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Oseias 9:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Não te alegres, ó Israel, não exultes, como os povos; porque ao prostituir-te abandonaste o teu Deus; amaste a paga de meretriz sobre todas as eiras de trigo. "

Oseias 9:1

menu_book Versículo no contexto

1 Não te alegres, ó Israel, não exultes, como os povos; porque ao prostituir-te abandonaste o teu Deus; amaste a paga de meretriz sobre todas as eiras de trigo.

2 A eira e o lagar não os manterão; e o mosto lhes faltará.

3 Na terra do Senhor não permanecerão; mas Efraim tornará ao Egito, e na Assíria comerão comida imunda.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui Israel é acusado de adultério espiritual: “Ó Israel, tu foste infiel ao teu Deus” (Oséias 9:1). A aliança deles com Deus era como uma aliança de casamento, pela qual foram ligados somente a ele e se desviaram de todos os outros deuses. Mas, quando levantaram ídolos, os adoraram e confiaram nas criaturas em busca de ajuda, agiram como um cônjuge infiel. As outras nações eram idólatras, mas o pecado de Israel era pior, porque eles haviam sido “casados” com o Deus verdadeiro. Os pecados daqueles que professam fé e pertencem a Deus são mais provocadores para ele do que os pecados dos demais.

Como prova dessa infidelidade, o profeta diz que eles amaram a paga em todas as eiras de trigo. Isso pode significar que gostavam de dar presentes a seus ídolos, oferecendo sacrifícios e primícias de cada eira. Noelhes causava estranhos prazeres servir falsos deuses com aquilo que teriam relutado em usar para o Senhor. Também pode significar que amavam receber aquilo que imaginavam ser dado por seus ídolos, as colheitas e bênçãos do campo que contavam como pagamento de seus amantes (Oséias 2:12). São facilmente atraídos para a idolatria espiritual aqueles que valorizam o trigo e o lucro terreno mais do que o favor de Deus e a vida eterna.

Eles também são advertidos a não se alegrar como os outros povos. “Não te alegres, ó Israel”, porque a sua alegria não combina com a condição em que se encontravam. Que paz ou alegria poderiam esperar enquanto sua infidelidade e feitiçarias eram tão grandes? Não deveriam agir como se tudo estivesse bem. Ao contrário, deveriam estar tristes, lamentar e chorar (Tiago 4:9). Judá, que permanecera mais próxima do Deus verdadeiro, e até mesmo as nações que nunca o conheceram, tinham mais motivos de alegria do que Israel, pois Israel se afastara dele.

Alguns entendem que Israel tinha, naquele momento, motivos especiais para celebrações públicas, talvez por ter recuperado perdas, obtido vitórias ou firmado uma aliança com algum parceiro poderoso. Mas Deus ordena que não se alegrem. A alegria é como alimento proibido para os ímpios. Qualquer que fosse o motivo daquela festa, isso não os protegeria nem ajudaria, enquanto estivessem longe de Deus e em guerra contra ele. Se não fazemos de Deus a nossa maior alegria, não podemos esperar muita alegria das bênçãos terrenas. E o peso do pecado e o temor do juízo deveriam lançar uma sombra escura sobre a felicidade dos ímpios, até que se voltem e façam as pazes com Deus.

Eles são então advertidos sobre juízos destruidores por causa de seu adultério espiritual, conforme a Escritura já declarara há muito tempo: “Tu destróis a todos aqueles que se desviam de ti” (Salmo 73:27). Primeiro, sua terra deixaria de dar as colheitas habituais. Canaã, uma terra fértil, se tornaria estéril por causa da impiedade de seu povo. Eles amaram a paga da eira de trigo e se encheram de alegria na colheita, mas não tinham coração para entristecer-se por causa do pecado. Assim, Deus os humilharia tirando não apenas seus prazeres, mas até mesmo seu alimento. A eira e o lagar não os sustentariam, e o vinho novo lhes faltaria (Oséias 9:2). Ou seria estragado pela mão de Deus, ou tomado pela mão dos homens.

Quando as pessoas transformam o mundo e seus dons em ídolos e em seu tesouro principal, Deus pode, com toda justiça, reter até mesmo as coisas básicas que esses dons deveriam proporcionar. Que percam o alimento da eira aqueles que buscam nela a sua principal recompensa. Perdemos as coisas boas deste mundo quando as amamos como se fossem as melhores coisas.

Em segundo lugar, a terra não apenas deixaria de alimentá-los, mas deixaria de abrigá-los. Ela os expulsaria, assim como fizera com os cananeus antes deles (Oséias 9:3). Não habitariam mais na terra do Senhor. Canaã era, de modo especial, a terra do Senhor, a terra marcada pela sua presença e favor. Deus era o verdadeiro dono da terra, mas o povo a usara como se fosse sua propriedade absoluta, sem prestar a ele o que lhe era devido. Então, Deus a tomaria de volta. Eles haviam, por assim dizer, quebrado o contrato de arrendamento e seriam despejados como maus inquilinos.

Isso mostra a santidade e a justiça de Deus. Aqueles que se afastam dele não devem esperar permanecer por muito tempo em sua terra. Mais cedo ou mais tarde, os ímpios serão expulsos do mundo. A terra também é chamada de terra do Senhor porque era uma terra santa, um lugar onde Deus se revelava de modo especial, onde seus profetas falavam e seus oráculos eram ouvidos. Era uma pequena figura do paraíso e um tipo do céu. Era um grande privilégio morar ali, mas era um grande pecado rebelar-se contra Deus naquele lugar. Agir perversamente numa terra assim era algo muito triste, e ser expulso dela era um juízo amargo, como ser lançado fora do Éden. Os que não querem viver de acordo com a lei do Senhor e no amor do Senhor não podem esperar conservar os privilégios de sua igreja.

Em terceiro lugar, uma vez lançados fora da terra do Senhor, não encontrariam descanso nem satisfação em nenhum outro lugar. Como Caim, que foi expulso da presença do Senhor e se tornou um errante, Israel não teria paz estável. Alguns voltariam ao Egito, a antiga casa de servidão, fugindo do assírio (Oséias 8:13). Mas se perderiam justamente no lugar onde esperavam esconder-se e encontrar ajuda.

Outros seriam levados cativos para a Assíria e obrigados a comer comida imunda. Isso pode significar alimento impróprio para o consumo humano, estragado e podre, mostrando que seriam reduzidos à extrema pobreza, como o filho pródigo que desejava encher o estômago com as bolotas. Ou pode significar alimento impróprio para os judeus, porque era proibido pela lei. É provável que, enquanto viviam em sua própria terra, eles observassem as leis alimentares, mesmo desobedecendo a Deus em outros pontos, e até se gloriassem nisso. Porém, já que não quiseram guardar a lei de Deus nas demais áreas, não lhes seria mais permitido guardá-la nesse ponto, e isso seria um castigo justo por seu pecado de comer alimentos sacrificados a ídolos.

Quando sofremos na área do alimento, sendo forçados pela necessidade ou por questões de saúde a comer ou beber o que não nos agrada, devemos reconhecer que Deus é justo ao tratar-nos assim. Pecamos também na questão da comida, entregando-nos com liberdade excessiva ao que agrada ao paladar. Dessa forma, um alimento desagradável deveria lembrar-nos do mau uso que fizemos dos dons de Deus.

Na terra de seus inimigos, para onde seriam levados, não teriam oportunidade de honrar a Deus ou buscar o seu favor oferecendo sacrifícios aceitáveis. Seriam cortados dos sinais externos da religião, das marcas da graça de Deus e dos meios pelos quais poderiam ser trazidos de volta a ele. Isso mostraria que Deus os havia rejeitado, afastando-se deles e deixando de reconhecê-los como seu povo.

Não teriam sacrifícios para oferecer, nem altar onde apresentá-los, nem sacerdotes que os oferecessem. Nem sequer poderiam trazer libações ao Senhor, muito menos outros tipos de sacrifícios. E, se os oferecessem, nem eles nem suas ofertas agradariam a Deus, pois não poderiam trazer sacrifícios legítimos, e seus corações não estariam humilhados.

Em vez de sacrifícios de alegria e louvor, comeriam o “pão de pranto”, o alimento de quem está em luto. Viveriam em tristeza e solidão, lamentando por parentes mortos e por seus próprios sofrimentos. Assim, mesmo que tivessem a oportunidade de sacrificar, não estariam em condição apropriada para isso, pois lhes era proibido comer do alimento santo estando de luto (Deuteronômio 26:14). Todo aquele que come o pão de pranto fica imundo e inapto para aproximar-se do altar.

Seu pão de cada dia, o alimento necessário à vida, não seria trazido à casa do Senhor. Não teriam casa do Senhor onde levá-lo ou, se a tivessem, não estariam em estado adequado para o fazer. Assim, o retorno de seus dias solenes seria para eles muito triste (Oséias 9:5).

O que farão no dia solene, no sábado semanal, na lua nova mensal e nas festas anuais, como a Páscoa, Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos? As festas do Senhor são dias solenes, e, quando somos convidados a elas, deveríamos perguntar com seriedade o que iremos fazer ali. Mas aqui a pergunta se dirige àqueles que seriam privados do consolo dessas festas. O que vocês farão então? Passarão esses dias em tristeza e dor, quando poderiam tê-los passado em alegria e louvor, se não tivessem trazido esse mal sobre si mesmos. Então aprenderão o valor das bênçãos ao perdê-las, e conhecerão o preço do alimento espiritual sentindo fome dele.

Quando desfrutamos dos meios de graça, deveríamos refletir sobre o que faríamos se os perdêssemos, seja porque nos fossem tirados, seja porque não pudéssemos mais participar deles.

Eles pereceriam na terra do seu espalhamento (Oséias 9:6). Tinham saído da terra do Senhor, onde antes podiam passar tanto os sábados como os dias comuns com certa segurança, e saíram porque a destruição estava chegando. Fugiram para o Egito porque o seu próprio país estava sendo devastado pelos assírios, e se consolaram com a esperança de que voltariam depois que a tempestade passasse. Mas essa esperança falharia. Eles encontrariam sepulturas no Egito, exatamente como seus antepassados rebeldes uma vez reclamaram (Êxodo 14:11). O Egito se tornaria o lugar de seu sepultamento, ajuntando-os como se ajuntam os mortos para serem enterrados, e Mênfis, uma das principais cidades do Egito, os sepultaria. A Escritura muitas vezes associa o ajuntar e o enterrar (Jeremias 8:2; Jó 27:19).

Os que imaginam poder escapar dos juízos de Deus costumam encontrar a morte justamente no lugar em que esperavam salvar a própria vida. A sua terra, que deixaram para trás e à qual esperavam retornar, se tornaria uma desolação. As suas tendas, onde haviam morado e guardado seus bens, os lugares agradáveis da sua prata, seriam derrubadas e reduzidas a ruínas, tão tomadas de urtigas que, se algum dia voltassem, não encontrariam ali nem fruto nem abrigo. Não lhes daria nem sustento nem lugar para morar.

Os que fazem do dinheiro o seu deus chamam de lugares agradáveis aqueles que são da sua prata. Em contraste, os que fazem do Senhor o seu Deus consideram amáveis os seus tabernáculos e veem o seu culto como deleitoso (Isaías 64:11). Mas os prazeres de estar perto de Deus não podem ser tirados pelo acaso nem pelas mudanças desta vida. Já os lugares agradáveis da prata dos homens, sejam comprados com prata, guardados com prata ou adornados com prata, podem ser assolados e cobertos de urtigas, e então todo o prazer que neles se tinha desaparece também.

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