guarda. Esse é o sentido da expressão hebraica “não saberás da sua manhã”. Sabemos quando o dia nasce e o sol se levanta, mas não sabemos que tipo de aflição o dia trará. Uma tempestade pode vir de uma direção que nunca esperávamos. Babilônia se vangloriava de grande sabedoria e conhecimento (Isaías 47:10), mas toda a sua sabedoria não poderia prever a ruína, e toda a sua habilidade não poderia detê-la. A destruição viria como ladrão à noite, algo que ela nem suspeitava.

Aviso claro tinha sido dado por meio de Isaías e de outros profetas do Senhor, mas Babilônia o desprezou e não quis crer. Por isso, era justo que, quando o juízo viesse, não recebesse outro aviso. Em parte por sua própria negligência, em parte pela rapidez e astúcia do inimigo, a calamidade a surpreenderia completamente. Aqueles que desprezam os avisos da palavra escrita de Deus não devem esperar nenhum outro tipo de alerta.

A ruína também seria irresistível, sem defesa possível. O mal viria tão de repente que não haveria tempo para desviar-se dele, e com tanta força que Babilônia não conseguiria resistir nem salvar a si mesma. Ninguém pode permanecer de pé contra os juízos de Deus quando ele os envia com sua autoridade. A própria Babilônia, com toda a sua riqueza, poder e multidões, não seria capaz de impedir o mal que se aproximava.

Babilônia é ainda repreendida por suas adivinhações, práticas mágicas e astrológicas, pelas quais os caldeus eram especialmente famosos, e das quais outras nações tomaram emprestadas suas superstições. Isso é mencionado primeiro como um de seus pecados que trariam o juízo de Deus sobre ela (Isaías 47:9). Esses males viriam sobre ela para puni-la por suas muitas feitiçarias e grande quantidade de encantamentos. A feitiçaria é um pecado profundamente perverso, porque dá ao diabo a honra que pertence somente a Deus. Faz do inimigo de Deus o nosso guia e do pai da mentira o nosso oráculo. Em Babilônia, isso era um pecado nacional, sustentado pelo governo. Parece que os adivinhos estavam entre seus principais conselheiros e governantes. Certamente Deus chamará os homens a prestar contas dessas coisas. Note quantas feitiçarias e encantamentos eles possuíam. Esse pecado era tão forte que, uma vez permitido, espalhava-se rapidamente e nunca parecia ter fim. Tanto os enganadores quanto os enganados se multiplicavam cada vez mais.

Esse pecado também é descrito como uma de suas falsas fontes de confiança, algo em que confiavam, mas que se mostraria inútil. Essas práticas nem sequer os advertiam de que o juízo estava chegando, muito menos poderiam protegê-los dele. Eles se dedicaram a isso desde a juventude (Isaías 47:12). Treinavam jovens nessas artes, e os que as estudavam se afadigavam sem descanso, lendo livros, fazendo observações e realizando experiências. Agora, que se levantem com seus encantamentos e mostrem sua habilidade na crise. Que se apresentem, se puderem, contra o inimigo invasor, oferecendo ajuda à sua pátria. Mas que proveito haveria nisso? Eles se esgotaram em muitos desses planos (Isaías 47:13). Consultaram todos eles, mas não obtiveram resposta verdadeira. Os diferentes esquemas e opiniões apenas aumentaram a confusão e os deixaram mais cansados. Em meio a uma multidão assim de conselheiros, não há segurança.

Eles também são ridicularizados pela multidão de adivinhos que possuíam (Isaías 47:13). Havia os astrólogos, observadores do céu, que não estudavam os céus para ver neles a sabedoria e o poder de Deus, como Davi fez, mas fingiam prever acontecimentos futuros a partir das estrelas. Contemplavam os céus e esqueciam aquele que os fez e que estabeleceu sua ordem sobre a terra (Jó 38:33), aquele que governa sobre eles. Havia os que fitavam as estrelas para ler o destino das nações pelos movimentos delas, pelos ajuntamentos e separações. Havia também os prognosticadores mensais, fabricantes de almanaques, que diziam qual seria o tempo e as notícias de cada mês. Babilônia se orgulhava muito desse corpo de especialistas, mas todos eram enganadores, e sua arte, uma fraude.

A chamada astrologia judiciária que alguns hoje afirmam praticar, por meio da qual tentam prever o futuro, não se distingue, em essência, da astrologia dos caldeus. Portanto, não deveria escapar à crítica e ao desprezo que este texto lhe dirige. É de temer que alguns estudem mais seus almanaques e confiem mais em suas previsões do que em suas Bíblias e nas profecias que ali se encontram.

Todos esses falsos mestres se mostrariam inúteis na hora da angústia de Babilônia. Que vejam se, com todos os seus encantamentos, conseguem vencer seus inimigos ou ajudar a si mesmos, incutir coragem em suas próprias tropas ou enfraquecer as forças que vêm contra eles (Isaías 47:12).

Que vejam que espécie de ajuda podem dar aqueles que fazem da adivinhação um negócio. Que se levantem e tentem salvá-los do mal que se aproxima ou, pelo menos, avisá-los com antecedência para que possam se proteger. Eliseu, revelando ao rei de Israel os movimentos do exército sírio, ajudou-o a escapar mais de uma vez (2 Reis 6:10). Mas Deus frustrou completamente os adivinhos quando Babilônia caiu. Na noite em que Babilônia foi tomada e Belsazar, seu rei, foi morto, todos os seus astrólogos, adivinhos e sábios ficaram impotentes diante da inscrição na parede que anunciava sua condenação (Daniel 5:8).

Eles também são alvo de zombaria porque os próprios sábios caíram no mesmo desastre (Isaías 47:14). Quem não consegue proteger a si mesmo dificilmente ajudará seus amigos. No máximo, são como restolho, inúteis e prontos para o fogo. Os persas abririam caminho para seus próprios sábios eliminando os de Babilônia, e esse fogo os consumiria. Pecadores não podem esperar outro fim quando se fazem combustível para o fogo devorador. Quando Deus envia fogo entre eles, não será uma brasa pequena para aquecê-los, nem o fogo de uma lareira diante da qual se sentam. Será um fogo para consumi-los. Em outras palavras, os juízos de Deus os queimariam até as cinzas, e nada sobraria deles, porque, quando Deus julga, ele vence.

Eles ainda são ridicularizados por causa de seus mercadores, e daqueles com quem comerciavam desde a sua mocidade (Isaías 47:15). Isso pode se referir aos astrólogos e adivinhos que sempre consultavam e com quem “negociavam”. De certo modo, esses homens eram seus mercadores, e a adivinhação era um dos negócios mais lucrativos em Babilônia. Provavelmente viviam com tanto luxo e ganhavam tanto quanto os maiores comerciantes. No entanto, quando alguns deles foram destruídos, os outros fugiram para suas próprias terras, e ninguém ficou para salvar Babilônia. Todos foram consoladores miseráveis.

Ou isso pode se referir aos comerciantes propriamente ditos. Assim como os astrólogos de Babilônia falharam, também seus negociantes a traíram. Cuidaram primeiro de salvar seus próprios bens e pouco se importaram com o que acontecesse à cidade. Cada um se retirou para o seu lugar. Cada um buscou o próprio interesse, poucos se importaram com seus amigos. A Babilônia do Novo Testamento também é lamentada pelos mercadores que enriqueceram por meio dela, mas eles, com astúcia, permanecem de longe enquanto choram sua queda (Apocalipse 18:15), sem disposição de fazer algo para socorrê-la. Felizes aqueles que, pela fé e pela oração, lidam com aquele que é socorro bem presente na angústia.

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