Versículo em destaque
Gálatas 2:11 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. "
Gálatas 2:11
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
9 E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;
10 Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.
11 E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.
12 Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.
13 E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.
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O relato que Paulo faz do que aconteceu em Jerusalém já havia mostrado aos gálatas que seus opositores estavam errados a seu respeito. Também havia deixado claro quão insensato era para eles se desviarem do evangelho que ele lhes havia pregado. Para reforçar ainda mais esse ponto, Paulo menciona outro encontro, agora com Pedro, o apóstolo, em Antioquia, e o que se passou ali (Gálatas 2:11-14).
Antioquia era uma das principais igrejas formadas por crentes gentios, enquanto Jerusalém era uma igreja de referência entre os crentes judeus que haviam crido em Cristo. Não há motivo sólido para pensar que Pedro fosse o bispo, ou principal dirigente, de Antioquia. Se ele fosse, Paulo não o teria enfrentado publicamente ali como fez. Parece tratar‑se apenas de uma visita ocasional de Pedro.
No encontro anterior, Paulo e Pedro tinham estado em plena concordância. Pedro e os demais apóstolos haviam reconhecido o chamado de Paulo e aprovado o seu ensino, e se separaram como amigos. Mas agora Paulo precisou se opor a Pedro, porque Pedro estava claramente errado. Isso mostra que Paulo não estava abaixo de Pedro em autoridade, e também enfraquece a ideia de que um sucessor de Pedro teria autoridade suprema e não poderia errar.
O erro de Pedro foi este: quando estava entre crentes gentios, ele comia com eles, embora não fossem circuncidados. Isso estava de acordo com as instruções que Deus lhe dera em Atos 10, quando a visão celestial o ensinou a não considerar impuro ou comum aquilo que Deus purificou. Porém, quando alguns cristãos judeus desceram de Jerusalém, Pedro passou a agir com cautela em relação aos gentios. Fez isso para agradar os da “circuncisão” e por medo de ofendê‑los. Isso certamente causou profunda mágoa e desânimo nas igrejas gentias. Em seguida, Pedro recuou e se separou deles.
Seu exemplo influenciou outros também. Os demais judeus o acompanharam nessa falsa aparência de rigor. Agiam como se, por questão de consciência, não pudessem comer com gentios por estes não serem circuncidados. Até Barnabé, cooperador de confiança de Paulo e alguém que havia ajudado a plantar e fortalecer igrejas gentias, foi levado por essa dissimulação. Isso nos mostra duas coisas: até as melhores pessoas são fracas e instáveis quando deixadas a si mesmas, e maus exemplos têm grande força, especialmente quando vêm de pessoas respeitadas e honradas.
Então Paulo repreendeu Pedro por esse pecado. A posição de Pedro não impediu Paulo de corrigi‑lo, porque o procedimento de Pedro prejudicava tanto a verdade do evangelho quanto a paz da igreja. Paulo se manteve firme naquilo em que cria, mesmo quando outros vacilavam. Ele era tão judeu quanto qualquer um deles, mas valorizava seu trabalho como apóstolo dos gentios e não permitiria que crentes gentios fossem rebaixados ou desanimados.
Quando Paulo viu que eles não estavam andando corretamente segundo a verdade do evangelho, falou a Pedro diante de todos. O evangelho ensina que a morte de Cristo removeu a barreira entre judeus e gentios, e que a lei de Moisés já não é obrigatória como antes. Por isso Paulo lhe pergunta, em essência: “Se você, sendo judeu, vive como gentio e não como judeu, como pode obrigar os gentios a viverem como judeus?” As atitudes de Pedro se contradiziam. Se ele, sendo judeu, podia deixar de lado a lei cerimonial e, em certas ocasiões, viver como os gentios, então mostrava que não considerava essa lei ainda necessária, nem mesmo para os judeus. Por essa mesma razão, não poderia exigir legitimamente que os cristãos gentios a observassem. Quando Paulo diz que Pedro estava “obrigando” os gentios a viver como judeus, não quer dizer que usasse violência, mas que, na prática, suas atitudes exerciam pressão sobre eles, como se só pudessem pertencer plenamente à comunhão cristã adotando costumes judaicos.
A partir daí, Paulo passa da correção de Pedro ao centro do evangelho: a pessoa é feita justa diante de Deus, ou justificada, somente pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei. Alguns entendem que tudo o que Paulo diz até o fim do capítulo faria parte do que ele declarou a Pedro em Antioquia. Em todo caso, essa verdade se opunha ao comportamento de Pedro, pois Pedro havia agido como se a fé em Cristo precisasse ser somada à lei para que alguém fosse aceito por Deus.
Esse era o mesmo ensino que Paulo havia pregado entre os gálatas, e ao qual continuava fiel. Ele deseja torná‑lo claro e firme nesta carta. Lembra‑lhes que até os cristãos judeus haviam chegado a essa convicção. “Nós”, diz ele, “que somos judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios, sabemos que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo. E por isso nós mesmos cremos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei.”
E se reconhecemos que era necessário buscar justificação pela fé em Cristo, por que voltar a nos sobrecarregar com a lei? Por que cremos em Cristo, senão para sermos feitos justos diante de Deus por meio da fé nele? Se é assim, é insensato retornar à lei e esperar ser justificado ou pelo valor de boas obras morais, ou pelo poder de sacrifícios e purificações cerimoniais. E se seria errado para nós, judeus de nascimento, voltarmos à lei e esperar justificação por meio dela, quanto mais errado seria exigir isso dos gentios, que nunca estiveram sob esse jugo? Ninguém será justificado pelas obras da lei (Gálatas 2:16).
Para reforçar ainda mais, Paulo acrescenta: “Se, procurando ser justificados em Cristo, também nós mesmos somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado?” (Gálatas 2:17). Se buscamos justificação somente por Cristo e ensinamos outros a fazer o mesmo, mas ainda assim somos tratados como pecadores, como gentios impuros que não deveriam ser recebidos a menos que também guardem a lei de Moisés, isso faria de Cristo um promotor do pecado? Não significaria que Ele nos conduz a um ensino que dá licença para pecar, ou que nos deixa ainda impuros e inaptos para a comunhão? Essa era a acusação que seus opositores queriam imputar a ele, e Paulo a rejeita com horror. Ele afirma, de modo forte, que não admitirá tal pensamento a respeito de Cristo ou de seu ensino, como se Cristo oferecesse um caminho de justificação que falha e deixa os crentes ainda injustificados, ou como se seu evangelho encorajasse o pecado e os pecadores.
Isso traria desonra para Cristo e dano para os crentes. “Porque”, diz ele, “se torno a edificar aquilo que destruí, constituo‑me a mim mesmo transgressor” (Gálatas 2:18). Se eu, ou qualquer outro, que ensinamos que a observância da lei mosaica não é necessária para a justificação, passarmos agora a ensinar ou sugerir, por palavras ou atitudes, que ela é necessária, então mostramos que ainda somos pecadores. Também nos expomos à acusação de engano e incoerência, como se agíssemos contra o que nós mesmos ensinamos. Assim, Paulo defende a grande verdade da justificação pela fé, à parte das obras da lei, apoiando‑se nas próprias convicções e prática dos cristãos judeus e nas consequências que adviriam se eles se desviassem dessa verdade. Fica evidente, portanto, que Pedro e os outros judeus estavam errados em recusar a comunhão com cristãos gentios e tentar trazê‑los de volta à escravidão da lei.
Então Paulo expõe seu próprio entendimento e prática. Em primeiro lugar, ele estava morto para a lei. Independente do que outros pensassem dela, para ele essa questão estava encerrada. Sabia que a lei moral pronunciava maldição sobre todo aquele que não cumprisse tudo o que nela está escrito (ver Gálatas 3:10); por isso, estava morto para a lei como caminho de ser justificado diante de Deus ou salvo. Quanto à lei cerimonial, sabia que havia sido colocada de lado com a vinda de Cristo. Diante da realidade, já não valorizava a sombra. Ele estava morto para a lei por meio da própria lei, porque a lei mostrava que seu próprio propósito havia chegado ao fim.
Examinando atentamente a lei, Paulo percebeu que a justificação não poderia vir por suas obras, já que ninguém conseguiria obedecê‑la perfeitamente. Também viu que os sacrifícios e purificações já não eram necessários, porque Cristo havia dado fim a eles ao se oferecer por nós. Assim, quanto mais claramente entendia a lei, mais percebia que não havia razão para continuar atribuindo a ela o lugar que os judeus reclamavam. No entanto, estar morto para a lei não significava estar livre do dever para com Deus. Ele havia abandonado toda esperança de ser justificado pela lei e se recusava a permanecer sob o seu jugo, mas estava longe de pensar que as reivindicações de Deus sobre ele tivessem acabado. Pelo contrário, estava morto para a lei justamente para poder viver para Deus.
O evangelho que Paulo abraçou não enfraqueceu o dever. Pelo contrário, ele o fortaleceu e confirmou. Assim, embora ele estivesse morto para a lei, isso era justamente para que pudesse viver uma nova e melhor vida para Deus, como também ensinam (Romanos 7:4) e (Romanos 7:6). Trata-se de uma vida mais agradável a Deus do que poderia ser agora a observância da lei de Moisés: uma vida de fé em Cristo e, por meio dessa fé, de santidade e justiça para com Deus. Em harmonia com isso, Paulo diz que, estando morto para a lei, está vivo para Deus mediante Jesus Cristo (Gálatas 2:20): “Fui crucificado com Cristo” e assim por diante. Em sua própria vida, ele oferece um retrato claro da vida escondida de um crente.
O crente é crucificado, e ainda assim vive. O velho eu é crucificado (Romanos 6:6), mas o novo eu vive. Ele está morto para o mundo e morto para a lei, mas vivo para Deus e para Cristo. O pecado está sendo morto, e a graça está sendo vivificada. Ele vive, e ainda assim não é propriamente ele, sozinho, quem vive. É uma expressão estranha: “Eu vivo, mas não mais eu”. Ele vive pela graça e desfruta do consolo e da vitória dessa graça, mas essa graça não vem de si mesmo. Vem de outro. Os crentes sabem que sua vida é uma vida de dependência.
Ele é crucificado com Cristo, e contudo Cristo vive nele. Isso decorre de sua união espiritual com Cristo. Por essa união, ele participa da morte de Cristo, de modo que morre para o pecado pelo poder dessa morte; e também participa da vida de Cristo, de modo que vive para Deus pelo poder dessa vida. Ele vive na carne, mas vive pela fé. Exteriormente, sua vida se parece com a das outras pessoas, e sua vida natural é sustentada como a delas. Contudo, ele é guiado por um princípio mais elevado: a fé em Cristo, especialmente a fé que contempla a maravilha do amor de Cristo ao entregar-se por ele. Assim, embora viva na carne, não vive segundo a carne. Os que realmente creem vivem por essa fé, e o principal objeto ao qual a fé se apega é Cristo nos amando e se entregando por nós. A prova mais clara do amor de Cristo é que ele se deu a si mesmo por nós, e é nisso que devemos especialmente confiar, se quisermos viver para ele.
Por fim, Paulo encerra esta parte de seu argumento mostrando que a doutrina da justificação pela fé em Cristo, à parte das obras da lei, evita dois graves problemas que a posição contrária cria. Primeiro, ela não anula a graça de Deus, como faz a justificação pelas obras. Como ele diz em outro lugar, se é pelas obras, já não é pela graça (Romanos 11:6).
Ele não tornou a morte de Cristo inútil. Se a nossa justificação diante de Deus viesse por meio da lei, então Cristo teria morrido em vão. Se esperamos ser salvos pela lei de Moisés, então tornamos desnecessária a morte de Cristo. Por que ele teria sido destinado a morrer, se pudéssemos ser salvos sem a sua morte?
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Deste capítulo
Gálatas 2:1
"Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito."
Gálatas 2:2
"E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão."
Gálatas 2:3
"Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se;"
Gálatas 2:4
"E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão;"
Gálatas 2:5
"Aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós."
Gálatas 2:6
"E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram;"
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