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Gênesis 30:25 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E aconteceu que, como Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Deixa-me ir, que me vá ao meu lugar, e à minha terra. "

Gênesis 30:25

menu_book Versículo no contexto

23 E ela concebeu, e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus a minha vergonha.

24 E chamou-lhe José, dizendo: O Senhor me acrescente outro filho.

25 E aconteceu que, como Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Deixa-me ir, que me vá ao meu lugar, e à minha terra.

26 Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e ir-me-ei; pois tu sabes o serviço que te tenho feito.

27 Então lhe disse Labão: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica comigo. Tenho experimentado que o Senhor me abençoou por amor de ti.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Os pensamentos de Jacó se voltam para casa. Ele havia terminado fielmente o tempo de serviço com Labão, embora tivesse sido tratado com injustiça desde o início. Jacó agora tinha uma grande família para sustentar e, naquele momento, já era hora de começar uma vida independente. Ainda assim, ele manteve a palavra e cumpriu todo o serviço combinado. Uma pessoa piedosa, mesmo quando é prejudicada, não deve quebrar promessas nem pagar o mal com o mal. A regra é tratar os outros como gostaríamos de ser tratados, não como temos sido tratados.

Quando Jacó pede para ir embora, vemos que ele ainda amava a terra de Canaã. Era a terra do seu nascimento, onde moravam seus pais, mas mais do que isso, era a terra prometida. Ele vivia em Harã como forasteiro, um morador temporário, e não queria se estabelecer ali. Da mesma forma, os crentes devem considerar este mundo como um lugar de passagem, enquanto a pátria verdadeira é a celestial. Devemos ansiar por estar lá quando a nossa obra na terra terminar, sem fincar raízes aqui, pois este não é o nosso lugar permanente (Hebreus 13:14).

Jacó também queria partir, embora tivesse uma família numerosa e ainda não tivesse meios claros de prover para todos. Ele havia recebido esposas e filhos durante o serviço a Labão, mas não possuía bens próprios. Mesmo assim, não pede a Labão parte dos rebanhos ou qualquer sustento para seus filhos. Ele simplesmente diz: “Dá-me minhas mulheres e meus filhos, e deixa-me ir” (Gênesis 30:25; Gênesis 30:26). Quem confia no cuidado e na promessa de Deus, mesmo com muitas bocas para alimentar e poucos recursos, pode esperar com segurança que Aquele que dá filhos também dará o alimento. O Deus que alimenta os corvos não deixará passar fome os filhos dos justos.

Labão, então, deseja que Jacó fique (Gênesis 30:27). Ele pensa no próprio lucro, não em Jacó, nem nas suas esposas, nem nas crianças. Mesmo assim, fala com gentileza, pedindo que Jacó permaneça, se o considera com favor. Pessoas egoístas muitas vezes sabem usar palavras agradáveis quando isso serve aos seus próprios interesses. Labão tinha visto que seus rebanhos cresceram muito sob o cuidado diligente de Jacó e admite isso abertamente: ele reconhece que o Senhor o havia abençoado por causa de Jacó.

Labão diz que “aprendeu por experiência”, e há uma lição nisso. Muitas boas lições só são aprendidas pela experiência. Se não aprendemos com a vida, somos alunos muito pobres. A experiência pode nos ensinar a maldade do pecado, a inconstância do nosso próprio coração, o vazio do mundo e a bondade de Deus. Ela também pode mostrar como é proveitoso viver com sabedoria diante de Deus.

A lição de Labão é parcialmente verdadeira, embora seu coração continue sem mudança. Ele admite que sua prosperidade veio da bênção do Senhor. Deus muitas vezes concede bens materiais a pessoas que escolheram apenas esta vida como sua porção. Muitos recebem bênçãos comuns, sem participar, porém, das bênçãos especiais da aliança de Deus com o seu povo. Ele também admite que a presença de Jacó trouxe aquela bênção. Reconhece que não foi por causa dele mesmo, mas por causa de Jacó, que o Senhor o havia abençoado. Pessoas como Labão, que vivem sem Deus, não devem esperar receber algo do Senhor por direito próprio (Tiago 1:7). Ainda assim, os justos costumam ser bênção para os lugares onde vivem, mesmo quando são humildes e desconhecidos, como Jacó no campo ou José na prisão (Gênesis 39:23). Deus também pode abençoar pessoas ímpias com bens exteriores por causa de parentes piedosos, embora muitas vezes elas não percebam isso nem o reconheçam, como Labão faz aqui de modo incompleto.

Jacó e Labão fazem então um novo acordo. A esperteza e a ganância de Labão se aproveitam da natureza honesta e mansa de Jacó. Ele percebe que Jacó se deixa tocar por suas palavras gentis e, em vez de lhe fazer uma oferta generosa, manda que o próprio Jacó fixe o salário (Gênesis 30:28). Ele sabe que Jacó provavelmente pedirá menos do que realmente merece. Jacó então explica por que tem direito a esperar um tratamento justo. Labão deveria tratá-lo bem por gratidão, já que Jacó o servira com fidelidade e grande sucesso (Gênesis 30:30). Jacó, porém, fala de maneira modesta. Labão havia dito: “O Senhor me abençoou por tua causa”; mas Jacó apenas afirma: “O Senhor te abençoou desde a minha vinda”. Crentes humildes se alegram mais em fazer o bem do que em ouvir elogios por tê-lo feito.

Jacó também sabe que precisa cuidar da própria casa. Ele pergunta: “Quando trabalharei também por minha casa?” Fé e amor ao próximo são importantes, mas não devem nos impedir de prover o necessário para nós mesmos e nossos familiares. Devemos confiar no Senhor e fazer o bem, mas também zelar pelos de nossa casa. Quem se recusa a fazer isso é pior do que um descrente (1 Timóteo 5:8).

Jacó então concorda em deixar o resultado nas mãos de Deus, até em algo aparentemente pequeno como a cor dos animais. Ele pede, como salário, as ovelhas e cabras que nascessem salpicadas, malhadas e de cor escura (Gênesis 30:32; Gênesis 30:33). Isso ajudaria a impedir que Labão o enganasse e também evitaria suspeitas de que Jacó estivesse enganando Labão. Alguns entendem que Jacó escolheu essas cores porque eram mais estimadas em Canaã. Labão concorda, provavelmente porque acha que separar esses animais impediria Jacó de enriquecer. Se o rebanho principal continuasse quase todo de uma só cor, ele imagina que Jacó acabaria com pouco ou nada, embora trabalhando do mesmo jeito. Assim, os poucos animais malhados e salpicados foram separados e colocados sob o cuidado dos filhos de Labão, a uma distância de três dias de jornada. Labão era tão desconfiado que não quis deixar nem uma pequena parte do rebanho junto com o restante.

À primeira vista, o acordo de Jacó parece muito desfavorável. Se os animais normalmente gerassem filhotes semelhantes a si mesmos, pareceria que Jacó trabalhava em vão e viveria como servo para sempre. Mas ele confiou naquele em quem havia posto sua esperança, e o resultado confirmou essa confiança. Ele escolheu o melhor caminho possível diante de Labão, que, de outro modo, certamente o teria tratado com ainda mais injustiça.

Além disso, não foi esforço desperdiçado confiar na providência de Deus, no seu cuidado sábio sobre todas as coisas. Deus aprova e abençoa o trabalho honesto, humilde e diligente. Aqueles que encontram injustiça e dureza nas pessoas não encontrarão isso em Deus. De uma forma ou de outra, Ele retribuirá os que foram prejudicados e mostrará ser galardoador daqueles que colocam sua causa em suas mãos.

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