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Isaías 32:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Levantai-vos, mulheres, que estais sossegadas, e ouvi a minha voz; e vós, filhas, que estais tão seguras, inclinai os ouvidos às minhas palavras. "

Isaías 32:9

menu_book Versículo no contexto

7 Também todas as armas do avarento são más; ele maquina invenções malignas, para destruir os mansos com palavras falsas, mesmo quando o pobre chega a falar retamente.

8 Mas o liberal projeta coisas liberais, e pela liberalidade está em pé.

9 Levantai-vos, mulheres, que estais sossegadas, e ouvi a minha voz; e vós, filhas, que estais tão seguras, inclinai os ouvidos às minhas palavras.

10 Porque num ano e dias vireis a ser turbadas, ó mulheres que estais tão seguras; porque a vindima se acabará, e a colheita não virá.

11 Tremei, mulheres que estais sossegadas, e turbai-vos vós, que estais tão seguras; despi-vos, e ponde-vos nuas, e cingi com saco os vossos lombos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesses versículos, Deus se levanta em juízo contra os ímpios para castigar sua maldade, e depois volta em misericórdia para com os generosos, recompensando sua bondade. Quando a sociedade se corrompe profundamente e o povo continua provocando o Deus santo, é de se esperar tempos difíceis. Por isso o profeta adverte as mulheres sossegadas e as filhas tão seguras em (Isaías 32:9), porque o orgulho, a vaidade e o amor ao luxo delas levavam maridos e pais a negligenciar os pobres.

Elas são chamadas a se levantar e ouvir com reverência e atenção. Deus estava prestes a trazer juízos devastadores e destruidores sobre a terra onde viviam em conforto e prazer. Isso aponta primeiro para a destruição causada pelo exército de Senaqueribe, quando ele tomou as cidades fortificadas de Judá. A expressão “muitos dias e anos” pode também significar pouco mais de um ano, o que combina com o longo período de devastação, desde a primeira invasão daquele exército até sua derrota.

O aviso também se aplica a qualquer pessoa que põe o coração neste mundo e imagina encontrar nele a verdadeira felicidade. “Vos turbais, ó mulheres sossegadas.” Lançar fora a preocupação não afasta o problema. Pelo contrário, pequenos problemas se tornam muito pesados para quem escolhe viver de modo descuidado. Elas eram descuidadas porque tinham dinheiro suficiente e distrações suficientes, mas o profeta anuncia que seus confortos logo desapareceriam.

A terra que supria suas tendas e comidas finas seria devastada. A vindima falharia, de modo que não haveria vinho para seus banquetes. A colheita de frutos não viria, porque não haveria nada para ajuntar (Isaías 32:10). Também lhes faltariam leite, campos aprazíveis e o fruto da vide. A produção útil da terra, aquilo que sustenta a vida, desapareceria.

Esse é um juízo adequado, porque a fartura usada a serviço do pecado frequentemente termina em escassez. Os que usam os dons de Deus para alimentar suas paixões e oferecê-los a falsos deuses merecem ser privados deles. As cidades de Judá, onde essas mulheres viviam à vontade e desfrutavam de suas riquezas, também seriam arruinadas (Isaías 32:13-14). Espinheiros e cardos, sinais de pecado e maldição, cresceriam não apenas em terrenos incultos, mas até sobre as casas de alegria, os lugares de prazer daquelas cidades cheias de vida.

Quando um exército estrangeiro devasta um país, casas de alegria logo se tornam casas de luto. Os palácios seriam abandonados, talvez porque seus donos fugiriam em busca de segurança, e o povo comum ficaria entregue à própria sorte. Aqueles grandes edifícios, antes como fortes torres, se tornariam lugares para animais selvagens e rebanhos. Ficariam desolados de vez, e ninguém os reconstruiria. O pecado leva muitas casas à ruína, e o que antes foi grande glória pode se tornar apenas terreno vazio.

Diante desse juízo iminente, o profeta os conclama a tremer, lamentar, tirar as vestes finas e cingir-se de pano de saco (Isaías 32:11). Isso significa mais do que sinais exteriores de tristeza. Aponta também para arrependimento, pesar humilde pelo pecado e mudança de vida antes que o juízo chegue. Os que não se dobram em arrependimento se quebrarão sob o juízo. É também um chamado a viver com negação de si mesmo agora, para que, quando a aflição vier, já estejam desprendidos dos confortos deste mundo.

Ao mesmo tempo, enquanto ainda existia um remanescente fiel, havia motivo para esperar dias melhores. O profeta lhes apresenta uma visão esperançosa desses dias, que se manifestou em parte no período posterior do reinado de Ezequias e pode também apontar para os dias do Messias, o Rei de justiça e paz. A grande promessa é que esses tempos abençoados começarão com o derramamento do Espírito lá do alto (Isaías 32:15). Isso fala não apenas do favor de Deus para com seu povo, mas da obra de Deus dentro deles. Tempos bons chegam quando Deus dá bons corações às pessoas pela sua graça.

O dom do Espírito Santo é, na prática, o dom de todos os bens. Ele concede o Espírito aos que lhe pedem, como se vê ao comparar (Lucas 11:13) com (Mateus 7:11). Esse é o grande consolo do povo de Deus: o Espírito será derramado de modo mais abundante do que antes, conforme a necessidade da igreja. Como isso vem do alto, eles levantam os olhos ao Pai que está nos céus para recebê-lo. Quando Deus planeja misericórdia para sua igreja, primeiro derrama o seu Espírito para preparar o povo a receber as bênçãos e capacitar aqueles que Ele usa como instrumentos. Sem o Espírito, os esforços para restaurar as ruínas da igreja fracassam; com o Espírito, a obra se realiza com rapidez.

O reino do Messias foi introduzido e estabelecido pelo derramamento do Espírito em (Atos 2), e continua até hoje no mesmo poder. E assim permanecerá até o fim. Então virá uma mudança maravilhosa. O deserto, seco e estéril, se tornará campo fértil. E o que hoje é considerado campo fértil, em comparação, parecerá uma floresta. A terra dará o seu aumento.

Essa promessa se ajusta aos dias do Messias, quando o fruto da terra cresceria em abundância, como no Líbano (Salmo 72:16). Alguns entendem isso como a entrada dos gentios na igreja do evangelho, transformando um deserto em campo fértil, enquanto os judeus que rejeitaram o evangelho ficaram como uma floresta que um dia já foi frutífera. Os gentios receberam espírito de vida, mas sobre os judeus veio espírito de profundo sono.

Vê-se aqui a prova e o resultado do derramamento do Espírito sobre qualquer alma: ela se torna frutífera e produz fruto que conduz à santidade. Três coisas tornam esses tempos felizes.

Em primeiro lugar, há juízo e justiça (Isaías 32:16). Quando o Espírito é derramado sobre uma terra, o juízo habitará em lugares que antes eram como deserto e os tornará campo fértil. A justiça permanecerá no campo fértil e o fará ainda mais frutífero. Ministros explicarão a lei de Deus, e governantes a aplicarão com sabedoria e fidelidade. Assim, o que é mau será transformado em melhor, e o que já é bom se tornará melhor ainda. Em todas as camadas da sociedade — pobres, humildes e ignorantes, muitas vezes tratados como deserto, e ricos, grandes e instruídos, estimados como campo fértil — haverá visão correta das coisas, bons princípios orientadores e séria preocupação com o que é certo e errado, com pecado e dever. Ou seja, em todas as partes do país, tanto no campo aberto como nas terras cercadas, tanto na cidade quanto no interior, tanto nos lugares rudes quanto nos mais refinados, a justiça será devidamente praticada.

A lei de Cristo estabelece a regra para o nosso modo de viver, e o evangelho de Cristo concede a justiça, ou seja, a justa posição diante de Deus pela qual somos salvos. Onde quer que o Espírito seja derramado, ambas permanecem como justiça eterna.

Em segundo lugar, há paz e sossego (Isaías 32:17; Isaías 32:18). A paz prometida aqui é de dois tipos. Há a paz interior, que segue a justiça habitando dentro de nós. Aqueles em quem essa obra é realizada experimentarão esse resultado abençoado. A própria justiça é paz, e o seu efeito é sossego e segurança para sempre, isto é, uma calma santa e segurança de mente. Por meio disso, a alma desfruta de si mesma e de Deus, e este mundo não consegue perturbar esse gozo.

Paz, sossego e firme segurança podem ser esperados e serão encontrados no caminho e na prática da justiça. A verdadeira satisfação só se encontra na verdadeira religião, e ali é achada sem falhar. São essas as vidas quietas e sossegadas vividas em toda piedade e honestidade (1 Timóteo 2:2). Até mesmo a obra da justiça é paz. Quando cumprimos nosso dever, encontramos grande prazer nele, uma recompensa presente e rica pela obediência. Ainda que a prática da justiça possa ser difícil, custosa e trazer desprezo, continua sendo paz, paz suficiente para suprir todas as nossas necessidades.

O efeito da justiça é sossego e segurança, não apenas até o fim do nosso tempo e na hora da morte, mas pelos intermináveis séculos da eternidade. Santidade verdadeira é felicidade verdadeira agora, e será felicidade perfeita — isto é, santidade perfeita — para sempre.

Há também paz exterior. É grande misericórdia quando aqueles que, pela graça de Deus, têm espírito manso e pacífico, são colocados, pela providência de Deus, em lares quietos e pacíficos, sem turbulência nas casas ou ajuntamentos. Quando passou o terror da invasão de Senaqueribe, o ataque do rei da Assíria, o povo provavelmente sentiu mais do que nunca a misericórdia de um lar sossegado, livre dos alarmes de guerra. Cada família deve esforçar-se por manter a paz dentro de casa, sem contendas ou brigas no lar, e então confiar em Deus para que possam habitar em segurança e sem temor do lado de fora.

Jerusalém será um lar de paz, como em (Isaías 33:20). Mesmo quando cair saraiva e uma tempestade violenta atingir a floresta desprotegida, Jerusalém será um lugar de descanso tranquilo. A cidade está em posição baixa, abrigada pelos montes ao redor (Salmo 125:2). As fortalezas e torres altas são abatidas (Isaías 32:14), mas a cidade que está embaixo será um lugar sossegado de descanso. Os que são humildes e dispostos a viver em posição baixa estão mais seguros e podem viver com mais paz (Isaías 32:19). Se desejamos habitar em um lar pacífico, precisamos aceitar viver com humildade e em lugar humilde. Alguns entendem aqui uma alusão à terra de Gósen, que foi preservada da saraiva que destruiu grande parte do Egito.

Em terceiro lugar, haverá fartura e abundância. As colheitas serão tão boas, colhidas em toda parte e ano após ano, que o lavrador será louvado. Feliz o que semeia junto a todas as águas (Isaías 32:20), que aproveita todo campo adequado, e lança a semente sobre as águas, isto é, aproveita toda oportunidade, como em (Eclesiastes 11:1). Deus é quem dá o crescimento, mas o lavrador ainda precisa trabalhar com diligência e fazer a sua parte, semeando junto a todas as águas. Agindo assim, o cereal crescerá tão denso e pesado que ele poderá deixar o gado, até o boi e o jumento, comerem as pontas, para impedir que cresça demais e se estrague.

Isso se aplica à pregação da palavra. Alguns entendem aqui uma referência aos apóstolos, que, como lavradores, saíram a semear sua semente (Mateus 13:3). Eles semearam junto a todas as águas, pregando o evangelho por onde passavam. As águas representam os povos, e eles anunciaram a muitos ajuntamentos. Onde quer que encontrassem corações amolecidos, preparados e dispostos a receber a palavra, ali lançavam a boa semente.

Pela lei de Moisés, os judeus eram proibidos de lavrar com boi e jumento juntos (Deuteronômio 22:10). Isso mostrava que judeus e gentios não deviam ser misturados naquele tempo. Mas agora essa separação foi removida, e tanto o boi como o jumento, isto é, tanto judeus como gentios, serão empregados na obra do evangelho e participarão conjuntamente de sua bênção.

Isso também se aplica às obras de caridade. Quando Deus envia esses tempos felizes, são bem-aventurados os que melhor os aproveitam. Fazem o bem com o que possuem, semeiam junto a todas as águas e agarram cada oportunidade de socorrer os necessitados, porque, a seu tempo, colherão.

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