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Oseias 9:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Quanto a Efraim, a sua glória como ave voará, não haverá nascimento, não haverá gestação nem concepção. "

Oseias 9:11

menu_book Versículo no contexto

9 Muito profundamente se corromperam, como nos dias de Gibeá; ele lembrar-se-á das suas injustiças, visitará os pecados deles.

10 Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como a fruta temporã da figueira no seu princípio; mas eles foram para Baal-Peor, e se consagraram a essa vergonha, e se tornaram abomináveis como aquilo que amaram.

11 Quanto a Efraim, a sua glória como ave voará, não haverá nascimento, não haverá gestação nem concepção.

12 Ainda que venham a criar seus filhos, contudo os privarei deles para que não fique nenhum homem. Ai deles, quando deles eu me apartar!

13 Efraim, assim como vi a Tiro, está plantado num lugar aprazível; mas Efraim levará os seus filhos ao matador.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nos versículos anteriores, o pecado de Israel foi apresentado como algo herdado dos pais. Aqui aparece o castigo alcançando os filhos. A morte entrou no mundo pelo pecado desde o princípio, e o pecado continua trazendo morte consigo.

Primeiro, vemos o pecado de Efraim. Efraim é outro nome para Israel, especialmente o reino do Norte. O povo não quis ouvir a Deus. Não prestou atenção à sua palavra nem aos seus avisos por meio das aflições. Não creu no que ele dizia, nem se deixou guiar por ele. Deus lhes mostrou o dever, o verdadeiro bem e o perigo em que estavam, mas o ignoraram. O que ele dizia por meio de sua palavra e de seus profetas soava para eles como uma história que se ouve e logo se esquece.

Por não ouvirem, suas ações se tornaram perversas e ousadas. Não eram meras fraquezas, mas pecados abertos e desafiadores. O ser humano não consegue deixar de fazer o mal quando se recusa a ouvir a Palavra de Deus, que deveria ensiná-lo e persuadi-lo a fazer o que é certo. Seu culto também se corrompeu. “Toda a sua maldade está em Gilgal”, um lugar que se tornou conhecido pela idolatria. Provavelmente foi escolhido por ter sido, no passado, um lugar de encontros importantes entre Deus e Israel. Mas agora era o centro de onde a idolatria se espalhava pela nação. Quando o culto é corrompido, logo a moral também se corrompe. O falso culto abre a porta para todos os outros males.

Seus líderes também eram culpados. Todos os seus príncipes haviam se desviado. Os reis das dez tribos, ou os governantes daquele tempo, perseveravam em caminhos maus. Continuavam se afastando do que era correto e permaneciam nessas veredas.

Em segundo lugar, vemos a ira de Deus contra Efraim por causa do pecado. Ela é descrita de várias maneiras, para mostrar o quanto o pecado ofende a sua santidade pura e o quanto torna os pecadores abomináveis a seus olhos. Deus os abandona. Quando se afastam dele, não devem esperar que ele continue lhes dando proteção e bênção. O “ai deles também, quando eu me for deles” mostra como é terrível quando Deus se retira de um povo. Estão em condição verdadeiramente miserável aqueles que Deus abandonou. Todo o nosso bem-estar depende da sua presença amorosa. Quando ele se vai, toda bênção vai com ele, e com sua partida chega a tribulação.

Ele também os odeia. “Em Gilgal, onde está toda a sua maldade, ali eu os odiei.” O lugar onde cometeram seus pecados se tornou o lugar onde Deus os abominou. Ali ele havia favorecido seus antepassados, mas agora a ingratidão deles fazia desse mesmo lugar uma testemunha contra eles. Deus não para no ódio. Ele declara que não os amará mais. A ruptura entre Deus e Israel é tão larga quanto o mar e não pode ser reparada. Isso se harmoniza com a palavra anterior: “Não tornarei mais a compadecer-me da casa de Israel” (Oséias 1:6-7).

Ele também os expulsará de sua casa. Por causa de suas maldades, ele os lançará do meio do seu povo. Não os reconhecerá mais como pertencentes à sua casa no mundo. Vai pô-los para fora como rendeiros infiéis que não pagam o que devem, ou como servos inúteis que não lhe trazem honra nem serviço. Aqueles que profanam a casa de Deus podem esperar ser dela removidos.

E ainda os afastará para longe. O profeta ecoa a sentença de Deus: “Meu Deus os lançará fora.” Não apenas fora de sua casa, mas fora de sua vista, ele os rejeitará totalmente. Serão lançados fora. Note-se o consolo nas palavras do profeta: “Meu Deus.” Quando outros negam a Deus, e quando Deus os nega, é grande consolo para os fiéis poderem ainda dizer: “Meu Deus.” Ainda que todos se afastem, Deus continua sendo o Deus deles.

Em terceiro lugar, vemos o resultado dessa ira na perda dos filhos. Efraim parecia destinado a se tornar muito numeroso. O nome Efraim significa “frutífero”, e Jacó e Moisés falaram de sua fecundidade e força (Gênesis 41:51; Gênesis 49:22; Deuteronômio 33:17). Parecia plantado em lugar fértil e agradável, como árvore junto às águas, preparado para crescer. Era forte e rico, como Tiro, e também orgulhoso e seguro de si.

Mas agora a sua glória voaria como ave. Seus filhos seriam tirados, e as esperanças de suas famílias seriam cortadas. Sua glória subiria como águia, rápida e irremediavelmente perdida. A glória deste mundo é glória que voa. Mas quem tem Deus como sua glória possui nele uma honra duradoura e que não murcha. Efraim havia sido como árvore frutífera, mas agora seria abatido e despojado. Sua raiz secaria, de modo que não daria mais fruto. Se a raiz seca, o ramo necessariamente murcha.

Deus ameaça destruir seus filhos de várias formas. Alguns morreriam diretamente por sua mão. Voariam “do nascimento, do ventre e da concepção”. Alguns morreriam logo ao nascer, de modo que o berço se tornaria rapidamente um caixão. Outros nasceriam mortos, e o próprio ventre seria a sua sepultura, trazendo dor e morte também às mães. Ainda outros seriam perdidos por aborto, logo após a concepção, como fruto que nunca chega à maturidade.

Vemos assim com quanta facilidade Deus poderia, e com quanta justiça se poderia dizer que ele bem poderia, exterminar toda a raça humana, essa raça caída, culpada e pecadora, apagando o seu nome de debaixo do céu. Ele mostra isso no que faz com Efraim, tornando-os todos sem filhos e fazendo toda a sua honra desaparecer desde o nascimento, o ventre e a concepção. Ele seca a raiz para que não haja fruto, e em poucos anos toda a sua obra está encerrada.

Eles também morreriam pelas mãos de inimigos, mortes violentas (Oséias 9:12). Mesmo que criassem os filhos até a idade adulta, escapando às doenças e mortes que tantas vezes atingem os pequeninos, e parecessem tê-los conduzido a salvo do perigo, Deus diz: “Ainda que venham a criar, contudo os privarei deles” (Oséias 9:12). Por um juízo ou por outro, não ficaria um homem sequer para manter a continuidade das famílias e preservar o nome. De novo, Efraim geraria filhos “para o matador” (Oséias 9:13). As mães sofreriam dores no parto, e muito cuidado, trabalho e gasto seriam empenhados na criação dos filhos. Mas, quando o inimigo cruel viesse e matasse jovens e velhos sem piedade, pareceria que eles não passaram de cordeirinhos engordados para o matadouro.

Isso deve tornar os pais humildes. É difícil, na alegria que os filhos trazem, lembrar que não sabemos para o que os trouxemos ao mundo: talvez para caírem nas mãos do matador, ou, pior ainda, para se tornarem eles mesmos flagelo de sua geração. A ameaça é repetida: “Ainda que dêem à luz, eu matarei os mais queridos do seu ventre” (Oséias 9:16). Ou seja, os filhos que mais amam. O amor dos pais não garante a segurança dos filhos. Às vezes a morte vem buscar justamente os mais queridos e deixa aqueles que são peso e aflição.

Quando Deus sentenciou Israel a morrer no deserto, havia misericórdia misturada com o juízo, pois permitiu que os filhos entrassem no descanso do qual a incredulidade dos pais os havia excluído. Mas aqui a rejeição é completa e final. Até os filhos serão cortados, e a terra ficará sem herdeiros. O Targum caldaico e muitos escritores judeus entenderam os “matadores” aqui como os que sacrificavam seus filhos a Moloque, um pecado que se castigava a si mesmo, mostrando que os pais não tinham compaixão e por isso, com justiça, ficaram sem bênçãos.

Os poucos que escaparem e restarem serão espalhados (Oséias 9:17). Tornar-se-ão errantes entre as nações. Essa é a condição dos judeus até hoje, sem um lugar no mundo onde formem uma nação distinta.

O profeta ainda registra uma oração sobre isso: “Dá-lhes, ó Senhor; que lhes darás?” (Oséias 9:14). O que pedir por um povo já sentenciado à destruição? Ele pede que, já que saiu o decreto de que devem ou morrer no ventre ou nascer para o matador, seja melhor que morram no ventre. Melhor não ter filhos do que tê-los apenas para vê-los mergulhados na miséria. Do mesmo modo, quando a ruína total se aproximava da nação judaica, Cristo disse: “Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram” (Lucas 23:29). Assim, a oração é: “Dá-lhes ventre que aborte e seios secos”, porque é melhor cair nas mãos do Senhor, cujas misericórdias são grandes, do que nas mãos dos homens.

Os que não têm filhos podem consolar-se com essa verdade: pode chegar um tempo em que, se os tivessem, desejariam não os ter tido.

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