Versículo em destaque
Isaías 19:18 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Naquele tempo haverá cinco cidades na terra do Egito que falarão a língua de Canaã e farão juramento ao Senhor dos Exércitos; e uma se chamará: Cidade de destruição. "
Isaías 19:18
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
16 Naquele tempo os egípcios serão como mulheres, e tremerão e temerão por causa do movimento da mão do Senhor dos Exércitos, que há de levantar-se contra eles.
17 E a terra de Judá será um espanto para o Egito; todo aquele a quem isso se anunciar se assombrará, por causa do propósito do Senhor dos Exércitos, que determinou contra eles.
18 Naquele tempo haverá cinco cidades na terra do Egito que falarão a língua de Canaã e farão juramento ao Senhor dos Exércitos; e uma se chamará: Cidade de destruição.
19 Naquele tempo o Senhor terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao Senhor, junto da sua fronteira.
20 E servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito, porque ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e um protetor, que os livrará.
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Das nuvens escuras e ameaçadoras da profecia anterior, agora irrompe o sol do consolo, e é o sol da justiça. Deus ainda guarda misericórdia para o Egito, e a manifestará, não principalmente restaurando seu comércio ou enchendo de novo o seu rio, mas trazendo a eles a verdadeira religião. Ele os chamará ao culto do único Deus vivo e verdadeiro, e os aceitará nesse culto. Essas bênçãos de graça são muito melhores do que todas as riquezas naturais com que o Egito havia sido um dia agraciado.
Não conhecemos nenhum evento, exceto a conversão do Egito à fé em Cristo, que se enquadre plenamente nesta profecia. Essa conversão parece ter vindo pela pregação de Marcos, o evangelista, que é comumente considerado aquele que levou o evangelho para lá e fundou muitas igrejas cristãs. Essas igrejas floresceram por muitos séculos. Muitas profecias deste livro apontam para os dias do Messias; por que esta não faria o mesmo? É comum, aliás, que os profetas descrevam as bênçãos e práticas do evangelho usando a linguagem do Antigo Testamento. Nessas profecias, a expressão “naquele tempo” pode apontar não apenas para o que vem imediatamente antes, mas também para aquele dia tão esperado em que a alva do alto visitaria este mundo em trevas.
Ainda assim, alguns entendem que essa profecia teve um cumprimento parcial mais cedo, quando os judeus que fugiram para o Egito durante a invasão de Senaqueribe levaram sua religião com eles. Senaqueribe era o rei da Assíria que invadiu Judá, e aqueles refugiados, abalados por seus sofrimentos, passaram a praticar abertamente e com seriedade sua fé no Egito. É possível que tenham conduzido muitos egípcios a abraçá-la também. Isso teria sido um sinal inicial e uma amostra da colheita muito maior de almas que mais tarde seria ajuntada a Deus por meio da pregação do evangelho de Cristo.
Josefo relata que Onias, filho do sumo sacerdote Onias, vivendo como proscrito em Alexandria, pediu a Ptolemeu Filômetor, então rei, e à rainha Cleópatra, permissão para construir um templo ao Deus de Israel no Egito, em Bubástis. Ele alegou que as palavras de Isaías lhe davam respaldo, especialmente a afirmação de que haveria um altar ao Senhor na terra do Egito. Josefo diz que o culto ali continuou por cerca de 333 anos, até que Paulino o encerrou pouco depois de Jerusalém ter sido destruída pelos romanos. Mas judeus piedosos sempre viram nesse templo uma grave irregularidade e um insulto ao templo de Jerusalém. Portanto, não podemos considerar que essa profecia se cumpriu ali.
Observe como a conversão do Egito é descrita. Eles falarão a língua de Canaã, a língua santa, a linguagem das Escrituras. Não apenas a entenderão, mas a usarão (Isaías 19:18). Levarão essa linguagem para a vida diária e falarão livremente com o povo de Deus, sem mais precisar de intérprete, como os irmãos de José precisaram certa vez no Egito (Gênesis 42:23). A graça que converte muda o coração, e, quando o coração é mudado, a linguagem também muda, pois a boca fala do que está cheio o coração.
Cinco cidades no Egito falarão essa língua. Isso pode significar que muitos judeus ali se estabeleceriam, se multiplicariam e logo encheriam cinco cidades, sendo uma delas Heliópolis, também chamada cidade de Heres, ou cidade do sol, onde o culto ao sol havia sido especialmente vergonhoso. Mesmo ali haveria grande mudança, e se falaria a língua de Canaã. Ou pode significar que, de cada cinco cidades que abraçarem a verdadeira religião, uma, isto é, a sexta parte das cidades do Egito, a rejeitará e será chamada cidade de destruição, por recusar o caminho da salvação.
Eles jurarão ao Senhor dos Exércitos. Isso significa mais do que simplesmente jurar pelo seu nome, como antes se apelava para os deuses que se adorava. Significa que se dedicarão solenemente à sua honra e se obrigarão ao seu serviço. Prometerão apegar-se a ele com coração sincero, e o adorarão não só de vez em quando, mas continuamente. Jurarão fidelidade a ele como seu Rei, e a Cristo, a quem todo juízo foi entregue.
Eles também estabelecerão o culto público de Deus em sua terra (Isaías 19:19). Haverá um altar ao Senhor no meio da terra do Egito, um altar em que se oferecerão sacrifícios e ofertas (Isaías 19:21), de modo que isso deve ser entendido em sentido espiritual. Cristo é o grande altar, aquele que santifica toda oferta, e ali será honrado. Os sacrifícios do evangelho, de oração e louvor, serão apresentados. Pela lei de Moisés, não podia haver altar para sacrifícios senão o de Jerusalém. Mas em Cristo Jesus a diferença entre as nações é removida. Um altar espiritual, uma igreja do evangelho, no meio do Egito é tão agradável a Deus quanto no meio de Israel. Sacrifícios espirituais de fé, amor e coração quebrantado agradam mais ao Senhor do que bois ou novilhos.
Haverá também no país uma manifestação aberta da religião, visível a todos os que nele entrarem. Não só no centro da nação, mas até em suas fronteiras haverá uma coluna, ou colunas, com a inscrição “Ao Senhor”, como outrora houve colunas em honra de falsos deuses. Um estrangeiro que entrasse no Egito logo veria a quem eles adoravam. Os que servem a Deus não devem envergonhar-se de o confessar. Devem estar prontos a fazer qualquer coisa que sirva de sinal e testemunho ao Senhor dos Exércitos. Mesmo no Egito, ele teria adoradores fiéis que assumiriam com alegria sua relação com ele e fariam do seu nome a torre forte e defesa junto às fronteiras da terra.
Quando estiverem em angústia, buscarão a Deus, e ele se deixará achar por eles. Isso ficará como sinal e testemunho para o Senhor dos Exércitos de que ele é Deus que ouve oração de todos os que a ele recorrem (Isaías 19:20; Salmo 65:2). Quando clamarem a Deus por causa de seus opressores, os governantes cruéis que dominam sobre eles (Isaías 19:4), ele lhes responderá (Isaías 19:22). Em contraste, ele havia dito a Israel, que escolheu para si um rei, que, quando clamassem por causa do seu rei, ele não os ouviria (1 Samuel 8:18).
Eles também terão parte no grande Redentor. Quando estavam sob opressão de governantes cruéis, Deus às vezes levantava para eles grandes libertadores, como fizera para Israel nos dias dos juízes. Por meio desses libertadores, ainda que tivesse ferido a terra, ele a sarava de novo. Quando se voltavam para Deus em obediência, ele se voltava para eles em misericórdia e reparava as brechas de seu estado frágil e vacilante. Egípcios arrependidos encontrariam o mesmo favor diante de Deus que os ninivitas arrependidos encontraram. Mas todas essas libertações, como as concedidas a Israel, eram apenas figuras da salvação do evangelho.
Jesus Cristo é certamente o Salvador e o grande mencionado aqui. Deus enviará aos egípcios as boas novas a seu respeito e, por meio dele, os livrará de seus inimigos, para que o sirvam sem temor (Lucas 1:74-75). Jesus Cristo libertou as nações gentias do serviço de ídolos mudos, e ao mesmo tempo conquistou e proclamou sua liberdade aos cativos.
O conhecimento de Deus se espalhará entre eles (Isaías 19:21). Primeiro, eles terão os meios para conhecê-lo. Por muitos séculos, Deus era conhecido apenas em Judá, porque somente ali se achavam as palavras vivas de Deus. Mas agora o Senhor, seu nome e sua vontade seriam conhecidos no Egito. Isso pode apontar em parte para a tradução grega do Antigo Testamento, feita em Alexandria, no Egito, por ordem de Ptolemeu, rei do Egito. Foi a primeira vez que as Escrituras foram traduzidas para outra língua. Por meio dessa obra, e com a língua grega já difundida naquele país, o Senhor passou a ser conhecido no Egito, e isso foi um sinal promissor e um meio de difundir seu conhecimento ainda mais.
Segundo, eles receberão graça para fazer bom uso desse conhecimento. Não é prometido apenas que o Senhor será conhecido no Egito, mas que os egípcios conhecerão o Senhor. Receberão a luz que lhes é dada e se submeterão ao seu poder. O Senhor é conhecido em nossa nação, e ainda assim muitos em nossa nação não conhecem o Senhor. Mas a promessa da nova aliança é que todos conhecerão o Senhor, do menor ao maior, e essa promessa é certa para todo o seu povo. O resultado desse conhecimento de Deus é que eles farão votos ao Senhor e os cumprirão. Ninguém conhece a Deus como deve se não estiver disposto a se prender ao Senhor, ou se falha em cumprir as promessas que lhe faz.
Eles também entrarão na comunhão dos santos. Quando forem unidos ao Senhor, serão acrescentados à igreja e reunidos com todos os crentes. Toda hostilidade chegará ao fim. Egito e Assíria, que por muito tempo foram inimigos mortais e frequentemente fizeram guerra um contra o outro, agora terão uma estrada entre si (Isaías 19:23). Isso significa que haverá uma paz feliz entre as duas nações. Farão comércio um com o outro, e tudo entre eles será amistoso. Os egípcios servirão, isto é, adorarão o Deus verdadeiro, junto com os assírios. Assim, os assírios irão ao Egito, e os egípcios à Assíria.
Os que têm comunhão com o mesmo Deus, por meio do mesmo Mediador, devem guardar a paz entre si. Quando pensamos que nos encontramos diante do mesmo trono da graça e servimos juntos na mesma obra da religião, isso deveria pôr fim ao calor e à ira entre nós e unir nossos corações em santo amor.
As nações gentias não apenas se unirão umas com as outras no redil do evangelho, debaixo de Cristo, o grande Pastor, mas também se unirão com os judeus. Quando Egito e Assíria se juntarem para servir a Deus, Israel será o terceiro com eles (Isaías 19:24). Formarão um cordão tríplice, que não se quebra facilmente. A lei cerimonial, que por muito tempo foi o muro de separação entre judeus e gentios, será derrubada, e então se tornarão um só rebanho sob um só Pastor. Unidos desse modo, serão uma bênção no meio da terra, a quem o Senhor dos Exércitos abençoará (Isaías 19:24-25).
Israel será uma bênção para todos, porque de Israel, quanto à sua natureza humana, Cristo veio. Israel era o ramo natural da boa oliveira, e a Israel pertenciam, desde o princípio, a raiz e a seiva, enquanto os gentios apenas foram enxertados entre eles (Romanos 11:17). Israel ficava situado entre o Egito e a Assíria, e foi uma bênção para ambos, aproximando-os na palavra do Senhor que saiu de Jerusalém e naquela igreja que primeiro foi estabelecida na terra de Israel. Como se costuma dizer, aqueles que se encontram em um terceiro ponto de união, encontram-se entre si. Israel é esse terceiro em que Egito e Assíria concordam, e por isso Israel é uma bênção, porque são verdadeiramente grandes bênçãos para sua geração aqueles que ajudam a unir pessoas que antes viviam em inimizade.
Todos serão uma bênção para o mundo. Assim é a igreja cristã, formada de judeus e gentios. Ela é a beleza, a riqueza e o sustento do mundo. E todos também serão abençoados pelo Senhor. Ele os reconhecerá a todos como seus. Embora o Egito tivesse sido outrora casa de servidão para o povo de Deus, e a Assíria tivesse sido seu inimigo injusto, tudo isso agora será perdoado e esquecido. Serão tão bem-vindos a Deus quanto Israel. Todos são igualmente seu povo, a quem ele toma sob sua proteção. Ele os formou, porque são obra de suas mãos, não só como um povo, mas como seu povo. Ele os formou para si mesmo, porque são sua herança, preciosos aos seus olhos e caros para ele, e por meio deles ele recebe a honra que lhe é devida neste mundo inferior.
Ele os reconhecerá juntos como seus, unidos em uma mesma bênção. Os que são unidos no amor e na bênção de Deus devem, por esse mesmo motivo, estar unidos entre si em amor.
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Deste capítulo
Isaías 19:1
"Peso do Egito. Eis que o SENHOR vem cavalgando numa nuvem ligeira, e entrará no Egito; e os ídolos do Egito estremecerão diante dele, e o coração dos egípcios se derreterá no meio deles."
Isaías 19:2
"Porque farei com que os egípcios, se levantem contra os egípcios, e cada um pelejará contra o seu irmão, e cada um contra o seu próximo, cidade contra cidade, reino contra reino."
Isaías 19:3
"E o espírito do Egito se esvaecerá no seu interior, e destruirei o seu conselho; e eles consultarão aos seus ídolos, e encantadores, e aqueles que têm espíritos familiares e feiticeiros."
Isaías 19:4
"E entregarei os egípcios nas mãos de um senhor cruel, e um rei rigoroso os dominará, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos."
Isaías 19:5
"E secarão as águas do mar, e o rio se esgotará e ressequirá."
Isaías 19:6
"Também os rios exalarão mau cheiro e se esgotarão e secarão os canais do Egito; as canas e os juncos murcharão."
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