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Isaías 22:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Assim diz o Senhor DEUS dos Exércitos: Anda e vai ter com este tesoureiro, com Sebna, o mordomo, e dize-lhe: "

Isaías 22:15

menu_book Versículo no contexto

13 Porém eis aqui gozo e alegria, matam-se bois e degolam-se ovelhas, come-se carne, e bebe-se vinho, e diz-se: Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.

14 Mas o SENHOR dos Exércitos revelou-se aos meus ouvidos, dizendo: Certamente esta maldade não vos será expiada até que morrais, diz o Senhor DEUS dos Exércitos.

15 Assim diz o Senhor DEUS dos Exércitos: Anda e vai ter com este tesoureiro, com Sebna, o mordomo, e dize-lhe:

16 Que é que tens aqui, ou a quem tens tu aqui, para que cavasses aqui uma sepultura? Cavando em lugar alto a sua sepultura, e cinzelando na rocha uma morada para ti mesmo?

17 Eis que o Senhor te arrojará violentamente como um homem forte, e de todo te envolverá.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos uma profecia sobre Sebna, um alto oficial da corte, sendo removido de sua posição, e sobre Eliaquim sendo elevado ao lugar de honra e confiança que veio a ocupar. Mudanças assim acontecem com frequência em cortes reais, por isso pode parecer estranho que o profeta lhes dê tanta atenção. Mas Deus usou o cumprimento dessa profecia a respeito desses homens para confirmar a mensagem de Isaías sobre acontecimentos maiores, e para mostrar que ele tem juízos preparados não apenas para as nações hostis de longe, mas também para os falsos amigos de perto que traem o seu povo.

Isso também mostra a mão de Deus em acontecimentos que, para nós, parecem aleatórios e totalmente dependentes da vontade dos governantes. A exaltação não vem do oriente, nem do ocidente, nem do sul; é Deus quem julga (Salmo 75:6; Salmo 75:7). Essa profecia provavelmente foi dada por volta da mesma época da primeira parte do capítulo, e deve ter começado a se cumprir antes da invasão de Senaqueribe. Sebna era então o administrador do palácio, enquanto Eliaquim mais tarde passou a ocupar esse cargo (Isaías 36:3). Sebna estava sendo rebaixado passo a passo, e Eliaquim estava subindo.

A profecia começa falando da desonra de Sebna. Ele é chamado de tesoureiro porque administrava a receita do reino, e é dito também que estava “sobre a casa”, porque sua ambição e ganância eram tão grandes que um grande cargo só não lhe bastava. Pessoas egoístas costumam tentar agarrar mais do que podem administrar corretamente. Então o trabalho delas sofre, pois se preocupam apenas com a honra e o lucro do cargo.

Não nos é dito exatamente qual foi o pecado de Sebna, embora Isaías tenha sido enviado para falar contra ele. Os judeus diziam que ele andava em segredo tratando com o rei da Assíria e tentando entregar a cidade em suas mãos. Seja qual for a acusação exata, ele parece ter sido estrangeiro, já que o nome de seu pai nunca é mencionado, e era inimigo do verdadeiro bem de Judá e Jerusalém. Pode ter sido promovido primeiro nos dias de Acaz. Ezequias foi um bom rei, mas nem mesmo os melhores governantes conseguem sempre ter certeza de que escolheram bons servos. Por isso é necessário orar pelos governantes, para que escolham com sabedoria aqueles em quem confiam.

Eram dias de reforma, mas Sebna, um homem mau, ainda mantinha seu lugar na corte. Muitos outros provavelmente faziam o mesmo, e talvez por isso Senaqueribe seja descrito como enviado contra uma nação hipócrita (Isaías 10:6). Na mensagem a Sebna, a primeira coisa é a repreensão ao seu orgulho, vaidade e falsa segurança (Isaías 22:16). As palavras: “Que tens tu aqui? ou a quem tens tu aqui?” significam, na prática: Com que direito fazes tanto alarde? Que propriedade realmente tens aqui? Que laços de família te prendem a este lugar? Não és de origem baixa e comum, um simples homem do povo, cuja ascensão não é aquilo que parece?

Que significa, então, que tenhas construído para ti uma casa tão imponente, e cavado para ti uma morada? Era algo feito com tanto cuidado que parecia mais obra de entalhador do que de pedreiro. Parecia esculpida na rocha, de tão firme e segura que se mostrava. Ele havia até lavrado para si um túmulo, como se esperasse que o seu orgulho continuasse depois de sua morte. Jerusalém não era o lugar dos sepulcros de seus pais, como Neemias falou dela com ternura (Neemias 2:3), mas ele queria que ali fosse o seu próprio lugar de sepultamento e, assim, ergueu o seu monumento ainda em vida.

Pessoas que constroem grandes monumentos por orgulho esquecem que, por mais belos que sejam por fora, estão cheios de ossos de mortos por dentro. É vergonhoso quando a pedra tumular parece esquecer que cobre um túmulo. A segunda parte da profecia é que a sua glória seria abatida e estragada. Deus diz que o expulsará de seu posto (Isaías 22:19). Lugares altos são lugares escorregadios, e os que se orgulham de sua posição e abusam de seu poder merecem perdê-lo. Deus faz isso, mostrando-se Deus ao olhar para os soberbos e abatê-los (Jó 40:11; Jó 40:12).

É isso que Isaías quer dizer mais adiante quando fala que o prego fincado em lugar firme, isto é, Sebna, que pensa estar solidamente estabelecido no cargo, será tirado, cortado e cairá (Isaías 22:25). Os que pensam que qualquer lugar neste mundo é seguro se enganam. Nada aqui é absolutamente certo. Quando o prego cai, o que estava pendurado nele também cai. Assim, quando Sebna foi humilhado, todos os que dependiam dele foram abatidos junto com ele. Pessoas em posição elevada costumam ter muitos dependentes como favoritos, e podem até se orgulhar disso, mas essas pessoas se tornam um peso. O peso delas pode até quebrar o prego, e ambos caem juntos. Muitas vezes esse é o fim dos grandes homens e de seus bajuladores, que esperam demais uns dos outros e acabam se arruinando mutuamente.

A profecia diz também que, depois de algum tempo, Sebna não apenas perderia o cargo, mas seria expulso de sua terra. “O Senhor te fará levar em cativeiro, como um homem é levado violentamente” (Isaías 22:17; Isaías 22:18). Alguns pensam que os assírios o prenderam e o levaram, porque ele lhes havia prometido ajuda e depois falhou com eles. Outros entendem que Ezequias descobriu sua traição e o baniu, ou que Sebna se retirou por conta própria, por ter se tornado odiado pelo povo. Pode ter ido para outra terra e passado o resto da vida na pobreza e no esquecimento.

Grotius julgava que Sebna foi ferido com lepra, doença muitas vezes vista como vindo diretamente do desagrado de Deus, especialmente como castigo para o orgulho, como nos casos de Miriã e Uzias. Por causa dessa doença, ele teria sido lançado fora de Jerusalém como uma bola. Aqueles que, enquanto têm poder, “jogam” os outros para cá e para lá, com justiça serão eles mesmos jogados quando chegar a sua vez de cair. Muitos que pensam estar firmes como um prego acabam sendo arremessados como uma bola, pois aqui não temos cidade permanente.

Sebna achava que o seu posto era pequeno demais para ele, como se não tivesse espaço para crescer. Por isso Deus o enviaria para uma terra larga, onde teria espaço para perambular, mas nunca para voltar. Ali morreria e seria sepultado, não no túmulo que preparara para si. Até mesmo os carros que tinham sido sua glória, com que passeava por Jerusalém, iriam com ele para o exílio, apenas para lembrá-lo da sua antiga grandeza. Trazeriam vergonha à casa de seu senhor, isto é, à corte de Acaz, que o havia elevado.

O capítulo então passa à profecia da exaltação de Eliaquim (Isaías 22:20).

Ele é servo de Deus, e já havia se mostrado fiel em outros deveres. Por isso Deus o chamaria para esse alto ofício. Os que são diligentes em um lugar mais baixo têm, diante de Deus, as melhores condições para ser promovidos. Eliaquim não empurra Sebna para fora, não constrói um grupo de apoio contra ele, nem força a entrada no cargo. Deus é quem o chama, e ao que Deus chama, ele mesmo sustenta.

Anuncia‑se aqui que Eliaquim tomará o lugar de Sebna como administrador do palácio, tesoureiro‑mor e principal ministro de Estado. O profeta deve dizer isso a Sebna em (Isaías 22:21): “Ele vestirá a tua túnica, sinal de honra, e o teu cinto, sinal de autoridade, porque ele terá o teu governo.” Ouvir isso já seria profunda humilhação para Sebna, e ver acontecer seria ainda pior. Grandes homens orgulhosos mal suportam contemplar seus sucessores. É o próprio Deus quem realiza isso, não só porque inclina o coração de Ezequias, e devemos reconhecer a mão de Deus na ascensão e queda dos governantes (Provérbios 21:1), mas também porque todas as autoridades, maiores e menores, são estabelecidas por Deus. É ele quem veste os príncipes com seus mantos, por isso nos sujeitamos a eles por causa do Senhor e com os olhos nele (1 Pedro 2:13). Já que ele coloca o governo em suas mãos, eles devem usá‑lo conforme a sua vontade e para a sua glória. Precisam julgar por aquele em nome de quem julgam e dar sentenças justas (Provérbios 8:15). E podem depender dele para capacitá‑los na obra que lhes dá, pois ele diz: “Eu o vestirei” e em seguida: “Eu o fortalecerei.”

Os que são chamados a cargos de confiança e poder devem pedir a Deus graça para exercer bem o seu trabalho. Essa deve ser a principal preocupação deles. A elevação de Eliaquim também é mostrada pela chave da casa de Davi sendo posta sobre o seu ombro (Isaías 22:22). Ele podia carregar uma chave de ouro como insígnia de seu cargo, ou ter uma representada em suas vestes. Como administrador da casa, e com a chave confiada a ele, podia abrir e ninguém fechar, ou fechar e ninguém abrir. Tinha acesso à casa dos bens valiosos, da prata, do ouro e das especiarias, e à casa das armas e dos tesouros (Isaías 39:2). Administrava esses depósitos como julgava melhor para o bem público. Nomeava quem queria para cargos inferiores e removia quem queria.

Nosso Senhor Jesus fala de sua própria autoridade como Mediador, isto é, como aquele que está entre Deus e os homens, valendo‑se dessa mesma imagem (Apocalipse 3:7). Ele tem a chave de Davi, e abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre. Seu poder no reino dos céus, e em todos os seus assuntos, é completo, irresistível e incontestável.

Ele é também mostrado como estabelecido e confirmado nesse ofício. Terá essa função por toda a vida, não apenas enquanto agradar a outro mantê-lo ali (Isaías 22:23): “Eu o fixarei como um prego em lugar firme”, de modo que não possa ser removido ou cortado. Assim é duradoura a honra que Deus dá àqueles que a usam para ele. Nosso Senhor Jesus é como um prego em lugar firme: seu reino não pode ser abalado, e ele permanece o mesmo.

Ele será também uma grande bênção no exercício de seu cargo, e isso é o coroamento de todos esses favores. Deus engrandece o seu nome porque ele será uma bênção (Gênesis 12:2). Será uma bênção para o seu país (Isaías 22:21). Será um pai para os moradores de Jerusalém e para a casa de Judá. Cuidará não apenas da casa do rei, mas de todos os assuntos públicos em Jerusalém e em Judá. Governantes devem ser como pais para aqueles que estão sob seu governo. Devem ensinar com sabedoria, governar com amor, corrigir com mansidão, proteger, suprir e cuidar do povo como um homem cuida dos próprios filhos e de sua família. É uma coisa feliz quando corte, cidade e país não têm interesses divididos, mas todos buscam o mesmo bem.

Ele será também uma bênção para a sua família (Isaías 22:23, 24). Será “um trono de honra para a casa de seu pai”. Sua sabedoria e seu bom caráter, que o habilitaram para essa confiança, trarão honra à sua família. Talvez sua família já fosse importante, mas agora se tornará ainda mais. Os filhos devem procurar trazer honra a seus pais e parentes. A honra que vem da piedade e da utilidade vale muito mais do que a honra que vem apenas de nome de família e posição social.

Como Eliaquim é promovido, toda a glória da casa de seu pai passa a depender dele. Outros da família olharão para ele, e seus irmãos se inclinarão diante dele como os feixes diante do feixe de José. Mas a glória deste mundo não dá valor real em si mesma. É apenas algo pendurado sobre a pessoa, e logo cai. Eliaquim foi comparado a um prego em lugar firme, e nessa figura todos os parentes de sua família são apresentados como dependendo dele. Numa casa, vasos com alças são pendurados em pregos e ganchos. Isso também significa que ele cuidará generosamente de todos eles e suportará o peso dessa responsabilidade. Todos os vasos, não apenas os maiores, mas até as pequenas taças e as coisas de menor importância em sua casa, serão por ele amparados.

Vê-se que fardo as pessoas assumem quando aceitam grandes responsabilidades. Muitas vezes não percebem quantas pessoas e quanta coisa passarão a depender delas, se forem fiéis ao seu dever. Nosso Senhor Jesus, tendo a chave da casa de Davi, é como um prego em lugar firme. Toda a glória da casa de seu Pai depende dele, vem dele e está nele sustentada. Até o menor membro de sua igreja é bem-vindo a ele, e ele é forte o bastante para suportar a todos. Nenhuma alma que, pela fé, esteja dependurada em Cristo pode perecer, e nenhuma causa confiada a ele pode cair por terra, por mais pesada que seja.

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