Versículo em destaque
Isaías 22:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Peso do vale da visão. Que tens agora, pois que com todos os teus subiste aos telhados? "
Isaías 22:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Peso do vale da visão. Que tens agora, pois que com todos os teus subiste aos telhados?
2 Tu, cheia de clamores, cidade turbulenta, cidade alegre, os teus mortos não foram mortos à espada, nem morreram na guerra.
3 Todos os teus governadores juntamente fugiram, foram atados pelos arqueiros; todos os que em ti se acharam, foram amarrados juntamente, e fugiram para longe.
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O título desta profecia merece atenção. É chamado de “peso do vale da visão”, significando Judá e Jerusalém, e isso faz muito sentido. Jerusalém podia ser chamada de vale porque era cercada por montes, e Judá tinha muitos vales férteis. Porém, sob os juízos de Deus, ainda que Jerusalém tivesse parecido um alto monte, seria abatida, rebaixada e tornada escura e impura, como um vale.
É chamada de “vale da visão” principalmente porque ali Deus era conhecido e o seu nome era honrado. Ali os profetas recebiam de Deus o conhecimento de sua vontade por meio de visões, e ali o povo via seu Deus e Rei agindo em seu santuário. Babilônia, um lugar distante de Deus, embora rica e poderosa, era chamada de “deserto do mar”. Mas Jerusalém, à qual foram confiadas as mensagens de Deus, era um vale de visão.
Quão bem-aventurado é o povo cujos olhos podem ver, e que tem profetas estabelecidos por Deus em seu meio. Onde há Bíblias e ministros da Palavra, ali há um vale de visão, e é razoável esperar fruto. No entanto, isso é chamado de peso, e um peso pesado. Privilégios de igreja, se não forem bem usados, não protegem ninguém dos juízos de Deus. “De todas as gerações da terra somente a vós conheci; portanto, todo o vosso mau proceder eu vos retribuirei” (Amós 3:2). O vale da visão tem o seu próprio peso. “Ai de ti, Cafarnaum” (Mateus 11:23). Quanto mais alguém é exaltado em meios de graça e em misericórdias, mais severa será a sua condenação se abusar deles.
Esse peso sobre o vale da visão não o destruiria completamente, mas o encheria de terror. Não se refere à destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, e sim ao ataque de Senaqueribe, que já havia sido profetizado antes (Isaías 10) e será narrado depois (Isaías 36). Ele é anunciado novamente aqui porque a ruína das terras vizinhas, anunciada nos capítulos anteriores, viria pelo exército assírio. Jerusalém precisava saber que, quando a taça do juízo passasse de mão em mão, ela também lhe seria entregue. Não seria uma taça mortal, mas uma taça de tremor.
A primeira coisa profetizada é o medo da cidade quando o exército de Senaqueribe se aproximasse. Jerusalém costumava ser cheia de alvoroço, uma cidade de comércio, com gente correndo em todas as direções por causa dos negócios. Era também lugar de alegria e festas. Onde há muito comércio, há muito barulho. Onde muitos se reúnem, sempre há grande movimento. Mas agora, o que aconteceu, que as lojas estão vazias e já não se anda pelas ruas e praças? Agora o povo subiu aos telhados (Isaías 22:1), seja para chorar em solidão, seja para tentar ficar mais seguro do inimigo, seja para procurar socorro e vigiar os movimentos do exército adversário.
Que tanto os atarefados quanto os amantes do prazer se lembrem de que devem se alegrar como se não se alegrassem, pois algo pode acontecer de repente que interrompa tanto os negócios quanto a alegria. Isso pode levá-los, como um pardal solitário, ao telhado das casas (Salmo 102:7). Mas por que Jerusalém está tão apavorada? Os seus mortos não foram mortos à espada (Isaías 22:2). Alguns entendem isso como morte pela fome, pois o exército de Senaqueribe devastara o campo e destruíra as colheitas, de modo que o alimento se tornaria escasso e caro na cidade. Isso levaria muitos pobres a morrer por comer o que fosse impróprio. Outros entendem como morte pelo medo: ninguém tinha sido realmente morto ainda, mas estavam tão abatidos que o pavor parecia feri-los tão certamente quanto uma espada.
A seguir vem a fuga vergonhosa dos príncipes de Judá, que correram de todas as partes do país para Jerusalém (Isaías 22:3). Fugiram juntos, quase como de comum acordo, e foram achados em Jerusalém. Abandonaram as suas cidades, que deveriam defender, para que fossem saqueadas pelo exército assírio. Como ninguém resistiu, o inimigo tomou facilmente as cidades fortificadas de Judá (Isaías 36:1). Esses príncipes estavam “atados ao arco”, isto é, tão abalados que não conseguiam usar as armas. Não só deixaram suas próprias cidades como covardes, mas, ao chegarem a Jerusalém, também ali foram inúteis, como se estivessem de mãos amarradas. O medo os fazia tremer de tal forma que não conseguiam sequer armar o arco.
Vê-se como Deus pode facilmente tirar a coragem das pessoas, e como o medo certamente as enfraquece quando elas se entregam a ele. Em seguida vem a profunda tristeza que isso causaria em todos os que fossem ponderados e tementes a Deus. O profeta diz que isso o atingiu pessoalmente e ele se dispôs a compartilhar as dores de seu povo (Isaías 22:4, 5). Ele não quer expor sua dor. Diz aos outros que desviem dele o olhar. Entregar-se-á à tristeza, chorará em particular e chorará amargamente. Não aceitará consolo, porque sua dor é forte demais e ele está, por assim dizer, apegado ao próprio sofrimento.
O que causava tanta tristeza? O próprio profeta tinha pouco a perder, e já fora endurecido por aflições quando andou nu e descalço. Mas agora ele se entristece pela ruína da filha de seu povo. É um dia de angústia, de pisadura e de confusão. Os inimigos os angustiam e esmagam, enquanto os amigos estão confusos e não sabem como socorrer. O Senhor Deus dos Exércitos está contendendo com o vale da visão. Os aríetes do inimigo estão derrubando os muros, e o povo clama em vão aos montes, seja pedindo que impeçam o inimigo, seja que caiam sobre eles e os cubram. Procuram socorro para além das montanhas e apelam, como o próprio Deus faz, aos montes para ouvirem sua causa e julgarem entre eles e seus vizinhos cruéis (Miquéias 6:1).
Por fim, o profeta aponta o grande número e a força dos inimigos que invadiriam a terra e cercariam a cidade (Isaías 22:6, 7). Elão, isto é, os persas, vem com a aljava cheia de flechas, com carros e cavaleiros. Quir, isto é, os medos, também se prepara para a batalha, desembainhando a espada e descobrindo o escudo, prontos para o cerco de Jerusalém. Então os vales aprazíveis ao redor de Jerusalém, que antes estavam cobertos de rebanhos e searas, ficarão cheios de carros de guerra. À porta da cidade, os cavaleiros tomarão posição em ordem de combate, cortando suprimentos e forçando a entrada. Que condição terrível para uma cidade cercada de todos os lados por tal exército.
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Deste capítulo
Isaías 22:2
"Tu, cheia de clamores, cidade turbulenta, cidade alegre, os teus mortos não foram mortos à espada, nem morreram na guerra."
Isaías 22:3
"Todos os teus governadores juntamente fugiram, foram atados pelos arqueiros; todos os que em ti se acharam, foram amarrados juntamente, e fugiram para longe."
Isaías 22:4
"Portanto digo: Desviai de mim a vista, e chorarei amargamente; não vos canseis mais em consolar-me pela destruição da filha do meu povo."
Isaías 22:5
"Porque dia de alvoroço, e de atropelamento, e de confusão é este da parte do Senhor DEUS dos Exércitos, no vale da visão; dia de derrubar o muro e de clamar até aos montes."
Isaías 22:6
"Porque Elão tomou a aljava, juntamente com carros de homens e cavaleiros; e Quir descobriu os escudos."
Isaías 22:7
"E os teus mais formosos vales se encherão de carros, e os cavaleiros se colocarão em ordem às portas."
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